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Poesias-->SONETISTAS ANÔNIMOS -- 03/03/2005 - 04:41 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER
WLADIMIR OLIVIER

























SONETISTAS ANÔNIMOS

















ESPÍRITOS DIVERSOS

















ÍNDICE



1. Destemido e ousado ..................................

2. Pureza latente ......................................

3. Meu canteiro de rosas ...............................

4. Sem nenhuma caloria .................................

5. Artes do demônio ....................................

6. Emagrecendo o texto .................................

7. Carnificina .........................................

8. Recado de amor ......................................

9. A linha do horizonte ................................

10. Aflição inoportuna ..................................

11. Despertar para as dúvidas ...........................

12. Malferido coração ...................................

13. Nós, os pecadores... ................................

14. A arrecadação .......................................

15. Pedindo socorro .....................................

16. Azedo e embolorado ..................................

17. Falência por insolvência ............................

18. Conhece-te a ti mesmo ...............................

19. Sem perdão ..........................................

20. Noctívago ...........................................

21. Na corda bamba ......................................

22. Notícias do etéreo ..................................

23. Com o dedo no gatilho ...............................

24. Planeta imóvel ......................................

25. O caminho das pedras ................................

26. Jesus triunfa! ......................................

27. Ácido retrato .......................................

28. Divagando aqui no etéreo ............................

29. Aquisições no setor plástico ........................

30. Pesquisando o ego ...................................

31. Costurando a aproximação ............................

32. Operação poesia .....................................

33. Saída em grande estilo ..............................

34. Decepcionado ........................................

35. Candidato certo .....................................

36. Destemido e franco ..................................

37. O casaco de couro ...................................

38. Reavivando o presente ...............................

39. Querendo progredir ..................................

40. A natureza espiritual ...............................

41. Atinjo o infinito ...................................

42. Sinos de festa ......................................

43. O vinco das calças ..................................

44. Um caso mui sério ...................................

45. Corolários da dor ...................................

46. Na retaguarda .......................................

47. Conviver fraternalmente .............................

48. Ouropéis ............................................

49. Sem tensão ..........................................

50. A salvação ..........................................

51. Boa disposição ......................................

52. Lágrimas ............................................

53. Saída pela tangente .................................

54. Sem luz mas saudável ................................

55. Atirei no que vi... .................................

56. O contador de histórias .............................

57. Sem sofrimento não se vive ..........................

58. O bem ...............................................

59. Danadinho... ........................................

60. Regime espiritual ...................................

61. Preciso... ..........................................

62. Lindo, lindo, lindo... ..............................

63. A morte da pombinha .................................

64. De última hora ......................................

65. Com conhecimento de causa ...........................

66. Obtendo alvará de poeta .............................

67. Vôo rasante .........................................

68. A ave-do-paraíso ....................................

69. Frases ..............................................

70. À espera de um milagre ..............................

71. À sombra dos bons ...................................

72. Formalismo poético ..................................

73. Não espere demais ...................................

74. A poder de memória ..................................

75. Deteriorado pelo uso ................................

76. Cascavel ............................................

77. Profícuo e circunspecto .............................

78. Angelical ...........................................

79. Superficial e complexo ..............................

80. Jubiloso, exultante... ..............................

81. Acendrado amor ......................................

82. O maior prêmio ......................................

83. A armadilha .........................................

84. Babalorixá ..........................................

85. Uma súplica simplória ...............................

86. Fidelíssimo .........................................

87. Hagiolatria condenável ..............................

88. Persuasivo até certo ponto ..........................

89. Refinamento vocabular ...............................

90. Não me sinto esquecido ..............................

91. Sons que se repetem .................................

92. Trabalho de fôlego ..................................

93. Firmeza e estabilidade ..............................

94. Adepto da verdade ...................................

95. Razões para crescer .................................

96. O pó do caminho .....................................

97. Significado e poesia ................................

98. Flagrante desrespeito ...............................

99. Força moral .........................................

100. Oferta pessoal .....................................

101. Em forma de parábola ...............................

102. Sentimento do belo .................................

103. Faculdades e retórica ..............................

104. Lucros incessantes .................................

105. O alfarrábio .......................................

106. Espantando o Belzebu ...............................

107. Nem simples nem direto .............................

108. Falando mal da vida alheia .........................

109. A candeia ..........................................

110. Meu senso crítico ..................................

111. Consagrado ao amor .................................

112. Receitas e despesas ................................

113. Negócio fechado ....................................

114. Água de beber ......................................

115. O sol da verdade ...................................

116. Otimismo sob controle ..............................

117. A natureza .........................................

118. Arrebatado pelas idéias ............................

119. Vertentes da fé ....................................

120. Concórdia ..........................................







1. Destemido e ousado



Não quero asseverar que sou poeta,

Mas devo afiançar que estou tentando.

Alguém há de dizer: — Mas até quando

Iremos ter de ouvir este pateta?...



É claro que meu público comando

Por meio desta rima que acarreta

Alguma reflexão que sempre veta

As falsas diretrizes do meu bando.



Mas vou fazendo força e dando duro

Para tornar o verso algo mais puro,

Polindo e castigando o pobre estilo.



Talvez consiga, um dia, algo formoso

Que dê ao bom leitor e a mim um gozo

Estético e moral, sem qualquer grilo.

19.11.01.







2. Pureza latente



Meu ânimo se eleva quando cunho

Um verso mais formoso, mais bacana,

Mas logo o pensamento se embanana,

Se o termo que ditei vem no rascunho.



É claro que este exemplo só engalana

A trova que demonstra o testemunho

De quem quer escrever de próprio punho,

Mas pede que corrijam se se engana.



Divirto-me assim mesmo e já componho

A estrofe que me alerta para o sonho

De vate mui frustrado e quase azedo.



E logo presencio o meu tormento

Ao ver que a brincadeira que apresento

A nada vai levar, pois tenho medo.







3. Meu canteiro de rosas



Aspiro livremente o bom perfume

Dos feitos que relato na poesia.

Se fossem mui perversos, não traria

À vista do leitor que a luz presume.



Espero que meu riso de alegria

Não seja transformado no negrume

Irreverente e tolo do azedume

De quem deseja amar sem parceria.



Enfronho-me em minh’alma e logo nego

Que esteja cultivando as belas rosas,

Porque para os deveres estou cego.



Inverto a diretriz destes meus temas,

Achando as rudes flores horrorosas.

Oh! Quanto eu quero abrir estas algemas!...







4. Sem nenhuma caloria



Ao ler o meu poema, tenha em mente

Que só contém amor e vitamina.

É claro que esta tese conjumina

A vida cá no além e um bem latente.



Não quero esmiuçar toda a doutrina,

Bastando para mim estar presente

A vibração augusta que se sente,

Ao revelar o quanto aqui se ensina.



Por isso o desmazelo do meu verso,

Que traz um tom amargo, vil, perverso,

Ao lado de lições de alguma luz.



Ocorre que a tristeza se desfaz

Ao ver o gajo que já existe paz

Tão-só por mencionar Cristo Jesus.







5. Artes do demônio



Esfrego o meu nariz por toda a parte

Em busca dos matizes mais diversos.

Encontro as escansões dos tons imersos

Em todas as virtudes de tal arte.



É claro que pretendo que se enfarte

De luzes e de cores, nestes versos,

A rima felicíssima, pois tersos

São os ricos ardis, modéstia à parte.



Não posso repreender quem não aceite

A trova que redijo tão bisonho.;

Nem todos vão sentir aqui deleite.



Por isso, eu perco tempo, mas disponho

Os brincos da poesia como enfeite,

Enquanto a perfeição mora em meu sonho.







6. Emagrecendo o texto



Estou notando que esta rima é pobre

E meu poema sempre sai torcido.

Talvez devesse dar melhor ouvido

Ao mestre, que me diz que não me cobre.



Bem longe, num passado hoje esquecido

Dos homens que me pedem que redobre

Os vãos esforços, embora não soçobre,

Compus poesias simples, comovido.



Agora o sentimento dá lugar

A quanta idéia nobre se apresente,

Meditação constante e devagar.



Ocorre que é preciso que se sente

O meu caro leitor, no próprio lar,

Examinando a vida mais consciente.







7. Carnificina



Tão longe da poesia, este meu tema

Exige que me esforce além da rima.

Será que hoje terei a tua estima,

Se demonstrar vigor no mal que extrema?



Aqui onde aportei muito me anima

O fato de escandir sem ter problema.

O duro é me obrigar a ver que rema

Contra a corrente o gajo que vindima.



Ser responsável, sim, é o que requer

O mestre que me assiste com amor,

Dizendo-me que faça o que quiser,



Mas restringindo às normas do compor

O pensamento sério, onde estiver

A tal grandeza justa do labor.







8. Recado de amor



Descuido dos problemas que me afligem,

Para pensar nos temas dos meus versos.

Houvesse de varar os universos,

Talvez tivesse medo de fuligem.



Mas trago os meus poemas bem imersos

Nas dúvidas atrozes da vertigem,

Que os dramas da existência sempre exigem

Que se esclareça a dor, posto perversos.



Então, não me atribulo se não tenho

Facilidade e luz para o compor,

Pois sei que alguém irá franzir o cenho,



Por mais que seja a tese superior:

A compreensão se dá se o desempenho

Está na mesma altura do leitor.







9. A linha do horizonte



Navego pelas águas turbulentas,

Mas vejo que o perfil d’altas montanhas

Projeta neste mar sombras estranhas

Que lembram como as coisas andam lentas.



