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Erótico-->AS AVENTURAS DO PADRE DEODORO EM CAMPOS ETÉREOS — XXXVIII -- 24/08/2003 - 07:05 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Realmente, Deodoro voltou-se inteiramente para as informações que acabava de receber. Se estava interessado na sorte dos parentes e amigos e em como deveria fazer para chegar até eles em paz, o fato de Eufrásio referir-se a uma instituição de ensino no etéreo lhe espicaçou a curiosidade. Mas foi suficientemente hábil em contornar a parte mais débil das reações e disfarçou, pleiteando outros elementos:

— Em primeiro lugar, tenho a certeza de que você fez de propósito estimular-me para as questões que está aguardando com a mente agradavelmente disposta pelo efeito de surpresa que alcançou. Tudo bem, eu não teria agido de maneira diferente. É sempre com alegria que nós, professores por vocação e formação, levamos os alunos a aprender, mesmo quando o ensino vem de cátedra. Poderia aguardar pacientemente que me conduzisse pelos corredores do educandário, apresentando-me aos colegas seus e meus, informando a respeito das salas e dos auditórios, falando sobre a capela, porque, em instituição voltada para o crescimento espiritual, a prece deve estar resguardada das influências externas perturbadoras e...

Como não encontrasse segundo adjetivo, porque se recusava a apelidar de grosseiras, de “fúteis”, de “vilipendiosas”, de “pernósticas” e demais qualificações periféricas, deu azo a que Eufrásio o ajudasse:

— Pergunte logo qual o nível do ensino da “Escolinha” (que não se perca pelo nome).

— Pois sou bem capaz de imaginar que — era o tempo que estava criando para os íntimos raciocínios a respeito — a denominação de “Escolinha” não seria compatível com a minha figura de solene professor de Teologia em Seminário Maior. Então, nada mais justo do que concluir dois fatos principais: primeiro, os ensinos são de molde a satisfazer todo tipo de inteligência, mas se situam em nível bastante primário, conforme a concepção evolucionista do espiritismo predominante nesta casa.; segundo, que o povo daqui ama a sua escola e lhe atribui o diminutivo carinhosamente. Aposto que a idéia inicial era a de chamar o colégio de “Escola de Evangelização”, contudo, o povo, à vista do desejo de tornar a obra propriedade de todos, com orgulho destituído de prepotência ou megalomania, quis dar o tom da intimidade, do respeito e da benquerença. Terei necessidade de perguntar pelo nível do ensino aqui ministrado?

— Está claro que lhe passei uma “dica” bem aproveitada, quando fiz referência ao fato de que a nomenclatura estava sujeita a uma interpretação sagaz. Todavia, devo dizer-lhe que temos tido alguma dificuldade com esse nome, quando o nosso médium o reproduz para os leitores encarnados.

Deodoro não atinava com a relevância das explicações. Sondando o terreno, que sabia fértil, porque Eufrásio não dava ponto sem nó, incapaz de realizar todas as ilações a que se habituara, simplesmente perguntou:

— Meu amigo, quer dizer que vocês cuidam de transmitir textos aos encarnados? Significa que devo incluir-me entre os autores, de acordo com planejamento muito mais amplo? Por que você disse “nosso médium” no singular? Não deveria colocar o substantivo no plural? A dificuldade a que você se refere está na ingenuidade de se pensar que o diminutivo possa fazer pensar em obras infantis e que os trabalhos se destinem à Mocidade Espírita, pela informação que obtive no “Tugúrio do Divino Amor”?

