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Discursos-->14. UMA HISTÓRIA DE AMOR -- 10/07/2002 - 06:50 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Nós iremos contar uma história de amor que aconteceu na Roma antiga, durante os reinados dos Césares Augustos. Não se trata de acontecimentos que tenham envolvido grandes nomes da História, mas de simples artesãos e operários. É conto de amor entre criaturas que, felizes, se encontravam em estágio espiritual de bastante elevação.



Ele, Brútus por apelido, não tinha ainda dezesseis anos. Ela, Lavínia, mal contava treze anos e já possuía dons de virtude que fariam inveja às sacerdotisas do templo de Vesta.

A donzela vivia com os pais em uma vila dos subúrbios, educando-se ao contacto da natureza e da sociedade, aprendendo os quefazeres domésticos, com dedicação e carinho maravilhosos.

Ele era aprendiz de ferreiro e forjava ferraduras com exímia precisão e destreza. Seus pais viviam na campanha, servindo a senhor de extensas posses, plantando e colhendo para o dono, que reconhecia o seu valor e os queria muito, prezando os seus serviços e enaltecendo a sua virtude. Só não os convidava para partilharem de sua mesa, premido pelos empecilhos sociais da época.

Tudo transcorria harmoniosamente há já uns treze anos, desde o nascimento da filha querida dos ricos fazendeiros, Terência, que se adornava de excelsas graças e de prendas muito sublimes. O dinheiro, no entanto, tudo pode transtornar. Para desgraça sua, o generoso proprietário foi convocado para servir nas forças armadas e teve de partir com as legiões, para longínquas terras, em busca de riquezas e glórias para o poderoso imperador. Não foi preciso fazer-se acompanhar da família, a qual ficou sob a tutela de parentes gananciosos, os quais, após pouco tempo, dilapidaram a fortuna que tão sacrificadamente fora conseguida. Mãe e filha viram-se, de súbito, na rua da amargura, desamparadas, tendo de valer-se do auxílio dos antigos servos, que, de si, pouco possuíam, mas o suficiente para prover o sustento das duas, já que, pela sua boa fama, tinham conseguido anexar-se à fazenda, agora sob as ordens de outro proprietário.

Começa aí a vida angustiosa de Brútus, pois, ao visitar o pai, foi visto e amado pela filha do antigo patrão.

Lavínia, por seu turno, desconhecendo o que se passava, prosseguia em sua vida de luta e trabalho, guardando Brútus no coração, ternamente. As vicissitudes dos pais do amigo foram-lhe escondidas, pois, na realidade, Brútus acreditava que, retornando do exterior, o general iria reaver os seus domínios, desconhecendo, porém, que perecera em batalha. Só muito depois é que esta notícia veio a seu conhecimento, quando já se tinham desenrolado os acontecimentos que passamos a narrar.

Avisado pelo pai das tribulações de seus ex-patrões, encarregou-se Brútus de tentar informar o reconhecido senhor da desgraça de sua família e partiu em sua busca. Após alguma pesquisa infrutífera, viu-se sem dinheiro, assaltado que foi por bandidos, que só lhe deixaram a roupa do corpo. Nessa circunstância, foi obrigado a alistar-se no exército, tendo sido enviado para a frente de batalha, onde conseguiu distinguir-se como soldado, sendo logo guindado a condições superiores. Sua inteligência voltada para os problemas de caráter matemático, especialmente sua desenvoltura para tratar de assuntos de engenharia bélica, favoreceu-lhe avanços rápidos, de forma que, aos vinte e dois anos de idade, se encontrava coberto de glórias militares. Seu futuro político estava garantido, dando-se seu retorno a Roma debaixo de homenagens de vulto. Considerável era sua influência junto aos poderosos, o que lhe ensejou a possibilidade de reabilitar os antigos patrões de seus pais, acusando os perversos tutores, conseguindo justiça, afinal. Dado o caráter militar que envolvia o processo, tudo foi sumário e a vitória veio rápida.

