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Erótico-->AS AVENTURAS DO PADRE DEODORO EM CAMPOS ETÉREOS — XLII -- 28/08/2003 - 07:56 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Eufrásio e Margarida permaneceram o tempo todo enlevados pelo alto nível em que transcorriam as explanações. Alguns tópicos ficaram obscuros mas evidenciou-se, por outro lado, a facilidade de percepção de Deodoro quanto às sutis intenções dos mestres. Ambos, contudo, enviaram ao amigo fortes vibrações de amor, pela admiração crescente de suas qualidades, em descompasso com a própria fragilidade intelectual deles.

Foram agasalhados pela benquerença do protegido, que se situou, de imediato, perante todos, na qualidade de aluninho de primeiras letras, informando telepaticamente que respeitava a todos pelas superiores disposições espirituais, dada a integridade moral produzida pela sua benevolência, paciência e resignação, à vista da ignorância do profitente, que era como se considerava, ressalvando a inteligência como mal formada e viciosa. Passou-lhe rápida a intuição de que deveria ser mais humilde e modesto, porém, acordou para a realidade, solicitando do grupo que se voltasse para o objetivo maior da reunião.

— Estou imensamente interessado em saber como é que irei ter com meus “jovens” e “permutados” pais, disse gracejando, mas temeroso de ser inoportuno, o que lhe transpareceu nitidamente na aura.

Joaquim voltou às instruções:

— Vamos ter de preveni-lo quanto às dificuldades inerentes à percepção pelos encarnados da figura do filho. Não é por estarem em estado sonambúlico que readquirirão toda a lucidez espiritual. Existem os percalços das preocupações da hora, de forma que o investimento nas soluções dos problemas emergentes da carne se torna muito mais precioso para o desenvolvimento das qualidades deles do que o atendimento a protetores que almejam o bem-estar de outra criatura, ainda que tenha representado um objeto de extremo afeto, em alguns momentos de suas pregressas vidas.

Deodoro desejou perguntar a respeito dos conhecimentos que os orientadores possuíam das disposições dos pais em recebê-lo.

Joaquim continuou:

— Certamente, poderíamos saber como você poderá vir a ser recebido, consultando os protetores e vigilantes no exercício do atendimento pessoal a eles, por designação de seus anjos guardiães. Interrompo para perguntar-lhe se está afeito e de acordo com a terminologia que venho empregando ou prefere que me utilize de jargão mais adequado aos ouvidos de um sacerdote?

— Significa dizer que poderia solicitar-lhe que empregue, especificamente, expressões católicas? Entretanto, não saberia como conduzir-me no entendimento das condições dos seres que assistem aos encarnados. Penso que a sua pergunta esteja entre as meramente retóricas, para avaliar o meu descortino relativamente à crença arraigada em meu coração e que não se demonstra pelos reflexos emocionais na aura. Pois afirmo-lhe que, no estágio em que me encontro, incapacitado para deliberar a respeito do que seja o melhor para mim mesmo, tenho a certeza de que a erraticidade não se apresenta organizada para uma rápida assimilação da verdade, tanto quanto me é oferecida nesta oportunidade valiosíssima, a qual não vou querer perder por nada, mesmo que volte decepcionado dos encontros com quem julgo me tenha em conta de alguém importante para as suas existências.

— Claro está, meu amigo religioso, que leio em sua aura o lídimo desejo de reatar os vínculos afetivos, hoje limitados a duas criaturas, como se as amizades devessem firmar-se tão-somente no espaço e no tempo materiais do orbe.

— Devo, de novo, rejeitar a hipótese que você levanta a respeito de minhas concepções a respeito dos efeitos das vibrações simpáticas e amorosas sobre a sensibilidade. O período em que me mantive perto dos amigos do meu grupo de peregrinação foi dedicado ao crescimento de mútuos respeito e admiração, de forma que lhes sinto a falta, como me passa freqüentemente pelo coração a necessidade de saber como é que estão saindo-se em suas aventuras existenciais. Se me permitirem os professores, posso afirmar-lhes que cresce a saudade da convivência com os protetores do “Tugúrio do Divino Amor”, como ainda me lembro, com forte interesse quanto à sua sorte, das vítimas do desastre aéreo e dos pobres suicida e perseguidor.

