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Erótico-->AS AVENTURAS DO PADRE DEODORO EM CAMPOS ETÉREOS — XXXIX -- 25/08/2003 - 07:40 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Quando Deodoro despertou, vinha cheio de perguntas. Mas não encontrou o amigo Eufrásio. Estava, ali no quarto, a enfermeira e madre Margarida. De pronto, todas as minúcias da primeira internação lhe perpassaram rápidas pelo cérebro. Os óculos, o terço, o breviário, a batina negra, nada mais viu ali. Vestia uma espécie de bata verde solta sobre a calça do pijama azul escuro. O volume da “Revue Spirite” estava sobre o criado mudo. Havia uma janela aberta, por onde penetrava grosso e límpido raio de sol, que iluminava o ambiente com os reflexos que retirava da alvinitente colcha que, dobrada, se lhe estendia aos pés.

— Margarida, você, prezada amiga, ainda por aqui?

— Pois não se sinta alegre, porque eu não esperava mais tê-lo conosco.

— Quer dizer que voltei a internar-me no hospital?

— Chegou um molambinho de gente. Abatido e desprovido de forças. Deu trabalho, sim, o Sacerdote, apesar de estar um jovem senhor de, no máximo, uns quarenta anos quanto à aparência. Vejo que progrediu muito. Mas não repare em mim, que continuo com os meus cinqüenta e tantos.

Deodoro gostaria de desdizer a referência espontânea, mas, como sempre, não se deu ao trabalho do engodo social. Preferiu contemporizar:

— Se você soubesse quanto peregrinei por aí, não iria achar que eu estou esbanjando “progresso”. Você vai ver que, quando criar coragem para investigar o mundo lá fora, voltará com muita vontade de evoluir para Jesus.

Margarida não deu mostras de se comover. Ministrou uma colherada de remédio e prescreveu doses similares de cinco em cinco horas.

Deodoro não achou o paladar muito bom, mas engoliu o líqüido pastoso como teria feito em criança, porque sempre obedecera aos pais.

A recordação remeteu-o no remoinho das tristezas promovidas pelas recordações que admitia funestas.

Agora me sinto envergonhado para enfrentar os velhos. Como é que vou dizer-lhes que não os tive na conta de protetores, mas de inimigos? Terão as mesmas dificuldades em relação a mim, considerando que me deram guarida na carne para justificarem um ato de boa vontade ou de respeito às deliberações dos anjos guardiães? Não sei se algum dia honrei a eles, como determina a lei maior, mas a verdade é que tive uma vida muito longa, promessa bíblica do Decálogo. Como foi mesmo que Kardec comentou a passagem?

Fez um simples esforço e se deparou, no item terceiro do capítulo quatorze, com o trecho que declamou em voz alta: “O mandamento: ‘Honrem seu pai e sua mãe’ é uma conseqüência da lei geral de caridade e de amor ao próximo, pois não se tem como amar seu próximo sem amar seu pai e sua mãe.; mas a palavra honrem contém um dever a mais quanto a eles: o da piedade filial. Deus desejou demonstrar, através disso, que ao amor é preciso juntar o respeito, os cuidados, a obediência e a condescendência, o que implica a obrigação de cumprir para com eles, de modo mais rigoroso ainda, tudo o que a caridade estabelece quanto ao próximo. Esse dever se estende naturalmente às pessoas que ocupam o lugar de pai e de mãe, e que possuem tanto mais mérito quanto seu devotamento é menos obrigatório. Deus pune sempre de forma rigorosa toda violação desse mandamento.”

Examinou o restante do texto, vendo que as idéias não lhe pareciam muito originais, tanto que “dar-lhes o repouso em seus dias de velhos.; em cercá-los de solicitude, como fizeram por nós em nossa infância”, como ali se registra, foi o que fizera com carinhoso desvelo.

