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Textos_Religiosos-->ESPIRITISMO PARA OS SIMPLES -- 28/02/2005 - 14:53 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER
WLADIMIR OLIVIER











ESPIRITISMO
PARA OS SIMPLES






FALANGE DOS IMORTAIS















Edição da CASA DO MÉDIUM

Rua Cinco de Julho, 1184
Indaiatuba — SP



ÍNDICE


Nota explicativa ...................................
Primeiros contactos — Homero .......................

PRIMEIRA PARTE
1. Erro cabeludo — Fernando ...........................
2. Prece — Isaura .....................................
3. Conforto espiritual — Ovídio .......................
4. Desafetos feridos — Reinaldo .......................
5. Ave, Maria! — Maria do Socorro .....................
6. Misteriosa missão — Clarice ........................
7. Atendimento a distância — Carlos ...................
8. Aparelhos mediúnicos — Darci .......................
9. Devaneios — Clístenes ..............................
10. Orgulho ferido (I) — Reinaldo ......................
11. Difícil acomodação — Euclides ......................
12. Orientações — Arnaldo ..............................
13. Orgulho ferido (II) — Roberval .....................
14. Parafernália doutrinal — Everaldo ..................
15. Trabalho nobilitante — Patrocínia ..................
16. Cristianismo é amor — Terto ........................
17. Confiando no futuro — Celso ........................
18. Considerações em torno da mediunidade — Generosa ...
19. Ramo de oliveira — Otaviano ........................
20. Horas de desespero — Honorato ......................
21. Retiradas antecipadas — Erraildo ...................
22. Dores nas costas — Revoredo ........................
23. Tranqüilidade metafísica — Tibúrcio ................
24. O trabalho mediúnico — Evaristo ....................
25. Ferindo os inimigos — Clotilde .....................
26. Desafios inúteis — Clarêncio .......................
27. Clamores públicos — Paulo ..........................
28. Devagar se vai ao longe — Carlos ...................
29. Temporárias suspensões mediúnicas — Homero .........
30. Apoio para os pés — Ernesto ........................
31. Treinamento intensivo — Leonor .....................
32. Tempos dourados — Brasílio .........................
Pausa para reflexões — Homero ......................

SEGUNDA PARTE
Informações gerais .................................
1. Querência desprezada ...............................
Questões ......................................
2. Palavras de um vadio ...............................
Questões ......................................
3. Dia de cão .........................................
Questões ......................................
4. Vitória de Pirro — Eusébio .........................
Comentário ....................................
Questões ......................................

TERCEIRA PARTE
1. Quebrando o gelo ...................................
Em tempo ......................................
2. Visões do bem ......................................
3. A importância do treinamento .......................
4. Justiça em dobro ...................................
5. Falando de amor ....................................
6. Caminhar com Jesus .................................
Palavras finais ....................................







NOTA EXPLICATIVA





A Falange dos Imortais volta para dizer que Espiritismo para os Simples, como se verá, não surgiu destinado à divulgação. São mensagens produzidas a partir das lições recebidas na Escolinha de Evangelização, por alunos bastante crus nos ensinamentos evangélicos, pessoas não apaniguadas por conhecimentos adquiridos na Terra, cuja inteligência não se destacou como a parte mais importante de suas personalidades. Na verdade, o título do opúsculo deveria ser As Aulas que Recebemos, devendo o grupo chamar-se Aprendizes do Evangelho.
Assim sendo, que não se espere muito destas produções, como costuma ocorrer na expectativa do recebimento dos ideais cristãos filtrados pela sabedoria dos irmãos da espiritualidade. No nosso caso, nem conselhos nos foram permitidos passar aos encarnados, acabando os textos por se tornarem exposições curtas de temas cuja discussão é obrigatória na formação dos socorristas espirituais.
Quanto ao mais, tudo se encontra exaustivamente comentado no corpo da obra, eximindo-nos agora de minuciosas explicações. Apenas gostaríamos de enfatizar que a programação descrita na mensagem Primeiros contactos não se concretizou como desejávamos, embora nos tivéssemos retirado muitíssimo satisfeitos com o resultado final dos trabalhos.
Que a leitura não se dê com muitas facilidades, pois, para se recriar o clima em que as peças se elaboraram e transmitiram, há que se sofrer um pouco.
Roguemos ao Senhor que nos ampare e guie pelas sendas da Verdade, em busca da Perfeição.


Informa o médium que as mensagens se transmitiram no período de 17.05 a 23.7.93, segundo a ordem em que estão sendo impressas. Como muitas das composições se referem à necessidade dos trabalhos mediúnicos, sentimo-nos autorizado a recomendar que a leitura se faça cuidadosa e interessada, para que, simples como somos, possamos entender que existem complexidades temáticas a exigir prolongados estudos.
Que estas mensagens tenham o condão de nos aproximar ainda mais de Jesus e de Kardec!







PRIMEIROS CONTACTOS





Não queremos assustar o irmão médium com a promessa de trabalho muito extenso ou complicado. Cá viemos com o intuito de transmitir-lhe o resultado das tarefas escolares, somente com o fito de aprender a transmitir para o campo da matéria. Apreste-se com sabedoria, pois muito haveremos de depender de sua argúcia e do seu cabedal de conhecimentos.
Eis tudo.
Claro está que há interrogações a que daremos imediatas respostas. Nome do grupo: Falange dos Imortais. Orientador: Professor Homero. Qualificação do trabalho: diversificado, havendo preces, mensagens doutrinárias, testemunho de dor e de felicidade e outras manifestações de caráter subjetivo, abrangendo até aspectos literários, como seja o conto e a poesia. Pregações é o que não faremos absolutamente.
Se a pessoa quiser ser pressionada, que busque outras obras nesta coleção. A recomendação de Homero é que os textos se apresentem bem leves, com apoio na realidade do dia-a-dia dos encarnados, para que não fiquem alheios às discussões filosóficas, que entediam, quando não se tem capacidade de discernir os argumentos e suas implicações no conjunto das teses levantadas.
Por outro lado, não serão permitidas lamúrias ou lamentações, mesmo que o espírito condutor da transmissão esteja muitíssimo necessitado de consolação. Por isso, não fiquem impressionados, se não demonstrarmos aquele calor de quem se põe diante do público com o coração na mão. Claro está que todos estremecemos perante trabalho de tanta responsabilidade, mas não iremos atuar senão quando estivermos absolutamente seguros das reações emocionais.
Amanhã, daremos começo aos trabalhos para valer. Não queremos aproveitarmo-nos da boa vontade do amigo nesta data, para não sobrecarregá-lo de emoções. Vamos por partes, que o mundo não se fez em um dia só. Já estão os alunos sobrecarregados das observações desta primeira tarde, de modo que muito trabalho lhes passaremos até que voltem. Sendo assim, que não se preocupe o mediador, que conhece bem os próprios recursos e sabe que muitas horas seguidas poderiam vir a ser ocupadas com os ditados.
Graças a Deus!
Homero.
















PRIMEIRA PARTE






















1

ERRO CABELUDO





Caso queiramos publicar as demonstrações dos estudos, vamos ter de apresentar resultados bem promissores, muito mais do que reles manifestações de apanhados, de anotações, de rascunhos das palestras dos queridos professores. Homero nos recomenda ponderação e muita afeição pelo trabalho, mas isto, forçosamente, não quererá dizer que estejamos aptos a realizar textos do agrado dos leitores encarnados. Por isso, estamos manifestando-nos desde logo na qualidade de meros alunos, para que se evitem mal-entendidos, o que, de certa forma, iria prejudicar todos os que gostariam de que as comunicações espirituais raiassem pela perfeição dos conceitos, em escritos maravilhosamente formulados.
Estaremos prontos, assim que todo o aparato do serviço estiver inteiramente sob controle, pois o que ocorre é que vários trabalhadores mais antigos estão sustentando o magnetismo da reunião, para que este servidor possa vir trazer o resultado da preparação.
Como se pode perceber, a responsabilidade está sendo assumida e se reflete poderosamente na qualidade do texto, o qual busca ser coerente com a vontade de acertar. Se mais não podemos, é que nos impede processo antiquado de pensamento, muito mais afeito às razões próprias dos seres encarnados do que ao rigor das conclusões evangélicas, que são o apanágio dos orientadores. Sabemos ser muito difícil conceber as estruturas de forma que se coadunem rigorosamente com as atitudes que tomamos no dia-a-dia das atividades. O socorrismo irá exigir isso de nós e é o que estamos propugnando aos mortais como norma de procedimento, pelo menos no que tanja aos momentos de profunda meditação a que devem ser levados pelas leituras espíritas a que vêm procedendo.
Sabemos ser muito triste quando alguém não se afeiçoa a tarefa a que é obrigado, por força dos compromissos assumidos. Por isso, haveremos de justificar a nossa escolha como o primeiro do grupo, não tanto pela formalização de algo superior, mas pela facilidade que temos de provocar as reações lingüísticas mais adequadas ao médium que nos dá assistência e que está, inclusive, admirando-se pela rapidez com que lhe passamos as informações.
Fique tranqüilo, bom amigo, que estaremos ao seu lado no momento do aperfeiçoamento do texto, para os multíplices cortes que se farão necessários, dadas as injunções próprias de quem se arremessa com tanta fúria ao ditado.
Se não tivermos cuidado, iremos demonstrar muita fragilidade aos leitores, quando, na verdade, o que mais gostaríamos de lhes passar é a possibilidade de se aprimorarem da mesma forma que nós, buscando caracterizar mais vigorosamente as tendências das personalidades, para o que existem currículos apropriados para todo tipo de organização mental ou psíquica dos que aqui se apresentam, após período mais ou menos longo de perturbação, trazidos por companheiros que recebem as informações energéticas ou vibratórias, sob a permissão dos responsáveis pela introdução na Escolinha de Evangelização dos novos elementos.
Vamos abreviar a participação, pois nos acenam para a apreciação do título que demos: Erro cabeludo. Não é verdade que qualquer outro colega teria recursos mais apropriados para o primeiro texto? Eis a minha crítica que é também um elogio, pois, daqui por diante, vai ser muito fácil aos demais aproximarem-se da mesa para as transmissões, pois dificilmente estarão menos preparados do que eu.
Aspirem a caminhar ao lado de Jesus, para o que lhe assimilem os ensinamentos dos Evangelhos, onde se registram as virtudes a serem adquiridas e os vícios a serem eliminados. Façamos por merecer o título de filhos de Deus e saibamos erguer em preces os pensamentos, para que não se coloquem obstáculos à vontade do Pai.
Prometemos não vir fazer pregações. Creiam que tal foi o meu objetivo primordial, pois só expressei algumas idéias, para que se possa ajuizar do nível de intelectualidade e de emotividade que têm os que por aqui desfilarão, neste grupo que se intitulou de Falange dos Imortais.
Fernando.







2

PRECE




Em suave melodia,
Vamos deixar uma prece,
Porque noss alma carece
Da doçura da poesia.

Jesus nos perdoe os erros:
Temos muito que aprender,
Nesta casa de desterros,
Onde é comum o sofrer.

Nossos amigos se perdem
Nas viciações mais terríveis:
Tememos que os filhos herdem
Os piores vícios possíveis.

Pedimos-lhe que socorra
Quem tiver boa intenção,
Que pelo seu irmão corra,
Aflito em seu coração.

E para aquele que errou,
Que desperte p ra verdade;
Se tal conselho aqui dou,
Me perdoe, por caridade!

Rezarei também por mim,
Pois conheço o meu destino,
Desde que a morte pôs fim
À vida de desatino.

Mas nem tudo é sofrimento,
Nesta esfera de trabalhos;
Se é grande nosso tormento,
Não nos faltam agasalhos.

São ouvidas nossas preces,
Nossos tormentos têm fim,
Pois são fartas nossas messes:
Nenhuma ação é ruim.

Praticar a caridade
É natural nos melhores:
É como sentir saudade
Pela morte dos maiores.

Sendo assim, meu bom Jesus,
Jamais se esqueça de nós,
Que pedimos por mais luz,
Mesmo rouca a nossa voz.
Isaura.









3

CONFORTO ESPIRITUAL





Sentimo-nos assaz confortados por termos presenciado o desempenho dos companheiros em simples manifestações. Somos, porém, o suficiente críticos, para saber que estamos muito verdolengos para a pretensiosa transmissão de textos evangélicos, apesar dos incentivos que recebemos do mestre Homero e do mediador.
Que se aconselhem os leitores com a consciência, para o julgamento da possibilidade de realizarem mensagens evangélicas mais adequadas, quando for chegado o seu momento de transmitir. Eis o aviso que registramos, para que não se diga que não se sabia que as tarefas no plano da espiritualidade envolvem exercícios intelectuais, a exigir forte concentração emotiva, para que os titubeios não prejudiquem a transmissão e, em conseqüência, o desenvolvimento da turma e o aprendizado do aluno.
Poderemos tecer outras considerações, mas cremos que será preferível ouvir o professor ao final da reunião mediúnica, quando nos reunirmos para a discussão dos pontos positivos e negativos de todo o processo aqui realizado. É nesse instante, conforme verificamos no dia de ontem, que se aproveitam os mentores para as orientações mais precisas. Dessa forma, estamos esperançosos que a fragilidade dos textos de hoje venha a ser desfeita, pelo menos parcialmente, quando estivermos mais afeitos ao serviço.
Faz-me sinal o mestre para que encerre, já que estou aqui mais forçado pelo médium do que pela necessidade do curso, conquanto o improviso esteja sendo atentamente seguido por todos os companheiros, que desconfiaram de que o mediador esteja desafiando-nos a prosseguir, por ter recebido estímulo do mentor.
Ovídio.







4

DESAFETOS FERIDOS





Os inimigos que conseguimos atingir com atitudes de revide, quer sejam físicas, na matéria, quer energético-vibratórios, no plano da espiritualidade, ficam presos a nós por íntimos laços de dor. Parece incrível que sejam raríssimos os indivíduos que chegam a perdoar as ofensas, apesar das pregações evangélicas do Cristo!
Ao descobrirmos que fomos golpeado, saibamos levar em conta as razões que impulsionaram o desafeto, para a compreensão de todos os movimentos da nossa alma, no sentido de se formularem os desejos de prejuízo daquele ser, por mais miserável seja.
Desafetos feridos são estigma a nos perturbar a mente, até que resolvamos proceder em harmonia com as leis do amor e perdoemos os malfeitos, prontos ao reconhecimento das próprias falhas e preparados para o competente pedido de perdão, diretamente à pessoa ofendida e também ao Pai, que depositou em cada um dos filhos a confiança em que iriam perlustrar os caminhos da salvação, mesmo que dificultados por inúmeros percalços.
Sejamos sinceros e honestos na consideração dos pontos da justiça que ousamos oferecer ao Senhor, na defesa da posição de prevenção dos perigos que vemos nas atitudes e no espírito dos que se movem contra nós. Jamais devemos lembrar ao Senhor que temos razões de sobra para a retaliação; ele terá muitíssimas outras para comprovar-nos que a melhor atitude para seres tão imperfeitos é deixar que tudo se resolva pelas decisões provindas do Alto.
De modo bem simples, devemos atribuir aos protetores a função que lhes é inerente, de sorte que podemos ficar muito tranqüilos quanto às mais graves conseqüências das atitudes dos adversários. Há justiça universal a regulamentar todas as vicissitudes e todos os galardões.
Cremos que dificilmente alguém não terá meditado a respeito destes tópicos. O que pretendemos não é fazer pregações de moralidade, mas ajudar nas reflexões cármicas, para que todos adquiram condições de, pelo próprio desforço, crescer nos conhecimentos dos aspectos da moralidade evangélica.
Enfim, se sobrar inimigo não amealhado para as hostes dos que têm boa vontade em relação a nós, no momento da morte, oremos com fervor para que sejam esclarecidos pelos protetores familiares, já que não há ninguém completamente ao desamparo das forças espirituais superiores. Orar também por breve oportunidade de prestar serviços em favor de tais pessoas poderá ser o ponto nevrálgico da nossa ambientação no plano elevado dos que não portam consigo nenhum rancor, mágoa ou ódio.
Eis que o amor se torna no principal meio de se conquistar a salvação. Haverá quem duvide disso?
Reinaldo.







5

AVE, MARIA!





A sacratíssima pessoa encarregada do recebimento do corpo do Mestre, em condições especialíssimas de pureza moral, foi Maria, a criatura apaniguada pela visitação mediúnica de espírito de excelsa categoria, o qual lhe anunciou o breve ingresso em seu ventre da queridíssima criatura.
A partir do relato bíblico, muitas mulheres se sentiram na obrigação de se doarem inteiramente à maternidade, prontas ao recebimento de seres superiores, sem anunciação própria, sem preparação moral, sem apanágios de visões de espíritos de luz.
Nós mesmas estivemos muito próximas de realizar loucuras nesse sentido, pois a perturbação das dores do parto acende todos os impulsos recolhidos durante o período de gestação, especialmente rico em manifestações da imaginação e da fantasia. Corrigida bem em tempo pela realidade carnal das crianças, voltávamo-nos para o agasalho e a alimentação daqueles pobres seres desprotegidos, temporariamente esquecida dos sonhos de grandiosidade que acalentáramos.
Mas a vida tem momentos de repouso, onde o pensamento volita pelas esferas do inconsciente, predispondo as pessoas à assunção de algumas diretrizes de comportamento, para o enfeixamento nas mãos das vontades que quedaram dormentes. Normalmente, afloram tais desejos no instante em que os rebentos se colocam à disposição dos grupos, quando devem demonstrar força e rendimento intelectual, na idade escolar. Mais ainda se recrudescem tais estímulos de grandeza, quando, chegados à adolescência, os filhos ameaçam erguer-se em vôos independentes.
Mas cá não estamos para ensinar as pessoas a agir materialmente. Se pudermos dar o sentido espiritual dos eventos psíquicos, poderemos adiantar que as pessoas voltam à Terra com objetivos de orientação aos mais jovens, o que fica subjacente aos incrementos culturais, como foco energético de incentivo ao desempenho educacional. Se bem controlada, tal força irá desaguar nos mares das compreensões cármicas, a ponto de se justificarem todas as atitudes, pelo reconhecimento de que todos os indivíduos têm direito à liberdade de dar curso aos próprios programas de reencarnação. Quando percebida a necessidade de se criarem os filhos, sem que, todavia, se tenha a exata percepção de que os deveres se condicionam a inúmeras variáveis incontroláveis, aí a tendência será enveredar a pessoa pelas sendas da intransigência, do despotismo, da tirania paterna ou materna, do domínio da mente e das ações das criaturas sob suas responsabilidades.
Se refletirmos a respeito, verificaremos que é muito difícil de escapar de tais injunções psíquicas, dado que a lei de conservação se acentua, quando se trata de se cumprirem os compromissos assumidos em fase anterior ao encarne, momento em que a memória estava totalmente livre das coerções materiais.
Eis que aqui estamos para, modestamente, darmos de Anjo Gabriel, na anunciação dos problemas que as mães costumam enfrentar, na proposição de que se medite a respeito destes dizeres. São provindos da espiritualidade e igualmente refletem a necessidade de que as pessoas devam receber os seres que ingressam na carne, com todo amor e consideração, respeitando sua integridade de filhos de Deus, antes de serem filhos do homem.
Ave, Maria! E também todas as mulheres que têm a enobrecedora missão de servir os amigos da espiritualidade como veículo para internamento em corpo perecível, mas de insondáveis oportunidades de melhoria espiritual.
Maria do Socorro.







6

MISTERIOSA MISSÃO





Quando cheguei de volta da última missão na Terra, se me perguntassem, não saberia dizer exatamente qual foi.
Foi normal a minha vida: tive filhos e os criei, com a ajuda de marido boníssimo. Se algo de ruim acabei por fazer aos meus pais e demais parentela, jamais me chegou aos ouvidos nada que pudesse considerar como simples reclamação ou dito menos feliz contra os meus modos. Inimigos, não os tive em local algum, pois saía de casa para o mercado e de lá de volta, rápido. Nunca discuti ou arreliei com ninguém, não tendo sequer as querelas habituais das comadres de rua. Nunca fui ofendida ou agredida gratuitamente, mesmo por engano. Então, posso dizer que participei da vida como comensal abonado, para quem os melhores pratos foram servidos.
Mas algo de bom devo ter feito, misteriosamente, pois fui recebida em grande triunfo pelos companheiros do etéreo.
Depois de muito meditar a respeito da simplicidade de minha vida, atinei com superior religiosidade. Não que era das que iam às missas ou aos cultos evangélicos. Mas mantive fé muito viva no Senhor, aceitando-lhe as leis e demais desígnios com muito boa vontade. Jamais tive qualquer palavra de desagrado por trabalho a mais, ou por ter de tratar das doenças dos queridos filhos, que não foram poucas. Mais ainda, tive de suportar a longa e dolorosa enfermidade de meu marido, até o trespasse, em absoluta miséria carnal. Mas não reclamei.
Agi por instinto, mas considerava a vida como bem de superior quilate, para ser desperdiçado por lamentações descabidas ou por sofrimentos morais desproporcionados. Via e examinava as atitudes das vizinhas e amigas e buscava ampará-las e orientá-las na aceitação da sorte, como se fosse preciso acatar rigorosamente a voz de comando do Pai, sob cuja vontade todos devemos curvar-nos submissos.
Mas não fui cordeirinho diante das injustiças que se fizeram em relação aos meus. Se algo ia mal com os filhos, na escola ou no emprego, procurava conhecer as razões dos conflitos e, uma vez definido de quem era a culpa, investia firme na recomposição da verdade, momento em que lutava denodadamente, nos limites da civilidade e do bom senso, para que as consciências se limpassem do fardo que lhes restaria após os incidentes.
Dizendo assim, pode até parecer que minha conduta tenha sido perfeita. Não. O que ela foi, isto sim, foi sincera, honesta, leal e, sobretudo, moral. Não foi só uma vez que precisei orientar os queridos pimpolhos para observância mais rigorosa das normas da urbanidade e da responsabilidade, dado que nem sempre acertavam nos procedimentos.
Tudo decorreu exatamente dessa forma, não me havendo esforçado demais para aprender os elementos evangélicos, conquanto me esforçasse por entender as palavras registradas no Novo Testamento. Contudo, sem fanatismos de enceguecimento das verdades mais claras e insofismáveis.
Também não fui muito culta pela leitura dos livros ou pela freqüência escolar. É que estava dotada de profundo espírito prático e de enorme capacidade de entendimento das circunstâncias que levam as pessoas a agir. Tudo intuitivamente.
Examinadas as premissas de comportamento, vi-me diante de minha missão: fazer com que as pessoas ao derredor ficassem o mais comodamente instaladas diante das vicissitudes, aceitando o carma da mesma forma que eu. Nesse sentido, jamais descansei, e isto fez com que desse cabal cumprimento a todos os objetivos do encarne.
Fico feliz que possa trazer palavra de apoio a quem tem tido a preocupação de fazer tudo da melhor maneira, muitas vezes recebendo de volta a incompreensão das pessoas, justamente daquelas para quem tem mais trabalhado. Se puderem espelhar-se em minha felicidade, deverão fazê-lo, ainda que não tenham merecido a facilidade das provas contundentes.
Cabe o esclarecimento de que as doenças das crianças e de meu marido não foram o que chamei acima de facilidade das provas contundentes, a não ser na medida em que todos os seres envolvidos conseguiram superar os estágios de deficiência emotivo-intelectual, progredindo em aspectos da personalidade carentes de tais incrementos. A dor que fica na lembrança como inteiramente vencida dá-nos o sabor da vitória; o contrário, imprime-nos a sensação da frustração e se constitui em mais uma prova a ser configurada e enfrentada.
Fiquemos todos nas suaves e justas mãos do Senhor!
Clarice.