— Faça de conta que estamos passeando pelas dependências e que estou transferindo-lhe os conhecimentos necessários para que se inteire dos serviços que prestamos aos irmãos desencarnados e encarnados. As suas perguntas merecem apenas o esclarecimento quanto ao número de médiuns. São muitos os que trabalham conosco, mas apenas um está, atualmente, no exercício da atividade relativa aos textos mais longos, em prosa e verso. Neste ponto, cabe passar a você a ficha reservada que temos sobre ele. Não leia agora para não fomentar dúvidas ou instigar investigações. Se for o caso, você, um dia, será encaminhado a ele, no momento da transmissão de uma de nossas equipes, quando saberá quais os elementos fluídicos, quais os dispositivos magnéticos, quais os recursos lingüísticos, quais os aparatos sensórios perispirituais de que deverá munir-se para a mediunização do servidor encarnado. Outros médiuns operam em outros setores, porque precisamos de todo tipo de instrumentos, à vista da gama quase completa das espécies de mensagens que ensinamos os alunos a transmitir. Quantas são as modalidades de médiuns que Kardec incluiu em seu “O Livro dos Médiuns”? Mais de sessenta, está lembrado? Eis aí o que deveria expor-lhe. Quanto ao mais, as suas perguntas, de certa forma, são capciosas, porque você se pôs na expectativa de que as respostas apenas lhe confirmassem as deduções. Veja que estou respondendo agora àquela antiga indagação relativa à sua capacidade de desenvolver os raciocínios conducentes à verdade, justamente quando você me disse que estava eu...

— “Admoestando”-me e você me disse que me “advertia”.

— Então, não percamos mais tempo. A sua próxima pergunta vai ser quanto ao nome do curso que lhe citei?

— “Curso de Adestramento” etc.?

— Isso.

— Pois o título diz tudo. O que não me parece necessário é ficar três anos para...

— Não precipite as conclusões, por favor. Se você estivesse diplomado nas matérias básicas, com certeza nem precisaria freqüentar tal curso, porque os professores, segundo os temas que desenvolvem, incluem aspectos da programação daquele, conduzindo os estudantes, paulatinamente, ao mesmo resultado.

— Vejo que a menção ao curso e à escola foram adrede preparadas para iniciar-me nos conhecimentos da entidade.

— Quer saber mais?

— Se me for útil ao crescimento espiritual...

— Talvez seja prejudicial, mas, como é verdadeiro e como você se tem mostrado deveras lúcido, estamos entabulando negociações junto à diretoria para que, ao mesmo tempo em que se matricular no curso regular, em etapa condizente com os seus conhecimentos teóricos, ministre a ouvintes um tópico expressivo, a seu critério, referente aos problemas dos sacerdotes quando do despertar para a realidade do etéreo, reforçando o prisma das desilusões, segundo as convicções religiosas arraigadas em suas mentes e em seus corações.

Deodoro extasiou-se com a simplicidade com que era aliciado pelo antigo companheiro e atual protetor. Sentiu-se importante e reconhecido. Pela primeira vez no etéreo, via de modo positivo a sua vida dedicada ao magistério e à religião. Abraçaram-se demoradamente, sem lágrimas, mas com os corações ritmados no mesmo compasso de felicidade.

Quando reouve o domínio sobre os sentimentos, Deodoro proclamou:

— Eufrásio, mesmo que nesta região vibrem o desespero, a dor, as mágoas, os sofrimentos das consciências pejadas de culpa, ainda que eu mesmo não me considere merecedor de tanta consideração e assistência, devo afirmar-lhe que estou feliz, quanto poderia requerer ao Pai. Creio que a gente deve realizar, pouco a pouco, a construção do Paraíso. Hoje, acrescentei um canteiro de begônias, para poder contemplar toda vez que me sentir defasado quanto aos ideais que não se realizam por força da sorte madrasta, porque sempre teremos de contornar os dissabores do próximo em relação a nós mesmos, até o dia em que não tivermos mais do que nos lamentar. Peço-lhe perdão por não configurar com precisão os sentimentos, que o meu vocabulário, de repente, se tornou insuficiente, eu que me orgulho de falar tantas línguas. Mas a verdade é que estou preparado para corresponder à confiança que em mim for depositada, ainda que adie os encontros...

— Nada disso, irmãozinho. O seu currículo está necessitado desses acréscimos de afetos e de desgastes emocionais. Vamos colocar no computador central a interrogação mais séria, para verificar como é que deveremos encarar a primeira tarefa...

