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Erótico-->AS AVENTURAS DO PADRE DEODORO EM CAMPOS ETÉREOS — XXXIII -- 19/08/2003 - 06:25 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

— Peço-lhes que me perdoem ter permanecido imerso em mim mesmo. Tais momentos de distração não são de meu feitio, como eram para Sócrates, que me vem à lembrança porque me impressionavam as descrições de suas fugas da realidade, para viver a vida íntima sob a influência direta de seu demônio particular. Era o que eu mais detestava naqueles episódios, no entanto, vejo que estava redondamente enganado, para dizer o menos. O que não sei é se minhas reflexões estão sendo acompanhadas pelos mentores que cuidam de mim, conforme deduzo das leituras que realizei das obras de Kardec e do que me é dado verificar através das atividades mediúnicas. Ficará mais séria a minha pergunta se insistir num ponto fundamental, qual seja, o de que existe mediunismo também entre os espíritos ou aqui os fenômenos são outros? Claro que sou capaz de perceber que, se alguém me traz uma informação de outro setor da esfera dos desencarnados, para que eu a comunique aos amigos que não receberam a mensagem diretamente, estarei mediando, porque transmito o que ouvi de outrem. Mas estarão os espíritos mais evoluídos tão próximos de mim como nós estivemos dos encarnados ou permanecem distantes, dentro do mesmo patamar etéreo? Far-me-ei mais claro se disser que estou imaginando que haja outra essência existencial no mesmo espaço que ocupamos nós que aqui nos encontramos reunidos e os mortais que já saíram? Será que deverei guardar este tipo de pergunta, porque não corresponde às necessidades mais prementes dos cuidados que deveria haurir da recentíssima experiência mediúnica? Se alguém puder responder-me, Francisco, por exemplo, estarei prestando o máximo de minha atenção.

Levado a manifestar-se, Francisco começou perguntando:

— Como deverei evidenciar-lhe a existência de mais uma realidade encaixada neste setor do universo, se estou, como você, reduzido às mesmas dimensões? Não é verdade que os homens recebem todo tipo de informes de nossa existência traduzidos para as vertentes de sua constituição material? A voz é do médium, de forma que os pensamentos também podem ser considerados dele. Para os objetos que se deslocam, existem explicações de misteriosas forças orgânicas ou mentais ainda não dominadas nem explicadas, mas em vias, como os encarnados mais sabidos propõem, de serem decifradas, porque muitos trabalham cientificamente para isso. Os que vêem o que se passa em nosso plano ou se desdobram durante o sono e nos visitam passam por mistificadores ou desequilibrados mentais, sob o efeito de alucinações. Da mesma forma, qualquer suspeita da existência de outras camadas, vamos dizer assim, ocupando o mesmo bloco, segundo contingências energéticas próprias, terá de ser levantada por prismas intelectuais, levando vantagem quem esteja, como nós, observando o que se passa no campo material. Vamos um pouco além e imaginemos que os seres que nos pedem tais ou quais serviços de benemerência sem se darem a conhecer, apenas por influência pragmática segundo as normas de seu contexto essencial, também sejam solicitados por espíritos de luz situados em plano mais quinta-essenciado. Não terão eles as mesmas dúvidas, apesar de estarem com volume de informações mais adequado para o recebimento das mensagens superiores? O que devemos fazer é respeitar o princípio evolutivo, trabalhando por soerguer os que caíram em desgraça pelo mau uso de seu direito ao livre-arbítrio, tudo realizando, como o irmão Deodoro, para entendermos os processos utilizados para que se cumpra o princípio da misericórdia divina. Kardec diria que a fé deve ser raciocinada. Acrescento que a fé pode ser vivenciada através das sutis experiências do amor concretizado em obras. Não é esse o sentido de sua próxima argüição?