7

ATENDIMENTO A DISTÂNCIA





Evidentemente, ao orarmos ao Senhor Jesus, a Maria, sua sacratíssima mãe, ou a outros espíritos de muita luz, não devemos esperar que venham em pessoa para o atendimento das solicitações. Quando muito, poderão oferecer resposta impessoal, por meio de série imensa de prepostos e discípulos diligentíssimos, realizando a proeza de estarem, ao mesmo tempo, em muitíssimos lugares, sendo milhares de milhares os fiéis que se estimulam à crença de que os padroeiros espirituais devam estar prontos para o despacho de todos os rogos, imediatamente, sem a espera da análise do pedido, de sua justiça e oportunidade.
Terá menos valor o fato de estarmos sendo atendidos pelos protetores familiares, quando tivemos o cuidado de rezar para seres melhor categorizados? Se são os mais próximos que nos irão atender, que diferença haverá no fato de buscarmos auxílio elevado?
São questões que necessariamente se põem, visto que estamos estimulados para a compreensão exata dos sucessos espirituais ou, como querem alguns, sobrenaturais.
Se estivermos atentos para a proposição que estabelecermos, poderemos julgar que os protetores estejam, por exemplo, tendo dificuldades, principalmente porque nós mesmos não estamos dando-lhes a devida cobertura moral para o fortalecimento das resistências aos obsessores. Nesse caso, pedir aos mentores melhor situados será rogar pela melhoria do atendimento e, portanto, pela energização dos amigos mais próximos, o que se dará naturalmente, caso tal necessidade seja configurada nos planos mais elevados. Entretanto, se tivermos qualquer má intenção, se considerarmos de pleno direito a atribuição de favores especiais, por serviços prestados, se acharmos que é chegada a hora de sairmos das dificuldades, para vida de maiores regalias materiais, se oferecermos somente vibrações despojadas de qualquer sentimento mais virtuoso, aí, com certeza, nem os próprios protetores poderão conseguir que nossa vontade seja atendida, nem naquilo que nos parecer o mais comezinho e de fácil realização.
É preciso saber que todos os espíritos evoluídos (e aqui devemos considerar todos os que deram um passo além do nosso) têm tarefas que devem concretizar no plano da ajuda aos companheiros e da obtenção de recursos intelectuais para seu progresso cada vez mais acentuado. Isso deveria constar do acervo mais corriqueiro de cada pessoa, em especial daquelas que têm conhecimentos espíritas absorvidos das obras de Kardec. Esperar, pois, pela ajuda dos seres mais responsáveis, daqueles a quem se atribuíram as funções mais nobres e mais importantes, é simplificar demasiadamente a abrangência de suas ações ou aumentar desproporcionalmente o valor de nossa pessoa.
Nem mesmo Jesus, agonizante, recebeu as bênçãos de atendimento superior em suas vicissitudes carnais. Tinha o dom do conhecimento da verdade, e isso faz toda a diferença. Por isso, pediu pelos algozes e não por si mesmo. E sabem por quê? Para que pudessem os homens espelhar-se em seu exemplo de dignidade, de esperança, de fé, de confiança, em suma, na misericórdia do Pai.
Disse ele a quem estava a seu lado que, naquele mesmo dia, estariam no reino. Que outra demonstração da mais absoluta serenidade seria necessária para configurar-se de que sabia estar sob o amparo de toda a espiritualidade engrandecida pela evangelização?
Não atentemos contra as leis cósmicas, desejando que nosso egoísmo predomine. Saibamos controlar os desejos de pregação, mesmo que envolvidos na sutileza das preces, pois tal é a significação de pedidos que evidenciam que nos julgamos verdadeiramente merecedores do apanágio da assistência direta, aos quais só falta que acrescentemos que sabemos o que é o melhor que devam fazer, para que cumpram o seu dever.
Agradeçamos, sim, nas orações, tudo o que temos de bom ou de ruim, pois, da soma dos dias, é que resultará a expressão final da obra que tivermos realizado. E essa é que falará por nós.
Finalmente, saibamos compreender que os espíritos-irmãos sempre estarão atentos para o que for preciso e nos darão exatamente os conselhos e as proteções de que carecemos. Basta vibrar em harmonia com eles.
Carlos.







8

APARELHOS MEDIÚNICOS





Temos tido dificuldades no enfrentamento do trabalho junto às mesas mediúnicas de doutrinação e apoio para a desobsessão. É que somos novatos nesse trabalho, precisando do amparo seguro dos mentores. Contudo, devemos prevenir para o fato de que não estamos perdendo as oportunidades, pois tal treinamento é muito fecundo e nos proporciona a alegria de rápido aprendizado.
Deveríamos levantar hipóteses sobre as reações psicológicas, perante a sensação de se estar abandonando às mãos de seres desconhecidos, cuja única identificação possível é através da informações do plano da espiritualidade. Sendo assim, é até bastante plausível que se atemorizem os amigos diante de tal mister, já que o medo do engodo e da obsessão é tão-só sinal de prudência.
Não iremos fazê-lo, se nos permitirem os instrutores, pois julgamos que interessa bem mais aos leitores conhecer algo em torno da necessidade de se exercer devidamente o papel de médiuns. É que desconfiam que terão de dedicar tempo excessivo para aplicarem-se convenientemente ao trabalho, uma vez que é sabido que a preparação para o mediunismo deve envolver o dia todo, desde a frugalidade da alimentação, como a vigilância dos pensamentos e dos procedimentos. Até o simples descanso, nesses dias, deve ser resguardado de maneira conveniente, para não se pôr em risco o serviço, em função das diretrizes propostas pelos guias do centro ou da casa em que se dão as transmissões.
Em verdade, esse risco de se gastar muito tempo para o efeito do trabalho da espiritualidade existe e deve ser controlado pelos encarnados, pois, no que depender dos amigos da espiritualidade, ficariam dia e noite à disposição, em verdadeira obsessão, mesmo que os objetivos sejam os mais elevados possíveis. São pouquíssimos, entretanto, os indivíduos capazes de se entregarem preponderantemente para o exercício da mediunidade, já que têm de cuidar dos próprios carmas, onde a tarefa junto às mesas de evangelização dos espíritos é parcela menor.
Saber que a deliberação da extensão dos trabalhos está na mão dos mortais é garantia segura, para que não se perca oportunidade alguma de crescimento durante o presente encarne. O que não se pode é suspeitar de que o tempo destinado para os trabalhos mediúnicos venha a ser categorizado como perda, já que o que se deixa de fazer, quase sempre, está ligado a apetites carnais de baixa extração, principalmente no que respeita ao ócio despreocupado, que se quer fazer estender indefinidamente.
Nós recomendamos que os instrumentos das forças espirituais não assumam compromissos demasiadamente ambiciosos, mas jamais deixem de oferecer os recursos de que dispõem para a efetivação de comunicações que podem ser valiosíssimas para os encarnados, inclusive para os que estão a prestar colaboração. Neste caso, programação bem equilibrada nos centros ajuda muitíssimo os que se acostumaram ao exercício de tais atividades junto às organizações referendadas por instrutores e benfeitores bem identificados.
Restam os que se dão ao mister mediúnico em seus lares, em horários outros, além dos em que se apresentam nos centros espíritas. Estes estão mais sujeitos a gastarem tempo desproporcional ao das exigências cármicas, por mais comprometidos estejam por votos de serviço prestados anteriormente ao encarne. Sendo assim, a recomendação mais apropriada é a de que devem estabelecer roteiros de atendimentos bastante bem definidos, em termos de locais e horários, para que não se estimulem além da conta, junto aos quadros de amigos e protetores espirituais. Para tudo há que haver equilíbrio, ou se perderão as oportunidades mais eficazes para o crescimento individual.
Apenas à guisa de exemplificação, podemos dizer que, se os trabalhos forem muito absorventes, o trabalhador poderá ver obstado o tempo em que deveria estar estudando a doutrina ou lendo as obras espirituais, deixando de se atualizar e ficando a exercer técnicas talvez até ultrapassadas. Se o nível de vibração energética permanecer fixo, sem alterações substantivas, para dar ocasião a que diferentes espíritos se manifestem, há o risco de o servidor ficar temerariamente concentrado nas mãos das mesmas entidades, as quais poderão prevalecer intelectualmente, impedindo que o pupilo possa discernir entre vários fatores, iludindo-se, afinal, e terminando por não obter comunicações de mérito, nem no que diga respeito aos próprios seres que estão exercendo o seu domínio, pois gerará dependência prejudicial para todos.
Havemos que crescer no conhecimento da espiritualidade desde já, se quisermos prosseguir evoluindo, inclusive no âmbito da mediunidade.
Que tais recomendações repercutam na mente e no coração dos leitores, para que possamos observar as diferentes reações, ampliando o campo de atuação e transferindo, para o acervo de conhecimentos, mais alguns com que nos enriqueceremos, para que o curso seja digno do nome da instituição: de Evangelização.
Darci.







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DEVANEIOS





Não são só os encarnados que sonham de olhos abertos, imaginando grandiosidades de riquezas e de aventuras. Os espíritos também têm momentos de transcendentalismo mental, quando se perdem nas alturas de fértil imaginação, na produção de supremos bens, onde a felicidade se eterniza.
Tal como ocorre com os humanos, também nós temos lampejos de presumida superioridade, a ponto de nos considerarmos isentos de culpa, subtraindo-nos das acusações conscienciais. Não fora o fato de que há tendências energéticas envolvidas e poderíamos admitir instantes de fuga das pressões mentais ou sentimentais. De qualquer modo, sempre se colhem momentos de descanso, onde a reflexão não se firma na realidade das virtudes, mas pode, se bem encaminhada pelos instrutores, constituir-se naquilo que os sonhos são para os psicanalistas.
Utilizar a imaginação não é absolutamente saudável no campo energético da espiritualidade, mas poderá revelar que existem problemas de adaptabilidade, justamente quanto às tarefas que foram designadas para aquele ser, entre outros indícios denunciadores do teor das imperfeições que subsistem.
Pretendíamos demonstrar com exemplos, mas as palavras que nos traduziram os pensamentos estão tão claras que qualquer um poderá surpreender-se apontando falhas de caráter a se traduzirem em pensamentos forjados na imaginação, para o efeito do esquecimento da realidade. Sendo assim, só nos cabe encerrar esta curta mensagem, oferecendo-nos para outros esclarecimentos, caso os amigos tenham a intenção de conversar conosco intuitivamente.
Mas os encarnados não podem ficar imaginando situações em que seres estranhos, sobrenaturais, fantasmagóricos, se apresentem para as discussões, nem entidades nimbadas de luz. Nós somos, simplesmente, espíritos muito endividados, trabalhadores braçais das hostes da Escolinha de Evangelização, ainda muito crus para o despertar das consciências, segundo os ensinos evangélicos mais sutis.
Se formos convidados a participar de reuniões íntimas, procuraremos dar curso a respostas plausíveis, soprando na mente ou no coração do companheiro engaiolado na carne verdade de simples significação, sem grandes enunciados filosóficos ou doutrinais. Para tanto, será preciso que outros seres mais categorizados possam apresentar-se.
As assertivas acima é que nos fazem temer pelo pior, no âmbito das fantasias dos encarnados, dedicados aos trabalhos espíritas muito mais do que aos estudos sérios e metódicos das obras da codificação. Aliás, bem pensando, até seria bem mais eficaz que os amigos buscassem solucionar os problemas através da pesquisa bibliográfica, onde os conceitos se firmam com muito maior precisão, especialmente porque se fundamentam em arcabouços silogísticos extraídos diretamente das informações enviadas pelo plano superior a Kardec, através do Espírito de Verdade.
Ou tudo o que se está a ler tem o sabor da imaginação, através do animismo do escrevente? Quem está disposto a divagar a respeito do tema? Será que há apoio na realidade ou só indícios de que tudo poderá ter sido arquitetado nas profundezas psicóticas de consciência extraordinariamente capaz de criar mundos, onde passem a existir e a agir entidades de multíplices aspectos? O arrevesado vocabular não está exatamente a disfarçar a pobreza conceitual, de modo a se constituir na máscara mais eficiente para quem tem arquivados na mente inúmeros recursos expressivos? Será que, na realidade, existem espíritos e, portanto, a possibilidade de se entrar em contacto com eles?
Devaneamos ou reproduzimos os seus devaneios?
Que Deus nos abençoe a todos!
Clístenes.







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ORGULHO FERIDO — I





Não deveríamos vir discorrer a respeito de um dos piores vícios morais da humanidade, para não dar a entender que estejamos preocupados com a nossa figura humana da última encarnação. Mas a obrigação que nos foi atribuída é exatamente a descrição psicológica e, portanto, espiritual, dos que sofrem de tão insidiosa moléstia.
O primeiro passo para tal comunicador é desvestir o texto de qualquer resquício de literatice, para o que há de influenciar positivamente o médium, no sentido de fazê-lo apanhar os primeiros e mais simples termos de sua mente, para que se expresse a mensagem de forma que todos possam entender, sem terem a idéia do buscado e do rebuscado.
Em seguida, encontrar exemplos significativos, onde os pobres atacados pela doença se tenham visto na necessidade de engolir em seco alguma pretensão, em favor do crescimento ou do favorecimento de outra criatura até menos cuidadosa das aparências, mas que tenha demonstrado melhor senso moral.
Finalmente, concluir pela conduta mais próxima dos ensinos evangélicos, demonstrando a superioridade espiritual dos que abandonaram as lantejoulas terrenas, usufruindo no etéreo bem melhores condições de equilíbrio intelecto-emocional, sem vontadinhas estimuladas pela presunção de superioridade.
Como não tivemos ensejo de conhecer ninguém que tivesse tal defeito em volume mais expressivo que nós mesmos, resolvemos conduzir a composição no sentido que se viu, terminando por denunciar que estamos bastante à vontade para afirmar que foi dificílimo conter as ânsias de evidência de que estamos realizando excelente serviço.
Bastar-nos-á reler o texto para podermos avaliar se qualquer idéia contrária a suas qualidades irá ferir ou não o nosso orgulho. Teriam os amigos condições de proceder a semelhante levantamento, estimando qual irá ser a nossa reação, diante de conceitos menos favoráveis à excelência de nosso desempenho?
Qual será o relacionamento efetivo entre inteligência e orgulho? Entre vaidade e desempenho? Entre malícia e virtude?
Pois aí estão as questões fundamentais para que se entenda o porquê de se ferirem os orgulhosos, quando deveriam pairar soberanos sobre a multitudo barbarorum. Ou teremos presumido demais na citação latina?
De qualquer forma, que se firam logo os orgulhos, antes que se incrementem os males e se tornem de extração bem mais complicada.
Obrigado, Senhor, por nos ter feito terminar sem maiores incidentes!
Reinaldo.







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DIFÍCIL ACOMODAÇÃO





Urge que envidemos esforços para sofrear os maus impulsos. Entretanto, são tão perniciosos os hábitos tendentes à malícia e ao desbarato das virtudes que poucos são os que encontram o caminho evangélico adequado para suplantar as deficiências do caráter.
Eis que estamos abordando o complicado tema do comprometimento com a verdade, o que todos deveremos, uma hora ou outra, enfrentar e equacionar. Se tivermos medo, se não ousarmos qualquer arremetida contra as maldades, se não conhecermos em profundidade os ensinamentos de Jesus ou as leis do Decálogo, então, pouco poderemos contra as forças do mal, por não termos objeções plausíveis.
Principalmente os encarnados é que têm maiores prejuízos cármicos com a entrega incondicional do corpo e, por via de conseqüência, da mente e da vontade, a desejos cada vez mais absorventes de gozos e de alegrias vãs, pelo congraçamento com os valores materiais.
Não queremos assustar, mas devemos ter presente na memória as questões básicas a respeito de Jesus. Quem era? A que veio? Por quem se sacrificou? Por que desafiou as estruturas filosófico-religiosas vigentes? O que pregou? Como pregou? Etc.
A quantas dessas interrogações conseguimos dar resposta adequada?
Se não nos interessarmos, o quanto antes, pela decifração de tais aparentes mistérios, mais iremos afastar-nos dos amigos interessados em progredir. Se têm eles o desejo de não perder-nos para a ignorância e para o vício, também nós devemos esforçar-nos por conseguir integrar à personalidade as boas qualidades em falta.
Conforme declaramos no título, não é fácil acomodarmo-nos a novas teorias e doutrinas, quando estamos usufruindo benesses mui consideráveis no campo material e psíquico.
Se temos bom emprego, boa renda, boa família, bons amigos e boa condição intelectual e emocional, vamos estender um pouco mais as atividades, no sentido dos estudos e da dedicação aos companheiros menos afortunados em qualquer de tais aspectos. O ideal seria que pudéssemos transformar a sociedade, conforme os princípios que julgamos os mais convenientes, para que tenhamos a melhor vida possível. Assim faríamos com que se aplicasse o princípio do jamais desejar aos outros o que não gostaríamos para nós mesmos. Isto não é evangélico?
Euclides.







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ORIENTAÇÕES





Quando Jesus nos prometeu assistir com sua presença, estando dois ou três reunidos em seu nome, por certo não deixou de lado a condição de o indivíduo estar na companhia das entidades espirituais encarregadas de sua guarda e orientação. Desta forma, caso o irmãozinho esteja padecendo de solidão, nas agruras de existência muito sofrida, jamais pense estar abandonado, quer pelos irmãos guardiães, quer pelo próprio Mestre Jesus. Bastará oração convicta da assistência espiritual, que todos os elementos encarregados da proteção cármica acorrerão para o auxílio oportuno.
Talvez haja quem esteja sorrindo, desconfiado de que estejamos sendo precipitados na afirmação da possibilidade do atendimento do Senhor aos milhões de seres que, a cada instante, se dirigem a ele, para a rogativa transcendental. É que nem todos sabem como é que se dão os contactos entre os seres inferiores e os superiores.
Se nós imaginarmos que as condições materiais na Terra sejam bem rústicas, se comparadas com as do etéreo, poderemos transferir dados importantíssimos para a compreensão de como se dá a concentração energética necessária para o estabelecimento do contacto das entidades superiores, as quais, pelo avanço técnico das percepções da realidade cósmica universal, são capazes do domínio das freqüências de ondas para tal relacionamento.
Se pensarmos no telégrafo ou na radiofonia sem fio, se nos lembrarmos dos avanços na área das transmissões de imagens através dos campos formados pela energia que envolve a densidade material em que estão os encarnados, poderemos estabelecer pálida idéia de quais sejam os recursos de que dispõe quem esteja acima das esferas mais grosseiras em que nos debatemos.
Mas o Senhor não virá, certamente, em pessoa, para o atendimento individual, como se bastasse impor a lembrança da promessa para se alcançar a graça da presença. Evidentemente, não seríamos estultos a ponto de pensar que nossos dramas tenham qualquer relevância, para quem conhece a verdade das encarnações. Sendo assim, respeitam-se os procedimentos cármicos até as últimas conseqüências, para que se não frustrem as programações estabelecidas para cada novo internamento na carne.
A bem da verdade, são os espíritos amigos que recebem a maior carga de ajuda dos planos mais elevados, por serem os responsáveis pelo socorro e pela orientação dos pupilos em estágio na Terra.
Muitas vezes, essas condensações energéticas produzidas nas esferas em que se situam os seres que auxiliam a obra de Jesus são tão significativas, que se dão visivelmente para os benfeitores espirituais, a ponto de receberem verdadeira chuva de pétalas coloridas ou de luminescências intermitentes, que desaparecem ao contacto com os seres abençoados. Até muitos humanos chegam a perceber algo nesse sentido, como se fosse suave brisa a perpassar-lhe pela pele. Na verdade, tais sensações se dão na intimidade do cérebro, despertando a lembrança dos eventos físicos mais agradáveis e sutis.
É de todo verossímil, pois, que Jesus nos tenha feito promessa desse tipo, aparentemente impossível de cumprir-se, mas que jamais deixou de realizar-se, até mesmo quando os requerentes são pessoas muito endividadas e profundamente desonestas. Em tais casos, há incrementos de dor, para a eficácia das medidas cármicas combinadas para o soerguimento dos que estão em débito com a existência.
Não é fácil o entendimento destas reflexões, entretanto, não hesitemos em rogar a presença de todos os seres que estão, de alguma forma benéfica, ligados a nós, nos momentos de solidão e desespero. Jamais ficaremos inteiramente sós, sobretudo quando concebemos o plano espiritual tão grandioso, no sentido de que ali se passam as diretrizes de comportamento para os que se encontram temporariamente desequilibrados. Jesus estará conosco; basta que mantenhamos o coração limpo de malícia e de hipocrisia. O mais virá com o tempo e com a experiência.
Que Deus nos ajude a todos nas horas de angústia.
Arnaldo.







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ORGULHO FERIDO — II





Não deveria voltar a falar a respeito deste tema, pois é o que mais se aproxima das pregações, uma vez que não há quem se possa considerar isento plenamente da influência de tão péssimo sentimento. Em todo caso, vou maneirando um pouco, para não chocar demasiado os companheiros encarnados.
Quando era jovenzinho, punha-me a cismar a respeito das coisas que aconteciam com meus pais e pude observar que não se davam bem. A maior parte das vezes discutiam e, acerbamente, se faziam mútuas acusações. Não eram pontos graves, nada com que me atemorizar por ameaçarem separação, mas as palavras eram demasiado ásperas para quem deveria manter acesa a chama de paixão ou a respeitabilidade de amigos.
Mas não vim contar as vicissitudes de pobre alma infantil, não inteiramente cônscia das razões que levavam a tamanhos disparates verbais. Simplesmente, cresci com muito medo de que tudo que presenciara fosse absolutamente normal nos relacionamentos humanos, tanto que, assim que constituí o meu lar, comecei a empregar os mesmos métodos de represália relativamente à cara consorte. Mas as reações dela foram muito prudentes, especialmente porque conhecia de sobejo quais eram as minhas íntimas aflições, tendo feito dela confidente, desde a época do namoro.
Parecendo estar preparada para o enfrentamento das mesmas necessidades sentimentais que os sogros, soube obtemperar quanto às minhas atitudes, não oferecendo qualquer resistência violenta, antes promovendo a compreensão dos desatinos. Só não reconhecia, de imediato, que tinha ela inteira razão em todas as ponderações, porque aprendera com meus pais a calar-me após os entreveros, como que não permitindo ao orgulho me ver diminuído perante o maior discernimento intelectual e emotivo de outra pessoa.
Como não queria deixar de participar da mesa, organizei esta curta exposição, no intuito de demonstrar que, até mesmo quando está a reconhecer que não tem razão, o ser encarnado ainda quer manter-se absolutamente íntegro em sua personalidade, às custas, muitas vezes, da boa vontade e do descortino moral dos demais. Não foi o que ocorreu com minha cara esposa, que enfrentou todas as minhas técnicas de prepotência, até que me conduziu pela senda da verdade, instituindo o Evangelho no Lar e fazendo-me refletir a respeito das explicações de Kardec e dos espíritos que deixaram suas ponderações em O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Mas não quero tirar o mérito daquela extraordinária criatura, que me amou até os últimos momentos, pois foi a primeira a partir, talvez para preparar o etéreo para a minha regeneração perispiritual, dado que outros problemas insisti em carregar comigo, sem deixar-me influenciar pela doutrina espírita.
Agora a tenho ao lado para esta apresentação, mas não faz parte deste grupo, uma vez que se encontra bem mais adiantada nos estudos evangélicos, integrando equipe socorrista de primeiro atendimento. Eu é que estou só engatinhando nas primeiras lições, tanto que não fui capaz sequer de alterar o título da composição, quando o escrevente me demonstrou que um companheiro havia utilizado a mesma expressão. A solução de numerar foi muito boa e lhe peço para que mantenha assim. Obrigado.
Espero ter dado a impressão de que não estou ferindo meu orgulho com facilidade, pois busquei tornar-me alvo fácil para a crítica de todos. Só desejo que a minha realidade possa estimular para reflexões íntimas, do mesmo modo que eu mesmo vou ter de ouvir os pensamentos que a dissertação suscitar na mente dos companheiros e dos leitores.
Ainda bem que os textos da Falange dos Imortais são bastante despretensiosos, podendo inserir o meu sem temor de ofender os princípios gerais estabelecidos para esta turma.
Fiquem, portanto, sossegados, que não me revoltarei se, por acaso, esta mensagem não fizer parte das selecionadas para publicação. O que deveria ter feito, fiz, com a máxima boa vontade, que é o que se requer de todos, em seus êxtases de aplicação em favor dos semelhantes, cumprindo as recomendações de Jesus.
Que Deus nos ampare a todos, em todos os empreendimentos!
Roberval.