Pergunta o companheiro: — Como inventas

Os textos com tais rimas, se as patranhas

Não podem aqui constar, pois arrebanhas

Prosélitos sem metas, que atormentas?



É claro que não penso ser mentor

De quem não tem sossego nessa vida.

Eu quero simplesmente aqui compor,



Conforme estou sofrendo a minha lida,

Um verso só que seja superior,

Pois sei que a luz do amor jamais se olvida.







10. Aflição inoportuna



Não posso compreender por que foi rude

O efeito da partida para o além:

Se tinha lá consciência desse bem,

Não soube controlar minha atitude.



Cheguei aqui de volta em dor também,

Por ter deixado lá quem não se elude

Das armadilhas torpes que a virtude

Ajuda a evitar, por dom de alguém.



Porém, tempos depois, eu vi Jesus

A contemplar os bons pelo evangelho,

Que os cegos e os perversos não conduz,



Enquanto se mantenham em tormento.

Cheguei à conclusão, depois de velho,

Ao refletir na luz em que me oriento.







11. Despertar para as dúvidas



Acerto ao descrever minha vaidade,

Pois trago aqui comigo o sentimento

De haver pregado sempre grande aumento

Da luz do amor que jorra e que me invade.



Aviso ao bom leitor que estou sedento

Da glória destes versos, sem maldade,

Pois acho que a poesia persuade

A despertar os medos, sem tormento.



Não quero seja fácil a vitória,

Nem penso que será como esta rima,

Que vai perder-se à sombra enfim da história.



Também devo supor que a pantomima

Dos sentimentos dúbios da oratória

Conserve aqui p’ra sempre nobre estima.







12. Malferido coração



Não posso aqui dizer que estou sofrendo,

Que a festa cá no etéreo é permanente.;

Mas trago o coração impenitente,

Pois meu passado é triste, vil, horrendo.



Aos poucos, vou soltando a minha mente

De todas as algemas e aqui rendo

Um preito agradecido, que o remendo

Parece ser melhor, caso acrescente.



É nos tercetos que este povo adora

Elaborar a rima mais sagaz,

Ao perceber que logo irá embora...



Assim, para que eu faça jus à paz,

Eu peço a bênção a Jesus agora,

Enquanto o tosco verso se perfaz.







13. Nós, os pecadores...



Preciso relatar um caso triste,

Contudo, eu me envergonho e me recolho:

O dom deste soneto está de molho

E fico a imaginar se o bem existe.



O mestre, que me anima, está de olho

E, quando eu arrefeço, é quem insiste

Em que devo forçar, compondo um chiste,

Para dar-me uma folga desse escolho.



Mas, quando chega a vez de vir ditar,

Sabendo que serei o responsável

Por manter a virtude no lugar,



Medito em algo sério, bom, saudável,

Que dê ao meu leitor um bem-estar

Por não perder seu tempo, em sendo amável.







14. A arrecadação



Não tenho peias para a língua solta,

Mas, na poesia, obrigo-me a sustar

O verbo desairoso, junto ao lar

De quem possui a alma em paz envolta.



Por isso não componho devagar,

Fazendo do rascunho obra revolta,

Pois sei a minha rima já absolta,

Embora não expresse o meu penar.



Carrego nestas cores mas sem brilho,

Mostrando que a cabeça traça o trilho

Que o corpo também tem de percorrer.



Sagaz, o meu leitor mais comovido

Irá rogar por luz, mas eu duvido

Que o lucro seja meu por seu poder.







15. Pedindo socorro



Não posso afiançar que estou perdido,

Mas devo esclarecer que hoje me ausento

Do meu passado triste e do momento

Em que deixei p’ra trás o mal vivido.



Ocorre que feliz não me apresento:

Apenas tenho fé, porquanto lido

Com algo manifesto e, comovido,

Proponho ao meu irmão um novo alento.



Falece-me a esperança de obra-prima,

Pois tudo resumi de forma bronca.

No entanto, a caridade já me anima,



Pois sei que o meu amigo aqui destronca

O rude do poema e vê que a estima

Está por trás de tudo... e poupa a bronca!







16. Azedo e embolorado



Permito-me enfrentar este labor,

Sabendo ser difícil de criar

Um texto superior, algo exemplar,

Que siga as normas todas do compor.



— É simples, diz meu mestre, o bem-estar

Que sente o vate aqui, com muito amor,

Desfaz tal azedume e o vil bolor,

Que o tédio do marasmo faz brotar.



Aplique-se na forma, que seu tema

Irá surgir esplêndido na rima,

Sem que ao seu texto dê razão suprema.



O povo que nos lê e nos estima

Não quer a perfeição e não se extrema

Em crítica feroz, mas nos anima.







17. Falência por insolvência



Agrada-me escrever de forma livre,

Por isso é que me arrisco nesta rima.

Eu sei que é bem difícil, mas me anima

A idéia de mostrar meu savoir-vivre...



Alguém que me anuncia forte estima

Procura auxiliar p’ra que delivre

Os versos, mas se encontra em deus-me-livre

A solução final desta obra-prima.



Que tem de ver o texto que componho,

Se as teses da doutrina não assento

Em bases da moral, pois sou bisonho?!...



É claro que este terno sentimento,

Ainda que me ocorra como em sonho,

É tudo quanto tenho no momento.







18. Conhece-te a ti mesmo



Famoso, o tal conselho me atormenta,

Pois mudo o visual a cada hora.

Se hoje estou mais sóbrio é que vigora

A força do mentor, que o bem sustenta.



Mas tudo quanto penso aqui demora

Para formar a rima que apresenta

O sentimento d’alma que acalenta

A fé na caridade lá de fora.



Ocorre que tal susto me atropela,

Por não compor aqui o melhor verso

E fico na penúria da mazela,



Pensando se este dom não é perverso,

Pois monto esta estrutura jamais bela,

Querendo seja lida no universo.







19. Sem perdão



Empenho-me na lida desta rima,

Reproduzindo aqui versos tacanhos,

No entanto, meus defeitos são tamanhos

Que exijo do mentor matéria-prima.



O pobre desfalece, pois estranhos

São os meus dons e minha pantomima,

Mas, quando vê a prova, já se anima,

Que o resultado é bom, com fortes ganhos.



Ajuda-me esta turma que me assiste,

Trazendo algumas rimas mais formosas,

Pois sei que a graça é pouca mas resiste



Às cócegas que faço: — Por que gozas,

Ó coração malvado, sempre triste,

Com poucas e perversas, simples glosas?!...







20. Noctívago



Proponho-me a rimar com perfeição,

O verso aqui, porém, já não se ajeita:

O termo que aparece o povo aceita

Mas sabe que não cabe no refrão.



O som é duro e teso.; a forma eleita

Não segue os bons padrões desta escansão,

Nem surge nas palavras a razão

De vir p’ra sanear minha suspeita.



Agora que mantenho o verbo aceso,

No instante de ditar esta poesia,

Carrego em minhas costas grande peso,



Pensando em que um poeta comporia,

Com arte e com engenho , algo coeso,

Para nos dar mais luz, paz e harmonia.







21. Na corda bamba



Arrisco-me a compor um novo verso,

Sabendo ser preciso descrever

O sentimento puro do dever,

Para tornar o bem incontroverso.



Porém, logo duvido do poder

Que tenho em mim, um ser muito perverso,

Que quer as glórias todas do universo,

Sem dar aos semelhantes bem-querer.



Assim, já se estrutura a pobre trova

Eivada de defeitos, quase informe,

Com rimas recorrentes como prova



De que me pauto sempre pelo mal,

Sabendo que meu mestre nunca dorme

E que meu bom leitor tem cabedal...







22. Notícias do etéreo



Eu vejo todo dia que os mortais

Desejam novidades deste lado,

No entanto, quanto leio, desolado,

Evito transmitir-lhes algo mais.



Ocorre que o sistema utilizado

Não favorece muito estes jornais,

Porquanto estou ligado aos bens morais,

Nos temas que nos dão ou arrecado.



Assim, posso mostrar que estou melhor,

Que tenho as leis de Deus aqui de cor,

De forma equilibrada e bem sincera.



O gozo material pelas notícias

Há de ficar de lado, que as delícias

São diferentes cá na nossa esfera.







23. Com o dedo no gatilho



Repouso merecido é o que me espera

Depois de vir ditar terrível trova:

Em tudo que apresento se renova

A visão do leitor quanto a esta esfera.



Às vezes, vai pensar que, após a cova,

Instala-se o temor da besta fera,

Que o medo, quando é forte, logo gera

A correria estulta como prova.



Aqui, porém, os versos me dão paz,

Que as costas folgam quando o açoite sobe

E todo compromisso se refaz,



Se o bem que reproduz a rima esnobe

Eu incorpore ao sonho meu voraz

De passear à noite envolto em robe...







24. Planeta imóvel



Não vou menosprezar o sal da terra,

Pois me tempera a vida quando penso

Que estou neste lugar bem menos denso

Porque lá sofri muito... e o verso emperra...



Em lágrimas, descubro que meu senso

Está mais desenvolto e já não erra,

Ao vir conceituar o bem da guerra

Que luto contra o mal e que já venço.



É claro que a poesia é só um fruto

Que colho nesta tarde quando em folga,

Peregrinando alegre enquanto escuto



Os rumorejos d’alma, que se amolga

À luz deste ambiente, quase em luto,

Que a dor já não me atrai, já não me empolga.