— Precisa dar essa característica pragmática de tarefa a um amorável reencontro de seres que se amam?

— Desculpe-me. É o hábito do mestre.

— Você se esquece de que me propôs paridade junto ao corpo docente.

— Pode brincar à vontade! A sua alegria é a minha felicidade. Vamos orar para que todos os que contatarmos nos incitem para a mesma reação.

— Antes, assumindo definitivamente a responsabilidade da confecção do livro a ser encaminhado aos mortais...

— Depois nós discutiremos a respeito da possível repercussão junto aos destas paragens, porque podemos, perfeitamente, circunscrever aspectos temáticos de interesse para os alunos ou visitantes desta casa de ensino.

— Agora você está ampliando demasiado o meu labor. Terei condições intelectuais para trabalho tão importante?

— Você pensa de verdade que é importante?

— Para mim é.

— Imagine-se dentro de cinco milênios a refletir sobre o alcance deste seu pequeno empreendimento. Será que terá os mesmos estremecimentos? Por outro lado, o escritor julga que está realizando relevante serviço. Depois, ao verificar as diferentes leituras do povo, irá exercer um movimento pendular entre a mais nobre e edificante obra de esclarecimento e a mais vil e obscura descrição do egoísmo, do orgulho e da vaidade.

— Vamos discutir a respeito das verdadeiras características da modéstia, da humildade e da temperança?

— De forma alguma, porque sei que você é mestre. Quando fiz referência ao universo das reações, falava de algo transcendental ao autor, porque a obra, uma vez dada ao público, não pertence mais a quem lhe deu origem, nem a quem a transcreveu (no caso de ser mediúnica), nem a quem a editou, divulgou e vendeu. Passa a ser propriedade de quem a tiver lido, porque se tornou dono dos momentos a ela dedicados.; senhor dela, se foi capaz de categorizá-la dentre as de mesma função literária.; escravo, se, alheio às solicitações inerentes de reflexão, atribuir-lhe, como acréscimo pessoal, os preconceitos, as críticas viperinas, do que nem a palavra do Cristo se livrou. Nem precisamos citar os Evangelhos, pois essa fase de nosso relacionamento está encerrada.

— Quererá o amigo sugerir que deverei escrever da forma melhor que puder, sem estabelecer limites, consoante a diversidade do público?

— Quero dizer que, se o seu trabalho estiver abaixo do nível estabelecido pelos orientadores da colônia, segundo os critérios deles, que lhe serão passados a tempo, você não logrará discursar perante ninguém.

— É justo. O meu prisma de avaliação dos méritos deverá sofrer incrementos valiosos, porque o meu refletir sobre o Universo vem modificando-se substancialmente a cada nova perspectiva de interpretação filosófica ou científica da realidade. Manter, portanto, o meu ponto de vista é correr o risco da opinião simplista, sem a envergadura da verdade. Se estivesse estimulado para a poesia, poderia flautear à vontade...

— Engano seu. Uma das obras que estamos em vias de passar aos mortais leva por título: “No Etéreo, a Poesia é Outra”.

— Como você está constatando, muito deverei aprender até estar preparado para a elaboração do texto.

— No entanto, para ministrar o curso que lhe solicitaremos, está bem aparelhado.

— Então, se me permitir, amigo Eufrásio, sugiro-lhe que não percamos mais tempo e...

— Quer discutir já esse aspecto que adquiriu para você o tempo e o significado da perda dele?

— No mínimo, existe um jogo de interesses entre nós: você, desejoso de me ver aprendendo.; eu, estimulado para resolver os problemas afetos aos meus familiares. Assim, para você, perder tempo será o desperdício das oportunidades que me oferece.; enquanto, para mim, haverá de ser o adiamento das decisões que deverei tomar quanto...