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PARAFERNÁLIA DOUTRINAL





Se tivermos a pachorra de levantar todos os escritos mediúnicos ou tidos como tal, iremos confrontar-nos com situações delicadíssimas de apreciações teóricas absolutamente contraditórias.
Terão as entidades do plano espiritual tantas dúvidas quanto os seres encarnados?
Certamente, em especial por estarem em contacto com realidade mais sutil, perfeitamente amoldável, segundo a força energética de que cada criatura dispõe, o que vai sugerindo conclusões parciais muito perigosas, quando colocadas como fundamento silogístico para a elaboração em sistema de doutrinas filosóficas.
Isto acontece a partir da necessidade que todos temos de exercer domínio sobre o ambiente que nos envolve, para podermos atuar significativamente em prol de melhoria de comportamento, sempre no intuito de nos achegarmos às terras do Senhor.
Se tivermos paciência, iremos catalogar ideários conflitantes e até mesmo contrários às leis naturais que estamos podendo constatar, dentro dos limites de nossas possibilidades de captação da realidade circunjacente, material e constritora. A partir daí, devemos resolver dispensar as informações assim colhidas ou nos cabe relacionar os elementos, pondo-os em discussão, para aproveitamento do que nos parecer mais conforme com a verdade?
Vamos deixar sem resposta a perquirição, por não vermos necessidade de encaminhar o pensamento dos confrades leitores. Afinal de contas, propusemo-nos, o que está deveras mui difícil de realizar, a impedir que houvesse qualquer resquício de pregação moral nos escritos.
Somente devemos afirmar, peremptórios, que os mais aptos e inteligentes logo optarão pelo conhecimento o mais fidedigno possível da realidade, para, a partir daí, lançarem-se à aventura da aquisição da sabedoria, o que, por definição, elimina o erro e as distorções.
Ficaremos muito felizes se conseguirmos atender aos requisitos das comunicações, o que nos obriga a suspender aqui o desenvolvimento das apreciações, antes mesmo das exemplificações elucidativas, já que o volume de cada transmissão ficou bem delimitado pelo grupo.
Apenas para encerrar, recomendamos que se esmerem os leitores na elaboração dos pontos que ficaram elementarmente expressos, buscando pesquisar nas obras da codificação os pontos de vista a respeito dos tópicos que vimos levantando. Não lhes parece que a complementação irá suplantar de muito estas pobres manifestações?
Fiquem em paz, na companhia de Jesus!
Everaldo.







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TRABALHO NOBILITANTE





Como deveremos reagir perante as tarefas de cada dia? Dando o melhor que nos for possível, para as realizações mais eficazes, no sentido da distribuição dos bens e riquezas por toda a sociedade. E nada mais. Apenas, devemos considerar que trabalhos existem que não estão propriamente ligados à formação de bens materiais, mas que se prendem a vertentes de amor, de caridade, onde o exemplo dignifica e a moral sobreleva.
Se tivermos a pachorra de examinar detidamente cada pequenino mister, poderemos chegar à conclusão de que, quando exercidos com carinho e espírito altruísta, vão constituir-se em mananciais de progresso para todos e também para aquele que o estiver produzindo. Se Deus é o pai de misericórdia em que acreditamos, não haverá jamais de desperdiçar esforços nobilitantes em favor do crescimento das almas. Tudo é lucro, na concepção mais materialista ou pragmática, embora não deva ser esta a filosofia a nortear o procedimento, em quaisquer circunstâncias.
Executar os serviços, com amor e respeito pela humanidade, será, certamente, a maior demonstração de que estamos projetando a personalidade na direção da aquisição das mais valiosas virtudes.
Por outro lado, se de nós depender o comportamento de outras pessoas, por cujo trabalho estivermos responsabilizados, aí devemos evitar, a todo custo, que malbaratem as oportunidades de crescimento espiritual, buscando revelar-lhes os segredos doutrinários espíritas, na valorização da benemerência e no ajuste integral às leis cósmicas, sempre superiores aos códices humanos. Doutrinar os pagãos, parece-nos, foi algo que o Cristo enalteceu, pois pediu aos discípulos e apóstolos que saíssem para a pregação evangélica. Pois cá estamos nós, na mesma linha, mesmo que o dever se cumpra apenas nas oficinas, nos escritórios, nos estúdios, nas salas de aula e quejando locais em que as pessoas se reúnem para a elaboração de artefatos ou a prestação de serviços em benefício da coletividade.
Claro está que estamos incentivando todo aquele que se dedica a profissões de alto nível moral. Caso os bons amigos estejam exercendo a sua prática profissional em ambiente onde o prejuízo dos outros significa o avanço material dos que se locupletam socialmente, aí haveremos nós de exercer o direito à pregação, o que estamos impedidos, presentemente, pela formulação de diretrizes bastante específicas para a equipe.
Aliás, como se pode notar, é de muita dificuldade ficar absolutamente sem propugnar atitudes de melhoria de comportamento ou de avisar para o atendimento das normas cristãs ou os mandamentos das leis de Deus. Mas vamos vencendo cada pequenino tópico, afastando as tentações. Será possível que a mesma atitude se dê no âmbito dos relacionamentos empregatícios ou profissionais?
Vamos encerrar, augurando aos amigos felizes resultados na investida contra os males e os vícios. Valham-se das palavras de Jesus que tudo ficará bem mais facilitado.
Graças a Deus!
Patrocínia.







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CRISTIANISMO É AMOR





Não se compreende que as pessoas que se dizem cristãs possam deixar de proceder em amor, por amor do próximo, uma vez que Jesus observou todos os tópicos da benquerença universal, chegando ao máximo da perfeição alcançável pela criatura encarnada, ao recomendar que as pessoas amassem até os inimigos, solicitando ao Criador que perdoasse, inclusive, os seus juízes e crucificadores.
Quem ler, entretanto, algumas passagens do Novo Testamento defrontar-se-á com expressões de condenação, em que o Cristo teria lançado imprecações contra os fariseus e publicanos, prometendo-lhes "pranto e ranger de dentes nas trevas exteriores". É que tais indivíduos, sabidamente, desejavam a morte do Messias, não sendo possível, portanto, admitir-se que iriam deixar-se envolver pelo halo de pureza que emanava da doutrina e dos ensinos de Jesus. De resto, o Nazareno fazia questão de condená-los pela letra da lei judaica, que eles, na qualidade de sacerdotes e de doutores da lei, seus servidores e aplicadores, deveriam fazer valer para a sua vida íntima, com o fito da exemplificação. Sabia o Mestre que não há como fugir do castigo, pois "é pelas obras que se conhecem os homens".
Quanto não deveria o Benfeitor ter sofrido, ao considerar as dores que aguardavam por todos os que estavam agindo em descompasso com as normas evangélicas! Eis boa razão para vir pregar à humanidade o seu ensino de luz, de amor e de paz, embora tivesse a consciência de que viera, "não para unir, mas para separar".
Se ficarmos considerando todas as passagens dos Evangelhos que nos estimulam a considerações de caráter moral superior, deveremos transcrever a grande maioria das falas que se atribuíram ao Mestre, pois nos dão o encaminhamento para o reino do Pai. No entanto, não podemos filiar-nos às matreiras hostes que dão a todos os discursos de Jesus o selo da autenticidade. Haveremos de interpretar os trechos menos condizentes com as diretrizes do amor, da bondade e da benquerença, no sentido de entendê-los à luz da cultura de quem os redigiu. Haveremos de nos surpreender com intuitos menos dignos, dado que os primeiros cristãos se viram na necessidade de comprovar que Jesus era o esperado Enviado de Deus, para o que forjaram acontecimentos, com a intenção de adequá-los às previsões das Antigas Escrituras.
Se tivermos de caminhar nesse sentido, de novo iremos permanecer o restante dos dias, até o final dos tempos, para elucidar as razões que nos levaram a considerar tais passagens inverossímeis, ou, ao menos, incompatíveis com a sublime missão do Ungido.
Fiquemos, assim, no principal: o amor. Cristianismo é amor, e está dito tudo.
Terto.







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CONFIANDO NO FUTURO





O futuro será o resultado da soma de todas as ações. Se aplicarmos, rigorosamente, a lei de causa e efeito, teremos as conseqüências bem definidas, embora, no campo carnal, se possa fugir de muitos desastres evidenciados por notável presciência, uma vez que temos o poder do livre-arbítrio. Quando nos referimos a um futuro determinado, queremos referir-nos àquele que preparamos no outro plano existencial, após o desenlace. E não estamos falando em futricas ou mutretas de comadrice de esquina; estamos referindo-nos às grandes linhas gerais do plano existencial no que concerne aos aspectos morais, conquanto muitos vão desejar iludir-se e aos demais, demonstrando estar em patamares superiores da evolução.
Na Terra, é possível dar a entender que se tem o que, verdadeiramente, não se possui; nem estão as pessoas interessadas em conhecer muito profundamente os companheiros. No etéreo, há que haver justiça, na medida em que nos agrupamos com as entidades de mesma calibragem energética. Não há escapar, embora muitos tentem.
Insistimos no ponto das tentativas de escape, para evidenciar que tal idéia se cria exatamente nesta encarnação molesta, onde as estruturas se fixam na mente, levando os piores quase intactas as manias e pensamentos com que aprenderam a safar-se dos malefícios e penas terrestres. É aí que entra a malícia despertada pela utilidade da mentira, quando as pessoas se deixam impressionar pela facilidade com que os demais vão alheando-se da verdade.
Gostaríamos de aprofundarmo-nos neste tema, mas cairíamos, indubitavelmente, na necessidade de fazer pregação apostólica, a qual, por melhor intencionada, sempre precipitará o comunicador nas ondas sacrílegas do desgaste, tendo em vista o compromisso de não burlar tal preceito estatuído pelos mentores e com os quais concordamos todos do grupo.
O que podemos adiantar é que o futuro dos leitores será, cremos nós particularmente, o de efetuar as próprias recomendações à prática evangélica mais pura, tanto está a ouvir dizer que não se deverá pregar, para que não fiquem revoltados consigo mesmos, quando não se rebelarem contra os mensageiros, por estarem a ferir-lhes as cordas mais sutis da consciência, em roufenha melodia de tonalidade lúgubre.
Eis que o futuro do texto está determinado. E o seu?
Celso.







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CONSIDERAÇÕES EM TORNO DA MEDIUNIDADE





No âmbito das nossas possibilidades, vamos revelar pequenos mistérios a respeito dos fenômenos mediúnicos, quiçá importantes para quem esteja começando a ter a iniciativa do apanhado das mensagens do etéreo.
A primeira grande dúvida se dá no que respeita à integridade moral dos que se comunicam e dos que recebem as manifestações. Sempre se espera que os espíritos sejam de Deus, na expressiva notação bíblica. Isto quer significar que nem sempre estamos dispostos a trabalhar com seres muito inferiores nas escalas espirituais, como se fora pecado estabelecer contacto com pessoas menos evoluídas. É, de certa forma, a transferência do que se passa na Terra relativamente a certos indivíduos que se desqualificam por atitudes de arrogância, que se traduzem em crimes e viciações.
Se formos analisar bem as rejeições, poderemos constatar que não passam de sentimentos de resguardo da integridade pessoal, principalmente do medo da contaminação ou do perigo de receber violência de quem se pretende ajudar.
Não estamos dizendo que as pessoas devam entregar-se de olhos fechados às mãos do primeiro que acorrer à evocação. Ao contrário, queremos alertar para as falácias dos primeiros comunicados, quase sempre envoltos em misteriosas palavras, como se o ser que se apresentasse dominasse todos os segredos do transcendente. É o preço que quase sempre se paga ao noviciado longe dos seareiros dos centros espíritas. Portanto, conselho de primeira hora é o de que se deva buscar o acolhimento dos mais experientes, os quais sempre mantêm aulas e leituras a respeito dos mecanismos da mediunidade.
Outra preocupação básica é com o poder de magnetização dos que se apresentam para os trabalhos de intermediação. Quase sempre se supõe, erroneamente, que cabe ao médium oferecer vibrações especiais, através de que os mentores irão exercer domínio fluídico. Não é verdade. Qualquer pessoa poderá captar as energias que lhe forem enviadas, pois são os mensageiros seres treinados na adaptação das freqüências, cabendo ao médium, simplesmente, perceber que as idéias que lhe estão perpassando pelo cérebro não correspondem aos próprios pensamentos e desejos. Bastará alienar-se das preocupações de realizar excelente serviço, que o trabalho irá transcorrer a contento.
É justo salientar que, quando ficamos às ordens de grupos organizados de espíritos, o que ocorre naturalmente nas casas evangélicas do movimento espírita, não são oferecidas de imediato transmissões com grandes dificuldades, cabendo aos neófitos se contentarem com um pouquinho de cada vez, até mesmo com a repetição das lições que se aprenderam naquela mesma hora, durante as leituras prévias, para a conjugação energética em favor das transmissões.
Se conseguirmos abolir alguns aspectos místico-religiosos que trazemos de outras instituições e cultos, talvez possamos ir compreendendo que as ligações entre os planos são muito mais consistentes do que sonhamos, pois este é campo muito propício às ilusões e fantasias. Há que se agir com extrema cautela, mas também com absoluta tranqüilidade e naturalidade. Todos os fenômenos mediúnicos devem ser encarados como a aplicação, na justa medida, de algumas leis físicas ou psíquicas, nada mais.
Se tivéssemos mais tempo, falaríamos das intempéries das culpas, pois muitos dos novatos têm muito medo de que seus segredos e intimidades caiam no conhecimento do povo, quer pelas próprias informações dadas sem o policiamento costumeiro, quer pelas vozes dos companheiros, na percepção dos problemas pelo conhecimento dos guias e protetores.
Nada disso tem qualquer sentido. A intenção de se prestarem bons serviços faz com que a categoria dos espíritos responsáveis pelo evento mediúnico seja, no mínimo, de mestres-instrutores, os quais são socorristas desde há muito e conhecem profundamente as leis do carma e a necessidade do lento progredir, para que os seres possam compreender em profundidade a lei de causa e efeito. Não há qualquer possibilidade de precipitação da parte de entidades tão esclarecidas.

Agradeço à boa vontade dos orientadores que me permitiram estender-me um pouco mais do que os companheiros, evidentemente, pela relevância do tema. De qualquer modo, ficaria muito a dever se não remetesse os companheiros encarnados às leituras de praxe, ou seja, às obras da Codificação de Kardec.
Até mais ver!
Generosa.







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RAMO DE OLIVEIRA





O princípio simbólico do ramos de oliveira é o da homenagem que se presta aos seres de sublime desenvolvimento. Foi com ramos de palmeiras e de oliveiras que povo de Jerusalém saudou a entrada de Jesus na cidade. O ramo de oliveira, trazido pelo pombo, no momento do batismo de Jesus, nas águas do Jordão, também foi a saudação que se fixou nos Evangelhos. Com isso, o povo entende que a paz deve estender-se pela Terra, em longas homenagens ao filho de Deus, para cá enviado para a salvação das almas.
Tenebrosas são as interpretações que podemos extrair dos acontecimentos bíblicos, pois a exaltação da personalidade de Jesus acabou redundando, no final, em morte ignominiosa. Quando a humanidade saúda as grandes figuras, pode-se esperar que algo contrário virá a ocorrer, para desmentir as boas intenções primitivas. Tal reviravolta nas opiniões está a indicar a imaturidade dos espíritos encarnados, especialmente quando agem em grandes conglomerados humanos, onde as vozes de comando são aleatórias e servem para incentivar a turba às mais execrandas demonstrações de animalescos instintos.
A mão que dá apoio e exerce justiça será a mesma que bate o prego no madeiro e que arremessa as pedras da difamação e da morte?
Vamos deixar esta curtíssima manifestação à meditação dos amigos, fazendo-a acompanhar-se de um ramo de oliveira, em sinal de nossos protestos de estima e consideração.
Otaviano.







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HORAS DE DESESPERO





Quando há acidentes muito graves, como o acontecido na data de ontem, quando mais de trinta pessoas terminaram a vida na estrada, onerando inúmeros familiares emotivamente, tudo parece concorrer para que a vida seja tida como imenso inferno, onde as dores se sobrelevam poderosamente sobre todas as demais sensações.
Há que se ter muito equilíbrio emocional para não se deixar afogar de pessimismo ou de intensa frustração, relativamente aos desígnios do Pai. Para isso, os fundamentos espíritas têm ajudado a muitas pessoas em transes dolorosíssimos, pois a esperança se mantém acesa, apesar de não se compreender inteiramente o valor de carma tão angustiante.
As recomendações de calma, de paciência, de consolação pelas dores alheias mais atrozes, a informação da permanência em espírito das condições morais em que os amigos e parentes deixaram para trás o invólucro carnal, são o mais que se pode fazer para ajudar aos que foram surpreendidos pela tragédia.
Emocionar-se conjuntamente com os que foram atingidos pela perda dos entes queridos é de rigor, na inequívoca demonstração de solidariedade, de fraternidade, de benquerença, de apoio. Mas o desespero será ponto negativo, quaisquer sejam as condições em que os lares ficaram. Se ponderarmos que as pessoas somente desvestiram uma indumentária, a qual, de resto, um dia ou outro teriam de fazê-lo, para readquirirem a condição espiritual, talvez tenhamos algum conforto, na expectativa de breve reencontro junto às mesas evangélicas do espiritismo cooperativo.
Eis que estamos definindo algumas diretrizes para a contemplação da desgraça alheia. Definido o termo contemplação, como todas as providências de caráter intelectual ou mental, para absorção integral dos acontecimentos e das respectivas repercussões nos corações dos sofredores, poderemos avançar na conceituação doutrinal, aguardando que se reequilibrem as condições mentais, para que possamos atuar objetivamente, no oferecimento de todo amparo espiritual de que formos capazes.
Em tais circunstâncias, não há temer o abandono dos beneméritos protetores espirituais, pois jamais se desinteressarão de esclarecer os aspectos mais misteriosos de tais acontecimentos. Há, entretanto, a condicionante da necessidade de que as pessoas estejam imbuídas de verdadeira fé nos poderes divinos, bem como estejam serenamente seguras dos princípios da realidade espiritual. Não há que tirar outro proveito da situação que não seja a ajuda mútua que se poderá estabelecer em tal campo, dado que os que partiram poderão constituir-se, em futuro mais ou menos próximo, nos protetores dos que ficaram, enquanto estes deverão dar-lhes amparo energético, através de postura o mais elevada possível, na convicção de que depositar o destino nas mãos do Pai é a atitude mais condizente com os eventos dramáticos.
Abrir em leque a possibilidade de enfronhar-se na doutrina espírita haverá de ser a meta de cada um, socorristas espirituais ou encarnados doutrinadores, já que o evangelho de Jesus deverá estar na raiz de todos os procedimentos.
Há mais que se possa dizer?
Fiquemos todos no regaço maravilhoso do Senhor!
Honorato.







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RETIRADAS ANTECIPADAS





Sabemos que há quem deposite nos bancos do Senhor, com grandes sacrifícios para a comunidade. São pessoas que pretendem chegar cedo ao cenáculo celestial, ao empíreo, onde usufruirão eternal felicidade. Mas, para que dêem certo os projetos de vida, há que se solicitarem algumas retiradas, quais sejam as que representariam os lucros de possíveis investimentos no campo da moralidade e das virtudes. São aplicações egoístas, pois demandam do Criador mais do que já nos deu, na hipoteca da vida.
Não queremos prosseguir na imagética, para não confundir os leitores. Falemos diretamente.
Há quem faça benefícios aos semelhantes, na ânsia de ser recompensado. Eis que se caracteriza a expectativa dos juros divinais, pois, como haverá o Pai de retribuir, senão com os dons de sua onisciência?
O raciocínio só não é simplório porque envolve aspectos maliciosos, como prepotência da inteligência sobre os sentimentos, uma vez que os semelhantes quedam colocados de lado, havendo preocupação tão-só com o bem-estar espiritual do investidor.
Fazer o bem com tais artifícios de fantasias não será proveitoso no melhor dos aspectos, qual seja, o de reunir as qualidades necessárias para a ascensão pretendida.
Os anjos são seres extraordinariamente evoluídos. Terão requerido do Pai que adiantasse empréstimos para pagamentos posteriores, como se os donativos pudessem apreciar-se em mundos mais avançados? Por certo, se tivessem arrecadado bens próprios, não teriam feito outro investimento senão na orientação dos irmãos, para reequilíbrio cármico, em função do conhecimento, entendimento e aperfeiçoamento das condições espirituais, tendo em vista as atuais necessidades ou vicissitudes.
Queremos dar os parabéns a todos os que se deixam envolver por maravilhosas intenções de participar dos avanços da humanidade, mas distribuindo as benesses do Senhor, através do trabalho dos homens, pelos companheiros de existência, sem distinção, estejam ou não encarnados.
Havemos sempre de estabelecer padrões de procedimento moral bem próximos dos ideais evangélicos, os quais coincidem com os espíritas, pois o que temos vindo apresentar nestas mensagens psicografadas não vai além da perfeição da palavra de Jesus.
Se tivermos depositado nos bancos do Pai alguns poucos haveres de que nos ufanamos, por se terem constituído no idôneo resultado dos esforços em prol da melhoria dos que conosco labutam neste vale de lágrimas, corramos sacar para emprego em outros institutos de benemerência, solicitando ao Senhor que nos conserve os juros, na certeza de que toda a riqueza que alcançarmos amealhar jamais poderá comparar-se com uma única dádiva da Divina Graça.
Se tivemos a ousadia de ditar texto mais para o poético do que para o livre raciocinar dos leitores, tenham por nós o mérito de relacioná-lo entre os mais carentes de explicações e de ajustamentos. Corra a correção por conta dos encarnados, para que fujamos à pregação quase inevitável, quando falamos dos desrespeitos às leis e de quem os pratica.
Tenhamos o cuidado de facilitar a vida dos irmãos, desembaralhando os dizeres que se lêem, mas na outiva das vozes conscienciais, pois há forte tendência dos irmãos a transmitirem o que se encontra arquivado na memória, contrariando, muitas vezes, a concepção das mensagens que estão decifrando em trabalhos em grupo.
Que este último pito não surpreenda os que se encontrarem muito sensíveis, à vista do noviciado nestas plagas espíritas. É preciso saber, antes de tudo, que quem está a ditar esta espécie de comunicados são seres altamente necessitados de esclarecimentos e de estudos. A perfeição virá bem mais tarde, quando todos nos encontrarmos reunidos, sob o manto do Senhor.
Erraildo.