25. O caminho das pedras



Não posso acreditar-me aqui de novo

Para enfrentar a luz de quem me lê.;

Então peço que atente p’ro porquê

Deste arrepio que arrasta e não me movo.



Bem sei que vou pedir para você

A prece mais sentida, que o corcovo

Da rima vai lançar-me junto ao povo,

A festejar a glória em miserê.



Ao Pai, que sempre escuta a triste cisma,

E que abençoa o vate com amor,

Eu volto o pensamento que se abisma



Em penas colossais, tremenda dor,

De quem só fez o mal e que sofisma,

Pensando que se salva ao vir compor...







26. Jesus triunfa!



Na busca por mais paz, por mais amor,

Senti-me muito preso à melhor rima.

Não quero aqui perder a tua estima,

Por isso é que burilo o meu compor.



Mas como desfazer a trova acima

Que revelou ao mundo a minha dor?

Pedindo por paciência a ti, leitor,

Que todo o mal que trago se sublima.



Então, vou caprichar nestes tercetos,

Sabendo que o meu verso só traduz

Os sentimentos torpes, vis e pretos,



Que acabam de expulsar a tua luz,

Que iluminar não podes estes guetos

Em que triunfa só Cristo Jesus!...







27. Ácido retrato



Aturo-me tão-só ao montar versos,

Pois desafio as rimas com vigor.

Eu sei que nada faço superior,

Mas sei também que poucos são perversos.



Quem sabe, se deixasse de compor,

Vagando pelos dons incontroversos,

Sentisse florescer nos universos

Os bens que recomponho com amor.



Mas tolo, pobre, tonto, vil, inútil,

O texto repercute dentro d’alma,

Enquanto quero a túnica inconsútil,



A que Jesus levava sobre os ombros,

Enlevo da virtude que me acalma,

Embora aqui retrate só assombros...







28. Divagando aqui no etéreo



Não sinto os meus poemas imperfeitos.

Talvez tenha noção tão-só das falhas,

Pois tu, meu coração, muito atrapalhas

Reconhecer dos versos os eleitos.



Recolho dos meus sons as vis farfalhas

Que trazem sentimentos não aceitos,

Que os tons e semitons dos preconceitos

Merecem ser levados em mortalhas.



No entanto, essas tais rimas que componho

Ressoam, nos ouvidos, agradáveis,

Levando-me nas asas do meu sonho,



Fugindo dessa forma aos predicáveis ,

O que resulta em texto tão bisonho

Que peço aos bons amigos: — Sede amáveis!...







29. Aquisições no setor plástico



Não nego que meu verso tem seus quês

Que dão ao pensamento formosura.

Não é que a forma seja toda pura.;

Ocorre que hoje vibro em português.



Assim, o meu ditado se estrutura

Segundo as normas cultas e já me lês,

Ó douto e bom Amigo, sem porquês,

Que as leis eu cumpro aqui d’alma segura.



Não sei se a informação causa respeito,

Se a tese se desfaz pelo caminho,

Se tudo o que componho tem efeito.



Contudo, sempre prezo e louvaminho

O meu final feliz, num texto eleito,

Que a chave d’ouro é p’ra evitar beicinho...







30. Pesquisando o ego



Parece-lhe que irei expor minh’alma?

Pois simplesmente dou uma só dica:

Quem muito se atrapalha aqui claudica

E perde o bom humor e não se acalma.



Quem tem por compromisso (e não critica)

Mostrar que o bem do amor logo se espalma

Nos corações dos bons também ensalma

A trova que peleja p’ra ser rica.



Aos poucos, vou mostrando como estou,

Pondo-me a revelar nas entrelinhas,

Querendo dar ao povo um lindo show.



Como, porém, as rimas não são minhas,

As ofereço ao povo que adotou

O dom da luz tratando nas palminhas...







31. Costurando a aproximação



Sagaz, o nosso médium se prepara

Sem ceticismo mas com muito medo

De ver que alguém lhe aponte um grave dedo,

Julgando descobrir a gema e a clara.



No entanto, quando chego muito cedo

E encontro o meu lugar, ninguém separa

A tese que me move.; e o verso vara,

A demonstrar que posso e que não cedo.



Se tu, perverso amigo que me escutas,

Não deres atenção a quanto digo,

Vais ver que irás perder algumas lutas,



Pois quem de bem está hoje contigo

Talvez te sopre que se dão corrutas

As rimas que disponho quando brigo...







32. Operação poesia



Nem sempre, quando escrevo estes poemas,

Os versos só traduzem sentimento.

Quisera elaborar com mais tormento,

P’ra revelar as falhas e os problemas.



O tópico moral, quando acrescento

Idéias pessoais e vis dilemas,

Empacam nesta rima e tu me algemas,

Ó coração de ferro, ao sofrimento.



Mas venço pouco a pouco cada pena,

Levando para frente o mau soneto,

Enquanto a turma toda se asserena,



Diante desta calma que prometo

Levar até o fim, pois é pequena

A luta no papel pelo terceto...







33. Saída em grande estilo



O verso derradeiro que componho

Irá mostrar, por certo, grande estilo.

Não há de ser agora, pois asilo

Males no coração e sou bisonho.



A fera que transita e que aniquilo

Um pouco aqui por vez, em meio ao sonho

De efetivar a trova que hoje ponho

Sob o teu olhar, ruge em meu cochilo.



Não faço por maldade nem careço

Vencer a dor nos versos da jornada,

Mas tudo tem um fim se tem começo.



Por isso o coração já não se aflige

Pois tudo quanto sofro não é nada

Que a luz do Salvador não cure e alije...







34. Decepcionado



Acreditei que havia terminado

O ciclo das mensagens e dos versos

Mas como foram vis, ruins perversos,

Estou voltando ao metro em meu recado.



Corri, imaginando os universos

Com muitas alegrias, sem cuidado,

Mas tenho de estudar e sem enfado,

Para me ver expondo os bens imersos.



Por isso é que me esforço nesta rima,

Sem alcançar, é claro, seja prima

A obra que ofereço ao povo humano.



Os que pelejam junto cá no etéreo

Bem sabem que o labor é muito sério

E dão-me os seus conselhos, se me engano...







35. Candidato certo



Eu não pretendo agir aqui sozinho,

Mas tenho a minha história p’ra contar.

Talvez seja mui curto este penar,

Talvez mantenha o mal de ser mesquinho.



No caso de compor algo exemplar,

Terei por sorte o bem de ter padrinho

Que leve quanto sou, quanto escrevinho

Aos termos do encarnado, neste lar?...



Assim que refrescar minha memória,

Terei também por certa a fé notória

Que deposito em mim quando estou só?



Não sei se agüentarei meu infortúnio,

Distante do sol forte ou plenilúnio,

Que a luz não me clareia em meio ao pó...







36. Destemido e franco



Não valho uma só letra escrita aqui

Mas trago mesmo assim o meu recado.

Estou a demonstrar que deste lado

Também vai ter valor quem crê em si.



Por isso é que me alegro e não me enfado,

Se vejo que a poesia pinga o i

E dá mais força ao gajo que sorri,

Sem lamentar a dor que aqui translado.



O termo mais certeiro e temeroso

Vai dar-me o bom sentido desse gozo

Que vem desta vitória sobre o pobre.



Quanta riqueza exulta a minha rima,

Se o texto se traduz na tua estima,

Ó meu caro leitor, augusto e nobre!







37. O casaco de couro



O frio que não sentia em minha pele

Passou-me pela espinha, certo dia.

Queria proteger-me e não sabia

Que um ser foi desprovido, fraco, imbele.



Notei que o compromisso, todavia,

De me manter mui cônscio já me impele

A refletir voraz que o crime dele

Toda intenção de amor e de poesia.



As vibrações de dor eram só minhas,

Pois vi como são pobres, são mesquinhas,

As reações do corpo que resguardo.



Se para mim o bem era fugaz,

Ao animal não trouxe qualquer paz

O mal que lhe causei, p’ra meu retardo...







38. Reavivando o presente



Não posso condenar o meu passado

Mas tenho que viver o meu presente.

Por certo o meu leitor hoje pressente

Que o mal de antigamente gera o fado.



Mas eu quero vencer, embora tente

Deixar os sofrimentos já de lado,

A desfilar os fatos sem agrado,

O que me força a pôr-me descontente.



Viver este momento aqui, portanto,

É como reviver a vida inteira,

Somando sem cessar sorriso e pranto.



Se tudo vem de novo, inda que queira

O gajo reavivar o fogo santo,

É bom utilizar voraz peneira...







39. Querendo progredir



Ativo e diligente, me ofereço

Para compor uns versos, nesta hora.

Cansei de ver que o povo todo chora

Ao ler que de tais males não padeço.



É certo que meu tipo se deplora,

Ninguém pedindo aqui meu endereço.

Eu mesmo já não sei por que me esqueço

De sustentar virtudes, muito embora...



Mas devo superar tantas mazelas,

Que o risco de mostrar algumas delas

Me enche de temor e de respeito.



Ao meu leitor amigo, eu peço a prece

Que nunca me negou, quando oferece

A Deus seu compromisso sempre aceito.







40. A natureza espiritual



Socorro-me dos textos dos amigos

Que bem melhor que eu já discorreram.

Transformo em vil poesia o que escreveram,

Querendo atualizar feitos antigos.



Eu sei que já perdi os que morreram

E não deixaram versos nem artigos,

Concentrando-se assim em seus umbigos,

Que o mal é não doar aos que nasceram.



Pois faço esta poesia e dou de mim

O máximo que posso por agora,

A caprichar na rima cá no fim.