— Digamos que o Padre Deodoro esteja querendo adivinhar. Mas concordo em manter o seu interesse aceso, porque, de outro modo, poderíamos incitá-lo para a resolução de outras questões. Vamos, pois, realizar a harmonização de suas memórias, para descobrir quem são as pessoas, segundo as representações carnais das duas derradeiras romagens pela Terra.

Enquanto caminhavam por imensos corredores, Eufrásio ia apontando os diversos departamentos:

— Este é o do “Despertar da Consciência”. Este é o do “Conhecimento das Vidas Pregressas”. Este é o do “Condicionamento Vibratório”. Este é o da “Programação da Reencarnação”. Este é o da “Miniaturização Perispiritual”.

Havia outros muitos cujos nomes Deodoro ia guardando, mas que não lhe provocavam nenhuma íntima perquirição. Preocupava-o o fato de que as pessoas iam passando em todos os sentidos, sem lhes prestar o mínimo de atenção. Parecia que nem eram vistos.

— Estamos sendo acompanhados atentamente, pode ter certeza, caro amigo. Entretanto, não causamos nenhuma impressão especial nos técnicos que aqui trabalham. Circulam por obrigação estatuída, quer dizer, dão-se ao trabalho de se deslocarem grosseiramente, quando deveriam simplesmente volitar ou transportarem-se. No entanto, não perdem tempo algum porque comandam a distância os aparelhos sob sua responsabilidade. Concentram-se, portanto, no que fazem e não têm interesse nenhum em desviar-se para os temas filosóficos que tanto nos aprazem. Imagine este pessoal na Terra e você os vestirá com as indumentárias dos cientistas. Quando os encontrarmos em suas folgas, vamos ver que são pessoas comuns na afabilidade do trato, sempre predispostas à ajuda, principalmente se dentro do campo de seu maior desenvolvimento. Creia que, se existe o setor em que o necessitado precise internar-se, nenhum deles irá intervir na área alheia. Não realizam diagnósticos nem recomendam tratamentos, apesar de seus muitos anos de devotamento às suas disciplinas. Encaminham os que os procuram para o “Setor de Triagem” do “Ministério da Saúde”.

Deodoro franzia o cenho mas não abria a boca. Estava decidido a não ceder ao influxo das novidades. Queria resolver os problemas de caráter pessoal e seguia as informações como se apenas as registrasse na memória, gravador deambulante pelos corredores.

Enfim, penetraram num amplo salão em que diversos instrumentos se dispunham como camas de hospital. Mas não eram leitos nem cadeiras. Constituíam-se de emaranhado de fios de diferentes colorações que se perdiam em orifícios abertos no alto teto. Todos os aparelhos estavam ocupados, sendo operados por três técnicos cada um. Ao lado, com atuação visível, para cada paciente, existia um protetor, do qual emanavam reflexos luminosos, como...

Aí as possibilidades comparativas faleceram ao Monsenhor. Absolutamente, não percebeu a função dos auxiliares não vinculados elétrica ou eletronicamente. Estariam apenas dando sustentação energética? Como é que transmitiam força sem se enfraquecerem eles mesmos? Não seria mais eficaz que se reunissem para a manutenção do tônus vibratório do conjunto dos assistidos, tendo em vista que uns deveriam estar mais necessitados de apoio do que outros? Os protetores individuais saberiam controlar a freqüência de suas ondas, orientando-as especificamente para a possibilidade de recepção de seu pupilo?

As perguntas se formulavam no cérebro do recém-chegado, contudo, buscava refrear a emissão telepática delas, pensando em não perturbar os trabalhos. Que Eufrásio se dispusesse por livre iniciativa a comunicar-lhe as respostas, se tais ensinamentos conviessem para o seu esclarecimento, segundo a oportunidade e o local.

Não percebeu Deodoro que todas as reações se deram imediatamente após ingressar, como num arfar da respiração. Em seguida, sentiu-se zonzo e perdeu totalmente a noção de si mesmo. Mais tarde perguntaria se tinham utilizado algum soporífero para desmaiá-lo.