Com vinte e três anos, Brútus era um dos favoritos de César, principalmente pelo poder de seu caráter impoluto e nobre. Lavínia tinha aguardado pacientemente a volta do amado, mas Terência, a filha do general, habituada à grandeza, não resistira à fortuna de antigo pretendente e se casara, para infelicidade sua já que agora não mais teria necessidades materiais, com a devolução das antigas propriedades da família. Sua mãe deu honras especiais aos pais de Brútus e passaram a ser uma única e feliz família. Debaixo do jugo do marido, Terência comportava-se bem, mas, com o acréscimo de sua fortuna, pois a mãe lhe transferiu quase todos os bens, passou a portar-se arrogantemente e, arrumando por desculpa o agradecimento que a Brútus devia, começou a visitá-lo com freqüência, não demorando a fazer-lhe propostas vis, entre as quais a de assassinar o marido e unirem-se em matrimônio.

Brútus sofreava seus impulsos de justificada ira e buscava consolar a “viúva”, incentivando-a à prática do bem e da virtude. Nesse meio tempo, casou-se com Lavínia, que adotara como fé religiosa a crença que vinha do Oriente, na fama dos milagres de Jesus Cristo, “O Rei dos Judeus”. Esse casamento arrefeceu aos poucos os laços de virtude que prendiam Terência ao marido, fazendo-a desandar, capitulando à impudicícia e ao vício. Seu orgulho ferido fê-la acusar Brútus de tentativas de abusos e, dada a preeminência política do marido, conseguiu arremessar o amado na cadeia, desmerecendo-o aos olhos de toda a sociedade.

Brútus, revoltado com a injustiça, clamava contra os céus, abjurando o momento em que cedera aos rogos de Lavínia e se tornara cristão. Ali, no cárcere, conheceu a vergonha e sofreu a derrota, uma a uma, de todas as suas conquistas morais. Amaldiçoava o mundo, a vida, os homens.

Eis que lhe aparece, um dia, de súbito, anjo enviado por Deus para sua orientação. Seu êxtase fê-lo emudecer e, subjugadamente, teve de ouvir, palavra por palavra, o que lhe dizia o enviado. Este fez-lhe ver a improcedência de seu comportamento, mostrando-lhe que era injusto para com quem tanto lhe havia dado. Ele obtivera tudo: corpo sadio, inteligência poderosa, vontade tenaz, caráter privilegiado, vida regulada e gloriosa, mulher carinhosa, meiga e terna, e, sobretudo, tivera a oportunidade de conhecer a verdade dos ensinamentos do Cristo. Por que, então, renegava tudo, atendo-se somente à desgraça atual, sem confiar na justiça divina, que tudo vê e a tudo provê? Que orasse e mantivesse a alma leve, pois seria erguido.

Brútus assim fez e, iluminado pela sabedoria do anjo, pacientemente, durante doze anos, aguardou o desfecho de sua situação, cumulando seu coração de virtudes excelsas. Um dia, jogaram-no aos leões e foi devorado, bendizendo ao Senhor a gloriosa honra de morrer em seu nome, santificado em vida.

Lavínia, anos antes, tinha tido o mesmo destino.

Terência perdera-se no vício e desencarnara havia tempo.

Eis que os três se encontram no “Céu”. Terência jazia no fundo de caverna, devorada de culpas. Lavínia pertencia a grupo socorrista que tentava a reabilitação dos que ofenderam a justiça. Brútus, envolvido por intensa luminosidade, obteve de Deus permissão para socorrer os irmãos das cavernas e, tendo saído em busca de Terência, com a ajuda de Lavínia, encaminhou-a para nova vida na Terra, a fim de apurar o seu espírito, através de sacrifício e de dores.



Como podem ver, irmãos, assim é que se conta uma história de amor, história sublime, em que os valores materiais exercem somente papel de mola propulsora dos acontecimentos, que têm seu verdadeiro valor e expressividade em seus aspectos morais e espirituais. Essa a história que devem contar a seus filhos, fazendo com que percebam que a luta é ponto básico para a redenção e que nada lhes é dado, mas que tudo devem conseguir, através de seu esforço, de sua dedicação e de seu amor.

Dirão que anjo do Senhor desceu para salvar Brútus, no fundo de seu coração amargurado. E terão razão. Não se esqueçam, porém, de que, desde há muito, legiões inteiras de anjos têm vindo em seu auxílio e vocês não têm olhos para eles. Prestem atenção nisso e atendam ao nosso chamado. Deus os protegerá e seu amor os glorificará. Mas a vocês, e só a vocês, cabe reconhecer os seus “pecados” e providenciar sua reparação. A vocês, e só a vocês, o mérito da vitória. Deus os abençoe!

Maciel.

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