Por certo o tema-título demora

Por ter este poeta por ruim

A idéia natural que joguei fora...







41. Atinjo o infinito



Atinjo o infinito mas não sei

Se existe aqui limite para a trova.

O homem que trabalha sente nova

Aspiração e amor, se entende a lei.



Estou a revirar-me em minha cova.

Se em trono aqui estiver, como estarei,

Também irei sentir o mal do rei.

E assim seria o mesmo em grossa sova.



Atino com as falhas, mas componho

O texto aos seus princípios duma vez,

Porque mais vale a rima do que o sonho...



Agora que compreendo o que se fez

Da minha hesitação de ser bisonho,

Respiro aliviado e já freguês...







42. Sinos de festa



Alegro-me bastante, se a poesia

Termina com a prece que imagino.

Assim, faço este esforço pequenino,

Perante o teu amor e companhia.



Quem lê e se desperta para o hino

Que escondem as palavras deste dia

Aprende a soletrar, com nostalgia,

As vozes da emoção que dissemino.



As vibrações sonoras trazem paz,

Se reconheço o tema e se refaz

Minha esperança em Deus e sua bênção.



Viver tão esquecido da virtude,

Querendo que este bem mais se amiúde,

Irá forçar os dons, para que vençam...







43. O vinco das calças



Importa-me saber qual importância

Terá para um mendigo aquele vinco.

Aqui também me alegro e sempre brinco

Com as idéias parvas da elegância.



Expus o pensamento a mais de cinco,

Nenhum quis discordar, mas a ganância

De estar o vate certo deu-me a ânsia

De tudo pôr na trova com afinco.



O resultado é este que está vendo

Aquele que se atreve a vir comigo,

A desejar, embora, algum remendo,



Porquanto a rima exige um bom castigo,

Idéia que hoje aprovo e referendo,

Mas quanto o que disponho é o que consigo...







44. Um caso mui sério



Não posso concordar que seja sério

O tema que me traz tão ocupado:

Não só estou mui fraco e com enfado,

Como também não sei pôr-lhe mistério.



A vida transcorreu-me mui de agrado

E a morte surpreendeu-me mui aéreo:

O dia estava claro e o refrigério

Da luz que me extasiava hoje traslado.



Então, como alegrar-me a penitência

De ver estes maus versos que componho

Azucrinarem tanto a minha ausência,



Nos anos que servi, como num sonho,

Aos males deste mundo, sem ciência,

Perverso mais ainda, vil, bisonho?...







45. Corolários da dor



Não sinto mui profundo o meu pesar

Por ter chegado aqui recentemente,

Pois trago dessa vida bem presente

Todo o conforto alegre do meu lar.



Eu sei que lá mais sofre algum parente

Que tem saudade agora e vai chorar,

Se acaso esta notícia lhe chegar,

Embora esteja o texto transparente.



Ocorre que não trago o compromisso

De dar o meu aviso como em drama

De desespero e dor, pois o meu viço



Se põe por sobre a esfera que se aclama

Como de perenal horror.; e atiço

Os cães da incompreensão a quem não ama.







46. Na retaguarda



Soluço permanente em minha rima,

Esqueço quando estou desanimado

E venho registrar algum enfado,

Sem medo de perder a tua estima.



Por isso é que redijo com agrado,

E dou como sabida a estrada acima,

Pois todos vão saber quanto se anima

O gajo que perfaz este quadrado.



Agora que o terceto se apresenta,

Exijo mais cuidado do meu médium,

Que sofre, ao perceber que não se agüenta



O vate que precisa de remédio,

Não só para esta estrofe que arrebenta,

Também para o remendo do meu tédio...







47. Conviver fraternalmente



Não posso atribuir-me a perfeição,

Mas dou de mim no verso com amor.

Talvez o que apresente ao vir compor

Pareça surpreendente aos que lerão.



Trabalho com sentido superior

Os homens noutros vates acharão,

Porém, lhes peço aqui muita atenção,

Para entender que verso com vigor.



Gongóricas temáticas misturas

Idéias muito simples e banais

Para enfeitar a tarde com tais juras,



Ó coração, que não suportas mais

Quedar distante dessas criaturas

Que amas sem sossego e a quem te vais...







48. Ouropéis



Sustento que esta rima seja rica,

Mas tiro a minha mão dessa fogueira.

Talvez compor melhor o mestre queira,

Porém, a trova estrago e o verso embica.



Então, vou recorrer à macieira,

Ao seu vermelho vivo que me enrica

O texto mais sutil que aqui se aplica,

Embora sem a eira e sem a beira...



De todos os enfeites que disponho

Um deles vai servir-me no improviso:

Ocorre que marejo neste sonho,



Sofrendo por deixar sem bom aviso

Aquele que me lê e que, risonho,

Entende que mantenho o meu juízo...







49. Sem tensão



Navego pelas águas transparentes,

Iluminado ainda pelo amor

Que todos me dedicam, ao compor

Os versos mais felizes e candentes.



Apenas eu me sinto inferior

No modo de rimar, pois descontentes

Ainda vão ficar muitos doentes,

Que sentem bem mais forte a rude dor.



Alívio aqui não trago a todo o povo,

Embora chegue à mesa hoje de novo,

Sem qualquer tensão na rima pobre.



Ocorre que perdôo o desperdício,

Sabendo que trovar não chega a vício

E que um soneto a mais é bom que sobre...







50. A salvação



Retrato a minha angústia e desfaleço,

Sabendo tão ruins os versos meus.

Queria aqui deixar bênçãos de Deus.;

Não sei postar a carta no endereço.



A falha desta trova entre os plebeus

Se encontra em mui sutil rima do avesso,

Pois se diverte o gajo, se me esqueço

E ponho no plural, ao dar-lhe adeus.



São esquisitas, sim, as minhas rimas,

Mas quero, coração, que te redimas,

Ao menos no final da pobre peça,



Orando pelo amor dos companheiros,

Que sabem que esta paz nos faz inteiros,

Na integridade além do bom à beça...







51. Boa disposição



Não penso que terei algum sucesso,

Se terminar aqui este poema.

Ocorre que não sei se o bem se emblema

Em rimas, devagar, conforme peço.



As coisas são demais e o mal me algema

Às coisas mais fugazes, pois opresso

Eu trago o coração, neste regresso

Às lides da cultura, como tema.



A reclamar virei de qualquer jeito,

Embora, com a trova, seja eleito

Alguém com seriedade e compostura.



Espero firmemente que o meu verso

Transforme os meus limites do universo

E traga para nós a luz mais pura.







52. Lágrimas



Convulso pranto encheu-me o coração

De medo, por cumprir esta tarefa.

Ao concluir, alguém dirá que blefa

O vate, por saber falsa a emoção.



No entanto, quando aplico a sinalefa,

Usando para o metro esta escansão,

Eu tremo e testemunho que a razão

Conduz este pensar-multitarefa.



Entendem por que estou impressionado?

Ocorre que não sei se há luz no verso

Ou se será aceito ou desprezado.



Porém, o meu intento vem imerso

Nas águas mais serenas que transnado,

Sem me afogar em pranto mau, perverso.







53. Saída pela tangente



Não passo este rascunho sem temor

De vê-lo mui perverso, em rima chula.

O bom amigo que me lê calcula

Que estou botando banca superior.



Não quero aqui gabar-me, mas a bula

Dos remédios que tomo com rigor

Informam como devo vir compor

A trova em que me exponho até à medula.



É certo que preciso melhorar,

Que devo descrever mais devagar

As falhas de caráter que me oprimem.



Mas, como ainda não tenho a perfeição,

Termino este meu verso com um não,

Querendo que, no fim, os termos rimem.







54. Sem luz mas saudável



Não venho lamuriar nesta escritura,

Mas devo demonstrar que estou bem forte.

As rimas que componho vêm da morte

E trazem pensamento mui seguro.



Ocorre que não sei qual é o norte

Que imprimo já sem luz, pois estruturo

Um texto sem sentido justo e puro,

Apenas com palavras deste porte.



Se pensam que sorrio enquanto escrevo,

Esbarram na mentira desse enlevo

De desbravar a mente deste autor.



Eu disse estar saudável logo acima,

Mas nem por isso vou montar a rima

Apenas no prazer de vir compor.







55. Atirei no que vi...



Assumo os meus defeitos mas prometo

Que irei modificar-me dentro em breve.

O gajo que me escuta e agora escreve

Espera que eu termine meu soneto.



O tema poderia ser mais leve,

Mas como vou dizer que tenho preto

O coração sofrido e o esqueleto

A desfazer-se em pó, como se deve?...



Por isso, deixo a norma da poesia

Levar-me mundo adentro em agonia

De quem se sabe tolo e sem vergonha.



Mas, como prometi boa melhora,

A lágrima secou e já não chora

Aquele que rimou e agora sonha...







56. O contador de histórias



Atrevo-me a dizer que estou feliz,

Pois tenho o dom de vir aqui dispor

Os metros mais formosos deste amor

Que sinto pela vida, como eu quis.



Porém, não satisfaço o professor,

Que quer que o meu soneto mais nutriz

De alegres esperanças, diretriz

Que todos vão seguir com muito ardor.



É claro que componho a pobre rima,

Querendo conquistar a tua estima,

Ó caro coração dentro do peito!



Exponho-me a contento, um vil mendigo,

Solicitando a prece que bendigo,

Pois meu leitor se agrada, se o empreito.







