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Contos-->QUANDO O AMOR NÃO ACABA - capítulo III -- 29/07/2004 - 20:39 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
QUANDO O AMOR NÃO ACABA - capítulo III

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Ainda consigo ver os últimos momentos em que passei com Diana como num filme. Lá estão: o frio cortante, a angustia da despedida, o aperto no coração, e tudo mais que nos faz recordar do momento mais inesquecível de nossa vida. Ainda consigo sentir, como se fosse agora, a dor no coração. É como se metade de mim continuasse preso àquele lugar e o restante estivesse sendo puxado pelo veículo em que eu estava. Ah! Como eu não queria partir! Como eu ansiava por ficar para sempre naquele lugar junto de Diana! Ah! Como o destino me pregava uma peça dessas? Justo donde eu havia partido anos atrás?
Como eu me arrependo de não ter agarrado as chances que tive de voltar definitivamente para onde minhas raízes permaneciam profundamente fincadas na terra! Sim! Eu tive muitas chances de retornar, de corrigir meu destino! Mas não! Eu o ignorei por completo. Mesmo quando o destino tentava me levar de volta. Agora, que tudo se tornou tarde demais e não há mais a possibilidade de retorno, eu me ponho a arrepender. Por quê? Por que ignorei sinais tão evidentes? Por que banquei o idiota? Ah! Como me dói o peito pensar em tudo isso!
Deixo o teclado do computador por alguns instantes e apanho o lenço descartável para enxugar as lágrimas, que não consigo conter enquanto escrevo essa narrativa. Às vezes, sinto meus olhos arderem e a visão torna-se turva; então preciso parar por alguns momentos para recuperar o controle sobre minhas emoções.
Olho para baixo e vejo alguns lenços amassados no sexto de lixo; resultado dos últimos momentos de minha narrativa. Tanto é que nos últimos minutos não consegui escrever uma linha se quer. Tive que parar no parágrafo anterior e ir até a cozinha para tomar um copo de água e tentar me controlar. E foi bom ter feito isso, pois neste momento estou mais tranqüilo para continuar minha narrativa.
O que era para ser motivo de prazer, descanso e divertimento acabou não sendo bem isso. Os dias que se seguiram até o domingo seguinte tornaram-se angustiantes. Eu tentava me divertir, ir à casa de parentes, ao cinema com meus primos, mas de nada isso adiantava. Eu procurava ocupar aqueles dias com leituras, com a TV e acompanhando minha avó às visitas que ela constantemente fazia a seus clientes; e nem isso era capaz de me animar e de tirar de mim aquela angústia, aquele desejo incontrolável de que o tempo passasse rápido e chegasse logo o domingo. E quanto mais eu ansiava por sua chegada, mais parecia nunca chegar.
Contudo, finalmente ele chegou.
Eu levantei cedo, muito cedo, e me arrumei impecavelmente. Escolhi e melhor roupa que havia levado na viagem. Nem bem era nove horas e eu já estava pronto para partir. Por sorte, o pessoal também resolveu partir cedo. Assim, quando consultei o relógio pela enésima e última vez antes de partir, os ponteiros aproximavam-se das nove e trinta.
Chegamos à Santa Clara cerca de uma hora depois.
Fazia muito sol naquela manhã e ainda havia poucas pessoas perambulando pelas ruas. Muitas delas não passavam de donos de barracas montando-as para receber o público.
O lugar só começou a encher de gente após o almoço. De pouco a pouco as pessoas iam chegando de todos os cantos. Eram ônibus de excursões, carros particulares. Algumas viam a pé e outras a cavalo.
E à medida que as pessoas chegavam, minha ansiedade ia se tornando mais evidente. Eu tentava contê-la, procurando me divertir, mas quase sempre isso não adiantava de nada. Na maioria das vezes, era só eu ver um veículo se aproximar no alto da serra que meu coração palpitava; e na esperança de que fosse ela, eu ia procurar saber quem havia chegado.
Durante toda à tarde praticamente não fiz outra coisa senão me atentar a chegada dos veículos. E a cada desapontamento, eu me tornava mais desanimado e triste. “Talvez ela só venha à noite”, pensei quando o sol começava a se esconder.
Quando a noite chegou, ela também não apareceu. Havia ainda o ônibus das 20:30 horas. “Quem sabe ela virá nele”. E, ao vê-lo surgir com os faróis acesos, eu corri em direção ao ponto final. Estava lotado, muito lotado. E a cada passageiro que descia, eu sentia as batidas ficarem mais intensas em meu peito. No momento em que os últimos passageiros desceram do ônibus, meu coração parecia soltar pela boca.
Por volta de nove e meia, minhas esperanças se esvaeceram. “Ela não vem mais”, foi a minha conclusão. Nesse momento, eu me sentia perdido e sem rumo. A alegria daquelas pessoas contrastava com minha tristeza e minha decepção. Havia chegado esbanjando euforia e animação, mas agora eu só pensava em sair dali o mais breve possível. Não havia mais motivos para continuar naquele lugarejo, naquela festa. Pois ela havia terminado para mim. Aquilo só ia me deixar mais para baixo e aumentar a minha dor.
O problema era que eu não podia partir sozinho, tinha que esperar meus familiares.
Não consigo me recordar do que fiz no resto da noite até o momento em que fomos embora. Tenho apenas uma vaga lembrança de estar no coreto durante o leilão de prendas, onde um copo de pinga veio parar em minhas mãos. Não tive dúvida: virei-o e tomei toda a aguardente de um só gole.
Não sei se é devido à elasticidade do tempo, ou se era porque eu estava muito deprimido, a verdade é que não sei como consegui tomar aquela bebida. Até que tentei e fiz um esforço muito grande para recordar o que se passou naqueles momentos, mas tudo parece perdido no tempo. Somente de um pequeno instante de tempo consigo me recordar: lembro-me que depois tentei chegar à casa de minha tia, mas não fui capaz. Não conseguia me manter sobre minhas pernas e, no meio do trajeto, acabei caindo. E, se alguma boa alma não tivessem me levantado e me levado para até a casa, eu teria jazido no chão por toda à noite.
Só fui acordar no dia seguinte antes do sol nascer, com a cabeça pesando mais que o resto do corpo. Ah! Como doía! Nunca mais quis acordar com uma ressaca como aquela. Foi a primeira e última vez em que tomei um pileque.
Durante os cinco dias que ainda permaneci em Juiz de Fora, quase não sai de casa. Passava a maior parte do tempo com os olhos pregados na leitura e perdido em pensamentos. Mas, assim que os dias passavam, mais longe e fracas eram as lembranças daqueles momentos inesquecíveis em Santa Paula. Talvez, se tivesse passado mais alguns dias naquela cidade, eu tivesse esquecido Diana, mas isso não aconteceu.
Quando retornei de viagem, o pequeno pedaço de papel onde Diana anotara seu endereço ainda permanecia bem guardado, feito um troféu. E, ao lê-lo pela enésima vez na tarde em que cheguei de viagem, pensei em não lhe escrever. “Isso vai ser uma perda de tempo”, cheguei a pensar. Mas então a lembrança daquele nosso primeiro encontro me levou a pegar um bloco de papel de carta e começar a escrever.
Não me lembro com precisão que escrevi. Infelizmente não guardei cópia de minhas cartas. Todavia, falei daquela noite, da decepção de não encontrá-la no domingo seguinte em Santa Clara, e de como estava com saudades. Sim, fui muito sincero em minhas palavras. E no final pedi que me escrevesse.
Na manhã seguinte a minha chegada, passei no correio e postei a carta.


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