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Ensaios-->VARIAÇÕES SOBRE O PONTO DE INSUSTENTABILIDADE -- 24/08/2009 - 10:53 (rodrigo mendes delgado) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

VARIAÇÕES SOBRE O PONTO DE INSUSTENTABILIDADE DO RELACIONAMENTO HUMANO


Todas as pessoas são livres. Nascem nesta condição, e assim devem permanecer ao longo de suas vidas. Nada pode ou deve impedir este fundamental direito da pessoa humana. A liberdade é uma das condições de sacralidade do homem.

Aqui o termo liberdade deve ser entendido em seu mais amplo aspecto, englobando o direito da pessoa ser o que quiser ser, acreditar no que mais e melhor lhe convir e agir de tal forma que a máxima de seu pensamento possa lhe valer como princípio de uma legislação universal.

Liberdade, este é o estado de vida plena. A felicidade apenas pode ser sentida e vivenciada pelo homem livre, que tem consciência de que nada pode impedir o mesmo de ser aquilo que opta por ser.

A liberdade se faz sentir, nos mais variados vértices da existencialidade humana. Toma especial destaque a questão relacionada à crença. A crença se traduz no ato ou efeito de crer em algo, de acreditar em determinados princípios orientadores do destino do mundo e de seu funcionamento, fé religiosa, convicção íntima, opinião adotada com fé e convicção, ou ainda, “forma de assentimento que se dá às verdades de fé, que é objetivamente insuficiente, embora subjetivamente se imponha com grande convicção” (definição filosófica e expressão do dicionário Aurélio).

Mas, acredito que, em nenhum outro ponto a questão da liberdade ganhe mais relevo, do que na que diz respeito à convivência humana. Na espécie de liberdade que deve permear a inter-relação entre as pessoas. Entre pessoas que pensam de forma livre e que se respeitam mutuamente. Não existem verdades absolutas, mas verdades relativas, percebidas, contadas e interpretadas conforme a subjetividade de tantos quantos intervenham no fenômeno existencial.

Cada pessoa que toma contato com um determinado preceito, tem a liberdade de interpretá-lo da forma como melhor lhe aprouver, desde que, referida interpretação não desrespeite o ponto de vista de seu semelhante.

Como não existem verdades absolutas, pelo menos não perceptíveis pelo espírito falho do homem, ninguém pode se assenhorear de seus preceitos.

Todos, indistintamente, têm o direito à manifestação do pensamento, sem qualquer forma de opressão, ou desrespeito.

Assim como não podemos nos assenhorear dos pensamentos de ninguém, também não podemos pretender assenhorear-nos das pessoas, em si mesmas consideradas. Ninguém é dono de ninguém. Somos espíritos livres, viajores das infinitas existências e dos mais variados mundos, em busca do auto-aperfeiçoamento moral.

Maridos não são donos de suas esposas, esposas não são donas de seus maridos, filhos não são donos de seus pais, assim como estes não são donos de seus filhos. AS PESSOAS SÃO LIVRES. E entender isso é uma forma de libertar-se do ego que escraviza e oprime.

Por várias razões, de cunho psicológico as mais das vezes, as pessoas constroem realidades paralelas para si mesmas e, num ato de desespero, pretendem que todos ao seu redor façam parte deste mundo. Um mundo ilusório. Isso é um ato de egoísmo. Egoísmo, consoante o léxico, significa: “1. Amor excessivo ao bem próprio, sem consideração aos interesses alheios; 4. Ética. Doutrina que considera como princípio explicativo dos preceitos morais, e como princípio diretor da conduta humana moral, o interesse individual; 5. Ética. Amor exclusivo e excessivo de si, implicado na subordinação do interesse de outrem ao seu próprio”.

Uma pessoa egoísta pretende que tudo lhe pertença, inclusive a vontade de seus semelhantes. As pessoas, para o egoísta, têm que subordinar seus interesses aos dele. O que impera é a vontade individualizada e individualizadora da pessoa que pretende o controle de tudo e de todos. Falta o ingrediente fundamental do relacionamento humano, o RESPEITO.

O egoísta não consegue perceber que cada pessoa é distinta uma da outra, com vontades próprias e com desejos próprios. Que o fato das pessoas não concordarem com seus desígnios e suas vontades, além de seus caprichos e ordens, quase deificados, significa apenas, que as pessoas têm, independentemente de sua vontade, personalidade própria.

Não é incomum o caso de mães que querem controlar absurdamente a vida de seus filhos. Isso ocorre, porque estas pessoas não aprenderam a respeitar a individualidade do outro. Não aprenderam a aceitar que, muito embora o filho tenha saído de seu ventre, de suas entranhas, aquele ser que veio à luz é detentor de personalidade própria e que precisa ser respeitado. AFINAL, NUNCA É DEMAIS LEMBRAR QUE NINGUÉM É DE NINGUÉM.

Esta situação surge porque, a mãe, neste estado psicopatológico de dominação, vê no filho apenas um apêndice de seu corpo. Estas pessoas gostam tão pouco de si mesmas e acreditam tão pouco em seu potencial de poder gerir a própria vida, que criam a ilusão de que não tem o controle de nada. Aliás, chegar a conclusão de que não temos o controle de tudo é mais do que apenas uma constatação, é um ato de sabedoria e de compreensão da realidade. NÃO PODEMOS CONTROLAR NINGUÉM, E, EM MUITAS OCASIÕES, NEM A NÓS MESMOS. Só há uma verdade eterna, a impermanência. Tudo muda, tudo flui, tudo se transforma, tudo se metamorfoseia.

Pessoas que não se amam o suficiente têm que criar mundos paralelos para poderem dar sentido às suas existências. Não raras vezes, este mundo paralelo é um mundo de dominação, porque somente quando se sentem dominantes, estas pessoas sentem que suas vidas têm algum sentido, porque vida imprevisível, sem controle, ou sem submissão das vontades alheias às próprias, não tem significado algum.

Algumas pessoas criam suas ilusões que, ilusoriamente e de forma precária, dão algum sentido às suas vidas (vazias). Para que continuem a ter o controle, precisam submeter a tudo e a todos à sua vontade. Se isso não ocorre, se frustram. E referida frustração pode se manifestar nos mais diversificados atos. Muitas fazem cenas para tentar chamar a atenção.
Estas situações são, inquestionavelmente, formas patológicas de existir. Posto que, somente uma vida livre pode ser considerada saudável.

Estas pessoas precisam de ajuda.

Estes comportamentos configuram o que chamo de “ponto de insustentabilidade”. No caso ora analisado, estas situações configuram o ponto de insustentabilidade do relacionamento humano.

Quando deixamos de nos respeitar, as estruturas éticas e morais do relacionamento começam a ruir e, por conseguinte, a sofrer um processo paulatino de desestruturação. Diante disso, o desrespeito se impõe, a intolerância impera e a violência, sob suas mais variadas formas, se manifesta.

RODRIGO MENDES DELGADO
Advogado e escritor.




 

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