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Erótico-->23. FIAPOS DE CONVERSAS -- 29/09/2003 - 08:03 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Entre Margarida e Plínio:

— Querido, por que você “depenou” a casa?

— Eu não tinha como manter tudo em ordem, tudo arrumadinho. Então, simplifiquei as coisas para mim.

— Sabe que eu estava pensando em fazer isso mesmo?

— Não acredito. Você sempre quis móveis e utensílios. Não passava uma semana que você não comprava alguma novidade.

— Mas passou pela minha cabeça que, se a gente não tivesse tanto badulaque, podia ver o que estavam fazendo as crianças.

— Pelo menos eles não tinham tantos lugares para esconder as drogas que a polícia achou.

— Foi isso o que fez o meu marido vender tudo.

Plínio passava por fase de forte sensibilidade, tanto que as lágrimas não custaram a brotar.
— Agora vamos ter de comprar tudo de novo e não temos dinheiro. As reservas eu tenho economizado, porque não quero pedir dinheiro emprestado a ninguém.

— Puro orgulho.

— Talvez, mas, se o negócio do escritório não der certo, vamos ficar com uma mão na frente e outra atrás.



Entre Moacir, Silvinho e Plínio:

— Plínio, falo em meu nome e no do Silvinho. Você está nomeado presidente e, por isso, vai ter a responsabilidade de organizar as nossas próprias contas.

— Foi bom vocês mencionarem a contabilidade da empresa. Ocorreu-me, o que vocês também devem ter imaginado, que a clientela vai chegar pedindo para que os “jeitinhos” sejam dados...

Silvinho observou:

— Não creio nisso. É verdade que a idéia me passou pela cabeça, mas acontece que as pessoas sabem que nós somos espíritas. Significa que confiam em nossa honestidade e na lisura das demonstrações contábeis para o fisco.

Moacir acrescentou:

— E se alguém aparecer querendo isto e mais aquilo, simplesmente, recomendamos o escritório mais próximo. Eu acho que muitos comerciantes espíritas vão dar graças a Deus por haver quem tenha as mesmas convicções.

Foi a vez de Plínio:

— Do jeito que estamos colocando as coisas, vamos acabar criando a mesma “igrejinha” que nos pôs porta afora da companhia...



Entre Anacleto e Ovídio:

— Que foi que o Bispo queria com você?

— Ele me pediu para dar meu testemunho em todos os templos da cidade. Se me sair bem, vou crescer aqui dentro.

— Vai entrar na “mufunfa”...

— Vamos entrar, maninho, que vou querer que você me ajude na “campana” de tudo o que se passa aqui dentro.

— E o tráfico?

— Esqueça. A polícia tem os nossos nomes. Os ratos estão procurando o queijo. Se nos pegam, “babau”! Principalmente agora que completei os dezoito. É melhor aproveitar esta moita alta: o Moisés prometeu dar cobertura. Ele sabe de tudo mas não vai entregar ninguém. Quer ver que proveito pode tirar da gente.

— De você, porque de mim...

— Não ponho a mão no fogo. Ele me deu um banho e me deixou de boca aberta. Mostrou que, quando eu vou indo, ele já está de volta. O “cara” é demais.



Entre Ariovaldo e o contestador:

— Ariovaldo, estive pensando se não teria sido melhor não ter colocado a cópia do Evaristo aos olhos do povo.

— Você deve estar pensando o mesmo que eu. Criamos um problema sério, porque as pessoas estão perguntando quem foi o médium que apanhou um ditado tão direto. Não vai demorar e a casa vai se encher de gente curiosa, querendo saber como estão os entes queridos do outro lado, especialmente depois do caso do filho dele.

— Por isso, eu acho que não devo falar a respeito do sagrado nome do apóstolo João. E se a turma achar que foi ele mesmo quem veio incentivar o desejo, a ganância ou a presunção de que alguém possa ocupar o lugar que o Chico está ameaçando deixar vago?

— Você está sabendo que diversos médiuns estão assinando as mensagens com os nomes de “Emmanuel”, de “André Luiz”, de “Scheilla”, de “Meimei”, do “Bezerra de Menezes”, do “Irmão X” e outras entidades que usavam os serviços do médium mineiro?