57. Sem sofrimento não se vive



Não quero que estas lágrimas que verto

Estraguem o poema que transmito:

Não vale deste lado qualquer grito

Que possa estremecer com tal aperto.



Olhando do futuro p’ro infinito,

Eu sei que encontrarei melhor acerto

Para enfeixar nos versos bom enxerto

De dons e de virtudes, sem conflito.



Agora, aqui, porém, os encarnados

Precisam sopesar os duros fados

De quem deve sofrer um dia a morte.



A própria não constrange tanto assim,

Mas toda criatura tem seu fim:

Feliz de quem tem luz que o mal conforte...







58. O bem



Alheio ao desempenho junto à mesa,

Dedico os meus sonetos ao leitor.

Bem sei que meu desejo de compor

Esbarra em seu anseio por beleza.



Mas tudo o que fizer terá valor,

Se me esforçar sem muita profundeza,

Porquanto estou penando nesta empresa

E devo demonstrar-me superior.



É claro que o poema aperfeiçoa

A alma que demonstra que a pessoa

Está enfeitiçada pelo bem.



A luz que tomo do melhor trabalho

Reponho sem esforço e já não talho

O pensamento augusto que contém.







59. Danadinho...



Espero que meu texto não surpreenda,

Que seja só mais um dentre os comuns.

Talvez a minha rima só alguns

Terão como explorar, que o bem acenda.



Não quero mais ouvir os zunzunzuns

Do povo que arrelia quem desvenda

A alma mais singela desta agenda,

Sentindo que fará duros jejuns.



O tom bem mais alegre deste dia

Não pode derrapar, pois não daria

P’ra refazer os versos nesta hora.



Então, fique este aviso de prudência

A quantos não se cansam da inferência

De que tudo que sou na rima aflora...







60. Regime espiritual



Elaborar um tema de poesia,

Em um soneto simples mas honesto,

Talvez não seja bom, porém, lhe empresto

Valor e tom de voz, como queria.



É certo e permanente que, de resto,

Irei chegar ao fim com galhardia,

Mantendo os sons rimados, todavia,

Não sei se agradará meu manifesto.



É simples o soneto e traz perfume

Inebriante até, sem azedume,

Que profligar os crimes não me atrai.



Bem leve hei de tornar o verso amigo,

Sabendo que não vão brigar comigo,

Se alçar meu pensamento para o Pai...







61. Preciso...



Não posso duvidar que seja Deus

Quem tenha prometido a perfeição:

No ato superior da criação,

Não quis o Pai perder nenhum dos seus.



Por isso, já não creio que o meu não

Virá a repetir-se, pois ateus

Não hão de ser meus versos, que o adeus

Aos sonhos hoje eu dou de coração.



Real e mui concreto, este poema

Vem resolver de vez o meu dilema,

Pois toda a minha cisma ele traduz.



Se tenho a compreensão do meu amigo,

Então eu vou levar sempre comigo

Os dons do amor do ensino de Jesus.







62. Lindo, lindo, lindo...



Maravilhosa idéia me ocorreu,

Assim que pus no verso a bela rima.

Queria impressionar com obra-prima,

Para compor o texto do apogeu.



Mas o bom mestre disse que sublima

O mal o verso que se quer coreu,

Pois devo aqui mostrar o que é meu,

Melhor até do que já fiz acima.



Depois de refletir nas duas quadras,

Que estão mui longe de cumprir a tese,

Busquei sonhar sobre sutis almadras,



Mas disse-me a consciência p’ra que reze,

Pois as ruindades são hostis e ladras,

Mui lindas e formosas, para a ascese...







63. A morte da pombinha



Não tenho mais dizeres especiais

Nem fórmulas, nem dons, para compor:

Aspiro simplesmente a ter valor

Que possa demonstrar como jamais.



Por isso, este meu verso superior,

Mas longe dos poderes imortais

Dos que velam por nós, com cabedais

Da suma perfeição do bem do amor.



Agora que expressei meus sentimentos,

Mostrando quanto estou maravilhado,

Preciso reagir contra os tormentos,



Pedindo a Deus a bênção do sagrado,

Para rimar na trova, nos acentos

Da prece que aqui disse e que traslado.







64. De última hora



Consagro-me à poesia desta feita

E dito o resultado mau da trova.

Queria renovar mas não é nova

A idéia que redijo e não se ajeita.



E vou levando a rima, que desova

A mente encabulada e contrafeita,

Porque escolhida foi sem ser eleita,

P’ra castigar o dom, dando-lhe sova.



Como é que o belo pode prosperar

Em tema corriqueiro e tão vulgar,

Sem alma emocionada e paz interna?



Ocorre que este vate titubeia

E acaba dando forma muito feia

À luz que pretendia fosse eterna...







65. Com conhecimento de causa



Não percebo as mudanças que me atingem,

Mas noto que meu verso já melhora:

No breu do sofrimento, não vigora

A morte cerebral aos que não fingem.



Porém, se sinto a luz que vejo agora

Iluminar-me o coração, me cingem

As ânsias deste amor que tingem

De cores o meu pranto, noite afora.



Perturbo a descrição de um ser feliz

Que tem tudo na morte, porque quis

Enaltecer o belo nestas lavras.



Mais alto aqui, no entanto, se mostrou

O dom do sofredor, em pobre show,

Que os versos, Aprendiz, só escalavras...







66. Obtendo alvará de poeta



Preciso acostumar-me com o verso,

Pois dizem que me dou como poeta:

A fórmula que emprego já completa

O ciclo dos poemas mais perverso.



Também, se aqui desando, logo veta

O atrevimento o mestre que conversa

E me esclarece a lógica reversa

Que me legou a trova que a projeta.



Assim, estimulado, aqui fabrico

O texto onde descrevo a bela fonte

Em que mato esta sede com o bico.



Quem canta lá na mata e sobre o monte

Também há de compor, em verso rico,

A trova que nos abre este horizonte...







67. Vôo rasante



Aboletei-me à cauda do avião

Que circundava o espaço, temerário.

Achei tremenda graça, enorme otário,

E prometi causar-lhe estremeção.



Porém, quando partimos, solitário

Estava no arremedo da paixão,

Que os gajos, como todos saberão,

Exorbitavam senso extraordinário.



Fiquei a ver navios, que a estrepolia

Levou-me a espatifar-me neste solo.

Sofrer a tal desdita eu não queria,



E logo me senti em fértil colo,

Que a mãe tem pelo filho a nostalgia:

Em sonho tive a queda e me consolo...







68. A ave-do-paraíso



Não tenho condições de descrever

As plumas coloridas nem seu canto,

Porque não sei quais cores dão-lhe encanto,

Se é bela e melodiosa em seu poder.



Pensei no paraíso nem sei quanto

E ali deixei a imagem do dever,

Pois tudo que aprendi por bem-querer

Me obriga a derramar honesto pranto.



Pernalta, esguio, me safo pela rima,

Desconhecendo o mal que deixo atrás,

Pois creio, ó Coração, que em nobre estima



Irão dizer as preces para a paz

Que o mundo necessita e não colima,

Que a vida material é mui voraz...







69. Frases



Não devo melhorar muito este verso,

Que o tema não protege a mão do vate:

Só na rima o sabor de chocolate

Demonstra a sensação deste universo.



Preciso, assim, dispor melhor o mate,

Pois, no xadrez, me empolgo e fico imerso,

Enquanto, no poema, eu me disperso,

Buscando uma escansão que o mestre acate.



Desfaço-me da trova e sigo adiante,

Que o trecho concluído me garante

Que as coisas já se ajustam nesta esfera.



Depois de martelar a mesma frase

De forma diferente, eu penso: “Quase

Me perco no soneto que a encarcera...”







70. À espera de um milagre



Resolvo prosseguir compondo trovas,

Desafiando as rimas mais terríveis.

Por isso, o pensamento alcança níveis

Que não imaginei durante as provas.



As quadras que hoje dito são horríveis

E os versos se repetem desde as covas.

Queria fossem bons mas não são novas

As almas que redigem, mais sensíveis.



Por isso é que trabalho com denodo,

Acreditando ser preciso a rodo

Trazer sonetos para exp’rimentar-me.



Um dia eu chego lá e dou perfeito

Um verso trabalhado aqui no eito,

Da pretensão do mal gentil desarme...







71. À sombra dos bons



Queria ter a luz dos mais perfeitos,

Por isso é que segui meu mestre e amigo.

Um dia, a praticar muito comigo,

Falou-me dos melhores, dos eleitos.



Surgiu ao nosso lado — eu já consigo

Dizer quem era ele — um dos bem-feitos,

Que abençoou aos dois, sem preconceitos,

Dizendo que nos punha em bom abrigo.



Eu temeroso estava e me agachei

Atrás do benfeitor que me ajudava,

Achando que atraía o fel da lei.



Por isso é que não vi que iluminava

Tal ente superior, pois, hoje eu sei,

Da sombra era minh’alma ainda escrava.







72. Formalismo poético



Atrevo-me a cantar em verso e prosa

As minhas alegrias neste plano.

Talvez não sejam muitas, pois me engano

Pensando estar feliz, que o dom se dosa...



Com tudo o que acontece eu me engalano,

Pois sei que o coração transcende e goza,

Alçando-se ao Senhor, por ser formosa

A rima que elegi de cunho humano.



Esqueço o sofrimento neste instante

De glória em que me encontro em meio à luz

Que desce lá do céu e segue adiante,



Iluminando os homens, pois seduz

Os que querem o bem e lhes garante

Que as bênçãos deste amor vêm de Jesus.