De repente, despertou para a realidade:

Mas Margarida não se encontrava no hospital. Ela tratou de mim no monastério. Terá sido trazida para cá ou levada para lá? Se veio de lá, com certeza deve ter progredido o seu tanto. Se sempre esteve aqui, ao aparecer por lá...

Não precisou os termos. Estava confuso. Mas não se apertou e, imediatamente, orou para que fosse esclarecido.

Foi a própria enfermeira quem veio atendê-lo em sua necessidade:

— Querido amigo, eu iria a qualquer lugar para dar-lhe conforto e alegria. Mas sou paciente e tenho capacidade de armazenamento de todos os atos de bondade que você teve para comigo. Não sou brilhante intelectualmente, mas ofereço-lhe o meu coração.

Enquanto falava, Deodoro notou que se transfigurava. Já se lhe reduziam os anos significativamente. Passou pelas casas dos trinta e se fixou na idade virtual dos vinte e cinco. Pela mente do Monsenhor repassaram os antigos conhecimentos, as confissões, as insinuações e as rejeições de sua parte, que com ela não pecara nem em pensamento. Surpreendeu-se, contudo, imaginando que, em outras existências, poderiam ter mantido relacionamentos afetivos. Nesse caso, levava nítida desvantagem de memória.

Margarida foi quem lhe deu as diretrizes dos contatos anteriores:

— Meu caro, eu fui sua irmã de sangue, quando você se chamou Antenor. Meu nome era Gertrudes, recorda-se?

Deodoro não sabia como reagir.

Terei de abraçá-la comovido? Se não guardo nenhum momento feliz em conjunto, como é que vou descrever-lhe a minha desguarnecida sentimentalidade?

Tentou ganhar tempo:

— Você era pelo menos quinze anos mais nova. Não passamos juntos mais do que alguns meses. Como é que se agarrou tanto à minha pessoa?

— Não se desespere para não frustrar-me. Estive em suas reflexões na figura da pessoa que lhe dava conselhos e que, anteriormente, envelheci e desapareci de sua convivência. Essa fui eu numa vida anterior. Era preciso acrescentar o fato em seu devaneio sob imantação, porque insisti em ser a primeira da família a me revelar.

— Não estou entendendo. Você não me apareceu como minha irmã? Claro que apareceu. Depois não mais a reconheci na minha recordação como Deodoro. Agora você me vem dizer que era uma mulher adulta em outra época? Dessa forma, não poderei encontrar suficiente apoio para me manter lúcido.

— São os eventos de caráter emocional que o mantêm perturbado. Procure analisar as suas mãos sujas de sangue.

— Devo ter sido um cirurgião: “Doutor Antenor”.

— Veja que as suas recordações estão bloqueadas. Você tinha a impressão de que se recordava de sua vida no século dezoito. Mas o seu cérebro só permitia recordar-se dos feitos de caráter intelectual.

— Examinando bem os seus informes, devo acreditar que algo houve muito triste para ser esquecido tão completamente?

— Eu me lembro de todas as minhas vidas e só vou desprezando aquelas primitivas, que não me trazem nenhum acréscimo de monta para o entendimento de minha personalidade. Por exemplo, a minha teimosia em voltar sempre em forma feminina, perseguindo um ideal amoroso não correspondido, me fez embotar o cérebro, porque a sociedade humana, historicamente considerada, não ofereceu às mulheres as mesmas condições de melhoria intelectual que aos varões. Mas também não sou tão despreparada assim. É que, perto da intensa luminosidade do Monsenhor, a minha pobre lamparina não consegue projetar um feixezinho que seja de luz.

— Foi você quem me recomendou a única frase que se incrustou em minhas reminiscências durante o transe a que fui submetido para encaixar as personalidades, qual seja, se bem me recordo: “Faça o que lhe parecer o mais justo para os outros, mas não se esqueça jamais de si mesmo”?

— Não fui eu mas estava presente quando um dos membros da equipe da miniaturização de seu perispírito a pronunciou, tendo em vista o seu retrospecto existencial na carne.

— Parece que você sabe muito mais sobre mim do que eu mesmo.