— Eu li outro dia um poema assinado por “Maria Dolores”.

— Você, que é tão crítico, o que achou dele? Acha que é o mesmo espírito que veio comunicar-se?

— Se é o mesmo espírito ou não, é muito difícil de dizer. O que é mais fácil, como insisti no caso do Plínio, é reconhecer que existem graves problemas métricos e de composição poética.

— O que quer dizer...

— Quer dizer que os estilos não correspondem. Veja que não estou fazendo referência, por exemplo, aos poemas de Auta de Souza, viva e desencarnada, o que é possível de cotejar, como de tantas expressões da literatura que se encontram no “Parnaso de Além Túmulo”, a mais completa obra de poesias mediúnicas, publicada ainda nos albores das produções do Chico. Estou falando de textos de mesma procedência, ou seja, só transmitidos do etéreo.

— Conclusão: você não vai querer falar a respeito da assinatura mas dos problemas afetos ao eventual substituto do mais fértil e produtivo médium que se tem conhecimento...

— Se o meu amigo Ariovaldo me concede o direito de direcionar a palestra para um campo que não vai fomentar um vão interesse pelo médium...

— Não tenho nada contra, a não ser que muito pouca gente vai prestar atenção aos seus comentários eruditos. Aliás, preciso pedir-lhe desculpas, porque, outro dia, na reunião, desconsiderei mentalmente a sua cultura e estou vendo agora que me equivoquei. Veja se me perdoa, por favor.



Entre Timóteo e Aurélia:

— Relinha, o Bispo Moisés me revelou completamente os segredos do seu namorado.

— O Cleto foi sempre sincero comigo. Tudo que o senhor está sabendo eu sei desde o primeiro dia.

— Quanto à cor dos cabelos...

— Nem precisava dizer. É fácil de saber que aquela cor não combina com a pele. Ele me disse que pintou para não ser encontrado pela polícia, por causa do irmão que feriu um delegado.

— Por que você não contou tudo para mim?

— Contei para a mamãe. Deixei por conta dela passar para o senhor.

Timóteo imaginou a esposa explicando-se: “Não disse nada, mas rezei muito ao Senhor, para que as coisas fossem postas no lugar. Agora, agradeço a Deus por me haver atendido, estando tudo revelado.” Foi assim que resolveu passar adiante:

— Muito bem, você acha que ele está sendo sincero? Será que está gostando mesmo de você? Ou “cheirou” que, sendo filha única...

— Hoje em dia não há mais casamento com comunhão de bens.

— Você fala com tanta frieza! Será que gosta realmente do moço?

— Você não é mulher, papai, e nem desconfia como é que a gente olha para os rapazes. Tenho certeza de que, se eu abrir mão dele, as outras vão cair em cima, agora que apareceu na igreja.



Entre Moisés e o delegado:

Assim que comprovou que Anacleto era bem capaz de comover com seu testemunho de redenção, ao qual ia acrescentando palavras cada vez mais candentes de arrependimento e de compreensão dos mandamentos bíblicos, só não citando os Livros Sagrados por proibição expressa de Moisés, que argumentava que tais excertos deveriam ser reservados aos pastores, o bispo decidiu procurar o delegado ofendido.

— Doutor, tenho Ovídio nas mãos, aquele mesmo que lhe atentou contra a vida. Sei que existe um processo pendente, mas também conheço a demora da Justiça, de modo que é certo que o rapaz ficaria detido até completar a maioridade. Tenho também comigo o irmão mais velho, Anacleto.

O delegado não estranhava a presença da autoridade religiosa, visto que muitas vezes recebia apelos no sentido do relaxamento das investigações e das prisões, contudo, fez questão de conhecer o motivo do interesse do bispo:

— Não me consta que a família desses marginais tenha laços com pessoas tão importantes como Vossa Reverendíssima. Esclareça-me o ponto, por gentileza.

— Em primeiro lugar, chegou-lhe ao conhecimento, Doutor, que o irmão deles, o caçula, morreu por “overdose” de cocaína?