73. Não espere demais



Atreva-se a cantar, em próprio verso,

As dores e os amores dessa vida,

Porém, que seja a rima comedida,

Sem pieguice nem humor perverso.



Controle-se e tal trova não divida,

Querendo enfatizar um dom diverso

Dos que lhe dão à alma um universo

Apenas seu, uma emoção querida.



Depois de realizar alguns rascunhos,

Procure nos autores testemunhos

Do tema que elegeu e que versou.



Talvez o seu sucesso ali se tolha,

Mas, com amor, retire outra folha

E escreva novamente, sem dar “show”.







74. A poder de memória



Não me amedronta a trova que componho,

Pois sei que o mestre induz minha escansão.

O conteúdo, sim, vem da razão.;

A forma irá mostrar-me mais risonho.



Assim, se a rima calco e digo não,

Vou provocar o riso, pois, bisonho,

Fornecerei as pistas do meu sonho,

Conforme os prismas puros que se dão...



Esfinge, aqui me posto de improviso

E finjo ter as rédeas do comando,

Pois é do verso o fim a que mais viso.



Agito sem parar mas não desando,

Que o lucro há de ser grande para o ciso

De quem sabe entender pavor quejando...







75. Deteriorado pelo uso



Lobrigo o velho esquema e ponho tento

Em que devo compor um verso nobre.;

Mas como se hoje estou perdido e pobre,

O coração em fogo, sem talento?!...



Não me perdi na Terra, pois meu cobre

Comprou-me o céu em próspero convento.;

Mas tudo quanto fiz agora aumento:

Por mais que tenha aqui, não há que sobre...



Preciso controlar meu desespero,

Senão irão pensar que este exagero

É para causar medo e turbulência.



Não quero escurecer o breu do verso,

Pois sei que por ser claro é tão perverso

Que obriga a vergastar minha consciência...







76. Cascavel



Reflito sobre a vida e sinto pena

Daqueles que cresceram ao meu lado.

Eu sei que todo o mal que hoje arrecado

É pálida lembrança, mui amena...



E como vou sentir-me reencarnado,

Pensando que o passado inda me acena

Com juros de estafermo, pois, terrena,

Minh’alma há de mostrar-me o triste fado?



Irei serpentear por entre flores,

Buscar meu alimento material,

Ou simplesmente devo dar de amores



Aos que quiserem ver-me muito mal?...

Ajuda-me, Senhor, que sinto as dores

Da sede do furor que achei normal.







77. Profícuo e circunspecto



Bem sei que tenho a boa inspiração

Do mestre que me apanha este ditado.

Estou falando aqui do nosso lado,

Que ao médium simplesmente peço ação.



O professor aprova o tal translado

E logo me avizinho da escansão.;

Por isso é que hoje evito dizer não,

Pois belo deve ser o resultado.



As rimas vão saindo devagar,

A ponto de causar-me bem-estar

Saber que a minha trova se completa.



Talvez não tenha o dom de uma obra-prima,

Porém, ao terminar, sei que sublima

O verso o sentimento do poeta.







78. Angelical



Não traço muitos planos p’ra poesia

Nem armo uma escansão dificultosa:

Arrumo estas palavras, como em prosa,

E dou-lhes liberdade de harmonia.



Depois que o resultado desta glosa

Se deixa observar em claro dia,

Reflito que o refrão melhoraria,

Se desse mais vigor aos sons que entrosa.



Aí já é bem tarde e o compromisso

Me alija do trabalho e do serviço,

Que eu tenho muitas coisas p’ra fazer.



Sorrio ao terminar a trova manca

E vejo que meu tino mais desanca,

Por não notar no texto bem-querer...







79. Superficial e complexo



Não devo atribuir à inteligência

As rimas que componho junto à mesa,

Pois cabe ao sentimento a tal proeza

De tudo demonstrar para a consciência.



Depois que eu compreender que está acesa

A lâmpada do amor e da ciência,

Aí é que analiso a competência,

Para montar a trova com beleza.



O resultado é pífio, como sei,

Pois não domino deste verso a lei,

Mas vou botando banca mesmo assim.



Um dia, com certeza, atinjo a meta

E alguns vão ler o texto do poeta,

Orando a melhor prece para mim.







80. Jubiloso, exultante...



Preciso demonstrar que estou feliz,

Ao menos por compor estes poemas.

Depois devo enfrentar os meus problemas,

Bem mais sereno à vista do que fiz.



Por isso, não lastimo quando algemas,

Ó rude coração, minha cerviz,

Pois sei que fui eu mesmo que assim quis

Tornar-me bem melhor nos teoremas.



Rubrico esta escansão e dou de mim

Um pouco mais agora que me aturo,

Sabendo contornar o que é ruim.



Um dia, um sentimento inda mais puro

Irá comparecer no verso alfim

E poderei sorrir da fé seguro.







81. Acendrado amor



Não temo perturbar meu caro amigo,

Dizendo-lhe verdades, muitas vezes.

Assim, não quero crer sejam soezes

Os ditos com que aclaro o tal perigo.



São frases e expressões dos portugueses,

Que têm a língua solta do castigo,

Porém, não são maldosas, pois comigo

Se encontram resguardadas por paveses.



Eu quero registrar tal fato agora,

Porque dentro de pouco irei volver

Ao plano terrenal, onde vigora



A fórmula do amor, do bem-querer,

Que deverei ouvir a toda a hora

Dos lábios de quem tem vital poder...







82. O maior prêmio



Se estou mui satisfeito com a glosa,

Porque tenho notado que melhoro,

Às vezes, por sofrer, ainda choro,

Ao ver que algum amigo não se entrosa.



É como se acrescenta à água cloro,

Para limpar a caixa que afoloza.

É causa de moléstia perigosa,

Vir provocar no verso mal sonoro.



Mas, quando estou alegre e aqui componho,

Julgando que estou bem em cada rima,

Prevejo que o leitor se põe risonho



E o mestre já demonstra a sua estima.

Assim, ao acordar do belo sonho,

A trova ainda me diz que o bem sublima...







83. A armadilha



Estendo a minha teia, nesta trova,

Para apanhar amigos pelo amor.

Por isso é que me esforço ao vir compor,

Temendo as dores todas lá da cova.



Por mais que sofra aqui duro labor,

Os versos se amesquinham com a sova,

Pois torno a minha rima velha nova,

Na aspiração do bem e do valor.



Aí quem é que cai na dita teia?

Apenas o poeta, que permeia

Lamúrias e sorrisos, com afinco.



Quisera que meu verso fosse curto,

Porquanto, em sendo longo, eu não me furto

A vir dar de sabido, enquanto brinco...







84. Babalorixá



Importa ter um nome diferente

Daqueles que se põe no espiritismo?

Será questão apenas de batismo

Ou fica o nosso peito mais descrente?



É claro que as funções com que não cismo

Estão bem vivas quando o gajo sente

Que existe diferença, mas, contente,

Não se atrapalha já com ocultismo...



É claro que as virtudes são maiores,

Se o bem que se destaca prevalece

Na busca de tornarem-se melhores



Aqueles que praticam nossas normas,

Levados a rezar do Cristo a prece,

Enquanto ainda são poucas as reformas.







85. Uma súplica simplória



Não vejo como ater-me ao verso amável,

Que torna mais feliz o bom leitor.

O quanto necessito aqui compor

Pretendo seja logo descartável.



Por isso é que estas rimas de louvor

Não chegam a causar um bem estável.

No máximo, o que deixam lacerável,

Nas intenções, é o mal do gozador.



Aplico-me na forma, mais ou menos,

Porquanto o conteúdo desanima.

Entendo que aos leitores mais serenos



Meu sentimento rude não sublima

O quanto de grosseiros, vis venenos,

Destilo nestas trovas, sem estima...







86. Fidelíssimo



Arvoro conhecer o melhor metro,

Mas passo pela rima mais perneta.

Ao médium peço que não se intrometa,

Porquanto ao rei se dá coroa e cetro.



As coisas hoje correm sem que a peta

Exija do leitor um vade retro,

Pois a verdade é tudo que perpetro,

Ao ser fiel às dores do capeta...



Por isso é que pleiteio o teu amor,

Ó bem amado e lúcido leitor,

Em forma de oração dentro do peito.



Os meus amigos dizem que o sofrer

Tem lenitivo, sim, se o bem-querer

Obriga aos sacrifícios do respeito.







87. Hagiolatria condenável



Quem traz no coração a fé divina

Não pode idolatrar qualquer pessoa:

Por mais que seja ela um’alma boa,

Também está formada na doutrina.



Os santos são exemplos, como voa

O pássaro no céu, que dissemina

Alegres pensamentos, pois domina

A região aérea, a qual povoa.



Por isso é que tememos demonstrar

Que existem certos seres no lugar

Capazes de compor versos sublimes.



Quem tece esta poesia tem um mérito:

O de falar da dor já no pretérito,

Ao ministrar mais fé nestes regimes.







88. Persuasivo até certo ponto



Não troco figurinhas com o médium,

Que fica extasiado com meu verso.

Se digo, aqui, porém, que sou perverso,

Pretende ministrar-me bom remédio.



E qual a mistureba com que terço

Pela doutrina sã sem vil assédio?

Misturo esta esperança de que o tédio

Agora se desfaz e vai disperso.



Depois de algumas trovas junto à mesa,

Provando-me capaz de tal proeza,

Atiro-me nos livros da doutrina.;



E faço com que a rima se aproveite

Dos dons das tais virtudes e deleite

O bom leitor audaz, que se ilumina...