Eufrásio amparou o amigo e, sem esforço, conduziu-o para a vaga que se fez com a retirada de um dos pacientes. Num relance, estava preso aos terminais, que foram fixados magneticamente em torno de sua aura, sem contato com o perispírito. Bastariam as emanações para que os fluidos realizassem o seu papel.



Antenor conversava com o pai. Depois se distraía com amigos. A mãe aparecia para censurar-lhe a postura moral. Vários irmãos e irmãs se apresentavam e se retiravam sem manifestações de agrado ou de desprezo. Entrou em sua memória a figura de uma mulher adulta, matriarcal, que envelheceu bruscamente e desencarnou. Vários apetrechos cirúrgicos primitivos se punham em suas mãos, se lambuzavam de sangue e eram largados, sem que nenhum sentimento de repulsa se assinalasse. Mas o sangue contaminava as mãos que agarravam moedas de ouro e de prata. Em seguida, Antenor deparava-se em região absolutamente sem luz. Aí Deodoro começou a comparar as recordações, tendo como base a recente peregrinação pelo Umbral. A mulher que por último lhe surgira na mente estava de pé à sua frente, impondo-lhe condições. A vida teria de ser sacrificial. Um desconhecido lhe dava conselhos quanto a se manter íntegro fisicamente. Uma frase preconizava a melhor atitude: “Faça o que lhe parecer o mais justo para os outros, mas não se esqueça jamais de si mesmo.” Sem solução de continuidade, as reminiscências se mesclaram, em função dos comprimentos de ondas que era capaz de perceber em cada personagem que lhe passava pela visão interna. Foi assim que o seu pai se identificou nas duas encarnações. A mãe também, embora com uma distinção que se tornou notável, ou seja, a mãe de Antenor era simplória e submissa.; a de Deodoro se apresentava magoada e inconformada. Sentia por ambos acendrado amor, mas se perturbava em relação ao pai e se punha de prevenção quanto à mãe. Nenhum dos irmãos se mediu pela mesma configuração. Queria reconhecer outras pessoas, mas a mente como que se esvaziou, enquanto os sentimentos se depuravam, segundo as recordações que se estimulavam desde a concepção de Antenor até o desenlace dos pais de Deodoro.



Acordou numa espécie de cápsula, onde permanecia sem gravidade. Queria interrogar-se a respeito de tudo.; não conseguia elaborar uma única questão. Mas a presença das figuras paternas e maternas estavam patentes e soberanas. Não repudiava nem um nem outra, mas não se sentia confortável perante os espíritos ali representados. Quando estabeleceu o princípio de que tais pessoas eram antigos adversários que buscavam reconciliação através dos cuidados determinados pela sua condição de filho, despertou para o evangelho e repetiu o inteiro teor da lição de Jesus: “Não julguem nunca, a fim de não serem nunca julgados.; — pois vocês serão julgados conforme terão julgado os outros.; e a gente se servirá em relação a vocês da mesma medida de que se tiverem servido em relação a eles.” (São Mateus, VII: 1 e 2.) Mas também lhe veio um como que argumento a justificar-lhe os sentimentos: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim.; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim.” (São Mateus, X: 37.)

Nesse instante, o devaneio cessou, a capsula se abriu e Deodoro foi recebido nos braços de Eufrásio, como se não tivesse noção de si mesmo, de onde estava e o que esperava por ele. Lágrimas espessas escorriam-lhe pelas faces e nesse estado ficaria por longo tempo, sem que ninguém lhe desse consolação ou afago. Punha-se emocionalmente diante da própria consciência e deixava esvair-se por completo nas acusações que se fazia de indiferença e desleixo em relação aos seres que deveria mais ter respeitado dentre todos. Entendeu que estava em pecado mortal porque não atendera ao quarto mandamento, que lhe martelava o cérebro: “Honrem a seu pai e a sua mãe, para terem uma dilatada vida sobre a terra que o Senhor seu Deus lhes há de dar.” (Êxodo, XX: 12.)

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