— De fato, pretendia que me esclarecesse a razão de ter sido trazido o coitado do Antônio Rodrigues para junto dos mortais. Acredito que a resposta que você lhe deu à mesma questão, ou seja, que era para propiciar conhecimentos a mim e aos meus parceiros, como ainda oferecer a oportunidade do serviço evangélico aos médiuns, tenha sido apenas “politicamente correta”, no sentido de oferecer algo que o intelecto dele estivesse em condições de assimilar. Eu penso que tenha havido outras causas, entre as quais incluo (se estiver enganado, corrijam-me) o fato de que os sentimentos do infeliz são tão grosseiros e sua percepção da realidade está tão fortemente vinculada aos eventos materiais, que apenas a aproximação das vibrações mais densas do organismo humano, ao qual estava preso pelo mesmo calibre de ondas cerebrais, poderia oferecer-lhe o entendimento da boa vontade e da solidariedade que pretendíamos passar-lhe.

— Perdoe-me, Deodoro, mas o grupo que dirijo não está habituado a este tipo de reflexões. Todos somos muito mais práticos, tendo aprendido a trabalhar junto aos espíritos menos evoluídos que nós, providenciando para que tenham acesso à mentalidade dos encarnados, para ouvir deles que a responsabilidade pela deflagração do processo de danos e perdas de oportunidades é de cada um de nós, em função dos roteiros de vida que merecemos, tendo em vista os procedimentos anteriores. É claro que os sentimentos dos encarnados são mais prontamente entendidos do que se nós mesmos tentássemos infiltrá-los nos seus perispíritos, através de nossa própria imantação. Imagine o sacrifício de Jesus em vir encarnar-se, espírito excelso, tendo tido a necessidade de toda espécie de constrangimento. Mas fez-se homem entre os mortais, precisando agir como um deles. Estou buscando raciocinar de forma absurda, para fazer-me compreendido no aspecto que julgo o mais importante, qual seja, o de que a proximidade vibratória é essencial para a pregação, existindo, porém, outros aspectos cuja natureza, como no caso das diferentes dimensões integradas no mesmo espaço sideral, também hão de passar despercebidas à nossa inteligência. O mais é filosofia pura.

Tendo percebido que os seus problemas eram muito específicos, talvez desinteressantes para os companheiros, Deodoro passou a palavra a quem dela quisesse fazer uso.

Everaldo precipitou-se, cheio de perguntas:

— Ficou-me sem resposta o fato de ter objetado quanto à fidelidade de captação da mensagem que passei pela voz da médium. Francisco acorreu para me dar conforto e solicitou-me paciência. No entanto, está na hora do esclarecimento prometido. Quanto a mim, diferentemente de Deodoro, não faço suposições. Gostaria de ouvir a explicação definitiva.

Foi a vez de Eugênio participar:

— Caro amigo “Beraldo”...

Querendo provocar o riso, indispôs ainda mais o interlocutor:

— Não achei graça antes.; menos ainda agora. Desculpe-me o azedume mas, se não ouvirem os encarnados o que temos para lhes dizer, com propriedade e afeição...

— Você, interrompeu Eugênio, nos afirmou que não faria suposições. Não nos venha, pois, antecipar as conclusões.

— A provocação não me caiu no gosto.

— Paciência, a gente não acerta sempre. Mas acredito que o amigo não há de ficar triste se lhe disser que fiz de propósito para lhe sentir o efeito, porque suspeitava que teria tido exatamente essa repercussão o fato de lhe trocar o apelido. Sendo assim, afirmo-lhe que acertei e que desejava mesmo que você se agastasse.

— Você está querendo, como disse o Salgado a Antônio, estabelecer uma cortina de fumaça.

— Se você conseguir prestar atenção ao que tenho para lhe informar, vai verificar que a fumaça se dissipará num momento. Se quisesse apenas provocá-lo, diria que a fogueira eu acendi, mas você é que está soprando sobre a lenha úmida. No entanto, a minha exemplificação se deu no sentido de que nem sempre as pessoas ou os espíritos logram perceber todas as intenções de quem lhes fala. Quando existe, além do mais, um componente emocional à flor da pele, como o desagrado de não ter sido bem entendido num trabalho a que se deu o máximo do esforço, ou quando se está meio enevoado pela magnetização, predisposto apenas para a tradução de mensagens de baixo valor literário, para dizer bem pouco a respeito de a médium ser iletrada e não estar absolutamente acostumada às sutilezas dos argumentos filosóficos...