89. Refinamento vocabular



Distância equivalente entre os mortais

E aqueles que daqui tecem poesias,

São dúbias posições, são alegrias,

Que não se medem nunca por meus ais.



Embora tu solfejes e te rias

Das trovas que disponho sempre mais,

Ó coração tremente, eu sei que vais

Elaborar mais versos como guias.



Assim, se trovo ainda sem motivo

Que justifique rima tão banal,

Precisam os leitores que cativo



Eliminar dos versos todo o mal,

Purificando a trova, pois é vivo

O sentimento d’alma, e natural.







90. Não me sinto esquecido



Não venho azucrinar tua paciência,

Ó companheiro médium e escrevente:

Bem sei que a minha obra se ressente

De tema superior e de ciência.



Mas tudo quanto escrevo o gajo sente

De forma tão benigna que a existência

Se torna apreciável e a cadência

Demonstra que me agito levemente.



Mas sou trazido, sim, por companheiros

Que sabem que medito enquanto escrevo,

Buscando haurir do belo de terceiros,



Pois ser original não sei se devo,

À vista dos percalços costumeiros,

Se tento dar ao texto algum relevo...







91. Sons que se repetem



Estudo as rimas todas que hoje emprego

E vejo que as repito, uma a uma.

Talvez, se em prosa desse rica suma,

Não passaria aqui por surdo ou cego.



Assim como componho, espalho espuma,

Que se desfaz no ar, enquanto rego,

Com lágrimas sofridas, o meu ego,

Que ao verso torpe já não se acostuma.



De qualquer forma a trova ganha brio,

Ao menos quanto aos sons que aí disponho,

Porquanto dos melhores eu recrio



Os textos mais bonitos, que, bisonho,

Declaro copiar — mas não copio —,

Embora o tema nasça sempre inconho...







92. Trabalho de fôlego



Por mais que seja simples minha trova,

Está bem mais além do que eu fazia.

Na vida, andava solto, na folia

Dos gozos e prazeres, casanova...



Depois que aqui cheguei, eu vi-me em fria:

A coisa que hoje enfrento, sempre nova,

Que estou tão defasado só comprova

E põe-me a orelha em pé, sem harmonia.



Por isso é que me exponho e dito a norma

Aos que se atrevem a pensar errado,

Que foi como pensei, na velha forma.



Se venho estruturar este soneto

E busco dar-lhe brilho e não me agrado,

Confesso que fiquei co’o mico-preto...







93. Firmeza e estabilidade



Não troco figurinhas com o médium

E vou dizendo logo por que vim:

Eu quero que se reze mais por mim,

P’ra que receba a alma o seu remédio.



Aí irão dizer que a trova, enfim,

Apenas desconcerta quanto ao tédio

E representa, ainda, forte assédio

Na rima repetida, em som ruim...



Enquanto as costas doem pelo castigo

Dos males que hoje aponto, tão perverso,

Avanço impunemente e já bendigo



A luz que deposito em cada verso,

Idéia que me traz junto ao perigo

De ver-me verme tolo em cova imerso...







94. Adepto da verdade



Não sinto muita força em minha prece,

Porque não sei dizê-la emocionado.

O bem que dessas bênçãos arrecado

Está na forma leve que aparece.



Eu digo em relação ao verso alado

Que solto ao vento e logo o povo esquece,

Porém, a perfeição me favorece,

Porquanto a trova jaz pronto de lado...



Apenas a leitura é que lhes peço,

Que é modo de me honrar neste momento,

Sabendo mui difícil ser impresso.



Um pensamento bom, um sentimento

De amor e compaixão por este egresso

É tudo quanto quero, quanto agüento.







95. Razões para crescer



Espero que o meu tema seja leve,

Que eu possa descansar daqui a pouco.;

No entanto, a minha rima deixa louco

O pobre que me ajuda como deve...



A voz que o gajo escuta tem som rouco,

Enquanto o acento agudo fica breve,

Na notação latina, que o almocreve

Se atreve a vir grafar junto ao cavouco.



Depois que dito a trova, me aborreço,

Pensando no que fiz sem muita vida,

Iluminado apenas do arremesso



Que burilei no espaço e dei guarida

No coração feliz, lá no começo.

Mas vejo que a ditei quase garrida...







96. O pó do caminho



O que levanta o pó no meu caminho?

Os passos dos colegas lá na frente.

São muitos e nos dizem p’ra que agüente

Aquele que inda sofre seu pouquinho.



Mas tudo tem seu dia diferente:

É quando de um parceiro me avizinho

E peço que me diga se, sozinho,

Alguém consegue arcar co’a dor que sente.



Eu penso que retardo a caminhada

De tão gentil pessoa, que me explica

Que logo encontrarei um camarada



Que irá seguir comigo, tanto é rica

A fonte da amizade, o que me agrada,

Pois tenho a minha rima da rubrica.







97. Significado e poesia



Pretendo melhorar meu desempenho

E fornecer aos leigos contributo,

Mas não a quem hesita, a quem, astuto,

Caminha lá na frente, enquanto venho...



Agora que mostrei que mais eu luto,

Fechando p’ra alegria o duro cenho,

Irão imaginar que o mal retenho,

Que o bem, nesta poesia, é que desfruto...



Ocorre que mantenho a mesma verve

De quanto bom poeta aqui conserve

Antigos ideais em velhas formas.



Porém, devo pensar que o meu leitor

Deseja descobrir que tem valor,

Por meio dos exames dessas normas.







98. Flagrante desrespeito



Encaro as normas da poesia e digo

Que são limitadoras do ideal,

Mas quando escrevo aqui, e escrevo mal,

Procuro estimular, mas não consigo.



Eu falo só de mim, que é natural

Desconhecer os outros, se maldigo

A forma tão perfeita com que o trigo

Fornece o pão a todos — carnaval.



Assim, vou descrevendo esta inquietude

E vou deixando claro que a virtude

Apenas se pratica quando é boa



A fórmula do bem, que a faz querida,

O que sofre mudanças inda em vida

E faz crescer o ânimo à pessoa...







99. Força moral



Preciso consagrar-me ao metro antigo,

Pois dá mais segurança o resultado.

Por isso é que esta rima retrogrado

E ponho-me à vontade mais comigo.



É claro que me exponho e não me enfado

Que o texto resultante do castigo

Irá trazer um ganho ao doce amigo

Que me ajudar a difundir tal brado.



É forte esta moral e nobre a tese

De que disponho o amor em rica rima,

Porém, o mestre quer que se reveze



A turma dos alunos, pois estima

Que a trova mais formosa leva à ascese

A quem pratica o bem e a dor sublima.







100. Oferta pessoal



Não primo pela rima mais simpática

Nem dou de mim de forma contundente,

Mas sei que o tema exige desta gente

Que o vate tenha brio, luz e didática.



Renovo, assim, meu tom constantemente,

Seguindo a sisudez desta gramática

De forma pouco audaz e pouco prática,

Tornando bem fraquinho o que se sente.



E o verso ganha foros de verdade,

Se chega cadenciado, em rica rima,

Pois tudo que hoje emprego persuade



Que tenho pelo verso grande estima,

No entanto, quando existe quantidade,

O fim, sem chave d’ouro, se aproxima...







101. Em forma de parábola



Um dia, o fofo linho se espantou

De ver a maciez da leve pena.

Achou que não cabia mais na cena

E, cabisbaixo e triste, se apartou.



“Querido, não desprezes mais a arena

Em que terçamos armas, rude show.”

O pobre ouviu a voz e então chorou:

“Bem vejo que este orgulho me envenena.



Não vou mais reclamar da minha sina,

Pois posso usufruir de boa sorte,

Que a luta pelo bem também ensina.”



Foi quando doce voz, de acento forte,

Pregou a paz na Terra e a disciplina:

“O coração dos bons sabe o seu norte!”







102. Sentimento do belo



Eu sei que a tal palavra é estesia,

Que devo mencionar, conforme a rima.

E soa muito bem e já sublima

A condição da dor que me afligia.



Ocorre que não dou para obra-prima

E vou levando o texto em nostalgia

Do enlevo que gozava e que sentia,

Ao ler e interpretar na pantomima.



Agora uma lição deve restar

Da trova, embora esteja muito fraca:

É como a luz que torna a noite opaca.



Se houvesse sol aqui neste lugar,

Aposto que era a sombra o tema eleito,

Pois é preciso um dom que eu não suspeito.





103. Faculdades e retórica



Não penso que inda esteja mui distante

O tempo de encerrar minha jornada.

Agora esta poesia é quase nada.;

Mais tarde há de valer um diamante.



Emprego o meu talento e se degrada

O texto que criei, embora adiante

A trova em mais um verso, tão pedante

Que a turma aqui segura a gargalhada...



É claro que me estimo e tenho brio,

Que sinto estar honrado junto à mesa,

Embora me perpasse um calafrio...



Eu gosto deste feito, que a proeza

Eleva o meu astral, pois desafio

As normas da poesia e da beleza.







104. Lucros incessantes



Não peco pelo tema em pobre rima,

Mas peco pela rima em nobre tema:

Embora a diretriz cause problema,

O tronco da doutrina mais me anima.



Ocorre que não vou mostrar suprema

Desenvoltura e luz que o mal sublima.

Apenas vou dizer que tenho a estima

De algum leitor perdido, o que me algema.



Se após milhões de versos eu me veja

Cercado de uns amigos pelas trovas,

Graças darei ao Pai quanto à peleja.