— Sim, tanto que abrimos mão de cobrir as atividades do pai.

— Esse coitado perdeu o filho, o emprego e viu a mulher endoidecer.

— Os seus informantes são bons, Eminência.

— Que foi que o senhor apurou a respeito, Excelência?

Tratavam-se com especial urbanidade, mas Saldanha, que viera no interesse de se informar do resultado da entrevista, divertia-se com as vibrações opostas que, em ondas de desconsideração, emanavam pelo ambiente espiritual ao derredor. Se pudesse, o benfeitor faria com que terminassem com a comédia, dando-lhes a medida exata da falsidade das mesuras sociais.

— Sei que o meu agressor saiu da cidade, na trilha em que se abastece o grupelho a que pertencia. Fora da minha jurisdição, não me preocupei com o “pivete”. Tenho para mim, com a devida vênia, que, velho chavão, o criminoso sempre volta a visitar o local do crime.

— Posso imaginar que, se Ovídio ficar uns três anos fora, quando regressar, vai topar com o Doutor no caminho?...

— Não pelo fato de me haver atacado. O que eu quero referir é que a maldade desses adolescentes não se cura com facilidade. Ele vai voltar pior, porque já aprendeu muita coisa mais onde ficou quase um ano, a menos que o senhor me garanta o contrário, responsabilizando-se por ele.

— Não vou chegar a tanto. Vim para solicitar de Vossa Excelência, que exerce suas atribuições com probidade e rigor, que suspenda as buscas, enquanto a igreja mantiver os dois sob controle. Se desandarem, se voltarem a delinqüir, lavo as mãos como Pilatos e entrego-os às autoridades, com a consciência tranqüila.

O delegado sentiu as vibrações de interesse do bispo muito mais fortes do que as limitadas expressões de solidariedade. Não quis, entretanto, estabelecer polêmica, ainda porque a vergonha perante os pares não se havia contaminado das risotas da comunidade, pois a ocorrência não saíra nas páginas do jornalismo sensacionalista. Guardou também a esperança de, uma hora ou outra, receber de volta aquele membro da igreja, com reclamações fundamentadas contra os atuais pupilos. Declarou, simplesmente:

— Tendo em vista a sublime intercessão de Vossa Eminência Reverendíssima, abro, sem condições, uma trégua em nossa guerra contra esses viciados.

— Enquanto estiverem comigo, pode considerá-los, Doutor, ex-viciados. Muito grato por sua compreensão e apoio. Que o Senhor Jesus o abençoe!



Entre Plínio e Ariovaldo:

— Caro Doutor, meu amigo, vim para agradecer-lhe toda a ajuda que vem prestando para o restabelecimento de Margarida.

— Se você já se compenetrou dos serviços que o centro espírita presta à sociedade, está ciente de que tudo o que fazemos é apenas o mínimo que devemos. Não agradeça. Trabalhe como você vem trabalhando, dando de seu tempo para amenizar os sofrimentos das pessoas que não cessam de nos procurar. Quanto à sua esposa, quem fez tudo pela recuperação dela foi a sua cunhada, pode crer. Cuidou dos exames, ministrou as doses corretas dos medicamentos, teve a paciência de aturá-la, ao ponto de, contrariando as convicções religiosas, trazê-la para receber as notícias que deram a vocês dois a condição de reatarem os laços esponsalícios. Por falar nisso, Dona Hortênsia não se interessou pelo Espiritismo?

— Está lendo “O Livro dos Espíritos”. De vez em quando, aparece lá em casa para discutir algum ponto com a irmã.

— Por que não com você?

— Depois que ficou sabendo das mensagens que venho escrevendo, está com medo de mim. É pena, porque poderia receber outras informações no campo da psicografia.

— Foi bom você ter tocado no assunto. Os diretores do centro estão preocupados com a afluência do público nos dias de doutrinação. Vocês três que têm escrito comunicações assinadas por gente conhecida estão ganhando projeção. É inegável que vêm sendo guiados por espíritos de certa categoria, os quais facilitam a filtragem dos pensamentos dos irmãos sofredores, porém, isso pode ser uma faca de dois gumes.