— Apenas o que sou capaz de recordar. Quando você reouver os dispositivos da memória, irá obter o domínio de todos os fatos que o envolveram.

— Estará muito longe esse dia?

— Creio que não. O que posso adiantar-lhe é que Deus é misericordioso, tanto que forneceu às criaturas essa possibilidade de esconder-se de si mesmas, para não sofrerem duas vezes, principalmente porque quase todos os crimes antigos os sofrimentos atuais vão compensando e os trabalhos em favor dos semelhantes vão resgatando. Saber, enfim, que não se é perfeito é condição para a melhor avaliação dos atos em descompasso com as leis cósmicas.

A partir daquele instante, Deodoro começou a sentir-se mal perante a enfermeira e irmã de caridade. Percebendo que desfalecia, Margarida pôs as mãos trêmulas sobre as têmporas do sacerdote e passou-lhe as vibrações da mais pura ternura, acalmando-o, ao tempo em que lhe sussurrava ao ouvido:

— Não precisa se desculpar perante esta sua benfeitora. Tenho tido eu mesma constantes vertigens causadas por terrível sentimento de culpa por causa dos mal-estares que provoquei. Confessei-lhe meus pecados na derradeira passagem carnal. Você mos perdoou em nome de Deus. Não me castigue agora com o seu distanciamento emocional. Acredite que sempre estarei por perto para servi-lo.

Naquele momento, Eufrásio veio em socorro do amigo, antes que Margarida lhe fornecesse os indícios de seus relacionamentos de todos os tempos. Delicadamente, levantou a irmãzinha, pondo o dedo indicador sobre os lábios.

— Estamos aqui para auxiliá-lo e não para perturbá-lo ainda mais.

— Desculpe-me, Eufrásio. Muito obrigada por impedir-me de cometer uma inconfidência.

— Ele tem muito sobre que meditar. Vamos deixá-lo em paz.

Ato contínuo, acionou um botão na parede ligando as ondas vibratórias do paciente ao computador central do “Ministério da Saúde”, para monitorização de seu estado emocional.

Antes de se retirarem, Margarida convidou Eufrásio para uma oração:

— Senhor, dai-nos a tranqüilidade da confiança em vossa sacratíssima misericórdia. Favorecei-nos a compreensão dos melhores remédios para a salvação de Deodoro de suas próprias recordações, evitando que a consciência dele submerja muito profundamente nos desajustes da personalidade. Permiti que a sua fleuma intelectiva apóie as deliberações de caráter emocional, a partir do momento em que se vir na necessidade de se deparar com os pais, para a definitiva união de amor. Assim seja.

Eufrásio precisou sustentar a companheira, que se comoveu ao entender que rogava mais por si mesma do que pelo assistido.

Serenado o ânimo da auxiliar, Eufrásio levou-a para analisar o quadro em que se delineavam os reflexos emocionais de Deodoro. Não era propriamente uma tela de cinema ou de televisão. Antes, era um esquema complexo de referências através de linhas, como num tracejado de eletrocardiograma, mas definido eletronicamente através de distinções coloridas, segundo padronização organizada pelos técnicos da colônia. Não era a primeira vez que Margarida presenciava os efeitos do marcapasso emocional, mas, mesmo assim, como se quisesse reforçar os conhecimentos, pediu a Eufrásio que fosse descrevendo os sintomas evidenciados.

— A linha mais clara, esbranquiçada e leitosa, está em forte oscilação. Quer dizer que Deodoro se esforça por controlar-se, mas com pouco sucesso. As suas lembranças são de molde a perturbá-lo, quase a ponto de acordá-lo. Num recinto sob a influência de seres malévolos, seria presa fácil de obsessão. Veja que o desempenho intelectual se perturba, porque o traço verde-escuro se mantém bem embaixo, com fortes vibrações mas sem grande amplitude. Estivesse em estado normal, o Monsenhor, pela preponderância do intelecto em sua personalidade, mesclaria o quadro todo de verde-claro. A linha vermelha tende para o marrom, o que quer dizer que as reações orgânicas estão quase a prejudicar-lhe a contextura perispirítica. Se chegar a escurecer, descaracterizando a cor vermelha, teremos de intervir imediatamente. Por outro lado, o azul está bastante estável e se dilui com facilidade, o que significa, necessariamente, que deposita muita fé nos protetores e na justiça divina, sabendo que o seu futuro não se apresenta de forma a assustá-lo.