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DORES NAS COSTAS





Será que, com tal título, não corremos o risco de atrair a atenção de sofredor, que se estimule à leitura, na expectativa de receber conselho útil, para o alívio de reais dores nas costas? Se disséssemos, simplesmente, dores, teríamos o mesmo tipo de reação, ou as pessoas julgariam tratar-se de mensagem muito genérica, desconfiando que se irá falar a respeito de dores psíquicas ou morais, deixando de atender ao apelo do título?
Pois vamos dizer que utilizamos o recurso para fazer com que os leitores se conscientizem de que há dores muito piores que as físicas, as quais se instalam insidiosamente, após anos a fio de gozos e de bem-estar. De resto, não é difícil de se caracterizarem as dores nas costas como o produto de muito descanso, de muito ócio, de posturas não condizentes com as naturais. Se acreditarmos que as deficiências físicas têm origem em falha no ritmo mental, emotivo ou psíquico, poderemos dizer que as dores nas costas devam ser analisadas, primeiro, sob o aspecto espiritual, como conseqüência de desequilíbrios na postura mental e na conduta física.
Para as dores nas costas, não temos remédio imediato, mas conselho de quem teve de enfrentar problemas semelhantes: correr atrás de auxílio médico especializado, antes do recurso espiritual. Mas também colocar-se frente a frente com todos os desarranjos cármicos. (Entenda-se carma como o feixe de todas as tendências do encarne, desde as características físicas da personalidade até as tendências íntimas do caráter.)
Pode ser que o médico não consiga mais do que aliviar as dores, como também os guias e benfeitores espirituais não irão trazer à compreensão do consulente todas as causas das vicissitudes. É que há que se passar por determinadas situações de angústia, para que se possa entender como é que se dá o mecanismo da purgação dos malefícios feitos.
Se não gostarem de aplicar a terminologia tradicional, como culpabilidade e consciência, podem fazer valer o moderno conceito biomédico da integração mente—espírito, na conceituação psicossomática, onde os problemas dos ajustamentos psíquicos repercutem tenazmente no aparato carnal.
O que não se pode é jogar fora a possibilidade do reconhecimento de que a Terra é plano de expiações, onde se vem, também, para o resgate dos débitos contraídos com os semelhantes, em missão da espiritualidade superior. Desta forma, há os que sofrem mais e os que nem chegam sequer a compreender por que haja tantos com problemas tão pungentes. Mas o catre de dor e o berço de ouro são dois extremos da mesma configuração de passagem na carne, que redundará, obrigatoriamente, no exame dos resultados, à vista das determinações evangélicas.
Caberia, neste momento, rogar aos amigos que prestem atenção a todos os atos, mas não iremos fazê-lo, pois tal atitude estaria muito perto da pregação moral que estamos evitando. Rogamos, sim, que, da leitura deste texto, se possam extrair conclusões positivas, para a incrementação das atividades caritativas, junto a encarnados e a desencarnados.
Oremos para que tal venha a ser o resultado almejado por todos.
Revoredo.







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TRANQÜILIDADE METAFÍSICA





Se conseguirmos conceber o mundo do ponto de vista do Espiritismo, poderemos usufruir cada momento em felicidade, seguros de que todos os acontecimentos estão sendo rigorosamente controlados pelo plano espiritual, no sentido de se proporcionarem os embates mais propícios para a regeneração e a salvação. A dificuldade está, porém, justamente, em se estabelecerem padrões de procedimento condizentes com as normas evangélicas, atribuindo a cada fato o seu valor para a configuração da ampliação dos bens e para a debelação dos vícios e caterva horrorosa de malefícios que os menos apaniguados são capazes de causar aos irmãos.
Não teremos de preocupar-nos com as dores morais, pois todas as culpas serão colocadas objetivamente, como pontos a serem vencidos, através do estudo de cada causa e de cada conseqüência. Se tivermos vergonha, se não estivermos satisfeitos com os eventos que nos oprimem a alma, se desejamos outras condições cármicas, tudo isso representará nível de infelicidade incompatível com os conhecimentos oferecidos pela doutrina. É preciso, pois, para que saibamos considerar todos os aspectos da vida como elementos indispensáveis para o crescimento espiritual, que tenhamos fé em que tudo caminha para Deus, no sentido da consignação de cada vez mais qualidades, à medida que formos absorvendo os impactos dos desastres naturais para quem se dispôs às vicissitudes corpóreas.
Além da fé, há a esperança que ser ampliada pelo exercício do bem, em atos de inatacável caridade, no auxílio incondicional a todos os que se mostrem necessitados. Às vezes, temos menos até dos que se apresentam carentes diante nós, mas, se tivermos algo que possamos repartir, não deixando faltar aos nossos, pois há responsabilidades inadiáveis, vamos distribuir por todos os integrantes da comunidade, em gesto do mais absoluto desprendimento.
Tudo isto tem de fluir das concepções evangélicas e das teorias espíritas, com naturalidade, com espontaneidade, sem rebeldias, sem desconfortos, sem temores de que venhamos a sofrer com a falta do que estivermos doando. Jesus nos deu a vida. Não estamos induzindo a tanto, embora situações ocorram em que a defesa da coletividade exige sacrifícios que podem incluir o despojamento do bem maior. Em todo caso, se agirmos com serenidade, conhecendo os atributos da espiritualidade superior a quem está afeta a administração sideral, saberemos que tudo o que perdermos nestas plagas de materialismo mais grosseiro, iremos reaver em perenes benefícios espirituais e morais.
Eis que a tranqüilidade metafísica adveniente do Espiritismo dá à vida seu sentido mais elevado. Haverá lágrimas, sim, mas de felicidade. O mais correrá por conta da paciência e da perseverança, que, na qualidade de corolários da compreensão filosófica, se anexarão à alma, para propiciarem as oportunidades de crescimento próprias de quem está aproveitando a vida, na justa medida das recomendações evangélicas.
Tibúrcio.







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O TRABALHO MEDIÚNICO





Vamos imaginar que desejássemos trazer notícias do etéreo e não houvesse quem se dispusesse ao recebimento delas. Não é importante, para nós, que haja encarnados de boa vontade, com desprendimento das regalias corpóreas, preparados para a recepção das mensagens espirituais?
Se não fossem tais criaturas, como conceber tantas informações que diuturnamente se remetem às consciências? Na verdade, mais do que simples pessoas atentas às vibrações energéticas mais sutis, capacidade que todos possuem mais ou menos desenvolvida, há precisão de indivíduos mais atirados, mais dóceis à imantação, com maior poder de fé e de esperança e com boa dose de caridade.
Entretanto, corre pela mente da maioria que os que se deixam seduzir pelas tarefas mediúnicas são pessoas alienadas da realidade, com sérios distúrbios mentais, a refletir íntimos desejos de superioridade, tendo em vista profundo complexo de inferioridade provocado por inadaptação social.
Gostaríamos de poder desfazer tais impressões, à medida que produzíssemos textos onde seria impossível de configurar as características acima, relativamente aos mediadores. Contudo, precisaremos estar preparados para a má vontade de muitos que, apesar de todos os indícios de que as informações estão sendo transmitidas do plano da espiritualidade, persistem em negativa comprometida com os valores materiais, únicos que conseguem aceitar.
Por outro lado, os médiuns também necessitam ter tais conhecimentos a respeito das reações mais comuns, primeiro, para não se deixarem envolver pelas sugestões, e, depois, para poderem superar as dificuldades de relacionamento, já que muitos percalços poderão ser colocados em seu caminho, pela precariedade mental dos que se estimulam para as discriminações.
Repetimos a questão inicial: que faríamos nós, espíritos, sem esses abnegados amigos?
Evaristo.







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FERINDO OS INIMIGOS





Se tivermos adversários tão maldosos que mereçam ser repelidos, por intratáveis, devemos temer que algum entrevero tenha havido entre nós, em outras existências carnais, para que tanta ferocidade subsista. Entretanto, não é sempre que tal raciocínio deve prevalecer, uma vez que muitas pessoas são ferozes para com todo o mundo, desviando a violência dos verdadeiros alvos, para a comunidade em geral ou para os indivíduos em particular, sem discriminações de culpa.
Se tivermos o ensejo de realizar algo de bom para tal pessoa, mesmo que à revelia de sua vontade, devemos fazê-lo sem restrições, como se o fizéssemos para o melhor amigo. O ódio será extremamente oneroso no sopeso das virtudes e benemerências, com os defeitos e maldades. Ferir o inimigo será, pois, dar-lhe golpe mortal nas razões que alega para o desafeto, em inequívoca demonstração de que não somos indiferentes ao fato de o termos como adversário. Ao contrário, devemos empenhar-nos, sinceramente, para arrebanhá-lo para as hostes do amor.
Muita gente há de julgar muito difícil atingir tal nível de desprendimento emotivo, já que a sensibilidade à flor da pele é a pior conselheira. Mas a razão haverá de prevalecer, finalmente, se não na carne, quando estivermos flanando pelas penumbras do Hades.
Deveremos lembrar-nos da exortação cristã à reconciliação e julgar que o tema da angústia por se ter alguém tão incontrolável ao nosso encalço precisa merecer o máximo da atenção.
Se estamos beirando, perigosamente, o desejo da pregação moral, vamos evitar de prosseguir nas apreciações, pois, para os bons entendedores espíritas, a só sugestão de meia palavra basta.
Clotilde.







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DESAFIOS INÚTEIS





Quando estamos aperreados, desejamos enfrentar os perigos dos desafios, para colocarmo-nos de bem perante a coletividade e ao amor-próprio. Entretanto, ao investirmos contra a sorte, contra a vida, contra a existência, contra os desígnios do Pai, tudo redundará em inutilidade, pois não obteremos qualquer resposta, seja no sentido das apreciações metafísicas, que nos esclareceriam, seja no sentido da alteração das disposições cármicas, para que pudéssemos encaminhar-nos para os problemas que nos exemplificariam os fatos a serem cotejados com os arroubos da vontade.
Tudo parece seguir às avessas aos desejos mais rudes, de forma que até os desafios parecem incrementarem-se, constituindo-se em outras tantas provas, a se acrescerem ao rol das que estão provocando-nos os excessos de rebeldia.
Quem quer ser tratado com urbanidade pelas forças espirituais tem de proceder em harmonia com os ditames evangélicos do Cristo, caso contrário irá ter de enfrentar enormes problemas de consciência. Não se pense que estejamos prometendo vinganças metafísicas, mas a verdade é que, quando se derem os esclarecimentos do que necessitamos para suplantar a fase dos desafios, iremos perceber que muito erramos na postura. Contrariando os dispositivos existenciais, estaremos como que lançando clamores de injustiça, de impropriedade, de desperdício, de inutilidade contra a criação, em nítido reflexo dos descuidos de que estamos sendo vítimas pela improcedência filosófico-religiosa.
É o mesmo que estes paupérrimos mensageiros do etéreo pretenderem dos leitores que mudem o proceder de toda hora, ajeitando-se aos ensinos de Jesus e de Kardec, estimulando-os por meio de pregações morais e doutrinárias. Eis a boa razão dos mestres da Escolinha, para que não caiamos na tentação da excessiva didatologia ou, mesmo, do atroz levantamento das normas de comportamento, arremessando tudo na face dos leitores. Eis que tal desafio talvez seja o mais improcedente de todos.
Valhamo-nos das preces para superarmos todas as dificuldades, evitando ser envolvidos por pressões psicológicas, sobre as quais não podemos exercer controle, dado que a personalidade está imersa em avalanchas de defeitos a serem corrigidos e de vilipendiações a serem resgatadas.
Em primeiro lugar, a eficácia do amor nas atividades do relacionamento de cada hora. Depois, a resolução dos temas que nos causem estupefação. Em último lugar, a iniciativa do clamor contra a Providência Divina.
Clarêncio.







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CLAMORES PÚBLICOS





Sentimos ter de vir desenvolver tema muito mais afeto aos domínios materiais que espirituais, mas a verdade é que temos recebido inúmeras preces, no sentido de encaminhar o pensamento de diversos criminosos, para longe das zonas afetivas das pessoas, como se tudo dependesse da vontade dos indivíduos, como membros isolados da comunidade. Se a sociedade tem apresentado tantas pessoas destinadas à marginalidade, deverá repensar as estruturas morais, filosóficas, de comportamento, para imprimir nova direção aos ganhos de cada qual, para que todos possam obter o mínimo necessário para digna sobrevivência. Enquanto as pessoas estiverem mais empenhadas em vencer na vida, mesmo com o sacrifício dos semelhantes, não haverá muito que fazer no plano da espiritualidade.
Há quem queira saber se existe proteção absoluta das forças do etéreo para apaniguadas pessoas, a ponto de se saberem livres de todas as ameaças. Positivamente, os cuidados dos melhores guardiães falecem contra o aparato das falanges do mal.
Para argumentar, deveremos lembrar a Jesus. Se houve quem estivesse mais fortemente protegido, nós desconhecemos, entretanto, todos sabemos que os juízes o condenaram à morte. Caso se levantem razões para a crucificação fundamentadas nas legislações da época, deveremos refutá-las com a lembrança de que o Mestre não fazia qualquer desafio que não se apoiasse, legitimamente, na jurisprudência do amor e na ação da caridade.
Como se poderá evitar que as pessoas sejam atacadas por outras? Somente através do esclarecimento a respeito das verdades da existência, de forma que a perda se restrinja ao campo da materialidade, uma vez que os desperdícios espirituais só ocorrem quando os pensamentos e ações dos indivíduos não se vinculam ao Pai, como espírito irradiante de todos os bens e de toda a justiça.
Não peçam por vocês mesmos, quando se virem assediados pela marginalidade carente de moral e de religião, de responsabilidade e de virtude. Peçam, se nos permitirem a recomendação, pelos que estão mergulhando fundo no báratro, de onde só com muita dor e sofrimento conseguirão emergir.
Quando Jesus nos ensinou a orar ao Pai, pedindo-lhe para livrar-nos do mal, estava a referir-se, realmente, a todos os males, entre os quais avultam os da ignorância, do egoísmo, do vitupério, da falsidade ideológica, da prepotência, da concepção, enfim, de que somos superiores às demais criaturas. Respeitemos a filiação divina de todos e oremos, compungidos, sempre que estivermos diante de entidades que, pelo procedimento, parecem até não ser semelhantes nossos.
Eis o que podemos dizer em resposta a tantas solicitações de proteções, encaminhadas sem a devida compenetração das responsabilidades sociais, para não dizer humanitárias. Ajamos com fé em que o Pai nos agasalhará em seu reino de amor. O mais deve servir para consolidarmos a fé, a esperança e a caridade, tudo em favor do próximo. Amemos a Deus sobre todas as coisas, que tudo o de que necessitarmos nos será dado em acréscimo da boa vontade.
Paulo.







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DEVAGAR SE VAI AO LONGE





Em geral, os mediadores desejam que as transmissões, através, principalmente, da psicografia, sejam extensas e aperfeiçoadas nos conceitos e nas estruturas lingüísticas, para enfeixarem o quanto antes o trabalho. Querem unir quantidade e qualidade no menor tempo possível, como se toda a verdade se pudesse conter em simples comunicações espíritas.
Quanto a nós, desejamos que os médiuns se contentem com um pouco a cada dia, mesmo que não atinem de imediato com a importância do trabalho. Pode ocorrer, entre outras coisas, que a comunicação esteja dando oportunidade de desenvolvimento a amigo da espiritualidade, encaminhado para a tarefa por orientadores de instituição educacional, de forma que o texto, apesar de fraco do ponto de vista doutrinal, irá favorecer, por meio das explicações dos mestres e dos debates entre os do grupo envolvido no aprendizado, que muitos conhecimentos se estabilizem. É serviço de superior benemerência, embora o encarnado não consiga visualizar-lhe as diretrizes.
Graças a Deus, temos tido sucesso com o amigo que nos colhe os ditados, pois vamos bem devagarinho, levando os resultados dos estudos e dos trabalhos, como se fôssemos crianças bem pequenas, nas aulas de primeiras letras.
De resto, nada mais expressivo do que a comparação que fizemos, pois, verdadeiramente, nosso desempenho no socorrismo carece de aperfeiçoamento e da fixação de inúmeros conhecimentos técnicos e doutrinais. A evangelização, em nosso meio, só se dá por concretizada, quando as virtudes em pauta estão sendo vivenciadas no dia-a-dia.
Nada mais corriqueiro do que efetuar pregações no sentido da obtenção de serenidade e da obediência aos preceitos da mediunidade. Porém, como estamos impedidos de propugnar metas e ministrar raspanças moralizadoras, vamos dizer que a melhor atitude, para quem recebe as mensagens do etéreo, será a de aceitá-las conforme forem surgindo, segundo a possibilidade dos elementos responsáveis.
O melhor médium será aquele que não tem palpite a oferecer ao grupo encarregado da magnetização e do desempenho dos comunicadores. Claro está que o mediador, ao adquirir experiência, irá propiciar subsídios esquecidos ou desleixados pelos mentores, tendo em vista a preocupação curricular básica que os impulsiona para as aulas. Aí, imediatamente o encarnado será integrado ao grupo, na qualidade de assessor técnico das transmissões, e poderá definir roteiros práticos, para melhor desempenhar o trabalho de captação das mensagens, segundo a amplitude de freqüências que estiver capacitado a operar e com as quais se vê perfeitamente adaptado.
Viemos rapidamente até este ponto, ao contrário do que o título poderia sugerir. É que estamos desejosos de ver o resultado final. Talvez resida aí o principal defeito da composição, o que poderá ser analisado, de forma proveitosa, pelos interessados nos conhecimentos dos esquemas técnicos com que se podem elaborar os argumentos, para apresentação de roteiros elucidativos aos mortais.
Fiquemos nas suaves mãos de Jesus, para obter do Pai bênçãos de amor.
Carlos.







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TEMPORÁRIAS SUSPENSÕES MEDIÚNICAS





Muitos amigos encarnados temem parar, um dia ou outro, com o trabalho mediúnico, como se fossem cair em falta grave perante os espíritos protetores. Nada mais injusto com relação a eles, pois seria como que desconfiar de que se aplicarão penalidades a quem busca atender aos ditames da consciência, uma vez que nenhuma paralisação, nesse caso, está presa a objetivos de segunda ordem. Quase sempre são problemas de última hora, que se apresentam inadiáveis.
Grave seria se se dessem ouvidos a entidades perniciosas, que, não tendo nada de bom a oferecer, buscam bloquear as transmissões dos que estão trabalhando com seriedade, caso este do pessoal da Escolinha de Evangelização ou das organizações etéreas de ajuda aos necessitados.
Mas, estando o médium acostumado com o tipo de vibração dos que pelejam para transmissões seguras e oportunas, não irá ceder às provocações e demais sutilezas argumentativas dos que almejam ver suspensas as transmissões.
Esta recomendação visa a esclarecer este mediador, que deixou de apresentar-se duas vezes numa única semana, tendo ficado um tanto aborrecido, preocupado em que tivesse dado solução de continuidade ao fluxo das comunicações da Falange dos Imortais. Apesar de sabermos que comunicações igualmente tranqüilizadoras foram fornecidas por outros grupos, estamos desenvolvendo o tema, para que as pessoas possam vir a compreender nosso grau de responsabilidade e de envolvimento, tendo em vista o nível de preocupação dos médiuns com que trabalhamos. É lição que acreditamos aproveitável, mediante o desejo dos amigos de jamais perturbarem as sessões mediúnicas.
Vamos colocar-nos nas mãos de Deus, sinceramente, o que dará aos do etéreo condições de bem avaliarem as disposições mentais e morais dos que se aprestam ao auxílio.
Por outro lado, desenvolvendo o trabalho e estando na mesma situação deste mediador, é recomendável solicitar aos que se apresentam para as tarefas rotineiras que se manifestem a respeito, para bem se caracterizarem as diretrizes que o grupo está seguindo. Adquirir confiança no trabalho é essencial, para que tudo decorra em ordem, em harmonia, no cumprimento dos objetivos.
São relacionamentos de amizade que dão o cunho da função evangelizadora das entidades em comunicação. Se houver autoritarismo, é lícito concluir-se que os espíritos não são de Deus.
Homero.







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APOIO PARA OS PÉS





Quando estamos sentados em cadeira mais alta, estando os pés balançando, sem alcançarem o chão, é de toda conveniência que se encontre apoio em que firmar os pés, caso contrário, a má postura irá prejudicar a coluna vertebral e outros órgãos em forçado desequilíbrio. Não lhes parece claro que assim seja?
E quando as pessoas estão postadas no alto das teorias, doutrinas, filosofias e superiores pensamentos, como é que irão estabelecer contacto com a realidade, para que não haja a correlata desarmonia na postura moral, mental, sentimental ou espiritual? Qual o melhor apoio para que se sedimentem os conhecimentos fundamentados na verdade e nos ensinamentos cristãos?
Quem estiver, no presente momento, enfronhando-se no movimento espírita já terá a resposta no lema de Kardec: fora da caridade não há salvação.
Pois temos aí a resposta, para que as asas cresçam simetricamente, dando ao vôo a cadência que nos conduzirá às terras do Pai.
Ernesto.







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TREINAMENTO INTENSIVO





Para que as transmissões mediúnicas transcorram com naturalidade e fluência, há o mediador que treinar bastante, recebendo inúmeras mensagens truncadas, incompletas, pejorativas e até escandalosas (no sentido bíblico). Daqui ser importantíssimo que exerça o papel sob a vigilância dos orientadores e demais auxiliares dos centros espíritas, sob o amparo doutrinal dos mais experientes.
A advertência pode parecer por demais simplória, mas será valiosa se algum leitor entender que, por estarmos aconselhando o treinamento, deva realizá-lo isoladamente, na expectativa de que os membros deste grupo ou de outros da Escolinha de Evangelização compareçam para o cumprimento das promessas de assistência e acompanhamento.
É que não queremos responsabilizar-nos por eventos em que o fluxo dos comunicados possa dar-se sob influenciação energética de freqüências incompatíveis com as nossas, o que não acontecerá no ambiente preparado pelos guias das sessões mediúnicas, nos centros espíritas do kardecismo.
Outro tópico que gostaríamos de evidenciar, para prevenção dos amigos, é o que respeita ao tipo de casa de atendimento espiritual que deve ser procurada pelos interessados. Sempre repetimos a nomenclatura consagrada pelos ideais da codificação de Kardec, mas isto não quer significar, em absoluto, que não existam instituição de amparo espiritual igualmente sérias e eficazes. Quando recomendamos as do movimento espírita é porque sabemos que existem princípios de segurança estabelecidos a partir dos padrões de procedimentos cristãos, ou seja, de acordo com os ensinamentos de Jesus, código de leis morais e espirituais que emanaram da administração sideral, vigentes também entre as instituições do etéreo destinadas ao auxílio dos sofredores.
De qualquer forma, mesmo os médiuns mais operosos e produtivos consideram o trabalho mediúnico contínuo e inefável treinamento.
Leonor.