Foi a vez de Everaldo interromper o amigo:

— Por favor, caríssimo “Gênio”, queira perdoar este humilde pecador, “Beraldo”, sim, mais do que nunca.

Aí, todos abraçaram os dois e se alegraram sobremodo pelo resultado efetivo das explicações.

Everaldo queria um pouco mais:

— Preciso dominar o que acontece de modo mais completo, conforme a sugestão de Francisco. Que se passou comigo exatamente no instante em que me desagradei do reflexo carnal dos meus pensamentos?

Ninguém se atreveu a responder, porque se julgaram incompetentes. Diante da hesitação geral, Everaldo levantou uma hipótese:

— Bem sei que o teor de minha pergunta não está propícia para que a resposta se dê no âmbito do entendimento dos encarnados, embora o sinal de rebeldia tenha vindo de lá, tanto que a médium foi justificada por Eugênio, aliás de forma concludente. Então, para efeito da descrição deste momento de feliz congraçamento entre todos os que se reuniram para as elucidações indispensáveis, proponho que, futuramente, se formos dissertar com a finalidade de ensinar alguma coisa aos mortais, que este episódio seja mantido segundo a realidade dos eventos mentais que patrocinei, ainda que minha personalidade perca para a de todos os colegas. Faço questão disso, como também de que seja assinalada a minha insistência na reprodução fiel de minha manifestação de vontade.

Fez-se silêncio por largos minutos, cada qual buscando enxergar a necessidade de se cumprir o pedido do companheiro. Foi Deodoro quem reiniciou os debates:

— Não estou satisfeito com o desempenho de meu grupo neste particular momento de meditação. Vejo-me o pior de todos (na companhia, naturalmente, de Everaldo), porque me preocupo demasiado comigo mesmo. Então, volto a transgredir as normas da modéstia, para interrogar João, que prometeu informar-me “a posteriori”, ou seja: o que tem para me dizer a respeito do fato de haver-me recusado a ouvir a história do visitante em agonia no hospital, como ainda ter oferecido resistência quanto às querelas entre o suicida e Antônio Rodrigues?

Instado, João não se apurou:

— Pois o Padre Deodoro, de certo modo, respondeu conforme iria explicar-lhe eu mesmo, isto é, ao “transgredir as normas da modéstia e ao sentir-se o pior de todos por preocupar-se consigo mesmo”, forneceu a pista da razão de não se interessar pelas vidas dos outros. Quando se tem em mira ajudar a alguém, é questão básica do socorrismo que entendamos todos os mecanismos psicológicos do espírito do ser em vias de tratamento. Um médico, para curar o seu paciente, não necessita conhecê-lo em todos os aspectos de suas afecções? Claro está que, de imediato, corre-se para aliviar os sintomas...

Deodoro interferiu:

— Por favor, João, não se estenda na comparação. Com mediana inteligência, qualquer um terá condições de entender que os remédios só surtirão os efeitos de cura se atacarem as causas da moléstia. Tudo bem, mas não estaremos penetrando na intimidade das almas, no caso do visitante encarnado.; não estaremos desnudando os segredos mais cuidadosamente guardados do espírito que não deseja fazer pública a sua imperfeição? Jesus, ao salvar os doentes, teria tido essa acuidade orgânica da moral? Não lhe bastava saber que o sofredor era um infeliz? Sei que não podemos cotejar o nosso discernimento com o do Senhor, mas, “mutatis mutandis”, a situação não é a mesma? Aceito a sua observação quanto a me considerar egoísta. Não vou negá-lo...

Francisco fez um sinal que desejava falar.

Deodoro, imediatamente, se dispôs a ouvi-lo:

— Ajude-me, meu amigo, porque não sinto muita firmeza em me reconhecer falho num aspecto, mas desejoso de estar correto em outro. Se estivesse preparando uma aula, ficaria mais à vontade para corrigir os defeitos da preleção. Neste instante, contudo, João, constituindo-se em minha “superconsciência”, vamos dizer assim, abalou-me nas raízes o tronco do silogismo, tanto que folhas e frutos se desprendem e forram o chão ao derredor, com perdão da má figura, que apenas vem para disfarçar os meus pruridos de pudor.