— Corrija-me, por favor, se estiver errada. O fato de angustiar-se com o passado não deveria envolver as perspectivas do futuro? Não estará arrependido pelos disparates evangélicos que justificava através dos conceitos religiosos? Não deverá prever uma conduta muito mais coerente com a realidade cósmica? Essa programação não incluirá, na antevisão dele, outras encarnações de dor e de expiação?

— Observe o pontilhado amarelo, correspondente ao influxo dos temores. É o setor de maior equilíbrio. Deodoro aprendeu a enfrentar os problemas do dia-a-dia e se crê razoavelmente bem dotado para encarar o que for.

A conversa iria prolongar-se por muito tempo, enveredando por roteiros teóricos, buscando Eufrásio exemplificar as teses tecnicistas através de outros pacientes monitorizados. Enquanto isso, Deodoro ia acalmando-se e voltando ao normal. Ao se acender uma luz branca ao lado do painel, souberam que havia acordado e que chamava pelos benfeitores.

— Ainda bem que vocês vieram de imediato. Tenho muito que confidenciar-lhes a respeito das minhas experiências conscienciais. Antes, porém, desejo saber se vocês tiveram acesso às minhas lembranças e aos meus pensamentos.

Foi Margarida quem se atreveu a esclarecer:

— Você está ligado ao “Centro Médico de Emergência”. Para que pudéssemos acompanhar totalmente o seu desempenho íntimo, teríamos de interná-lo no “Setor de Revivescência Psicológica”, mas, como ainda se mantém a sua memória turbada, não é conveniente levá-lo para lá, porque se mesclariam os elementos da realidade mental com os da fantasia, ainda mais que se cruzariam as informações recentes com as arquivadas em épocas de pequena ou nula ascendência intelectual sobre os instintos.

— Significa que eu poderia voltar aos tempos primevos, quando errava pelas colinas na qualidade de neandertalense, por exemplo?

— Não se distancie tanto, meu irmão. Refiro-me aos períodos infantis e às dolorosas descidas às Trevas.

Eufrásio se admirava da facilidade com que os dois se entendiam, Era como se uma antiga amizade fosse restabelecendo-se velozmente, após a consignação mental dos relacionamentos antigos.

O sentimento dele foi captado pelos outros dois, de sorte que se elaborou neles o pensamento de que deveriam dar-se as mãos, olhos nos olhos, com o desejo do reatamento de todas as afeições que se frustraram no passado. Não precisaram falar nada. A telepatia exerceu o direito de privacidade dos amantes, de sorte que Eufrásio ficou de fora das transmissões eletromagnéticas carregadas de eflúvios de felicidade.

Foi Deodoro quem rompeu o prolongado silêncio:

— Eufrásio, meu querido, tenho de dizer-lhe que me sinto reconfortado. Estou perante um ser que se integra completamente em todos os meus anseios de contato espiritual. Você, meu generoso amigo, poderá representar o papel de pai, de conselheiro, de professor, de mentor, de confessor, de evangelizador ou doutrinador. Mas Margarida foi a criatura que se dedicou a melhorar-se para me oferecer as condições ideais da pureza, num gesto de renúncia e de abnegação que, confesso, me passou despercebido há várias encarnações. Na derradeira, tendo eu, por anuência dos benfeitores maiores, escolhido um corpo robusto e uma inteligência sagaz, sendo os meus pais terrenos os mesmos que me agasalharam da penúltima vez, cheguei com o espírito em paz, firmemente decidido a respeitar a vontade deles. Sei que, em reunião no etéreo, aceitei a condição do sacerdócio católico para o sacrifício da prole, porque deveria estimular os sensores morais superiores, tanto que investi na carreira eclesiástica. Ora, era de ver que a minha Margarida deveria, por seu turno, sabendo-me impedido para o matrimônio, encaminhar-se para a castidade das monjas. No entanto, o mistério das atrações agora elucidado foi o elemento de surpresa que os nossos guardiães reservaram para o nosso contato físico e moral. Devo dizer-lhe que Margarida se apaixonou por mim em termos carnais, incapaz de perceber que a afetividade poderia ser sublimada. Como não desvendei a profundidade dos sentimentos dela por mim, naquela época totalmente materializado pela facilidade dos encontros físicos com mulheres mais livres social e psicologicamente, não me deixei fascinar pela jovenzinha, ouvindo os seus segredos no confessionário, sem nenhuma percepção de que poderia abandonar a batina e formar uma família, desfazendo o planejamento sob a tutela dos protetores, que, com certeza, reformulariam as diretrizes de minha vida, dando-nos nova oportunidade de realização conjunta dos ideais mais sagrados do crescimento afetivo. Refleti, profundamente, a respeito de meus pais e dos nossos mútuos compromissos. Vi minha mãe simplória e submissa e, depois, magoada e inconformada. Penso que, numa sociedade mais aberta ao desenvolvimento das mulheres quanto aos valores antes manipulados pelos homens, deverei encontrar minha mãe colocando sérios obstáculos à prepotência machista que se desenvolveu no cerne da personalidade de meu pai.

Eufrásio, tendo ouvido tudo muito atentamente, pediu licença para um aparte:

— Este é o meu velho amigo, sem dúvida. Estimo vê-lo menos embrulhado nas estrepolias sentimentais, cujas vibrações lhe toldavam o discernimento. Você foi capaz de desenhar uma linha de atuação para que a sua mãe possa evoluir em função de oferecer ao seu pai oportunidades de resgate. Aplicou mecanicamente a lei de causa e efeito. Para surpresa sua, devo dizer que, apesar de a intenção de ambos ter sido essa exatamente, resolveram reencarnar com sexos trocados, de modo que seu pai, em forma feminina, está causando sérios embaraços ao homem que hoje configura a sua mãe. Você acha que só pelo fato de voltarem ao corpo iriam mudar o procedimento espiritual? Agora o seu pai prossegue na mesma linha prepotente e a sua mãe se vê em palpos-de-aranha para subjugar o antigo companheiro.

Deodoro apertou significativamente a mão de Margarida, como a informá-la de que não poderiam cair em semelhante esparrela, caso resolvessem que deveriam voltar marido e mulher ao plano da matéria mais densa.

— Seja como for, disse a Eufrásio, devo me alistar na próxima expedição ao orbe, para oferecer aos meus velhos pais...

— Diga “antigos”, porque hoje estão com pouco mais de vinte anos de idade.

— Acho que não teremos dificuldade em nos reconhecer e em nos abraçar.

— Também penso assim, mas precisamos saber qual é o parecer dos responsáveis pelos contatos externos. Lembre-se do que lhe disse sobre consultar os técnicos.

— Posso, tendo em vista o auxílio que tão tardiamente...

— Vou deixar passar a referência ao tempo...

— Desculpe-me.

— Pois pode ficar à vontade com a sua...

Hesitou ao designar o grau de relacionamento entre os amantes. Não queria ofendê-los chamando-os de namorados, de amigos, de irmãos. Mas deu oportunidade a que o ajudassem, demonstrando que não tinha firmeza sobre o termo a empregar.

Margarida completou:

— Esposa, irmã e protetora.

— Pois curtam a felicidade deste reencontro e teçam planos não muito ambiciosos, porque Deodoro não está completamente lúcido quanto aos empecilhos emocionais que deverá superar.

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