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TEMPOS DOURADOS





Na Terra, acreditamos que o antigamente esteve envolto em halos de felicidade que o presente não confirma. As pressões corpórea e social, física e moral, prejudicam a exata correspondência entre o que temos e o que almejamos ter. Sempre está faltando algo.
Entretanto, se formos justos para com as memórias dos melhores tempos, iremos perceber que nunca deixaram de existir as facetas menos felizes, as quais se encontram esquecidas momentaneamente, dado que não exercem qualquer pressão. Não é bem assim que sucede com o leitor?
Não vamos enfeitar a pílula: os tempos dourados serão desmascarados no etéreo, transformando-se cada lembrança em momentoso evento para a finalidade do sopeso de todas as obras. Se houver o que eliminar de mau, por duramente resgatado, sê-lo-á de imediato, restando as recordações mais amenas. Caso os males surpreendam pelo excessivo peso na balança das obrigações descumpridas, aí irá perdurar na mente a impressão dolorosa da culpa, do desleixo, da fantasia etc.
Como superar, desde já, as dificuldades dos acontecimentos que conceituamos como perfeitos, mas que somente encobrem fatos perniciosos para a plenitude da felicidade que esperamos gozar no etéreo? Simplesmente, emprestando ao presente as mesmas alegres cores, para proceder ao inverso com os fatos reputados como preciosos nos tempos dourados.
Além disso, nutrir a esperança de que os males que se detectam no presente possam ser vencidos com galhardia, como oportuno resgate das deficiências de outrora. Agir com prudência, em cada circunstância da vida, irá promover a mais correta avaliação das condições da felicidade atual ou passada.
Não é verdade que a leitura a que nos damos agora, como os momentos da elaboração e da transmissão do texto, supõe operações mentais — intelectuais e sentimentais — de equilíbrio e de harmonia, por piores sejam as condições físicas? Pensemos muito nisso!
Brasílio.







PAUSA PARA REFLEXÕES





Não vamos retirar-nos, definitivamente. Queremos deixar o posto para outra equipe, por uns tempos, prometendo volver aos ditados, após o período que for necessário para que os amigos dêem os recados.
Quanto a nós, iremos aperfeiçoar-nos mais um pouco, para oferecimento de conceituação mais evoluída, uma vez que não estamos satisfeitos com as premissas adotadas para as comunicações.
Deixemo-nos estar nas graças de Deus!
Homero.























SEGUNDA PARTE




















INFORMAÇÕES GERAIS





Não pretendemos trazer nada de extraordinário. Nosso mentor é o mesmo Professor Homero, por quem nutrimos o melhor respeito.
O que nos diferencia da outra turma é o fato de estarmos muitíssimo envolvidos pelas sombras do passado terreno, cheios de problemas materiais para resolver, sem compreendermos bem o que se passa no campo da espiritualidade, pois não temos ponto de apoio para firmar as opiniões.
Esperamos em Deus que as manifestações possam servir aos encarnados, tão próximos estamos deles.
Palavra de cuidado é imprescindível, para que não se estabeleçam confusões com as belas mensagens da turma que está cedendo temporariamente o lugar. Muitos de nós iremos tentar burlar as premissas estabelecidas pelos professores e instrutores, de forma que não respondemos pelos textos como totalmente isentos de vícios.
Mas não haverá nada que não será analisado pelos irmãos orientadores, para os esclarecimentos oportunos, pois quedar falha conceitual, através de mistificação, será acréscimo de dor inarredável. E isto ninguém deseja, pois sofrer mais do que temos sofrido é estabelecer penalidade assaz rigorosa. Aceitamos, pacificamente, a justiça do Senhor, mas não pretendemos provocar qualquer senão conscientemente.
Valha-nos a palavra sensata dos Professor Homero, que irá desfazer os mal-entendidos.







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QUERÊNCIA DESPREZADA





Vivi toda a vida em fazenda, no Rio Grande do Sul. Ao partir para o mundo maior, desejei esquecer aquele rincão, por considerá-lo local de muitas infelicidades.
Estava enganado nos conceitos de vida e principiava muito mal a vagar pelo etéreo, em busca da perfeição.
Na querência, deixei a família e todas as pessoas do relacionamento, boas e más, companheiras e pérfidas, corajosas e covardes. Citei os termos elogiosos mais pró-forma do que por convicção de que tal espécie de pessoas existisse. Na verdade, não desejava que houvesse quem pudesse ser considerado melhor que eu, pois tudo fazia para ser superior aos demais em todos os aspectos, nas atividades profissionais e nas recreativas e sociais. Se não era o melhor pai de família ou esposo, isto não estava incluído em meu ideário de realizações.
Penso ter dado a perfeita idéia de quem fui e do desmazelo moral que se constituiu a minha vida.
Vagando pela erraticidade, peregrinei por muitas regiões, levando comigo as lembranças da terra. Cada vez que encontrava entidade com quem pudesse relacionar-me, imediatamente compunha a imagem de alguém dos tempos em que vivia, o que me provocava, de pronto, asco pela novel amizade. Pagava caro o crime do desprezo.
Como os irmãos devem ter deduzido, alistei-me entre os solitários e demandei socorro aos protetores, para a compreensão do carma de post-mortem, pois o da vida, começava a desconfiar que estragara irremediavelmente.
Não sei por que estranhos processos, comecei a pensar mais seriamente em cada indivíduo que me provocara inimizade e percebi que os males estavam mais em mim do que neles. Entretanto, não desejava retornar à querência, para o reencontro promissor de outras vicissitudes, pois julgava-me em débito para com todos.
Evidentemente, não punha todos os seres no mesmo nível, evitando pensar que cometera qualquer ato falho quando visitava as prostitutas. Foi a partir do momento em que comecei a considerá-las entes de mesma origem que a minha, que pude discernir o quanto, verdadeiramente, estivera vagando longe das leis evangélicas.
Um belo dia, ofereceram-me ingresso nesta instituição, precisando esforçar-me muito para aceitar a condição de que deveria, previamente, visitar os antigos desafetos, para o efeito da compreensão da realidade. Eis que descobri, depois de muitos sustos, que as maldades não tinham tido as repercussões que temera. Aquelas pessoas eram mais humildes do que estava pensando, pois lhes dera as características da minha personalidade.
Circunscritos os problemas que deveria superar, voltei para integrar este grupo, no aguardo das orientações, uma vez que aqui estou a descrever a psicologia, quase no instante mesmo do regresso.
Como se pode perceber do relato, tenho noções do sentido evangélico, dado que pude ouvir várias palestras de benfeitores espirituais, mas preciso ser definitivamente encaminhado para diante do espelho, na contemplação mais correta da alma.
Agradeço a oportunidade da manifestação e o linguajar mais escorreito do irmão escrevente, bem como a orientação da turma, para que dissesse isto e aquilo pela forma que fiz.
Sinto-me mais confortado e pronto para orar ao Senhor para que me dê proteção e força, para o enfrentamento da rudeza das revelações.

A pedido dos irmãos, devo assinalar que não iremos atribuir-nos qualquer nome, pelas óbvias razões das dificuldades da conduta moral. Se quiserem orar por nós, basta lembrarem-se da Falange dos Imortais.




Questões



Veja o escrevente se consegue formular perguntas sobre o texto, de modo que se elucidem possíveis dúvidas quanto à honestidade ou precisão dos eventos relacionados.


1. Por que o autor espiritual não se utilizou do linguajar próprio da região de origem, preferindo empregar a terminologia do médium?

Cada espírito tem prioridades na manifestação. Por que iria o amigo perturbar o médium, fazendo com que buscasse nos dicionários a compreensão de léxico estranho, se lhe era bem mais fácil produzir texto direto, sem desgastes comprometedores?
Não seria prejudicial para a transmissão fazer com que o mediador suspeitasse de estar sendo engrupido, uma vez que não teria segurança quanto a origem das expressões?
Não queremos devolver as perguntas, como a presente redação está a sugerir. A verdade é que tudo que se fizer em termos de linguagem deve ser colocado na conta da semiconsciência do médium. Se houvesse recursos mecânicos, provavelmente o teor do texto incluísse a cor da zona de origem do espírito.
Por outro lado, havemos de concordar em que a tendência do etéreo é a de estabelecer linguagem mais universal, fundamentada nos influxos energéticos, os quais, apanhados pelo médium, são traduzidos para a formulação habitual. Caso haja interesse em tipificar a personagem pelas expressões idiomáticas, a vibração através da qual se dá o contacto irá conter a informação, de forma bem inteligível.


2. Como é que alguém pode viver em local tão restrito e deixar de manter, pelo menos, amizades duradouras? Não há aí falta de lógica sentimental, uma vez que deve ter tido mãe a quem amar?

Não só o relator amou a mãe como ainda a outros seres. Ele é que não sabia disso, pensando que todos deveriam reverenciá-lo, por ser mais esperto, mais poderoso, mais bonito...
Esse é dos problemas mais sérios do excessivo egoísmo, que faz desconhecer a existência das criaturas de mesma faixa vibratória. É como se o indivíduo se cegasse, de tanto fixar o olhar em si mesmo.
Na lei de causa e efeito, quando há débitos, as conseqüências para as pessoas haverão de conter aspectos sentimentalmente ilógicos, pois a compreensão da necessidade da comunhão existencial entre os seres é que jamais irá redundar em isolamento.
Julgamos que, nesse aspecto, a comunicação poderá constituir-se em séria advertência para quem cultue apenas a própria personalidade.


3. Não é inverossímil o fato de que os relacionamentos do etéreo fossem conjugados aos terrenos, para o efeito do desprezo? Por que não houve, de imediato, identificação dos protetores espirituais, já que todos temos elementos que sejam por nós?

Tal ocorrência não foi permanente. Teria fundamento a desconfiança do questionador, se, em definitivo, houvesse a aproximação das personalidades dos adventícios às dos antigos parceiros de vida. De resto, como se declarou mais para a frente, as pessoas reais eram bem diferentes daquelas que lhe residiam na memória. As personalidades dos protetores estavam sendo também fantasiadas pela imaginação superexcitada pelos processos de culpa.
Quando se está na erraticidade, costuma-se perder o contacto com a realidade, e isso é problema sério a exigir imensos sacrifícios, em relação às convicções adquiridas através das posturas morais e sociais assimiladas durante o encarne mal direcionado.
Tolhida a capacidade de discernimento, a predisposição para a lucubração de mundo irreal impediu o reconhecimento imediato das virtudes dos orientadores. Mesmo na Terra, existem tremendas dificuldades em se saber quem é bom ou mau. Há que se esperar que as pessoas ajam, persistindo nas ações durante bom tempo, especialmente quando estão demonstrando capacidade de amar. Aqui, os interesses poderão levar a mascaragens das atitudes. Ora, quem esteve desejoso de sobressair-se, deve, por via de conseqüência, estar premunido contra os ataques dos que tenham o mesmo tipo de aspiração. Verdadeiramente, o amigo estava impedido de estabelecer distinções quanto aos méritos morais dos que vinham com o intuito de auxiliá-lo.


4. Sendo as prostitutas mulheres que ganham a vida através de determinada prestação de serviço, moralmente condenável — é claro! —, como é que a freguesia pode responsabilizar-se por desvios de conduta, a ponto de a personagem se sentir culpado relativamente a elas?

Quem participou de ato desonesto deve ter sentido pressão consciencial a acusá-lo da prática do mal. Não é preciso muito para imaginar que houvesse compromissos estabelecidos com a esposa. Sendo assim, as visitas às prostitutas acabariam por transformar-se em zonas de reflexão do auto-respeito. Quem quer ser melhor que os outros não pode deixar-se envolver nas malhas pecaminosas dos crimes assim caracterizados pela sociedade e pela religião, por mais que os usos e costumes encubram as racionalizações.
Um dia ou outro, todos nós iremos realizar perguntas a respeito de todos os fatos vivenciados, por mais insignificantes possam parecer-nos durante a encarnação. Quando as questões girarem em torno das pessoas, certamente irão conduzir a meditação para o fato de que todos fomos criados por Deus do mesmo barro, para utilizarmos expressivo mito bíblico. Se voltarmos a ler o texto, iremos verificar que as prostitutas estavam situadas no último degrau das escórias, na mentalidade machista do rio-grandense-do-sul. O reconhecimento da identidade divina de tais criaturas é ápice das indulgências. A partir daí, a alma passa a definir-se com precisão e a realidade assoma vitoriosa. Haverá dor, sem dúvida. Mas benigna e reveladora.
Quanto ao fato de as mulheres profissionalizarem os favores sexuais, é tema que ultrapassa os limites destas explicações. Entretanto, podemos afirmar que cada vicissitude é única perante os carmas a serem cumpridos. Sendo assim, cada qual deve perfazer determinados objetivos, tendo os desvios significados diferenciados entre si. Não consideremos, portanto, todas as prostitutas como iguais entre si. Há aquelas que têm vidas de sacrifício e as que fogem dos compromissos por desleixo, por covardia ou por comodismo e prazer.
Cremos que os leitores terão o que acrescentar às observações.


5. Todas as pessoas haverão de perdoar e ser perdoadas pelos desafetos. Por que a personagem, tendo noções evangélicas, receava encontrar-se com os inimigos? Tal tipo de reação é universal ou cada pessoa tem maneira própria de proceder perante as leis cármicas?

O desconhecimento das reações é que punha o narrador inseguro. É preciso considerar que não estava apto a raciocinar friamente a respeito dos eventos que patrocinara. É justo temer pela perda da estabilidade emocional, quando se está a caminho da responsabilização consciencial, do arrependimento e do remorso. Aqui, as noções evangélicas estão mal decalcadas na personalidade, falecendo especialmente a fé em que Deus é o protetor universal das criaturas. Quem realizou tal pergunta estaria julgando-se perante ser de elevados dotes morais?
O processo por que passava o relator é universal. Todos passamos ou iremos passar por tais fases no encaminhar das soluções dos problemas espirituais. Entretanto, a intensidade dos dramas íntimos é absolutamente individual, como a sensibilidade das pessoas é única. Cada qual terá a impressão de que as dificuldades são intransponíveis, mas os dados para a configuração do sofrimento correspondem ao influxo das energias degeneradas pelos desvios de conduta.
Não resistimos à tentação de sugerir que as pessoas principiem séria auto-análise de comportamento (incluindo-se os hábitos mentais), para não se virem totalmente surpreendidas no etéreo. Eis que prevenir acidentes é, de fato, dever de todos.


6. Que tipo de procedimento a partir de agora deve ter o amigo para superar os problemas cuja demonstração pretendeu fazer, embora nem tudo esclarecesse devidamente?

Eis que o interrogador abre a perspectiva da resposta ao sugerir que muitos eventos devem ter ficado na penumbra consciencial. Pois aí está: haverá necessidade de melhor caracterizar a personalidade, para a fixação de profícua programação para absorção das diretrizes evangélicas. Reconhecida a dificuldade, o primeiro passo será dado na direção da permanência em grupo de estudos, para o desfile das condições em que a aflição se demonstre mais forte.
O interessado irá percebendo quais os dramas íntimos que deverá vencer. O relato desses estremecimentos aos orientadores é que lhes configurará o tratamento mais adequado.
Como norma superior de conduta, existe a prece, para estabelecimento da normatização vibratória com os demais elementos do grupo. E existem os serviços na instituição, caso haja internamento e acompanhamento especializado. Se o indivíduo estiver na companhia dos protetores, será sinal de que pouco trabalho será suficiente para fazer prescrever as más tendências do caráter. Se estiver sozinho, provavelmente não alcançará tão cedo assimilar os ensinamentos cristãos.
De novo, devemos conjecturar situações, o que nos encaminha para o infinito das soluções cabíveis. Por isso, a recomendação de que todos cuidem de estabelecer o verdadeiro padrão de procedimentos da alma, para arguta preparação para os conflitos no etéreo. Só seres totalmente evangelizados não têm necessidade desse tipo de preocupação prévia. Mas estaremos nós capacitados a decifrar os mistérios de suas excogitações?







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PALAVRAS DE UM VADIO





Dificilmente, a minha expressão atual irá levar à lembrança dos leitores aquele indivíduo que viveu pelas ruas da cidade grande, durante a vida toda. Tartamudeava, infeliz, acrimonioso, ferindo a quantos se me antepusessem às pretensões. Apenas, não tinha aspirações elevadas, de sorte que era incapaz de emitir conceitos que não tangenciassem pela rudeza de inculto intelecto.
Hirsuto, feio, desengonçado, cadavérico, sujo, desgrenhado, caminhava pelas ruas, a causar arrepios de horror nas donzelas e moçoilas casadoiras. As crianças, mais afoitas, apedrejavam-me, quando em bando. Se pilhava alguma isolada, dava-lhe bons cascudos, sempre munido de forte cajado com que me defendia dos cães apadrinhados.
Que valores morais pode desenvolver pessoa em tal estado de defecção social? Viver na marginalidade não significa estar distante dos bens materiais, mas, principalmente, estar com grossa carapaça mental, a ponto de os pensamentos se desencontrarem, jamais conseguindo arquitetar qualquer raciocínio abstrato. O que desejava, punha na frente da vista, idealmente, até que me visse de posse. Mas as coisas se arrumavam nos latões de lixo, no furto ocasional, na disputa entre os mendigos, na poluição sexual com as fêmeas inidôneas, amarfanhadas pelos vícios e esmagadas emocionalmente pela perda do respeito próprio.
Quisera demonstrar como é que tais pessoas pensam, mas me é impossível reproduzir as sensações mesquinhas da época. Apenas posso dar ligeira idéia, transferindo para o cérebro dos amigos as necessidades dramáticas de se conseguir prazer a todo custo, mesmo que no desconforto terrível das intempéries. Mas que doce sensação de vitória ao se apoderar de garrafa de aguardente, só nossa! Era como que a regalia de todas as perfeições.
Entretanto, a vida fica demasiado curta para quem não cuida da saúde. Aos quarenta e cinco anos de idade, verminose abaulando o baixo ventre, pulmões cavernosos a explodir em golfadas de sangue, excrescência da humanidade, rejeito social da mais baixa categoria, deixei-me vitimar na via pública por possante e mortífera máquina de exterminar mendigos.
Fui enterrado como indigente e ali quedei ao lado do cadáver, decompondo-me com a putrefação da carne, como se a alma caminhasse pari passu. Sofria as dores que o corpo não mais transmitia, mas considerava que era o justo pagamento pelo desleixo vital. Não reclamava.
Aprendera a rezar, quando tinha mãe. Mas tudo coloquei de lado, na presunção de que deveria chefiar o meu exército brancaleônico, na busca inconseqüente de concretizar os absurdos desafios da divina salvação, pois julgava que, se houvesse Criador, deveria agir com a mesma autonomia para poder ser chamado de Redentor.
Não devo e não quero relatar os passos da ascensão até este posto de contacto com os encarnados. Quero dizer que não haverá leitor possível que esteja, no justo instante da leitura, em piores condições que as minhas, durante a vida inteira. Não há aí otimismo, esperança, fé, caridade, solidariedade, desprendimento e demais virtudes que tanta gente prega mas não cumpre?
Que importância têm os cães, além de lembrarem aos caravaneiros que devem prosseguir em romaria, até o final da navegação? Acostumado a ser o modelo invertido das excelências sociais, volto com a pretensiosa aspiração de transformar o que era excessivamente ruim, em algo deglutente ou palatável (na moderna expressão). Fujam de considerar a exposição meramente má intencionada, pela predominância das intenções em detrimento das lições diretamente comentadas. Não há ironia que não seja amargosa nem sensação de superioridade que não conduza à desconfiança de que somos caricaturescos.
Quando se depararem na rua com vadio de marca, inchado e porco, a trescalar enjoativos humores de rançosas e pestilentas feridas, lembrem-se destas palavras e coloquem-nas na boca do infeliz. Quem sabe haja aí a sombra da irmandade em Deus, que todos propugnamos em discursos de superior moralidade.
Que Deus me perdoe as arremetidas no campo da literatice pernóstica da terminologia fácil de quem vem para a tentativa do desequilíbrio frustrante dos que se apaniguam, metaforicamente, de bens espirituais, mas que não entregam o produto de qualquer alienação de propriedades às mãos dos necessitados, para seguirem a Jesus. Eis que a caravana passa. Eis que os camelos se encaminham para os buracos das agulhas. Eis que os ricos...
No contraste da anterior condição, busco a revelação dos pensamentos que me atormentaram a existência. Valeu o esforço?




Questões



Solicitamos que o médium releia o texto e formule perguntas relativas a possíveis problemas ou dúvidas quanto ao conteúdo.


1. Não se tendo ilustrado na derradeira peregrinação pela Terra, de onde vem a facilidade de expressão do comunicador?

No caso específico do autor, estava preparado desde antes do encarne para as pregações morais, tendo desenvolvido o intelecto, embora de forma inconveniente, precária, maliciosa.
Mas é preciso ressaltar que os elementos expressivos de que se lança mão no momento da transmissão podem ser extraídos do acervo cultural do médium. Tal não foi o caso.
Finalmente, se mais largo período de tempo intermediar o momento do desenlace até o instante de possível manifestação mediúnica, aí, com certeza, o espírito se terá valido dos ensinamentos que lhe são ministrados nas escolas do etéreo.
Em geral, o mensageiro extrai os recursos das quatro fontes, pois ficou subentendido que poderá trazer aprendizados novos da mais recente encarnação.


2. O fato de não ter trabalhado onerou sobremodo o carma do amigo, sem dúvida. Em que aspectos, prioritariamente?

Evidentemente, ninguém sai para arar o campo, na expectativa de que o façam por ele. As normas mais simples dos roteiros cármicos incluem, obrigatoriamente, desempenhos no setor da prestação de serviços à sociedade, em geral, e a terceiros, em particular. Neste aspecto, poder-se-á dizer que a vida apenas não se inutiliza completamente, porque ficam na lembrança dos infelizes os desassossegos posteriores, quando da tomada de consciência da precariedade existencial.
Intensificando as atividades de resgate no etéreo, poderá o informante, mercê de evidente capacitação no campo da intelectualidade, elaborar programação para nova aventura terrena, somente para incorporar, ao acervo de experiências, os atributos que deixou de conquistar, pela desídia do encarne.
Evidencie-se que o maior clamor dos que sofrem na erraticidade se fundamenta no desejo de regressar ao campo físico do planeta, para recuperação das perdidas oportunidades. Não se pense, pois, que se trata de castigo, de penalidade. Reencarnar, neste aspecto, é a tentativa de se buscar o elo quebrado da corrente evolutiva.


3. Gostaria de repetir questão proposta para o texto anterior, ou seja: por que os amores familiais não se contaram entre as forças de sustentação vibratória? Valerá a mesma resposta?

É tentador remeter o amigo para a resposta ministrada anteriormente. Contudo, vamos acrescentar que nem sempre os indivíduos guardam a lembrança dos afetos que se dissolveram na infância.
Se o companheiro se lembrava das preces que a mãezinha lhe ensinara, teria na memória fugidia figura de protetora. E mais nada. Caso tivesse dado outro curso à vida, encaminhando-se, por exemplo, a centro espírita para absorção das diretrizes doutrinais, teria ensejo de aprender que os pais são seres, quase sempre, intimamente relacionados com os filhos.
Não estará aí o fundamento espírita do mandamento do decálogo que nos obriga a honrar pai e mãe?
Respondendo diretamente à questão, devemos lembrar que o direito ao livre-arbítrio manieta as ações dos protetores, impedindo que haja intervenção espiritual, seja no campo das sensações físicas, seja no das emoções e sentimentos.
Se os pais do amigo intentaram, do plano da espiritualidade, interceder a favor, não foram bem sucedidos, tendo em vista o procedimento extremamente egoísta do assistido.
De qualquer forma, se houve quem estivesse trabalhando por ele, terá obtido sucessos secundários, na influenciação, por exemplo, dos indivíduos do relacionamento do protegido.
O corolário destas explicações não será difícil de extrair-se.