— Um belo dia a gente falha e a caridade da assistência vai sofrer o impacto da descrença do povo...

— Você pegou o espírito do temor que nos está enchendo o coração. Na verdade, seria melhor que vocês escolhessem entre não revelarem os nomes ou marcarem um horário à tarde, por exemplo, só para a captação dessas mensagens de conforto moral. Os riscos incidiriam mais sobre os médiuns e menos sobre o centro. Que é que você acha disso?

— Vou conversar com os outros para decidirmos em conjunto. Quanto a mim, para geral tranqüilidade e sossego, eu posso me abster de citar os nomes. Posso até parar com a mediunidade, porque me sinto muito fraco quanto aos aspectos teóricos da doutrina.

— A sua humildade, se levada em conta, vai pesar muito para que a decisão não seja o abandono da mesa evangélica. Não obstante, existe outro pessoal que deve ser ouvido: os guias do centro e os protetores dos médiuns. Vamos aguardar a manifestação deles.



Entre Saldanha e Pedro Otávio:

— O que o bom amigo Saldanha tem achado da ascensão espírita do casal que você orienta?

— Estou achando bastante devagar, porque me parece que a idade não vai permitir-lhes ganhos muito significativos na senda da instrução terrena. Falo mais especialmente quanto ao Plínio, porque tem de voltar-se para o sustento do casal, agora que a firma está iniciando. Por outro lado, temo pela hora em que os filhos vierem para o recrutamento deles.

— Você suspeita de que haverá choques de credos?

— Estou vendo que o Cleto está aguçando a mente, no sentido de tornar o seu discurso torcido e retorcido nos fundamentos bíblicos, em oposição declarada ao contato ostensivo com o nosso plano.

— Não foi Jesus quem disse que veio para separar as pessoas da família?! Vamos esforçar-nos por tornar a visão dos pais e dos filhos o mais pura possível, no entendimento das diretrizes cristãs. Você faz com que o casal abra um horário para o Evangelho no Lar. Eu me dedicarei, o quanto me permitirem os responsáveis espirituais pela organização religiosa, a levar os irmãos a observar os efeitos nocivos da miséria.



Entre Ari e seu médico:

— Como está o meu paciente hoje?

— Tenho passado muito bem, contando com o fato de que as drogas não me saem do pensamento.

— Você já superou as principais dificuldades. Agora, tem de fazer a manutenção do estado favorável à aceitação de seus familiares, mesmo quando se revela quem foram no passado e quais as vicissitudes que uns causaram aos outros. Quanto de mágoa você conseguiu eliminar, à vista das tristes recordações doutras épocas?

— Praticamente, não tenho nenhum rancor, contudo, sempre que me vêem à lembrança, sinto um desassossego que mal consigo controlar.

— Faça de conta que está em crise pela falta dos estimulantes químicos.

— É difícil!

— Mas não é impossível! Você tem momentos alegres para reviver?

— Meu caro amigo, a sua presença é a minha felicidade. Não preciso, no entanto, que esteja comigo, para confiar em que, se precisar, irei tê-lo de imediato.

— Vou reformular a questão. Você deve ter consciência de que conheço muitos episódios de suas derradeiras encarnações. Por isso, elaborou a resposta em termos laudatórios. Vou me apegar às expressões pouco corriqueiras, de vocabulário até certo ponto refinado e de construções sintáticas não tendentes ao coloquial puro e simples. Você está sentindo que readquire a facilidade vernácula de alguma existência em que alcançou estudar o idioma, aplicando-a em favor de profissão ou atividade intelectual? Em outros termos, você está percebendo o quanto ultrapassou os limites impostos pela estultícia púbere da criança rebelde e viciada da derradeira passagem terrena?

— Tudo o que você me afirma, sou capaz de intuir, sem caracterizar direito. É que tenho muito medo de me haver aproveitado de faculdades mentais desenvolvidas com o objetivo de prejudicar outras pessoas.

— Pela análise de sua curta vida com o nome de Ari, não lhe fica evidente que...
O protetor não teve condições de prosseguir, porque o paciente mergulhou fundo na consciência, incapaz de reagir aos estímulos externos.

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