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Crônicas-->MENELAU, O ORÁCULO -- 06/09/2000 - 18:56 (Nelson de Medeiros Teixeira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos



Menelau, em que pese a valentia, não era essencialmente o protótipo do rei espartano que lhe emprestara o nome. Mesmo porque nenhum Páris da vida havia lhe roubado a mulher. Também não era o que se poderia chamar de covarde na acepção do termo, porque covardia mesmo o Menelau só tinha com relação a trabalho. Isso eu não posso deixar por menos, porque positivamente trabalho não era o forte do Menê. Aliás prá ser franco ele tinha ojeriza até da palavra. Não era, ainda, e isso eu posso afirmar, o que se poderia chamar de alcoólatra inveterado. Nada disso... Gostava de uma branquinha, lá isso gostava... Mas alcoólatra, isso não. Um “pinguço” respeitado, diríamos...
O Menê tava sempre duro. Aliás faltava constantemente no emprego público que tinha porque era imperioso ganhar o sustento dos seus, os quais, diga-se a bem da verdade, ele tratava muito bem. Só que entendia que era nas serestas que devia ganhá-lo. Corria os bares noite e dia, sempre com o violão a tiracolo, extravasando seus instintos de cantor frustado. E ganhava lá seus cobres nas madrugadas...
Houve um tempo em que pensei que o Menelau não se enquadrava em nada na vida. Quer dizer, difícil caracterizar o cara.
Quem matou a charada foi o próprio Menê quando me confessou, um dia, que era um paranormal... Aliás, prá dizer na batata as palavras dele devo dizer que ele me confessou, muito sério e compenetrado, que era, simplesmente um Oráculo. Isso mesmo, um oráculo !
-Pode? Pensei cá comigo.
Devia poder, pois o Menelau entusiasmou-se e desandou a contar os sonhos com dezenas, centenas, milhares etc.
-Sabe, cara. Todas as noites eu tenho visões de números inteiros. Almas descem prá me dizer que ainda vou acertar no bicho. Quando, eles não dizem, mas sei que vou ganhar muito em breve. Tô cada vez mais perto. Esquentando. Outro dia, por exemplo, joguei 1345 e deu 1346.
E foi ai que eu acabei descobrindo o verdadeiro ideal do menê, o seu grande sonho. Ganhar no jogo do bicho. Não vivia pra outra coisa. Eu acho até que ele nem fazia questão de ganhar na milhar. Até no grupo servia. A idéia fixa dele era ganhar no bicho, nada mais.... Certa vez me disse que ficava horas a fio sonhando com a morte de algum político famoso prá ter um número...
Um dia me procurou o Menelau... Tava meio eufórico, esbaforido. Tinha sonhado que o dia dele chegara. Alguém havia aparecido na noite anterior e selado a sorte. “- Hoje tu ganhas... Joga tudo que dá.
Queria trocar um cheque porque o bicheiro num aceitava cheque. Um cheque dele... – Cheque quente – dizia...
E toca o Menelau, desesperado, rodando de boteco em boteco, na ânsia de trocar o famigerado cheque, afim de poder jogar na milhar sonhada.
Pediu, implorou, jurou que o cheque era quentíssimo, que tinha dinheiro às pampas no banco, etc.
Até que finalmente conseguiu passar o papel. Aliviado, em cima da hora, na certeza de ficar rico, sapecou tudo na tal milhar...
À noite o resultado: o número jogado num deu.... Nem nos 12, mas o do cheque deu na cabeça...
O Menelau parou de jogar... Mas o cheque até hoje não parou de voar...

Nelson de Medeiros Teixeira
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