4. O discurso de revel, na acusação das culpas do Senhor e no pressuposto de que a humanidade desleixa no atendimento dos mendigos, não foi meramente retórico? Isto é, não teria sido preferível confessar, desde logo, que havia desejo de ócio, de comodismo, de isenção de responsabilidade? Terá o amigo mascarado a descrição psicológica?

Claro está que o intento da exposição é permitir que se façam reflexões, a partir dos elementos conjugados para o efeito. Sendo assim, o que seria preferível é questão de enquadramento do autor, à vista da necessidade da manifestação.
De qualquer modo, o resultado obtido dependerá acentuadamente das repercussões no ânimo dos leitores, dado que existem limitações ponderabilíssimas para a confecção do melhor texto.
É preciso ressaltar que não se cogitou de confissão, pois o companheiro está perfeitamente cônscio dos problemas que as atitudes do encarne provocaram, como ainda conhece proficientemente, tendo vista sua aplicação aos estudos, quais as soluções mais plausíveis.
Não vamos perder de vista a necessidade do alunado de compor textos que interessem aos encarnados, especialmente porque não desejam desperdiçar tão importante oportunidade mediúnica. As lições da moralidade se deram em fase anterior do aprendizado, quando os dramas se vivenciavam, sob o crepitar das emoções. Neste momento, há a preocupação de se aplicar o que se aprendeu o mais inteligentemente possível.


5. Seja-me permitido assegurar ao amigo que realmente valeu o esforço, dado que o texto está deveras muitíssimo bem construído. Mas o ensejo promove questão de valor: — Há efeitos danosos possíveis no elogio fácil, perante as emoções que o texto suscitar no intelecto dos leitores? São os autores susceptíveis de se envaidecerem, perante os estremecimentos dos mortais?

Se nos remetermos à última informação relativa à questão anterior, poderemos concluir que, dificilmente, os seres que aqui se apresentam não estejam imunes a toda forma de sedução intelectual.
Não nos furtaremos a demonstrar alegria, quando tivermos sido felizes nas apreciações levadas à presença dos mortais. Mas haveremos de comentar os defeitos, as inadequações, as falhas, os excessos, as oportunidades perdidas, as informações incongruentes ou fortuitas, a utilização tão-só parcial dos recursos do mediador, os abalos que não se amenizaram, as precipitações temáticas, a exemplificação caduca, do tempo em que perambulávamos pela crosta, e assim por diante.
Há muito com que nos preocuparmos, para que se junte mais uma terrível viciação, contra a qual todos já investiram.
Elogiar será muito bom, mas o melhor mesmo é apontar falhas e estabelecer saudáveis críticas. É assim que nos ajudamos mutuamente a evoluir.


6. Evidentemente, as interrogações do mediador não são as que ocorrerão aos demais leitores. Não seria preferível que os integrantes do grupo elaborassem as perguntas, conforme mais larga experiência no campo socorrista?

Através das questões, pretendemos expor todas as nuanças dos pensamentos que supomos irão desfilar na mente dos leitores. Faremos das perguntas pretextos para desenvolvimentos mais amplos, até mesmo paralelos, bastando que os temas se suscitem.
Não é agir com o devido respeito a todos?







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DIA DE CÃO





Se quiserem mudar o título, sintam-se bem à vontade. Quanto a mim, não me importarei nem um pouquinho.
Aliás, esse tem sido o pior defeito que devo eliminar da personalidade, qual seja o de não firmar convicção sobre qualquer assunto importante. Ao contrário, quando se trata de mesquinharias, até parece que tenho arraigado forte compromisso com as eventualidades, pois jamais me permiti deixar sugestionar, teimoso e frio que sempre fui.
Vou descrevendo parceladamente a maneira de ser, pois não conseguirei organizar todo harmonioso, por mais os mestres e companheiros tenham insistido na metodologia das transmissões. No final das contas, como disseram que fizesse o melhor, eis-me desempenhando este papel, crente de que tudo poderá ser colocado de lado, já que as declarações não contêm, verdadeiramente, nada de muito positivo, embora retratem exatamente como sou por dentro: dispersivo, xucro, vingativo e cruel.
Mas tais defeitos estão sob controle, porque detectados a tempo pelo grupo, havendo tratamentos específicos para defecções dessa espécie. Basta aos pacientes que concordem com os aspectos essenciais das diretrizes médicas, uma vez que se atiraram de cabeça no Umbral, para onde não quererão voltar jamais.
Vejo que o escrevente está tendo muita paciência, buscando reproduzir os fracos impulsos energéticos que lhe passo, fazendo inaudito esforço para controlar os dizeres na mesma linha a que se habituou. Peço-lhe, inclusive, que deixe a correção datilográfica para depois, para não correr o risco de romper a comunicação. Para tanto, deverá continuar imprimindo o máximo de velocidade à escrita, apesar do risco sempre presente de que a pressa seja inimiga da perfeição.
Vou neste embalo e já me arrependo, pois o que vai ficando grafado não corresponde aos sonhos de grandiosidade literária do último encarne, quando alguma coisa fiz de proveitoso, pois escrevi bastante, ao sabor dos pensamentos, dada a necessidade do periodismo assim o exigir.
Fui bronco jornalista de bem lida publicação, no interior do Estado de São Paulo, padronizando os textos de forma a não desmentir jamais o roteiro que me fora encomendado pelos donos da folha. Como não era diária a tiragem, tinha bastante tempo para burilar os dizeres, sem ferir os rígidos preceitos que me foram estabelecidos e nos quais eu mesmo acreditava cegamente.
Fico deliciado neste instante, usufruindo as impressões dos rápidos toques nas teclas, que era o que sempre almejei fazer, pois julgava que a pressa da modernidade exigia do periodismo que imitasse a vida, irreversivelmente. Daqui certa imprecisão na terminologia que vou empregando, no que tange ao roteiro mais ou menos descritivo da psique.
Sabem por que fiz questão de me declarar afeito às letras? Só porque o mediador estava pensando que não estaria eu apto à utilização do verbo pela declaração de insegurança inicial. Mas se tiver um pouco de pachorra, irá descobrir, relendo o texto, que não foi essa a idéia que conjeturei passar aos leitores.
Eis que desejei também dar-me importância no campo da intelectualidade, apesar das recriminações, para que o pessoal possa configurar a situação atual dos próprios relacionamentos sociais e familiares, no sentido de bem compreender que nem tudo aquilo a que se aspira para depois da morte se irá conseguir com facilidade.
Sinto-me tão solerte neste instante que não penso em dar descanso ao médium. Vou fazendo o contraponto das antigas tendências, revelando-lhe os pensamentos relativos ao seu trabalho, para que os demais leitores vão acostumando-se com as longas circunavegações dos temas, sem o sério mergulho na alma, que se deveria fazer para a concretização dos exames de quem, estando do lado de fora, é bem capaz de elucidar os pontos mais misteriosos.
Que se fará de tão longa peroração? Será que teremos sucesso? Será que a formulação adotada conseguirá atingir os pontos preconizados pelos orientadores? Ficarão os colegas satisfeitos com o resultado deste desempenho?
Pois vão sendo estabelecidas as questões, na medida em que sabemos que terá o escrevente a obrigação das perguntas a respeito da tonalidade emotivo-intelectual deste que se apresenta, de maneira tão prolixa e, com certeza, desastrada.
Se tive crimes a pagar? Claro! E quem não os tem? Se não fosse assim, seria bastante fácil de perceber-se, pela responsabilidade e sabedoria das palavras aqui despejadas. Não se trata — por favor, acreditem — de falsa modéstia. Estou buscando entreter o médium, para que não se deixe envolver por antigas vibrações, de sorte a não descaracterizar o ditado. É bom que assim seja, para que o bulício d alma se transfigure, perante os leitores, em algo facilmente decifrável, no campo das vibrações existenciais que se concentraram neste pobre indivíduo, muito carente de apoio e esclarecimento.
Sinto que o empuxo esteja fenecendo, à medida que vou assegurando-me de que as palavras vão reproduzindo bem fielmente os estremeções sentimentais que me determinam este procedimento.
Tenho de responder a diversas perguntas que estão fazendo os mentores da transmissão, mas vejo-os muito preocupados com o forte andamento que imprimo à comunicação. Velho hábito, vai ser dificílimo desvencilhar-me dele.
Eis que deixei outra pista de minha formação moral, para que os amigos possam analisar este que lhes fala. Só espero que o façam após preces rogativas das bênçãos do Pai e do amparo dos benfeitores da espiritualidade, pois, caso contrário, as vibrações poderão ter o indesejado efeito de me atormentarem a consciência, por ter vindo tão afoitamente até este trecho.
Graças a Deus, a formulação mais usual das turmas que me precederam estabelece espécie de compromisso coletivo, de sorte que sou capaz de assimilar roteiros para levar a cabo a correspondência.
Fiquemos aliviados com o anúncio do término da mensagem e aguardemos, pacientemente, que os amigos julguem dos poucos méritos desta apresentação.
Quanto a mim, apesar das fraquezas do texto e do sentido mais ou menos inócuo do trabalho, encontro-me bastante satisfeito, por ter conhecido tão de perto como é que se dão as transmissões mediúnicas. Se não ensinei nada, se não exemplifiquei nada de bom, se não repassei os conhecimentos evangélicos, que a custo vou fixando, podem acreditar que estou aprendendo, e isto parece ser um dos objetivos dos organizadores destas demonstrações.
Sendo assim, não levem a mal a recomendação da destruição imediata desta pálida página de impenitente sofredor e fiquem com Deus. Se, contra a expectativa, alguém alcançar o texto e o mantiver sob a vista até o fim, queira perdoar-me a pretensão aos ganhos de momento e fixe na memória que todo aprendizado só será assimilado quando colocado em prática, através de muito trabalho, realizado com profundo amor e espírito universalizante.
Agradeço muitíssimo a todos e me ponho à disposição para outra transmissão que, acredito, servirá para demonstrar cabalmente que sou capaz de entender as críticas e sugestões, agora que estou inscrito nesta Escolinha de Evangelização.
Não foi uma boa idéia, para que venha a me constituir em mediador do lado de cá, já que me situei, o mais possível, fora de mim mesmo, como se a consciência estivesse subjugada integralmente à vontade?
Eis questão que deverá levantar dúvidas e inúmeros pontos de interrogação na cabeça dos mais atentos.
Cansado do castigo de permanecer escrevendo até que tudo tivesse dito, aqui permaneço, apesar de ter declarado o agradecimento e de ter requerido dos Céus que abençoe a todos. Se os mestres não estiverem satisfeitos, haverão de ter paciência, pois, de fato, a minha personalidade poderá surpreendê-los, já que estou comodamente instalado nesta cadeira, vendo os movimentos velocíssimos dos dedos do amigo, conforme vou explorando-lhe os reflexos, nestas mal direcionadas linhas, no intuito de não perder a excelente oportunidade, para a demonstração da verborragia e da rapidez. É pena que não possa evidenciar o quanto tenho podido ir rápido. Para dar uma idéia...




Questões



1. Quando o irmão ia facilitar a compreensão do quão rápido estava sendo, tendo levado cerca de vinte e cinco minutos para realizar a comunicação, suspendeu, ex-abrupto, o ditado. Que ocorreu de fato? Tinha previsto a dramaticidade do desfecho ou, simplesmente, os instrutores retiraram-no do posto?

Evidentemente, o efeito foi buscado, como recurso de composição. Mas não se pense que em função de levar o mediador a formular a presente pergunta.
Se lhe inquirirmos qual o principal intento da interrupção em meio à explicação, irá dizer-nos que objetivava fazer com que os leitores compreendessem que os instrutores estão atentos e que não permitirão que haja abuso da oportunidade da mediunização.
Para nós, parece-nos forma de induzir que o texto contém elementos evangélicos de valor, sendo as informações periféricas faltas de importância, perante a realidade espiritual. Em termos filosóficos, que a essência dos conhecimentos prepondere no interesse dos leitores; o acidental deve ser compreendido a serviço do principal.


2. Alguns espíritos primam pela velocidade com que ditam as palavras. Terão medo de que, indo mais devagar, possam desfazer a imantação, ao darem oportunidade ao escrevente de divagar sobre o tema? Julgam perigoso que as idéias possam vir a ser mal interpretadas? Cismam que o mediunismo se transforme em animismo, prejudicando o teor evangélico da mensagem?

Tudo isso e mais um pouco.
O importante para os alunos desta organização é deixar o registro claro do fruto dos trabalhos e dos estudos, no campo que lhes foi determinado pelos mentores, conforme as tendências pessoais. Sendo assim, qualquer desvio de rota será oneroso para a eficácia da transmissão.
Alguns chegam ao posto inseguros, embora plenamente esclarecidos do tipo de vibrações que deverão emitir, conforme treinamento específico levado a cabo durante as aulas. Outros, para envolvimento do médium, deixam evidente, desde o início, que deve submeter-se à vontade do mensageiro, pondo-se à disposição para o registro de todas as idéias, não lhe permitindo introduzir sequer expressão alheia ao cabedal de conhecimentos do comunicador. São excessos de zelo.
Para que se evitem problemas mais sérios, são as turmas trazidas para observar o trabalho, estando o aparelho sob influenciação de outro grupo. Neste aspecto, as transmissões dos mentores são os exemplos mais significativos de como se deve postar emotivamente o mensageiro, permitindo certa liberdade ao escrevente, para que se assegure de que a frase esteja apresentando-se agradável, sóbria, elegante e correta.
Tais explicações não acendem a curiosidade dos amigos, no sentido de se transportarem para cá, para a observação in loco de como atuamos junto ao instrumento encarnado?
Eis que os objetivos vão colocando-se, sem mascaragens. Não foi ótima esta idéia de responder a questões formuladas a partir das lucubrações do escrevente?


3. A escrita do irmão, mediante o resultado final, faz desconfiar de que o texto estivesse preparado ou, ao menos, rascunhado. Entretanto, fez questão de passar a impressão de que haja improvisado. Como o procedimento se repetiu diversas vezes, poderiam os mentores elucidar a razão dessa atitude? Ou haverá tão-só o emprego de recursos oratórios ou literários?

Ao respondermos à primeira questão, adiantamos algo neste sentido. Contudo, faz-se mister elucidemos diretamente os pontos levantados, pois, se não o fizermos proficientemente, haverá motivos para suspeitarmos de que os mortais irão colocar a pulga detrás da orelha, relativamente à honestidade ou à verdade moral das mensagens.
Há e não há improviso. Muitos chegam com o texto pronto, escrito em folha devidamente rubricada pelos mentores, e já do conhecimento dos parceiros. Ao iniciarem o trabalho, verificam que a terminologia empregada não se transmite com plenitude. Aí ficam atrapalhados com as interpretações do médium, buscando circunscrever as idéias por meio de sinonímia conveniente. A frase incha, descaracteriza-se, perde a eficácia retórica e torna o estilo enfadonho e monótono.
Há quem seja surpreendido com a possibilidade da transmissão, no caso, evidentemente, de seres trazidos para junto da mesa de trabalhos para o testemunho de dor, já que não são alunos devidamente registrados como tais. São entidades carentes de auxílio médico, em estado muito próximo da alienação corpórea.
Mesmo quando os mentores se apresentam, como neste caso específico, há que improvisar, pois se dá oportunidade a que o médium apresente rol de questões, para cuja elaboração o plano espiritual não desejou contribuir.
Como se pode notar, há inúmeras situações em que a escrita se faz na hora, não sendo, portanto, de estranhar, que o espírito enuncie o fato.


4. Muitas vezes julgamos que as lições estão completamente assimiladas, mas os comunicadores informam que são carentes de muitos conhecimentos importantes. Será que existe a dicotomia comum do conhecer sem convicção, a ponto de haver hesitação em praticar as virtudes?

Também. Devido à constante incitação para os exames de consciência, vão os amigos aprendendo quais os pontos fracos da personalidade, tornando cada vez mais clara a inferioridade moral, à vista da excelsitude dos seres iluminados pela verdade. Assim, sempre haverão de julgar-se em débito, quanto ao nível em que estagiam no plano evolutivo.
No entanto, o mais comum é a enunciação da realidade psicológica, ou seja, que estão de fato carentes de conhecimentos, pois as lições que recebem são por demais abrangentes, em cotejo direto com o acervo de cada qual.
Se o amigo solicitar preces para si, podem acreditar que verdadeiramente está necessitado delas.
Se há regra fundamental para os que estão freqüentando as aulas é a de que nunca devem fazer crer aos leitores que estejam buscando demonstrar humildade e respeito através de auto-acusações, para a indução de que os encarnados façam o mesmo. Isso seria hipocrisia, pois a idéia final que ficaria de tal exposição é a de que o ser estaria muito mais evoluído do que diz. Ora, o que é apanágio dos anjos é o fato de só transmitirem a verdade. Na Terra, seria, mais ou menos, o que se considera questão de honra.
Se não bastarem estas explicações, recomendamos aos irmãos que desenvolvam esforços no sentido da compreensão do que seja a integridade moral que se espera de quem está a merecer avançar na escalada evolutiva.


5. Pareceu-me que o amigo ficou com vontade de reingressar na carne, quando se recordou dos ideais perdidos, como a fascinação que demonstrou pela datilografia rápida. Terão todos os espíritos tais desejos materiais, ou o fato só está a demonstrar o quanto atrasados estão, relativamente aos bens espirituais?

Seria o mesmo, não é verdade?
O interesse em voltar ao orbe terrestre sempre é despertado pelas necessidades de resgate, no caso dos seres esclarecidos nas aulas de evangelização.
Quanto ao sentimento de melancolia que, na pergunta, se traduziu pela bela palavra saudade, não se trata propriamente da nostalgia dos bens materiais, mas do desejo de ultrapassar certos obstáculos, o que não foi alcançado na derradeira peregrinação. É mais a vontade de vencer, de perfazer as metas, de cumprir a missão, pois há outros ideais despertados, no plano da espiritualidade, que não estarão ao alcance senão depois da conquista das virtudes em falta. Como a maior parte dessas virtudes é muito mais fácil de atingir-se encarnado, ficam os alunos ansiados pela hora em que receberão o alvará para a volta.
Esclareça-se, também, que os que sofrem no Umbral ardem por retornar à carne, onde o sofrimento se condiciona aos limites das freqüências corpóreas, havendo como que trégua nas angústias e desconfortos do etéreo. Muitos, inclusive, são impulsionados por vis aspirações de vingança ou de simples fuga dos lampejos dramáticos da consciência.
Quanto ao amigo em pauta, verdadeiramente esteve fascinado pelo trabalho do mediador, tanto que externou o desejo de regressar ao campo de provas da Terra na condição de escrevente. Terá muito que estudar para isso...


6. Diante do conhecimento de que o médium irá elaborar estas questões, não estarão os mensageiros preparando textos convenientemente adaptados para a circunstância?

Corremos o risco de que alguns queiram ver comentadas certas particularidades de procedimento. Contudo, a rigidez com que se controlam os textos impedirá que os interesseiros se manifestem que tais. De resto, a pretensão irá dar oportunidade a que sejam corrigidos e esclarecidos, o que nunca se dá isoladamente, mas perante o grupo, levando todo o conjunto à meditação em causa.
Eis que todos os artifícios são descobertos bem a tempo de se evitarem as contravenções às normas estatuídas pelos orientadores.
Se todos os humanos agissem com tamanha oportunidade, malhando o ferro ainda quente, com certeza os meios educacionais terrenos ajudariam muito mais os indivíduos no exercício evangelizado da cidadania.
É preciso acrescentar que cabe ao conjunto dos orientadores, com a aquiescência da turma, estabelecer quais as conveniências temáticas, para cumprimento da programação. Como se vê, a motivação das transmissões (principal preocupação registrada nas questões) nem propicia lugar ao acaso, nem favorece os personalismos.







4

VITÓRIA DE PIRRO





É belíssima a expressão para representar quando um indivíduo ganhou a batalha mas perdeu a guerra.
Eu, no último encarne, estive muito próximo disso, tendo-me livrado do pior no derradeiro instante, quando adentrei casa de auxílio evangélico ligada ao Espiritismo.
Não pensem que vim declamar lição decorada nas aulas ministradas pelos orientadores da Escolinha de Evangelização. Quero, ao contrário, demonstrar que estive bem perto de fazer tudo ao contrário das ordenações cristãs.
Como não pretendo relatar as peripécias da vida, vou ter de fazer referência direta a malfeitos morais que perpetrei, ao mesmo tempo que obtinha vitórias nas barras dos tribunais humanos, pois processei diversos parentes, exigindo parte da herança de meu pai, que me havia rejeitado, por minha mãe ter-me tido justamente para configurar o suborno sentimental.
Eis que me é muitíssimo difícil de referir-me ao que fiz, sem narrar os acontecimentos relativos a tais fatos. Mas o que disse já deve ter dado para perceber que não estive interessado em resguardar a memória de meu pai, nem a segurança emocional dos parentes que não me quiseram legitimar, também pelo medo da perda dos lucros das empresas.
É história por demais banal, mas que me custou muitas noites de insônia, pois, no fundo da consciência, tinha a exata noção de que aquelas pessoas deveriam ser amigas e não adversárias.
Tendo logrado êxito nos tribunais, pude arrecadar bela fortuna, com que eduquei os filhos nas melhores escolas, completamente esquecido de que a maior lição lhes havia dado, por ter demonstrado que o caminho do equilíbrio social poderia ser alcançado por meio do litígio judicial. No decorrer da maturidade, adentrando na velhice, pude constatar que os filhos iam crescendo com terríveis pretensões, buscando espoliar as pessoas, justamente pelo mesmo caminho que lhes ensinara.
Aí o desespero aumentou muito. Foi quando me encaminhei para centro espírita, para ver se contatava meu pai para as explicações concernentes a tudo aquilo que eu fizera.
Jamais pude ver atendidas as preces para que se manifestasse. Agora sei que eu mesmo me impedia de ouvi-lo, pois não aceitava que as maravilhosas palavras dos guias pudessem estar sendo subsidiadas por aquela criatura, cujas toscas expressões e maldade conhecera, por via das exposições de minha mãe, cujo ódio por ele me levara aos desatinos que evidenciei.
O mais é fácil de concluir, pois as explicações da generosidade e da benquerença entre os seres se me fixaram indelevelmente na mente, a ponto de chegar a procurar os desafetos para pedir-lhes sentidas desculpas, no desejo até de estornar os bens que o tribunal lhes havia sacado.
Jamais consegui completar a intenção, pois os meus filhos se voltaram compreensivelmente contra mim. Senti-me joguete das vontades alheias, sem absolutamente saber o que fazer. Finalmente, os guias do centro me auxiliaram muito, demonstrando-me vivamente que bem poderia eximir-me de fustigar ambos os lados, distribuindo os bens através de planejado testamento.
Busquei advogado, que me aconselhou a alienar todos os haveres, mas me recusei, pois seria exatamente o contrário do que os guias haviam sugerido. Como eu insistisse muito, concordou em efetuar a partilha, reservando algo para si mesmo, na evidência de que eu não estava prendendo-me a qualquer bem material. Farejou certo, tanto que muito lhe agradeci as providências de resguardo e sigilo, para que ninguém soubesse o conteúdo dos dizeres testamentais, até depois do trespasse.
Não preciso dizer que recebi, posteriormente, saraivadas de pensamentos ruins, a ponto de quase me sufocar no etéreo. Salvaram-me os orientadores, meu pai à frente, pois já perfizera o périplo das negritudes do Umbral.
Hoje, na companhia de mamãe (papai encontra-se longe, em vias de reingresso carnal), estou tendo a feliz oportunidade de demonstrar um pouco das atribulações em que se pode meter o ser humano, quando mal orientado desde criança.
Não foi quase uma vitória de Pirro a minha euforia com a sentença do juiz? Ainda bem que o mesmo não se deu em relação aos bons feitos morais que intentei fazer a todos, por meio das disposições testamentárias.

