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Contos-->QUANDO O AMOR NÃO ACABA - I -- 26/05/2004 - 18:26 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
QUANDO O AMOR NÃO ACABA - I

Sei que quanto mais no tempo nos afastamos de um fato, menos preciso se torna a lembrança dos acontecimentos. Ainda mais quando o peso da idade é fator considerável. Mas, no meu caso em especial, nada disso é capaz de prejudicar minhas recordações. Eu ainda posso narrar detalhes de forma tão precisa como se acabassem de ocorrer. Mas os fatos que pretendo contar fazem parte das minhas mais remotas lembranças.
Fazer tais confissões é-me tortuoso, e arranca lágrimas de meus cansados olhos. Aliás, fosse melhor não fazê-las. Na minha idade porém, depois de tentar de todas as formas por uma pedra no passado e esquecer aqueles momentos de intensa felicidade, não me resta outra alternativa a não ser colocá-los no papel. Não sei se isso vai fazer eu me sentir melhor, todavia estou decidido a fazê-lo.
Quando mais uma vez a saudade bateu em meu peito, eu disse: -- chega, não posso mais viver sob a sombra desse passado. Estou com cinquenta anos e não tenho mais idade para viver de lembranças.
Só então me ocorreu a idéia de falar sobre aqueles tempos. E é isso que pretendo a partir desse instante. Será uma tarefa árdua e tortuosa, mas irei fazê-la assim mesmo!
Tudo começou ao acaso. Aquele domingo não era um domingo diferente de qualquer outro, não era um dia especial, a não ser num detalhe: eu havia viajado para Juiz de Fora passar uns dias de férias. Fora isso, aquele dia era para ter sido um dia como qualquer outro.
Eu estava na casa de minha avó, quando minha tia me convidou para ir à uma festa num pequeno lugarejo chamado Santa Paula. Naquele domingo comemorava-se o dia da padroeira do lugar. E, como de costume, fazia-se uma grande festa com diversas atrações.
Por volta de quatorze horas partimos.
Quando entramos em Santa Paula a rua principal esta toda enfeitada de bandeirolas. Havia também diversas barracas de bambus e cobertas com lonas. Vendia-se de tudo nessas barracas. Aquelas em que havia algum tipo de jogo estavam mais cheias.
Não tardou para que eu encontrasse velhos amigos. E, enquanto o volume de pessoas ia crescendo, procurávamos nos divertir nas barracas.
Quando a noite começou a cair, o coreto já estava cheio de gente. Pessoas gritavam, festejavam, dançavam ao som da banda. Algumas nem mesmo aguentavam sobre suas pernas, por terem exagerado na dose. Tornava quase impossível de se ouvir o que ele estava a arrematar.
Não aquilo fosse novidade para mim. Não, não era. Contudo, faziam anos que não participava de uma festa dessas. Assim, resolvi me apertar no meio daquelas pessoas e assistir ao leilão de prendas. Tudo parecia muito divertido. Eu só não esperava que naquele local estaria o grande amor da minha vida.
Sentada no muro do coreto, estavam duas jovens conversando alegremente com alguns rapazes. Uma delas estava vestindo uma jaqueta preta de nailon e calça branca. Talvez tenha sido esse contraste entre a calça e a jaqueta que primeiro chamou a minha atenção, pois da outra não me recordo nem mesmo da aparência.
Quando meus olhos descaíram sobre ela, senti algo muito forte atingir-me o peito. Meus olhos brilharam, a face tornou-se rubra e o coração acelerou. Fiquei desconsertado. E, apesar da timidez, arrematei uma garrafa de vinho tinto e mandei que lho entregassem.
Ela me convidou para ajudá-las a tomar o vinho. Aproximei-me um tanto sem jeito e então iniciamos o que seria o mais inesquecível encontro de minha vida.
A princípio, tive dificuldade em entabular uma conversa, mas a medida que a garrafa de vinho se ia esvaziando, eu ia me soltando.
Seu nome era Diana. Contou-me que mudara para Santa Paula na mesma época em que eu tinha partido; e que agora seu pai era dono de um bar a poucos metros dali.
-- Eu já tinha ouvido falar de vocês. Seus pais são muito queridos aqui nesse lugar. Mas eu nunca imaginava encontrá-lo.
-- Às vezes, as coisas acontecem quando a gente menos espera -- falei.
Pouco depois resolvemos sair dali e ir conversar em outro local.
Eu mal a conhecia, mas estava caído por ela. O estado de felicidade em que me encontrava não tinha limites, não poderia ser descrito ou experimentado por ninguém nesse mundo. Eu já me enamora por outras garotas e achava que as amara, mas nada era comparado ao que sentia naquele instante. E algo dentro de mim dizia com todas as letras que eu havia encontrado a minha outra metade.
Os copos de vinho e martini removeram minha timidez; assim, tornei-me desinibido e falador, algo inadmissível sem o efeito do álcool. Isso contribuiu consideravelmente para o desenrolar dos fatos.
Andamos por alguns metros e então peguei na mão dela. Ao sentir seus dedos no meio dos meus, uma corrente elétrica indescritível percorreu meu corpo. Foi a sensação mais gostosa que havia experimentando até aquele instante. Eu parecia leve como uma pena e a sensação que tinha era de que tocava levemente o solo.
Não sei o que ela sentia, o que se passava em seu coração; mas creio não ser algo tão diferente, pois eu via o intenso brilho de seus olhos.
Demos alguns passos e resolvemos parar onde minha tia havia estacionado o carro. Encostei nele e ficamos frente-a-frente. Por alguns instantes, não houve diálogo, somente uma troca de olhar. Mas foi um olhar capaz de dizer mais que milhares de palavras. Sem que me apercebesse, nossos corpos foram se aproximando, até que nossos lábios se tocaram num beijo longo e demorado.
Foi um beijo do qual eu não sei expressar o que senti. Na verdade, eu não tenho e não conheço palavras capazes de expressar o que ocorreu comigo durante aquele beijo. Sei que as forças pareciam me faltar. E eu tinha a sensação de que vivia num mundo paralelo, onde as emoções eram experimentadas ao extremo, onde só existia a felicidade e o prazer, onde o sofrimento e a dor eram algo totalmente desconhecidas.
E durante uma hora e meia ficamos ali.
Das palavras ditas, eu quase não me recordo mais. Deviam ser coisa frívolas, sem muita importância; Aliás, não foram tantas assim. Não havia motivos para se desperdiçar tempo com palavras, quando os gestos eram o bastante.
De tudo que me recordo daqueles momentos, apesar de já transcorrerem tantos anos, um pequeno incidente ainda permanece fresco em minha memória.
Fazia frio, muito frio; e quanto mais a noite avançava, mais o frio aumentava. E para nos proteger, ficávamos agarrados um ao outro. Eu havia trocado de lugar com a Diana e ela estava encostada ao carro e eu abraçado à ela por baixo da jaqueta, a fim de esquentar as mãos. Não sei quanto a ela, mas eu estava muito excitado. Não! Eu não estava pensando em sexo! Tudo não passava duma reação normal.
Mas eu devo ter me empolgado demais. E de repente a apertei com força contra o carro. Então ela disse:
-- Calma! Não seja tão apressado, gatinho!
Ainda tenho essas palavras cunhadas em minha mente.
Fiquei por demais envergonhado e me contive. Mas isso não evitou que mais tarde viesse a fazer a mesma coisa.
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