— Se fôssemos perfeitos, meus amigos, não perguntaríamos nada. Se perguntamos, é porque desejamos saber. Se desejamos saber, configuramos o fato de que não sabemos e levamos vantagem sobre os que pensam que tudo sabem sem saber (para continuar com Sócrates). Por isso, não precisamos das nossas nem de quaisquer outras opiniões. Elas apenas nos prejudicam. Quando dizemos que achamos, que suspeitamos, que...

Mas Francisco não prosseguiu. Suspendeu a frase em meio do pensamento, desejando que todos completassem o sentido do que vinha dizendo, cada qual segundo a repercussão dos pensamentos carregados emotivamente pela intemperança dos assistidos mediunicamente naquela reunião. Sobre isso, estender-se-ia em seguida.

Cada um dos novatos no serviço de empenho mediúnico desenvolveu reações próprias, de forma que o grupo adquiriu posturas diferenciadas a respeito do tema, a favorecer posterior discussão, plena de ricas sugestões. Por enquanto, nada disseram, aguardando que Francisco falasse a respeito da sobrecarga emocional resultante dos trabalhos mediúnicos.

— Creio que todos vocês, um dia, já se meteram no meio de uma coluna de fumaça, de dentro da qual desejaram sair rapidamente. Por quê? Porque os efeitos tóxicos não demorariam para se fazerem sentir, através da inalação de ingredientes perniciosos ao organismo, sem falar do próprio calor, que poderia queimar as vias respiratórias, chegando até os pulmões. A comparação é válida para que entendam que o nível das vibrações dos seres de mais baixa condição moral também perturba a organização perispiritual dos assistentes e socorristas. Quando não ficam impregnados miasmas espirituais, ou seja, emanações que se podem cotejar com a podridão ou corrupção provocadas pelas moléstias na carne, influência deletéria sempre produzida com maior ou menor conhecimento do irmão sofredor, o que significa dizer que existem aqueles que projetam de propósito os elementos nocivos, pode ocorrer, no mínimo, que se desarranjem os componentes da estrutura de nossa constituição corporal mais sutil, da mesma forma que se desorientam as pessoas que recebem o impacto de um golpe na cabeça ou ingerem algum produto narcotizante. Todos os irmãos que passam por auxílio estão, de um modo ou de outro, desequilibrados. Esse aspecto é fundamental para a prevenção de acidentes (o que nos levou, por exemplo, a atender o amigo Antônio sozinho) como também nos autoriza a efetuar trabalho de limpeza fluídica e energética em seguida à reunião. Muitos dos trabalhadores encarnados invigilantes, sem conhecimento suficiente dos efeitos desagregadores das vibrações em descompasso com a formação de sua personalidade perispirítica, recusam-se a receber a ajuda dos instrutores espirituais, através de atitudes de negação da possibilidade de serem atingidos pelos seres do espaço espiritual, considerando que possuem suficiente força fluídica para rechaçarem os malefícios dos infelizes. São os que, por desleixo quanto à humildade para o recebimento de ajuda dos guias e protetores, adquirem fatores de estresse espiritual, terminando por se afastarem da seara mediúnica, cada vez mais refratários ao envolvimento dos abnegados socorristas, por criarem espécie de grossa casca eletromagnética, ao modo de muitos desencarnados da mais baixa extração moral. Não são criaturas más. Apenas não se dedicam ao estudo, para aperfeiçoamento dos trabalhos junto à mesa evangélica. Quase sempre, são os que fogem dos horários em que os passistas, ou seja, os que providenciam a energização ou reenergização fluídica dos que buscam tranqüilizar a mente e o corpo, estão à disposição. Não temos, neste nosso círculo material de assistência mediúnica, nenhum seareiro desatento, o que é mais fácil de se achar em terreiros de umbanda, principalmente se não se dá ouvido às palavras de advertência do orixá que comanda as sessões, através dos pais e mães-de-santos. No que se refere ao campo espiritual, uma vez ou outra, algum trabalhador recentemente admitido às reuniões, assim como o grupo de vocês, despreparado para aceitar a palavra prudente dos instrutores, acaba saindo com mal-estares diversos, somente voltando a ser convidado após passar por curso intensivo sobre os tratamentos adversos que podem ser dados aos fluidos. Aproveito a oportunidade para perguntar-lhes se todos estão sentindo-se absolutamente sãos, se não estão um pouco zonzos, embaralhando as idéias, sem dominar os sentimentos, como ocorreu com a sensação de vergonha de Deodoro, que não expôs todos os pensamentos com a habitual vitalidade lingüística, ou com o abalo de irritação de Everaldo, que demorou para perceber a intenção de ajuda de Eugênio.