Deixo a casa um pouco entediado, por não ter conseguido organizar exposição à altura das demais. Contudo, vou satisfeito, por ter deixado impressas idéias que poderão resultar em reflexões a respeito da vida e da morte, do bem e do mal, da virtude e do vício, do amor e do ódio, da renúncia e do apego material, da redenção e da perdição, da verdade e da mentira, enfim.




Comentário



O companheiro, que responde agora pelo nome de Eusébio, quer deixar os parabéns ao amigo que lhe tomou o ditado, na expectativa de que venha a corrigir-lhe as falhas mais evidentes.
Eis que pretendeu, no final, avaliar da boa vontade do escrevente, ditando-lhe algo bastante diferenciado do teor da mensagem principal, para saber se todos os dizeres estão tendo condições de serem passados. Como tal está ocorrendo, renova os agradecimentos e manda dizer que se sente mui feliz por estar sendo compreendido.
No fundo, o que está, verdadeiramente sentindo, é pura saudade dos tempos em que esteve na companhia dos espíritas, lutando por compreender as verdades evangélicas, fazendo tão-somente o bem a quantas pessoas podia. Era o esquecimento necessário das pressões familiares, pois nunca esteve absolutamente tranqüilo com o destino que o esperava depois da morte.
Se algum companheiro espírita estiver passando pelos mesmos tremores, manda dizer que não tenham medo, mas que trabalhem para fazer com que os adversários possam perceber que existe serviço de regeneração em processo, pois quem segue as diretrizes da doutrina espírita, por menos categorizado esteja sendo no campo caritativo, sempre haverá de obter sucesso por causa da sufocação da hipocrisia e demais viciações. Pode a pessoa não ser exatamente boa, mas se estiver estudando e trabalhando pelos irmãos, qualquer dia conseguirá entender o que Jesus quis dizer com a lei do amor.




Questões



1. Em que se pode dizer que os espíritas levam vantagem, em relação às demais pessoas, igualmente cumpridoras fiéis dos dispositivos doutrinários de suas religiões? O amigo Eusébio terá tido privilégios ou tudo que recebeu a mais pode ser considerado fruto de trabalho, no campo da assistência aos carentes do centro?

A vantagem dos que se envolvem pelos conceitos espíritas, a partir da codificação kardequiana, está, exatamente, na absorção das diretrizes mais corretas para o procedimento humano. É, pois, no campo dos conhecimentos, da sabedoria e dos julgamentos fundamentados na verdade evangélica, que têm ampliada a visão da existência.
Na bondade e na caridade, os méritos de todos os homens são os mesmos perante o Senhor, e assim são considerados em todos os níveis evolutivos.
Eusébio não teve qualquer privilégio pelo fato de ter freqüentado o sagrado ambiente do centro espírita. Se outra tivesse sido sua postura relativamente aos ensinamentos ali ministrados, provavelmente não se veria nas excelentes condições em que adentrou o etéreo.
Havemos de lembrar, contudo, que está muito longe da perfeição, como evidenciaremos ao respondermos às demais questões. O importante é saber que existem amplas possibilidades de as pessoas, no final da vida, conseguirem afastar o risco de caírem diretamente no Umbral.


2. Muitos dos que vêm relatar os sucessos da vida se recusam a fazê-lo declaradamente. No caso da mensagem, não houve meio de o relator esconder as pessoas que o induziram a elaborar conceitos errados. Ao citar os defeitos dos pais, não estaria correndo o risco de atrair sobre eles dardos vibratórios negativos, pondo a mensagem nas mãos de indivíduos não totalmente preparados para o perdão e para a compreensão evangélica?

Evidentemente, o problema se pôs de forma dramática ao autor, mormente por haver tido a mesma atitude durante a vida. Não é fato que se declarou arrependido por ter buscado direitos de herança junto ao Poder Judiciário?
Entretanto, o objetivo atual não é o da denúncia dos progenitores mas a informação preciosa de como determinadas ações terminam por ser altamente prejudiciais, até mesmo quando abonadas pelas leis dos encarnados.
Quanto ao risco de caírem em mãos perversas as comunicações de falhas pessoais, é óbvio que existe, de modo que os protetores hão de obrigar os assistidos à declaração do estágio evolutivo atual daqueles que um dia praticaram condenáveis mazelas, o que o amigo não deixou de observar com toda a clareza. Nesta altura, inclusive, parece-nos claro que esteja formalmente autorizado a citar os autores dos ilícitos morais, apesar de a contragosto.
Na dúvida das próprias reações vibratórias, sugerimos aos leitores que estabeleçam, como padrão de procedimento diante dos testemunhos de dor, a hábito da prece em favor das personagens. Sintoma de extrema simpatia, poderão, inclusive, receber o influxo vibratório positivo dos que estiverem em condições de reconhecer o elo de fraternidade que se tenta estabelecer. Não há aí muito do sentido evangélico da lei do amor?


3. Por que, muitas vezes, as palavras dos protetores e orientadores espirituais não se dão diretamente aos interessados, preferindo-se exortações de caráter geral? O fato de o comunicador não ter querido entender que as palavras que ouvia no centro espírita lhe eram dirigidas não é suficiente razão para levar os benfeitores individuais a serem explícitos na declaração dos problemas que se devem analisar?

Os discursos e pregações de caráter moralizante dos guias espirituais se fazem em função da possibilidade de entendimento das pessoas presentes à sessão mediúnica.
Não desejando correr o risco de serem mal interpretados por falta de comiseração, nem de estabelecerem dúvida relativamente às intenções caritativas da ajuda espiritual, dão preferência a exposições de caráter didático, repetindo as lições dos Evangelhos e das obras da Codificação Espírita.
Entretanto, não são poucas as comunicações de caráter pessoal, principalmente psicografadas, nas quais os interessados têm aspectos de comportamento negativos ressaltados, para que apliquem o corretivo mais adequado, quase sempre fornecidos pelo mensageiro. Neste caso, a palavra costuma ser liberada para a entidade evocada, a qual adquire autoridade sobre o proponente. Mas isto não é universal.
Quanto ao caso em tela, não viram os orientadores segurança na recepção do que seria um pito bem dado. Quer parecer-nos que Eusébio deixou pistas que, se devidamente decifradas, levarão à percepção exata da razão de não ter recebido explicitamente os conselhos relativos às atividades de condução pelas diretrizes evangélicas.
Em todos os casos, vale o ditado segundo o qual o pior é cego é o que não quer ver...


4. O mensageiro pareceu conhecer perfeitamente o vocabulário evangélico, mas sobrou a impressão de que não está apto à aplicação conceitual deles. Estará sendo rigoroso demais este exame? Se isto não for demasiado pesado para este tipo de perquirição, até que ponto poderemos acoimá-lo de egoísta?

A observação está perfeitamente correta, especialmente porque se trata de entidade não formalmente recebida pela Escolinha de Evangelização.
O egoísmo transcende das expressões. Fez muito bem o irmão escrevente em chamar a atenção para o fato, pois é hábito entre os mortais não desejar ver as mazelas dos parceiros, preferindo exaltar o que têm de positivo.
Não há o que recriminar, quando se trata de pessoas do convívio ou dos espíritos que se apresentam na qualidade de sofredores.
Contudo, na presente situação, o que se espera dos leitores é que se capacitem a observar todas as nuanças de comportamento dos relatores, buscando caracterizar a origem das imperfeições, as conseqüências danosas para o progresso espiritual e os remédios evangélicos que darão cura às mesmas defecções, caso encontradiças na personalidade dos encarnados.
Estamos diante de ensinamentos que se passam. Faça-se de conta que se está presente às aulas, onde todos os resguardos quanto às más intenções foram mobilizados, para que o ambiente possa manter-se adequadamente favorável à aprendizagem.
Não lhes parece que estamos diante de verdadeira programação didática, apta ao desenvolvimento das virtudes, pelo menos no campo do conhecimento? Não é justamente aqui que os espíritas levam vantagem?


5. Não ficou satisfeito com a comunicação o próprio mensageiro. Teria possibilidade de elaborar outro texto ou a contrariedade adviria necessariamente do fato de não estar em condições de exercer inteiro domínio sobre a conjuntura espiritual?

Arguta observação do mediador. Evidentemente, Eusébio deu o máximo de si para a evidência dos problemas.
Se aplicarmos corretamente a lei de causa e efeito, estaremos perante ser que não tem recursos para a feitura de texto melhor acabado, apesar de expressar-se com facilidade e de conhecer muitos dos pontos básicos doutrinários.
A personalidade, é bom não nos esquecermos, é um conjunto de fatores, onde preponderam o sentimento e a capacidade intelectual. O exercício da vontade sobre eles há de decorrer do desenvolvimento das qualidades, quer na aplicação aos estudos, quer na dedicação aos trabalhos caritativos (encarnados) ou socorristas (desencarnados).
Pelas respostas anteriores, ficou demonstrado que o amigo não está apto ao domínio intelectual sobre as sensações cármicas que sente à flor da pele. Não haverá de demorar, porém, para suplantar as principais dificuldades, caso demonstre a mesma boa vontade da derradeira fase da vida. Não parece ter ficado evidente que compreendeu os avanços morais obtidos a partir dos trabalhos e estudos, no centro espírita?


6. O que Jesus quis dizer exatamente com a lei do amor?

Qualquer explicação que déssemos teria o prejuízo de todas as exposições: demonstraria o quanto avançados estamos, sem traduzir, convenientemente, as experiências existenciais levadas a cabo para a percepção das verdades. Como disse Eusébio, é preciso que cada qual chegue às conclusões através do estudo e do trabalho.
Se fôssemos obrigados a responder literalmente à perquirição do médium, com certeza iríamos reproduzir as dissertações e exemplos vividos por Jesus e consignados nas Sagradas Escrituras. Mais ainda, transcreveríamos as observações do Espírito de Verdade, em O Livro dos Espíritos. Finalmente, como não teríamos tempo para tão amplas explicações, acabaríamos por aconselhar a leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Talvez a compreensão exata do pensamento do Mestre só se complete à perfeição, quando atingirmos nível evolutivo capaz de alçar-nos à esfera espiritual seguinte.
Como sabemos que as leituras recomendadas foram realizadas pelo inquiridor, sentimo-nos em débito tão-somente com os demais leitores, a quem rogamos que compreendam as razões estabelecidas, para que não respondêssemos à pergunta.
Perdoar-nos será a viva demonstração de que a pregação cristã está surtindo excelentes efeitos no coração dos amigos.
Resta resumir, com o Apóstolo João: Deus é amor (I João: 4,8).






















TERCEIRA PARTE























1

QUEBRANDO O GELO





A partir deste momento, vamos intentar nova forma de trazer as mensagens, qual seja a de ditar ao mesmo tempo em que o escrevente for anotando os dizeres, sem prévio conhecimento temático. Por mais que faça força para lembrar-se dos anteriores desenvolvimentos, não poderá estabelecer qualquer relação do conhecido com o que estaremos proporcionando-lhe em matéria de transmissão mediúnica.
Vá, com bastante calma, anotando as expressões conforme lhe forem sendo sugeridas, para que não se perca o ritmo da frase. Desta forma, está muitíssimo bem. Quanto às falhas datilográficas, não se preocupe, uma vez que haverá muito tempo para as correções e demais reformulações convenientes para que o texto tome feição mais a gosto do humano linguajar.
Se não lhe parecer bem, avise-nos, pois para nós parece melhor assim. Sua aquiescência está sendo utilíssima, já que podemos progredir nos temas livremente.

O título atribuído à dissertação, verdadeiramente, quer demonstrar boa vontade e desejo de mantermo-nos bastante permeáveis ao contato.
Vamos recomendar que preste atenção nas formulações das idéias, para que não venha a ser traído pela seqüência normal que se dá às palavras, uma vez que, a cada vocábulo que se lança, vários outros se apresentam na mente, por força do que se chama de associação de idéias. Para nós, não deverá haver tal liberdade, pois não queremos que haja infiltrações dos pensamentos do mediador.
Vamos caminhando mais devagar, pois a primeira peroração estará prejudicada pela novidade do evento.
Como derradeira recomendação, não pare para pensar a respeito do que se escreveu, para que não lhe perturbe o andamento das argumentações. Deixe livres os dedos e o pulso, para que possamos imprimir-lhes a nossa vontade. Você irá notando que estaremos tendentes para a mecanização da mediunidade, de sorte que a psicografia vai tornando-se muito mais responsabilidade dos espíritos do que da tradução das vibrações advinda da experiência do mediador.
Não olhe para a tela, para que não seja subjugado pela tentação da correção imediata dos erros, pois a automatização das batidas sobre as teclas estará a cargo, esta sim, do amigo encarnado.
Quanto aos problemas inerentes à sinonímia e à repetição vocabular, não se preocupe, deixando fluir os termos da maneira que primeiro lhe parecer. Isto incrementará a importância do momento da correção, mas facilitará enormemente que as idéias sejam passadas tais quais.
Concentre-se, a partir de segunda-feira, pois o que estamos fazendo hoje é tão-só ligeira prévia.
Fique na paz do Senhor e aspire por participar ativamente dos trabalhos do grupo. Eis que o começo foi muito bom, mas a perseverança é que dará ao resultado final importância e valor.
Observação a acrescentar é que nem sempre estaremos contentes com a formulação frásica, mas isto não deverá ser motivo para que o médium fique chateado. Como estamos trabalhando num sentido novo, deve ficar com a impressão de que o que estivermos realizando será contado como treinamento, pois haveremos de desenvolver este aspecto da mediunidade.
Se lhe parecer, por outro lado, que os temas estão sendo por demais simples, sendo possível para sua inteligência elaborar algo no mesmo sentido, de forma que as palavras se apresentem com a mesma velocidade imprimida por este grupo, não se esqueça de que a sua vontade não está tendo participação alguma. Aliás, é justamente a ausência dela que estamos pleiteando, para que tudo possa vir a dar certo.
Fique bastante tranqüilo e não desmereça o grupo por estar arrazoando tão próximo das fímbrias da emotividade ou da sensibilidade do companheiro.
Mais tarde, quando estiver diante do conjunto das mensagens, irá ter a sensação de que tudo não passou de período de sonolência, ficando esquecidas as diversas passagens oratórias, não tendo qualquer importância o fato de que não esteja a par dos temas e de seus desenvolvimentos. Na paz do Senhor estaremos e lhe agradeceremos deveras a possibilidade destas manifestações.
Sabemos de seus compromissos para com a família e por isso não iremos prendê-lo demasiadamente. Se você ficar, só teremos a lhe agradecer a cortesia. De qualquer forma, não se prenda por nós, que não lhe estamos ditando qualquer novidade temática. São orientações que visam, principalmente, a quebrar o gelo, inicialmente, pois o grupo se esmerará por fazê-lo ciente das programações que lhe foram estipuladas.

Caso não esteja entendendo as últimas manifestações da Falange dos Imortais, saiba que é este mesmo grupo que se está apresentando. Se você estiver lembrado do início das transmissões, irá verificar que prometemos diversificar as mensagens. Não se esforce, pois, para colaborar conosco nos assunto de que trataremos, mas fique atento às palavras, às expressões e demais movimentos obrigatórios, para que os registros se façam de maneira a mais próxima possível da nossa vontade.
Por outro lado, não queremos afogá-lo com as informações. A tentativa é, através da velocidade com que ditamos, de demonstrar cabalmente que estamos falando de modo absolutamente sério. Coteje a quantidade dos vocábulos ora despejados com qualquer outra manifestação anterior e concluirá, certamente, que estamos à frente de todos os comunicadores, por mais velozes possam ter sido. Não é impressionante que o conjunto dos períodos se mantenha coeso, para o efeito das elucidações que programamos?
Respire fundo, absorva mais oxigênio e prepare-se para o encerramento da mensagem, pela formalização em prece dos votos de progresso cármico e de cumprimento integral da programação de vida.
Claro está que você está enviando-nos inúmeras interrogações, pois lhe deixamos parte do cérebro inativo, no caso de necessitar entrar em contacto com a realidade circunjacente. A nós o que interessa de verdade é ir consignando as informações imprescindíveis para a compreensão dos desígnios dos mentores, para que esta turma possa ir progredindo na área da aprendizagem das transmissões. Futuramente, quando estivermos firmes, iremos, evidentemente, transferir para os encarnados as anotações que tivermos feito nas aulas de evangelização, para o que necessitaremos estar muito mais afeitos à terminologia doutrinal espírita.
Não se importe, pois, com o estilo desta mesma mensagem de apoio e escreva a prece que havíamos anunciado.


Senhor, dai-nos forças para prosseguirmos, impávidos, no caminho de vosso reino. Fazei com que tenhamos condescendência para com as próprias falhas, pois qualquer desejo maior de sermos perfeitos incidirá em egoísmo e em vaidade. Não vos importeis com os termos chãos que estivermos utilizando e tende para conosco a mesma boa vontade que demonstrastes com os que se santificaram pela conduta e pelos pensamentos. Se pecarmos, Senhor, perdoai-nos, da mesma forma que perdoarmos a quem nos tem ofendido. E não vos aborreçais se a nossa prece caiu na tentação da fácil lembrança da oração que Jesus nos trouxe. É que não temos o discernimento mais adequado para dizer, em poucas palavras, tudo o que desejaríamos, já que estamos por demais ansiados para demonstrar aptidão para os serviços socorristas. Abençoai-nos, Senhor, e, quando assim vos pedimos, estamos compreendendo todas as vossas criaturas, até mesmo as que se espojam nos tristes lodaçais dos vícios e dos crimes, a quem esperamos poder auxiliar diretamente um dia.
Fazei, Senhor, com que sejamos humildes, justos e bons, e mantende a nossa boa vontade. Graças, Senhor, pela existência que nos destes!


Faremos aqui a pausa anunciada muitas linhas atrás. Se permanecemos por tanto tempo mais, foi para dar inequívoca evidência do que havíamos prometido. Não é verdade que o escrevente ficou muito longe de adivinhar quais os desenvolvimentos que efetuaríamos? Será que mantém a desconfiança de que tudo não tenha passado de animismo? Não terá alcançado confiar na turma, fazendo preponderar nos sentimentos o temor de estar sendo iludido? Acha que estamos sendo muito rigorosos e gostaria de que nós também não estivéssemos desconfiados de sermos mal recebidos. É esta a maneira que temos para expressar o desejo de que tudo não passe de simples e enevoadas intuições, pois, na verdade, estamos contentíssimos por termos chegado até este ponto da manifestação, sem grandes tropeços. O de que mais gostamos foi do fato de não ter havido qualquer solução de continuidade, pois estamos até a perceber que as pontas dos dedos do amigo estão a reclamar das batidas tão constantes e regulares.
Notamos que houve pequena busca vocabular nos escaninhos da memória, pois alguns termos não lhe pareceram os mais convenientes. Mas, conforme acima esclarecido, não se preocupe com isso, pois lhe forneceremos todas as palavras que quisermos, assim que estiver disposto à correção.
Fique com Deus no recesso do lar. Envie a todos os familiares recomendações nossas, mesmo que não sejam ditas em palavras, mas que se evidenciem os sentimentos através das oportunidades que não lhe faltarão no decorrer das entrevistas. Saúde, paz, conforto e muita alegria, eis o que lhe desejamos neste próximo fim de semana.
Volte segunda-feira bem disposto, depois de ter meditado muito a respeito desta mensagem. Queremos vê-lo satisfeito com o trabalho que vem realizando, uma vez que médium desagradado não só atrapalha os mensageiros como dá ao ambiente o triste clima dos fracassos prévios. Que se acendam as esperanças de vitórias, na fé de que Deus irá dar-nos amparo, enviando-nos a Jesus, em nome de quem estamos constantemente reunidos. Não foi essa a promessa que nos fez?
Como estamos avançando até sobre as anotações de encerramento, vamos ser surpreendidos pela própria palavra, pois o treinamento perderá totalmente o significado, se não houver sentido geral a nortear a manifestação.
Sendo assim, estamos definitivamente retirando-nos, embora até notemos que o médium começa a ficar saudoso da tarefa que vem desempenhando com méritos.
Saúde, irmão! Fique com Deus!


Em tempo.


Será que você entendeu deveras a razão de nos termos afastado por uns tempos, dando permissão a que outro pequeno grupo de manifestantes viesse trazer a sua colaboração, com o auxílio do professor Homero? Eis que estamos de volta jubilados pela demonstração de prolixidade que estávamos perdendo, tendo em vista a miséria da terminologia empregada nas derradeiras mensagens.
Se estiver disposto, poderemos até explicar o porquê de termos estado tão concisos. É que não tínhamos certeza da importância do serviço que prestávamos a nós mesmos, pois aspirávamos (e nisto estávamos redondamente enganados) a elaborar textos que fossem lidos com agrado pelos mortais. Agora que estamos cientes de que o trabalho vale para nós como aprendizado, como treinamento, sem qualquer repercussão grandiosa no campo dos encarnados, estamos mais desenvoltos, mais soltos, mais libertos das presilhas da responsabilidade pelo encaminhamento das demais pessoas. Cada qual deve saber o que fazer na vida para progredir.
Nós mesmos devemos, antes e acima de tudo, responder por nós e secundariamente pelos dizeres que vamos passando, mesmo porque não temos tantos esclarecimentos a trazer, já que nosso curso é mais técnico, mais científico, do que evangélico.
Se o amigo estiver contente com as explicações, retirar-nos-emos extremamente satisfeitos pela longa manifestação desta data.
Por último, cabe-nos esclarecer que não tínhamos idéia de até onde ir, por isso, preparamos muitos desenvolvimentos pequenos que pudessem encaixar-se em seqüência, dando a impressão que estávamos enfeixando conjunto sólido e bem montado. Não é verdade que até você está surpreendendo-se com a disposição para as cansativas e repetidas batidas, sem prejuízo da vontade de ver consignado texto de alto padrão, uma vez que espera dos componentes da Escolinha de Evangelização que venham trazer as informações mais preciosas, para orientação do procedimento moral das criaturas?
Pois aqui ficamos nós, desta vez sem ameaçar voltar a escrever.
Fique nas doces mãos de Jesus!

Registe que levamos menos de quarenta minutos para ditar todas as anotações do dia. Obrigado. Futuramente você saberá da importância desta observação. Não tema: não vamos realmente dar curso a qualquer outro desenvolvimento inexpressivo. Fique em paz!
O grupo.