Deodoro ia concluir citando o desenvolvimento do afeto para com os professores presentes, mas Joaquim interrompeu-o:

— Teria você o mesmo desejo de saber como se encontram os religiosos do mosteiro que visitou depois do desencarne?

— Devo dizer-lhe que imagino que estejam mais ou menos na mesma, porque não buscam progredir. Nesse sentido, pressupondo que não me vejam com bons olhos, creio ser melhor deixá-los entregues ao seu destino, ao seu carma.

— E quanto às inúmeras pessoas que você conheceu muito intimamente na Terra, parentes, colegas de escola, paroquianos, párocos, superiores hierárquicos, alunos, amantes?

— Se pudesse, talvez iria propor volver ao convívio de cada um deles, para firmar em bases novas o nosso relacionamento, porque sempre a gente fica com a sensação, não de débito, mas de que poderia ter feito mais por eles.

— E quanto aos presidiários que você pretendeu encaminhar para a religião e, por via de conseqüência, a uma realização de vida mais cristã e feliz, segundo a sua aspiração sacerdotal de salvar as almas dos pecadores?

— Sinceramente, neste caso, o que representa minha vontade real não é o benefício que procurei prestar-lhes mas o estágio atual de cada um, segundo a aplicação resultante de meus ensinos. Em outras palavras, se é bem isto o que conduz o seu questionar-me, não me interesso propriamente pelas pessoas deles mas pelo trabalho que realizei.

— Se lhe dissesse que muitos se encontram desejosos de reverenciá-lo pelo esforço que despendeu no sentido de conduzi-los ao Senhor, você aceitaria deparar-se com tal grupo, para receber-lhes as homenagens?

— Antes, meus prezadíssimos mestres, gostaria de ouvir de vocês como é que Jesus reagiu perante a aclamação de que deve ter sido alvo da parte dos que mereceram dele a cura física e espiritual.

— Particularmente quanto ao episódio em si, ninguém da colônia saberia descrevê-lo, menos ainda no que respeita aos sentimentos do Messias. Você não está, deveras, esperando que lhe informemos a respeito, pois não?!

— Vou deslocar o foco de minha atenção para Kardec. Existe alguma notícia de como foi recebido pelos amigos e protetores, no momento em que se inteirou de que, fulminado por um ataque cardíaco, chegou de volta ao etéreo? Em caso afirmativo, qual a reação dele?

— Podemos deslocar também nós a área de interesse para a nossa possibilidade de resposta?

— Por favor.

— O amigo Deodoro foi recepcionado por inúmeras criaturas agradecidas. Mas, ao aqui chegar, não foi capaz de reconhecer ninguém, ficando encarregado Eufrásio de sua orientação, sob a proteção da colônia. Se você não tivesse sido altamente recomendado por grupo tão significativo de espíritos amigos, não teríamos tido como retê-lo junto a nós, porque teria sido seqüestrado por aqueles que mantêm aceso o ódio aos sacerdotes que muito prometem através da venda das indulgências e da oferta do perdão eclesiástico, em nome de Deus.

— Isto me faz devedor pela existência afora, certo?

— Elimine da mente a figura do débito. Resguarde apenas o ato de amor a ser correspondido. Quando você praticava o bem, tinha sempre presente o fato de que era o que Jesus propugnara para a contrapartida do ingresso no Reino do Pai? Os que clamam em seu favor têm à vista o seu conforto moral, regalo paradisíaco que podem ofertar, sem medo de hipocrisia, com o coração na mão.

— Quando poderei abraçá-los?