Não houve ninguém que afirmasse estar na plena posse das faculdades mentais e das correspondentes reações orgânicas.

— Vamos, prosseguiu Francisco, dar-lhes tratamento fluídico, à imitação daquele que propiciamos a Antônio, agora com a intenção de afastar os ingredientes absorvidos indevidamente dos espíritos levianos com quem mantivemos contato.

Tomé, Eugênio e Francisco deram-se as mãos e efetuaram uma prece em voz alta, solicitando dos maiores de sua instituição etérea, uma colônia de prestação de serviços aos desencarnados. Imediatamente, transferiram os eflúvios de que se sentiram penetrar às organizações perispirituais dos sete, por meio de ligeira fricção na região do chacra coronário.

Toda a ação não perdurou por mais de cinco minutos, tempo durante o qual os atendidos se mantiveram despertos para a compreensão do fenômenos de que estavam sendo objeto. Mas, além de ligeiro frêmito, que se comparou com o estremecimento provocado pelos arrepios causados à epiderme por corrente de ar fresco, nada mais conseguiram caracterizar.

Deodoro não resistiu à curiosidade:

— Quero crer que fomos libertados dos maus pensamentos que se alojaram em nossas mentes pela influência da malversação dos próprios conhecimentos evangélicos dos assistidos, particularmente de Antônio, que voltava os ensinos de Jesus para a justificação de seus atos espúrios. Esse frágil trepidar que sentimos por dentro, como se o nosso coração tivesse sido massageado, quer significar um fluxo energético depurado que perpassou por nosso corpo espiritual, dando-nos de volta a condição do exercício pleno do livre-arbítrio?

Francisco percebeu que a inteligência do amigo caminhava rápida para as conclusões positivas de quem está prestando atenção aos fatos e não deduzindo simplesmente dos aspectos teóricos absorvidos das leituras dos textos passados a Kardec pelos amigos da espiritualidade maior. E confirmou:

— Na verdade, os benfeitores nos atendem com boa vontade, porque sabem que exercemos as nossas atividades com o lídimo desejo de consagrar-nos à melhoria dos infelizes. Nesse ponto, temos de considerar a intervenção como a resultante do próprio mérito de quem necessita de ajuda. Vocês, por exemplo, evidenciaram de maneira claríssima que estão imbuídos de real interesse em aprender as noções técnicas do socorrismo ativo. Foi isso que nos permitiu orar pela interferência dos mentores da colônia, no refazimento de suas forças. Mas devo dizer-lhes que nem todas as tonalidades das cores de suas auras foram restabelecidas. Vocês estão sentindo-se bem melhor agora. Ponto pacífico. Mas devem estar ainda pejados pelas vibrações emanadas da população terrena como um todo, que ninguém se encarna neste planeta sem que tenha os ônus de anteriores derrotas, exceção feita para uns poucos que ingressam na carne para se constituírem em missionários do bem e do amor de Jesus. Estes, porém, não conseguem fazer prevalecer a riqueza moral de suas emanações sobre o conjunto dos que se perturbam pela densidade da matéria, verdadeiros prisioneiros em corpos que não lhes permitem o exercício pleno da vontade. Aliás, limitam-se, em grande maioria, a aceitar as condições culturais vigentes, agindo e reagindo em função dos preceitos coletivos, muitas vezes contrariando, inclusive, os dispositivos conhecidos das leis promulgadas pelo poder público. Esse conjunto de elementos psíquicos acaba por enegrecer a atmosfera espiritual, tanto que vocês precisaram trazer o suicida para ser tratado em ambiente altamente protegido pelas forças do etéreo, quando o normal teria sido o atendimento no próprio lugar em que se deu o encontro.

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