Por ora, vou trazendo esta alegria,

Que sempre, ó coração, tu me renovas,

Ao dar co’a chave de ouro que nos guia...







105. O alfarrábio



Estranhei que o bem houvesse

Resistido nas palavras,

Em formato dumas lavras

De alfarrábio que se esquece...



Ó coração, que azinhavras

O livro que ali padece,

Por que não ergues a prece

Em vez do dom que escalavras?!...



O meu texto terminei,

Cumprindo a mais nobre lei,

Mas isto foi há mil anos.



Hoje encontrei o alfarrábio,

Que me pareceu de um sábio,

O maior dentre os humanos...







106. Espantando o Belzebu



A lírica do verso que hoje escrevo

Não cabe na emoção que me arrebata,

Por isso é que dos termos ando à cata,

Embora perguntando o quanto devo.



Os nós da minha escrita o amor desata,

Pois firo o preconceito e mais me atrevo,

Deixando o meu parceiro sem enlevo,

Apenas no resguardo da bravata.



Então os meus leitores vão embora,

Sabendo que este vate ainda chora

O pranto mais sentido e mais profundo...



O Belzebu, contudo, mais se anima,

Pois sabe que me perco nesta rima:

No fim acaba em lágrimas, jucundo...







107. Nem simples nem direto



Não gosto de escrever com tal clareza

Que logo se desperte para a dor.

No entanto, como ser superior,

Se tudo se desfaz junto a esta mesa?!...



Estimo que me ajudem a compor

Milhares de parceiros — que proeza!

Ocorre que esta história de beleza

Existe desde sempre, em seu valor.



Desminto neste verso o pensamento

E dou por encerrada a dócil obra,

Pois mais do que um terceto não agüento...



Mas o meu mestre amigo se desdobra

E põe sob meus olhos o argumento

De que o veneno não destrói a cobra...







108. Falando mal da vida alheia



Não queira surpreender o mau poeta,

Ao aspirar o encontro desse vício.

Não leia pelo título, que o início

Não pode dar idéia tão completa.



É de você que falo, ó estrupício,

Que toda idéia boa risca e veta,

Porque não se conforma que um esteta

Componha livremente este exercício.



Compreenda, por favor, que tenho gana

De aqui deixar o belo recheado

De teses doutrinárias, pois humana



É sempre a pretensão de ser de agrado:

Se a fórmula do verso se engalana,

É certo que também não retrogrado.







109. A candeia



Pretendo iluminar co’a minha rima

A estrada do leitor que me acompanha,

No entanto, esta emoção é tal, tamanha,

Que acabo perturbando este bom clima.



Então, componho versos e se acanha

O pobre que me lê e não se anima,

Achando que o que faço mais vitima

A trova tão confusa e tão tacanha.



Outrora eu me sentia bom poeta

Apenas por montar certos esquemas,

Jogando co’as palavras que hoje veta



O mestre que me assiste e me consola.

Ó coração, eu sei que não me algemas,

Mas, por favor, conforta este que chora...







110. Meu senso crítico



Não tenho de dizer como me sinto,

Mas tudo quanto escrevo leva a isso.

É sério quando existe o compromisso

De me deixar levar só pelo instinto.



Assim, a rima presta o seu serviço

Apenas comungando, quando pinto

As sensações de dor, por ser retinto

O verso que componho, mesmo omisso.



As rimas sempre em i são mais agudas,

De forma, coração, que hoje me acudas,

Facilitando a trova dessa forma.



As rimas se esparramam, quando aberto

Eu deixo o som e mostro quanto acerto,

Ao vir trazer as luzes de tal norma...







111. Consagrado ao amor



Não verto muita luz no meu poema,

Porque me falta a mim, que estou no escuro.

Mas tenho um pensamento muito puro,

E vejo com clareza o meu problema.



Se faço algo importante, eu logo juro

Que vou passar aos outros tal esquema.;

Mas se a dificuldade for suprema,

Contorno a falha minha, mais seguro.



Assim é que este verso se apresenta,

De forma bem sucinta e resumida,

Trazendo um conteúdo que se alenta



Pela presença muda desta lida,

Que exige bom trabalho e se acrescenta

Das luzes que recolho de vencida.







112. Receitas e despesas



Atribuo ao valor da minha rima

O mérito das trovas que componho.

Não sei deixar um verso mais risonho,

Mas busco conquistar a sua estima.



Poemas que se esperam, com que sonho,

Deixados sem a luz que o bem arrima,

Não chegam ao seu fim, pois desanima

O vate que os fabrica tão bisonho.



Assim, vamos chegando ao verso d’ouro

Que abriga a chave do mistério vago

De quem apenas tenta, sem desdouro,



Montar algum soneto, como eu trago,

Sem dons e sem primores de tesouro

Moral ou material, pois este eu pago.







113. Negócio fechado



Não quero perturbar o nobre amigo

Que busca compreender nossa doutrina,

Mas digo que ela exige disciplina,

O que meu mestre faz também comigo.



Se o verso que componho já se inclina

Por algo bem melhor, por seu castigo,

Assim vou revelar que já me abrigo

Dos males do improviso e da endorfina.



Sossego, calmaria e muita paz,

Na zona em que trabalho com amor:

Procuro melhorar, pois sou capaz



De demonstrar orgulho superior,

Não desses de quem se acha mais sagaz.;

Daqueles que permite o Bom Pastor.







114. Água de beber



Quisera ter a força duplicada,

Ao redigir os versos que castigo.;

Mas trago tanta dor aqui comigo

Que a lágrima que choro é quase nada.



Assim, por entre o pranto, já bendigo

A trova que componho e que me agrada,

Que os sons não se atropelam, posto aguada

Esteja a rima presa ao modo antigo.



Sedento, o caro amigo que me lê

Ainda sente o hálito do amor,

Na prece que recita sem porquê.



Às vezes, o sentir nos causa dor,

Enquanto aqui brincamos com você,

Na ânsia de agradar Nosso Senhor...







115. Ao sol da verdade



Pareço transigir com os maus versos?

É que não tenho agora minhas rimas.

Não quero aqui compor só obras-primas.;

Também não vou mostrar só dons perversos.



Sou médio e companheiro, se me estimas,

Amigo meu leitor, que tem imersos

Os sentimentos bons, incontroversos,

Nas chamas da bondade em que te animas.



Não faço por maldade este poema

Repleto de figuras compreensíveis,

Pois sei que o devem ler todos os níveis.



Apenas, favoreço que o sistema

Atenda as pretensões do bom amigo

Que reza sob a luz do bem comigo.







116. Otimismo sob controle



Quem quer compor um verso bem bacana,

Exagerando um pouco o próprio dom,

Alcançará fazer algo de bom,

Se avaliar toda a fraqueza humana.



Talvez não fique justo e belo o som,

Pois nosso ouvido às vezes mui se engana.;

Então, o pensamento se engalana

E leva para a rima o melhor tom.



Tudo o que trago aqui é verdadeiro:

É só contar as sílabas primeiro,

Examinando as pausas deste metro.



Por que não calaria alguma idéia

Que ofendesse a turma da assembléia,

Se apenas desejasse o nobre cetro?







117. A natureza



Não sei se é natural compor poesias,

Tornando o tema alegre e deleitável,

Mas venho aqui expor, de modo afável,

A dúvida que trago há vários dias.



Eu sei que existe fórmula agradável

De se aplicarem forças e energias,

Mas, caro coração, o que querias

Que aqui fizesse um vate deplorável?!...



No entanto, vou deixando um rastro amigo

De quem avisa os trancos do perigo

Da caminhada trôpega, insegura.



Ocorre que esta estrada tem ciladas

Que tu irás saber que são armadas

Na pretensão de auxiliar a cura...







118. Arrebatado pelas idéias



Não venho questionar o bom amigo

Que se atrever a dar um parecer

Respeito a este serviço e ao dever

Que cumpre o mau poeta sem castigo.



Reverto a informação, pois meu poder

É quase permanente neste abrigo

De fórmulas e métricas, perigo

Que vou vencer agora a bel-prazer.



Ateio a chama forte da virtude

E peço a quem não tem que mais estude

Os temas da doutrina espiritista.



Amar a Jesus Cristo não é tudo,

Mas digo que sem esse amor não mudo

A condição de ser feliz o artista...







119. Vertentes da fé



Não creio que meu verso lhe desperte

Os vezos da alegria deste mundo,

Porém, como hoje tenho um dom profundo,

Não posso contentar-me estando inerte.



Bem sei que a compaixão com que confundo

A mente atribulada mas solerte

Me faz discriminar quem mais acerte,

Valendo-me de um verso vagabundo...



Não quero estipular qualquer verdade

Que o medo de falhar minh’alma invade.;

Por isso, dito a rima explicativa.



Bem sei que trago a dor no compromisso

De vir prestar-lhe, amigo, um bom serviço,

De sorte que esta trova sobreviva.







120. Concórdia



Afeito a vir compor um simples verso,

Não trago o coração muito dorido.;

Por isso, com o tema sei que lido

De modo artesanal, quase perverso.



Repito a velha rima e não duvido

Que o faça sem cuidado, mui imerso

Nas dúvidas atrozes do universo,

Que o bem desta proposta aqui divido.



Antigamente, eu punha mais vontade,

Querendo mais artístico o poema.

Agora que esta paz minh’alma invade,



Não vejo na razão nenhum problema.

Então, peço a Jesus a caridade

De dar-me alguma luz, brandura extrema...



Indaiatuba, de 19.11.01 a 23.05.02

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