— Assim que se livrar do terrível peso que tem obrigado a consciência a carregar.

— Ou seja, o aproveitamento do bem-estar material que as minhas faculdades intelectuais me proporcionaram, em detrimento da humanidade sofredora.

— Não afirme. Pergunte. Talvez a resposta possa surpreendê-lo.

Deodoro, que começara rejubilando-se pela notícia alvissareira das solicitações insuspeitas de intervenção em seu favor, descaía em tristeza, percebendo que algo havia feito de muito ruim para não poder gozar da companhia dos verdadeiros amigos. De qualquer modo, não externou o pensamento em forma de interrogação. Temia que a surpresa poderia ser desagradável.

Interveio o Professor Marcelo:

— Vejo que o caro sacerdote se restringe ao hábito das deduções precípites e desdenhosas da realidade. Sabe o que está a refletir tal atitude? A velha falta de coragem diante do Cristo, pela concepção de que todo crime deve ser castigado, porque o homem, segundo a Igreja que você representava, peca por ação e por omissão, através dos pensamentos, palavras e atos, o que retira da iniciativa pessoal muitos cometimentos cujos resultados se tornam dúbios, por força das variáveis não dominadas pela vontade ou pela inteligência. Nesse caso, a responsabilidade está sempre entregue aos confessores, que se constituem em verdadeiros carrascos da consciência alheia. Ora, como tudo reverte para ou contra quem emite as vibrações em harmonia ou descompasso moral, resulta que o gozo ou o sofrimento se vedam “in limine”, pelo indiferentismo que assoma em relação ao desempenho dos outros seres. Se você não estiver de acordo com a sugestão que estamos impregnando-lhe no fundo do ser, exponha francamente amanhã à classe em que será recebido. Eufrásio, logo cedo, lhe dará as diretrizes do que terá para providenciar. Passe esta noite a refletir sobre todos os pontos que expusemos e veja se consegue admitir a verdade neles subjacente.

Mal terminou de falar o instrutor, Deodoro caiu em profunda letargia moral, tendo sido conduzido ao leito, em silêncio, por Eufrásio e Margarida.

Na manhã seguinte, estava rodeado pelos seis companheiros da insólita peregrinação através dos campos etéreos, cuja vinda insistentemente requisitara durante a noite toda.

— Meus queridos, vocês vieram! Que Deus os abençoe!

Fartas lágrimas escorriam pelas faces de Deodoro, contaminando os sentimentos de todos. Levantou-se do leito revigorado e fez questão de abraçar um a um, em silêncio, dedicando-se a olhar profundamente nos olhos dos companheiros, como a recolher-lhes os semblantes para sempre na lembrança, naquele sublime momento de felicidade.

Foi Joaquim quem primeiro se pronunciou:

— Mestre, que tremendo perigo rondava pela sua alma, para tão aflitivas solicitações de socorro?

— Estive à beira de me acusar de todos os defeitos, porque permiti que todos vocês se distanciassem de mim. Tenho recebido mui alta atenção dos dirigentes da colônia, para não partilhar dos ensinamentos com todos os amigos. Sei que todos estavam ocupadíssimos, na realização dos feitos mais concernentes ao seu crescimento espiritual, mas preciso exprimir o meu afeto, a minha ternura, a minha benquerença, o meu amor. Talvez, para os padrões de quem teve a honra de bem compreender as palavras do Cristo, que elevou o amor à categoria essencial para o progresso, e para quem admita, com João, que Deus é amor, este meu chamado não signifique mais do que a tomada de consciência de minhas necessidades de reconciliação com todas as criaturas a quem ofendi, a quem desprezei, a quem deixei escapar de minha influenciação. Sinto-me debilitado neste aspecto e, por isso, não tive nenhuma dúvida em apelar para o conforto moral que bem sei irão propiciar-me.