2

VISÕES DO BEM





Querido escrevente, não fique preocupado com o andamento das transmissões. Veja tão-só nas manifestações o desenvolvimento da vontade superior dos amigos que o estão capacitando para o ditado mecanizado. Bata as teclas, segundo os impulsos energéticos lhe estejam chegando ao cérebro, e deixe o mais conosco.
Se tiver dúvidas relativamente aos méritos evangélicos dos ditados, ao final estará bem à vontade para empreender as supressões adequadas para a correção do texto ou a eliminação integral da mensagem. Não se apoquente com esta novidade mediúnica, pois os melhores médiuns, para se capacitarem ao trabalho, pelejam muitíssimo para a aceitação real dos dizeres que lhes vão sendo passados a partir do etéreo.
Não se comprometa conosco inteiramente mas só no sentido de apanhar os textos, sem a necessidade de levá-los ao conhecimento dos semelhantes. Se estiver desconfiado de que tudo possa não passar de balelas, não se aflija. pois a retrospectiva do trabalho neste campo estará a favorecer os critérios mais propícios para o estabelecimento da verdade doutrinal espírita, nos moldes da codificação kardequiana.
Não viemos para perorar a respeito do óbvio, pois nos parece claro que estamos em círculos para o aperfeiçoamento dos ditados, não interessados em ministrar conhecimentos para que os companheiros encarnados possam progredir. Falar a metalinguagem do mediunismo será a última coisa que pretendemos, por não termos sequer os conhecimentos básicos de como se dão as transmissões. Isto no aspecto científico. Mas estamos aprendendo e este exercício é essencial para que desenvolvamos, na prática, os conhecimentos vivenciados nas aulas.
É por isso que não estamos desejando adiantar nos procedimentos evangélicos, pois poderemos dar com os burros n água.
Permitimos-lhe que se afastasse um pouco das preocupações com o texto, para dar-lhe a exata noção de que você está tendo domínio sobre a mente. O pior procedimento dos que estão treinando o automatismo das transmissões é não dar a transparecer o fato de que o esquecimento da vontade do mediador é somente momentâneo. Muitos temem por envolvimento demasiado forte, roçando pelas raias da obsessão, e fogem apavorados quando os mentores lhes propõem que os trabalhos passem a ser registrados mecanicamente.
Vamos adiantar que estamos satisfeitíssimos com o andamento da escrita, de forma que podemos dar-lhe alvissareiras notícias relativamente a futuro bem próximo. Não é verdade que os temas vão assinalando-se, sem que você sequer exerça domínio sobre as palavras e muito menos sobre as frases, períodos e parágrafos? Não é verdade que se espantou muito durante a correção do texto anterior, onde as alterações foram mínimas, havendo tão-só necessidade de algumas modificações de terminologia, a abertura ou fechamento de parágrafos e as inevitáveis correções das gralhas datilográficas?
Eis que, tal qual o texto anterior, vamos acrescentando as anotações meio esporadicamente, formando, ao final, conjunto que esteja rigorosamente dentro da temática proposta sob o título geral de Visões do bem, embora quem for ler terá a presciência de que traremos informações muito úteis para o ingresso mais rápido nas terras do Senhor. É que, para nós, espíritos, o desenvolvimento das qualidades de transmissores e o aperfeiçoamento da recepção do mediador são o que pode existir, no momento, de mais eficaz para a realização das tarefas socorristas e de auxílio evangelizado no campo do contato entre os planos.
Não vamos exercer o direito a exagerado tour de force, pois o que tivemos em mente, na última sexta-feira, foi deixar o escrevente à vontade com a turma, que lhe passou a evidência de que está totalmente recomposta e afeita aos longos atrevimentos.
Superada tal fase das comunicações, resta-nos deixar claro que estamos desejando permanecer treinando só por mais algum tempo, evidentemente favorecendo o discurso com algumas noções evangélicas simples, principalmente a respeito do que significa trabalhar eficazmente pelos irmãos, uma vez que nem tudo o que se faz pelos outros será necessariamente tido na conta de algo fundamental para o seu progresso nas sendas do divino amor.
Façamos um último esforço e anotemos a vontade de deixar bem claro que estamos muito contentes com o trabalho, pois está assegurando-nos que tudo o que desejarmos realizar junto ao companheiro poderá ser recebido, apesar das restrições que natural desconfiança estabelece. Não o queremos muito passivo, no campo das virtudes humanas a serem desenvolvidas, mas também não queremos receber desafios comprometedores. Deixe-nos ir caminhando no diapasão que tivermos estabelecido, para que não desafinemos.
Receba-nos com agrado e envie-nos vibrações de muito carinho. Aceite os votos de profunda e permanente paz, nos braços do Senhor!







3

A IMPORTÂNCIA DO TREINAMENTO





Não temos pretensões de elaborar textos profundos, com a marca do sucesso editorial. Contentamo-nos em vê-los escritos pelo companheiro, o que nos traz a tranqüilidade, a segurança, o conforto de que estamos progredindo na aprendizagem das técnicas mediunizadoras. Ainda mais alegres ficamos, quando vemos que os termos vão encaixando-se às maravilhas, para o efeito da expressão do que nos vai na mente.
Se nos for permitido pedir algo ao Senhor, será que não deixe cessar este fluxo, este jorro impressionante de trabalho e de boa vontade. Vamos ter de agradecer muitíssimo, também, o fato de estarmos sendo atendidos por alguém que não suspeita demasiadamente de estar sendo enganado.
Eis que temos para nós que o melhor será estabelecer estes vínculos, mais do que escrever textos supernos, que contenham as melhores lições da vida e da morte, especialmente porque o que mais existe na literatura espírita são as recomendações de como se deve atuar na carne, para a obtenção das regalias do Senhor.

Temos de estabelecer pausa para refrescar a memória do escrevente, a respeito das recomendações que lhe temos feito de manter-se absolutamente alheio ao ditado, não se permitindo reflexões outras que não estejam ligadas ao procedimento datilográfico, mormente porque o teclado do computador exige certos cuidados, aos quais não podemos estar atentos, sob pena de nos imiscuirmos demasiado na problemática técnica, esquecendo-nos de elaborar a mensagem, segundo os níveis de preparação a que nos dedicamos.

Queremos indicar alguns caminhos, caso nos faleçam as vibrações, o que pode ocorrer, dado que não temos o hábito das transmissões. Deve o médium paralisar o andamento da escritura e revolutear os pensamentos para, de novo, apanhar o fio da meada. Por outro lado, interessa-nos também que o estilo vá fixando-se, de modo que não se confundam os precedentes mensageiros com os desta turma.
Sabemos que a derradeira recomendação é quase impossível de contentar, pois não estamos fornecendo, nós mesmos, o texto segundo a padronização que lhe demos aqui no etéreo. Mas este treinamento é importante também por isso, ou seja, para que se fixem diretrizes, para que o mediador trabalhe à vontade, executando o serviço, sem temer que algo não venha a estar exatamente de acordo com as vibrações que lhe passamos.
Excelente, para o fim em vista, é o fato de levá-lo a ter certos pensamentos e, na última hora, dar-lhes outros rumos, fazendo com que não saiba aonde pretendemos ir. Neste mesmo período, estamos desviando-nos diversas vezes do caminho inicialmente sugerido, a ponto de não saber ele, neste exato momento, para onde está sendo conduzido, posto reconheça muito bem os elementos que lhe vão chegando à consciência, no momento mesmo de datilografar.
Por outro lado, o médium, por ser experiente, vai concebendo os dizeres que lhe enviamos como possíveis de configurar a mensagem, de forma que não coloca qualquer obstáculo à pressa do ditado, registrando igualmente os termos que o surpreendem pela exatidão elegância e demais qualidades da boa composição, como os que o deixam um tanto perplexo, pelo inusitado da construção. São problemas de ditado que não atingiu a perfeição do automatismo, mas que se vai dando bem com esta semiconsciência que lhe permite ir raciocinando, pelo menos, com o que veio recebendo de nós até agora.

Neste ponto da escrita, o amigo suspirou fundo, dando demonstrações de cansaço. Para nós, o ato significa o recado de que gostaria de suspender o trabalho, já que teme que mais que isso poderá vir a ser demasiado penoso. Por exemplo, já empregamos o termo demasiado por três vezes e impacienta-se o amigo com a repetição. Se for prestar atenção nestes detalhes (preferiria ele registrar minúcias, minudências, pormenores ou mesmo migalhinhas, ou outro quejando termo de figuração literária), irá ter de escrever com menos atenção na tarefa do ponto de vista das atribuições que lhe demos, infiltrando-se, por conseguinte, no texto para além dos limites que concebemos como ideais, para que apreenda a psicografia completamente automatizada. Tal resistência à prática menos livre dos dizeres que lhe vamos dispondo na mente poderá resultar em texto híbrido, nem de acordo com o estilo que pleiteamos, nem segundo as tendência lingüístico-literárias do confrade encarnado.

Eis que vamos já concordando em suspender o magnetismo que lhe impusemos, pois estamos terminando com os temas organizados para esta data. Fiquemos, assim, nas mãos do Senhor, que estaremos muito bem até a próxima sessão mediúnica, quando pretendemos retornar com outros treinamentos igualmente importantes.

Antes de encerrar, queremos agradecer a boa vontade do mediador, sem cuja ajuda não iria ser possível ao grupo estabelecer esta linha de entendimento. Nada como poder falar diretamente a respeito do próprio trabalho, para dar segurança a todos os membros envolvidos, de uma forma ou outra, na passagem para o plano carnal destas mensagens.
A bem da verdade, devemos registrar que o médium está julgando bem curto o ditado, particularmente porque viemos até este ponto com extraordinária velocidade, o que faz com que se reduza o tempo que o irmão destina à turma todas as tardes. Segundo ele, se tivéssemos mais gana de realizar trabalho de melhor contextura doutrinal ou mesmo literária, talvez procedêssemos de forma mais agradável, em todos os sentidos.
Preferimos, contudo, manter a estrutura que estabelecemos para esta fase das transmissões, pois é prática que se consignou na programação.
Para finalizar, recomendamos aos amigos encarnados que, antes de iniciarem a próxima leitura, gastem alguns minutos para considerações a respeito das verdades mais íntimas que se entreteceram ao tema principal. É dessa meditação que todos os irmãos da Escolinha necessitam para saberem exatamente como é que repercutem as mensagens nos corações e nas mentes dos encarnados.

Tendo satisfeito o irmãozinho com o desenvolvimento destes derradeiros parágrafos, vamos desligar o vínculo fluídico, para a interrupção da transmissão.
Fique, sereno, nas mãos de Deus!







4

JUSTIÇA EM DOBRO





Muitos pleiteiam justiça perante todos os tribunais, como se não fora corrente no etéreo a distribuição dos bens segundo as obras. Há a desconfiança de que Deus esteja por demais afastado das criaturas, de sorte que as abandona às peripécias do acaso ou à força dos prepotentes.
Não havemos nós, espíritas, de pensar assim. Não é verdade que Jesus e os discípulos, nos diversos Atos dos Apóstolos, prometeram que colheríamos de acordo com a semeadura? Pois, então, haveremos de prosseguir acoimando o Céu de injusto, de cego, de indiferente?
Alertemo-nos para as injunções carnais que nos obrigam a este ou àquele desempenho e atribuamos a cada ser um papel na configuração da realidade moral que nos cerca. Os fatos não ocorrem à revelia da vontade dos encarnados, mas demonstram como as pessoas sentem a vida, de forma que o conjunto social há de refletir a média das opiniões ou a soma dos desejos, qualquer seja o ponto de vista que se adote.
Há diferenças enormes entre as culturas que se estendem pelas diversas regiões do orbe, mas em todas encontramos a maneira mais correta de ver a necessidade de cada um, pela evidência da nossa. Assim, os limites da liberdade se estabelecem pela liberdade dos irmãos e isto é sabedoria que os homens vão adquirindo paulatinamente, à medida que vão sofrendo os dissabores das próprias injustiças.
Caminhemos para tal concepção que conseguiremos entender que existe divinal justiça, após termos exercido todos os direitos segundo os códices dos humanos. Se os terráqueos e demais habitantes cósmicos conseguirem elaborar conjunto perfeito de leis, teremos o que chamamos de justiça em dobro, pois a de Deus é implacável, inelutável, irretorquível, absoluta, completa, infinita, eterna.
Haverá mais que dizer?
Fiquemos todos nas mãos do Senhor, nesta tarde esplêndida de inverno, em que a canícula nos põe de bem com a vida! Graças a Deus!







5

FALANDO DE AMOR





Não teremos sossego, enquanto não demonstrarmos cabalmente ao mediador que estamos exercendo o direito de ditar as mensagens segundo a programação dos mestres. Entretanto, como o amigo está insatisfeito com os ditados da equipe, vamos dizer-lhe que a nossa motivação pode dirigir-se à satisfação de seus preceitos, na busca de composições mais adequadas para publicação. Contudo, não iremos desviar-nos do roteiro.
O que estamos apresentando é como se fossem parênteses elucidativos, para que o médium possa compreender que nos empenhamos conforme nos permitem as forças.
Claro está que saberíamos imitar os textos dos companheiros anteriores, reproduzindo-lhes os dizeres, mais ou menos de acordo com as premissas evangélicas. Mas isto não está inscrito nas diretrizes que recebemos. Até este texto está recebendo forte influenciação do Professor Homero, que deseja ver o companheiro encarnado melhor integrado ao grupo.
Não vá ofender-se, se estamos colocando a nu o interesse que tem o irmão pelas comunicações de caráter moral superior. Nós, em seu lugar, não agiríamos diferentemente. Porém, pedimos-lhe que nos dê carta de crédito, para que prossigamos impávidos no desempenho da missão, ao término da qual se evidenciará, de modo insofismável, que tivemos razão em proceder exatamente da maneira que vimos fazendo até aqui. Por isso, deve este aviso ser conservado junto aos demais, pois faz parte da diversificação anunciada ao início dos trabalhos.
Portanto, se quiser estar em paz com a consciência, deixe de nos sussurrar o que fazer e fique apanhando os ditados conforme lhe forem feitos, tais quais. Não será, por certo, pedir-lhe muito. Cumpra o compromisso assumido exatamente da maneira pela qual vem fazendo, mas isente-se de comentários desairosos, como se tudo estivesse a cair-lhe sobre a cabeça. E não diga que estamos exagerando nas observações. Não terá sido outro o objetivo da mensagem principal do dia, pois você, caro escrevente, é dos que estão a lamentar-se mais amiúde pelos insucessos das transmissões, como se tudo não passasse de balelas, de formações nebulosas, sem proveito, sem fundamento evangélico ou sem destinação declarada para o progresso dos encarnados.
Não julgue improcedente o título atribuído à mensagem, pois, quando falamos de trabalho mediúnico, de boa vontade ou de reconhecimento da verdade, estamos falando de amor, pois só com profundo amor pelos semelhantes é que os espíritos se atrevem a ministrar-lhes lições extraídas dos ensinamentos superiores do Cristo—Jesus.
Não é verdade que, se quiséssemos, poderíamos buscar nos Evangelhos as citações abonatórias de todas as assertivas que vimos fazendo? Pense muito nisso!
Agora que acrescentamos mais uns milhares de caracteres aos ditados hoje, estará mais satisfeito ou ficará aborrecido conosco, por termos feito referência tão clara, tão específica à sua pessoa, sem qualquer anotação relativa ao fato de que outros médiuns poderão aproveitar-se da lição?
Eis aí, batuta, no que dá termos sido tão íntimos. A voz da amizade há de servir para as advertências, mormente quando há abismo a abrir-se, insondável, à frente.
Parece-nos que este texto está a atraí-lo e a agradá-lo saudavelmente. Ficamos contentíssimos que a reação esteja sendo positiva, mas não estamos muito alegres por estarmos a relatar o fato, como se isto fosse amenizar as duras observações.
Ranzinzices à parte, estime-nos com o mesmo amor que lhe temos. Fique nas suaves mãos de Jesus, no doce agrado das divinas bênçãos! Até mais ver!







6

CAMINHAR COM JESUS





Não há discutir a respeito do andamento do grupo: estamos de vento em popa, como se fôssemos os marinheiros mais experientes. Isto está a indicar, necessariamente, que teremos de interromper a estadia neste lar, para aventurarmo-nos em outros empreendimentos, quiçá até na satisfação do desejo maior que é o de velar pela segurança, pela alegria e pelo progresso dos companheiros, sejam encarnados, sejam espíritos erráticos.
Mas a atribuição de novos cuidados não significará que estamos em condições plenas de desenvolvimento no campo da magnetização para a mediunização e a transmissão de mensagens evangélicas. Somos alunos e sob tal prisma deveremos agir durante período bastante longo. Graças a Deus!, assim poderemos adquirir certezas quanto à qualidade das tarefas de que nos responsabilizarmos. Por enquanto, temos de admitir que muito haveremos de pelejar junto aos instrutores, que nos aguardam com novos trabalhos e estudos.
No que concerne a este período, tudo transcorreu conforme a predestinação dada ao curso pelos mentores da turma, especialmente o Professor Homero, que não se cansou de repetir-nos que mantivéssemos a calma e a alegria, para que tudo pudesse receber amparo dos protetores, pois, até mesmo no etéreo, estamos sendo estreitamente vigiados, havendo quem se responsabilize em parte pelos nossos atos, na condição de avalistas perante a administração escolar. É como na Terra, quando os pais matriculam os filhos nas escolas mas permanecem lídimos tutores deles perante a lei, mesmo durante a freqüência às aulas, devendo responder por todos os malfeitos.
Há que ressaltar-se diferença de caráter fundamental, qual seja a de que a responsabilidade dos tutores espirituais se dá na área das orientações e encaminhamentos particulares, pois, quando ocorrem desídias ou mal-entendidos, os prejuízos serão arcados tão-só pelos alunos, ficando isentos os protetores de quaisquer represálias. Se alguém, por rústico exemplo, destruir a carteira que utiliza, deverá ressarcir a organização com trabalhos, no sentido da recomposição do bem perdido, na mesma área em que tenha o melhor desempenho. Haveremos sempre de submeter-nos às judiciosas apreciações dos mentores, que estabelecerão os valores relativos, para que os débitos se saldem, de molde que ninguém fique prejudicado. Ao contrário, a aprendizagem é fatal, de forma que o aluno sai ganhando, porque se sente compungido a sacrificar-se um pouquinho mais, para demonstrar que a falha não se repetirá.
É a este caminhar evolutivo que damos o nome de caminhar com Jesus, pois tudo o que se faz no âmbito da instituição tem amparo nas leis e demais ensinamentos do Cristo.
Para demonstrar boa vontade para com o escrevente, temos a acrescentar que o trabalho diuturno junto à mesa de ditados psicográficos, assim como aqueles realizados nos centros da caridade espiritual, são considerados meritórios, quando realizados com ânimo alevantado, no desejo de oferecer aos amigos da espiritualidade condições de crescerem nas programações evangélicas, que todos têm e exercem, sob as prescrições rigorosas dos mentores.
Esse caminhar com Jesus forma tremenda corrente de amor, da qual fazem parte todos os que vão desprendendo-se dos valores pessoais, para adquirirem a fé em que o bem coletivo é o alvo a atingir. Sabemos o quão difícil para o encarnado é aceitar que se pense em termos gregários, no que respeita, principalmente, ao despojamento dos bens materiais, que devem ser utilizados por todos, na qualidade de filhos de Deus. Se há verdadeiros abismos de personalidade, quando muitos seres se colocam de modo estranhamente avesso ao benefício dos demais, também não há negar que os destinos se assemelham, todos perpassando pelas rudes vicissitudes do sofrimento e da morte.
Caminhemos com Jesus, que tudo se esclarecerá para o espírito em dúvida. Se orarmos compungidos para que prevaleça a vontade do Pai sobre as dos homens, estaremos bem compreendendo o que seja deixar a alma nas mãos de Deus. Eis que está aí, finalmente, a resolução mais sábia.
Não sejam, porém, maliciosos, a ponto de levantarem teses de determinismo, de acaso, de privilégios etc. Leiam as obras mais importantes do Cristianismo, a principiar pelos Evangelhos, para adquirirem a santidade da inocência e a necessidade do conhecimento, na realização de todos os atos da vida.
Congracemo-nos nesse ideal superior, nós, do etéreo, e vocês, humanos, para que haja harmonia desde já nos arremessos do progresso e da redenção. Eis que, palidamente, estamos tentando estabelecer padronizações de comportamento, como se fôssemos aqueles guias individuais acima referidos. Não somos, mas creiam que não serão outros os conselhos que cada qual receberá a seu tempo. Embalemo-nos nesse ideal e consagremo-nos ao auxílio dos que sofrem, jamais renegando o amparo dos que se situam em melhores estágios evolutivos. Sejamos fortes, para que a corrente não ceda justamente no ponto em que nos postarmos.


Senhor, Pai de Infinito Amor, aceitai a nossa manifestação de agradecimento e louvor, para honra e glória da Divina Criação. Estendei vossos afetuosos braços e agasalhai-nos, perdoando os malefícios que porventura tenhamos realizado. Atribuí-nos as tarefas mais adequadas, para podermos demonstrar todo o carinho que temos por vós e dai aos guias forças para nos esclarecerem, reconduzindo-nos, ao caminharmos longe de Jesus. Abençoai-nos, Pai, a todos os vossos filhos, para que a felicidade da existência possa ser fruída em paz de consciência, na companhia de todos que vamos integrando ao nosso grupo de amor. Incuti em nossos pensamentos as melhores intenções, para terem nossas palavras significado junto aos corações e às mentes dos compatrícios de aventuras existenciais. Fazei-nos proteger a natureza, para mais pessoas gozarem o direito de renascer em orbe preparado para rápida e integral aprendizagem. E reacendei em todos a esperança de sermos ouvidos por vós, enviando-nos inabalável confiança em vossa benignidade e misericórdia. Graças vos damos, Senhor, por termos tido esta maravilhosa oportunidade de fazer desfilar, perante os mortais, estas modestas anotações, transformando as aulas em lições de amor e consideração, e também por ter aberto o coração de todos para receberem-nos em paz.







PALAVRAS FINAIS





Cá voltamos para agradecer ao médium a boa vontade de nos ter aturado durante estes meses.
Apesar de termos dado a impressão de titubeio, pode o amigo crer que estivemos muito seguros das transmissões e dos temas, não nos agradando somente a perspectiva das correções, pois julgávamos que deveríamos estar perfeitamente cônscios do valor de cada expressão ou idéia fornecida.
Foi, então, que resolvemos ficar por uma semana distantes desta mesa, possibilitando a alguns amigos a oportunidade da complementação das mensagens com objetivos diferenciados dos nossos. De qualquer forma, estando prevista certa miscelânea de temas, até que tudo pode ser englobado para a finalidade da divulgação.
Contudo, ressalte-se que não temos nenhuma intenção de nos ver em letras impressas, dado que não nos contentamos com os textos nesse sentido, pois o objetivo maior do grupo era aprender a trabalhar com a mediunidade dos encarnados. E isto o fizemos à proficiência.

Pede a palavra o Professor Homero para deixar registrado seu contentamento por ter tido alunos tão aplicados e tão críticos, a ponto de não aceitarem sequer deslizes sem importância fundamental para o teor evangélico das mensagens, especialmente porque buscaram cumprir à risca a recomendação de que não procedessem a pregações, mas que assuntassem sobre os valores espirituais, sem relacioná-los diretamente à vida de erros dos encarnados que não se sustentam pelas verdades de Jesus ou pelas orientações da codificação kardequiana.

Elevemos os pensamentos ao Pai para o agradecimento mais sentido por tudo nos ter dado finalmente certo. Ao escrevente, os votos de sucesso neste árduo empreendimento. Aceite de boa mente a intromissão que fizemos em seus pensamentos, para a mensagem em que o despojamos das máscaras psíquicas.
Habituados ao chamamento do trabalho mediúnico, estamos relutantes quanto a afastarmo-nos, sentindo prévias saudades dos momentos em que trabalhamos com tanta expectativa e satisfação.
Que Deus abra seus misericordiosos braços para receber a todos nós!


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