Aproximou-se de Margarida e fez questão de apresentá-la como protetora e companheira, com quem pretendia estabelecer elos existenciais de eterna duração:

— Nós todos, sacerdotes, ao unirmos os nubentes pelo sacramento do matrimônio, utilizávamos a fórmula tradicional: “Ninguém separe o que Deus uniu”.; mas ressalvávamos: “Até que a morte os separe!”

Prosseguiria o discurso no intuito de demonstrar que exacerbara os sentimentos e dera vazão às emoções, se não se visse interrompido por Eufrásio:

— Vocês já devem ter ouvido Deodoro falar de mim. Eu sou o seu guia de entrosamento à realidade etérea, aquele que primeiro o recebeu após a derradeira passagem carnal. Devo dizer-lhes que recebi a missão por haver solicitado, tanto prezo o meu antigo colega.

Nesse momento, fez-se conhecer de Hermógenes, que sabia não ser estranha aquela maneira lúcida de descrever a realidade.

— Professor, não se conteve o ex-aluno, que enorme satisfação em reencontrá-lo em tão esplêndidas condições!

— Venha de lá um abraço, meu inesquecível Hermó!

A confraternização foi demorada, pela íntima conversação que se estabeleceu mas que não excluiu os demais. No entanto, as revelações do discípulo, quase todas, eram familiares ao grupo.

Roberto era quem se impacientava e revelou logo a sua preocupação:

— Amigos, a minha presença aqui é prescindível. Gostei de saber que Deodoro está mais propenso a sensibilizar-se pela ausência da gente e que se restabeleceu integralmente apenas contatando conosco. Se me permitirem, devo partir rápido, porque deixei em meio uma conversa com um dos antigos parceiros sexuais, que me acusava, dedo em riste, de haver abusado dele durante dois anos inteiros, afirmando que me fiz crer que o amava e que logo o desiludi, atraído por outro rapaz. Cito o episódio para configurar a gravidade dos temas que tenho tratado. Se para Margarida e Deodoro o futuro se enriquece de promessas de realizações, para nós, revela o negrume de outros relacionamentos extremamente penosos, dada a intempérie moral que assola aqueles corações. Mais tarde, voltarei para contar-lhes como agi em relação aos que comigo sofreram o mal da degeneração carnal, porque descobri que a dor... como direi?...

Margarida complementou:

— O sofrimento ensina e a dor purifica.

— Muito lhe agradeço, irmãzinha.

Mas Everaldo, que enxugava algumas lágrimas persistentes, não se satisfez com a intenção de sair manifestada por Roberto:

— Viemos para ver Deodoro e achamos Roberto em apuros. Vamos atender aos reclamos do Professor, em primeiro lugar, depois escoltaremos o caridoso ex-hanseniano em sua luta moral, para trazer a si os companheiros defasados espiritualmente.

Arnaldo e Alfredo torciam e retorciam as fímbrias dos hábitos. Era cada vez mais notória a vontade de participarem do enredo que ali se tecia. Os dois é que de mais perto sentiam a voracidade com que Deodoro abocanhava a amizade de todos. Podiam perceber a forte vibração que o Monsenhor procurava disfarçar. Haviam-no carregado pelos corredores do mosteiro. Conheciam, portanto, o comprimento das ondas que o bom sacerdote lançava ao derredor e surpreendiam-se com a diferença entre a expansão antiga e a atual.

Foi Margarida, que se abraçara ao amante, quem lhes passou a palavra:

— Qual dos dois irmãos da tonsura deseja expressar os sentimentos de ambos?

Alfredo adiantou-se:

— Querida irmã, a nossa antiga parceria no atendimento dos infelizes que aportavam ao mosteiro lhe permite a referência jocosa à tonsura. Entretanto, suspeitamos, à vista de seus estreitos vínculos com Deodoro, que a nossa família espiritual deva, muito em breve, aumentar em proporção geométrica. Não nos é difícil saber que Everaldo e Joaquim estão refazendo os pregressos relacionamentos afetivos, que Hermógenes se encontra com excelente disposição, pronto para estabelecer contato com os familiares e amigos, que Roberto vem, como nos informa, trazendo em comitiva muitos companheiros de sofrimento e de regeneração, que Arnaldo se desenvolveu no sentido de se fazer o anjo de guarda de querido familiar, o que lhe trará de volta a simpatia de quantos o desprezaram por haver rejeitado quem imaginou desejosos de abandoná-lo no convento. Falo por ele e por mim, que me dei bem nos trabalhos de assistência junto aos obsessores tratados no “Tugúrio” e me sinto apto a buscar os que fiz inimigos, para os oportunos esclarecimentos.

Arnaldo, a um gesto do amigo, prosseguiu daquele ponto:

— Sei que devo antecipar a conclusão desta noite de desconforto para o Mestre e Amigo Deodoro, porque está na hora das revelações afetivas.

Em pensamento, convocou os que assistiam o Monsenhor a que se concentrassem em prece, enviando-lhe forte imantação sentimental.

Deodoro perturbou-se com a inusitada atividade a que não fora convidado, percebendo, porém, que todos se voltavam para ele em forte concentração energética. Foi quando chegaram aqueles mesmos três professores e introduziram, no campo de visão do assistido, a figura querida de seu avô materno.

Imediatamente, compreendeu Deodoro que estava sendo alvo da benquerença coletiva dos que por ele intercederam.

Num relance, refizeram-se os laços de respeito e de admiração que nutrira pela veneranda personagem e conversaram longamente a respeito das realizações de ambos desde que se separaram, em época remota, para ingresso na carne do avô e conselheiro.

Em seguida, após se despedirem com promessas de próximas visitas, foram adentrando no quarto, um a um, todos os parentes com quem Deodoro se lembrava de haver mantido ótimos vínculos. Não ousou perguntar por quem não apareceu, mas não temeu um instante sequer por aquelas pessoas, imaginando que estariam impedidas por razões muito fortes, as quais elucidaria a tempo. Essa idéia foi extremamente fugaz, porque as lembranças se fundiam na multiplicidade das existências em conjunto.

O Professor Joaquim fê-lo intuir que era necessário que se encontrasse com um de cada vez, de sorte que o ambiente ia enchendo-se das mais suaves e amenas sensações de felicidade, como se se materializasse o sentimento e se espargisse em formas luminosas e coloridas. Foi o Professor Mário quem explicou que as auras se expandiam, tornando a atmosfera extraordinariamente quinta-essenciada, segundo o nível de desenvolvimento do grupo de sustentação fluídica.

Deodoro, contudo, não imergia em seu intelecto para as reflexões. Apanhou no ar a anotação e considerou num átimo que adquirira a faculdade de digerir os pensamentos e de “oxigenar” a consciência automaticamente.

Também perpassaram pela sua área de envolvimento emocional muitos alunos, professores, colegas, superiores e subordinados dentro da hierarquia religiosa, cada qual possibilitando o registro imediato dos que faltavam, porque a memória agia seletivamente, de acordo com os grupos. Alguns dos presidiários conversos para a religião também compareceram. Notória foi a ausência das mulheres com quem se relacionara sexualmente.

A Deodoro parecia que estava restabelecendo a própria identidade, com o vigoroso acréscimo das informações relativas aos acontecimentos de toda a existência, conforme nitidamente se lhe configurava na memória, sem os percalços emocionais que pressionavam a personalidade antes da última encarnação. Assim, recordava-se perfeitamente de haver perseguido um sujeito nas trevas durante mais de duzentos anos, o qual identificava como um dos criminosos encarcerados que receberam o seu carinhoso ministério sacerdotal.

“Infelizmente”, lamentava-se, “não veio para o congraçamento afetivo.”

De tudo o que sentia dava conhecimento aos demais, de sorte que os que se interessaram por assimilar as novíssimas condições do amigo ouviam calados os desenvolvimentos sutis.

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