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Erótico-->1. O SERVIÇAL DO SENHOR -- 18/10/2003 - 06:06 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Temente a Deus, Adonias não tinha, desde a infância, demarcada outra vocação a não ser a de servir ao Criador, para quem dedicava todos os momentos da vida.

Servia bem e em proveito das almas dos semelhantes?

Isso é o que veremos no decorrer da narrativa.

Adonias, pois, vestiu a toga dos ministros eclesiásticos, para dizer que estava com os encardidos andrajos dos monges peregrinos, e, quando foi chamado de volta ao convento, desobedeceu, dizendo que servia ao Senhor e não aos homens.

Terminou expulso da ordem mas nem deu por isso, porque preso não poderia ir em época em que a Igreja não tinha força de estado. Então, desejou criar uma seita própria, sem filosofia escrita, sem roteiro definido, com o poder da convocação aos deveres cristãos, pois memorizara os preceitos enunciados por Jesus, sendo capaz de recitar todos os sermões e parábolas, a qualquer hora do dia ou da noite em que se deparasse com algum magote de pessoas dispostas a perder um pouco de tempo, na maior parte das vezes coagidas pela permanência em filas ou locais de aglomeração, como em estádios esportivos ou desfiles militares, por exemplo.

Adonias não era velho no instante em que o surpreendemos para dar início aos acontecimentos que o envolveram.

Numa bela tarde de verão, na praia, vendo que a modorra das primeiras horas após o almoço fazia espairecer o povo, subiu num banco e, alçando as mãos aos céus, enquanto suas longas batas se insuflavam ao vento tépido dando-lhe ares de santo, começou a arengar, conclamando aos atos de fé e de caridosa contribuição pelos miseráveis:

— Eu não peço nada para mim. Para mim basta a generosa dádiva de Deus que é a minha vida. Eu peço para os filhos da desgraça, as crianças que ficaram sem pais ou sem mães atirados pelos marginais ou estraçalhados na via pública pelas carretas e pelos automóveis. Eu peço pelos velhos cujos filhos foram embora em busca de aventuras criminosas, sem nenhuma consideração pelos que os puseram no mundo e agora passam fome. Não me entreguem nada, mas procurem nas sacolas de suas consciências uns trocados, para poderem dar em qualquer igreja ou instituição de benemerência, como tantas existentes na cidade.

Eis como chamava a atenção, prosseguindo sem mencionar texto nenhum até que alguém o desafiasse por pertencer a alguma religião que se visse atingida pela voz libertária do pregador:

— Como é que você explica que os católicos têm tantos bens, enquanto as pessoas morrem de fome nas portas das igrejas?

A sotaina denunciava o antigo vínculo, mas Adonias não se apertava:

— Os nossos irmãos sacerdotes do clero secular, que são os responsáveis pelas arrecadações no seio das comunidades cristãs, deveriam responder à sua pergunta, meu caro compatrício. Quanto a mim, não estou vendo nenhum deles neste palco iluminado pelo divino sol do verão, a ouvir estas palavras de boa vontade e de amor. Se você, que me pergunta como se me desafiasse, tem conhecimento dessas famílias que padecem fome às soleiras dos templos católicos, deve saber de muitas outras que morrem à míngua junto a outras instituições religiosas...

Esse o tom geral das querelas que estabelecia porque não desejava deixar ninguém sem resposta, dando o troco à altura das provocações, buscando evitar que seus sermões se tornassem motivo de riso e de chacota. Sabia que as suas palavras eram mágicas e que a potência de seus pulmões era suficiente para se fazer ouvir até a décima fileira de pessoas.

Uma ocasião, ao passar pelo centro de uma praça, viu um desses mequetrefes que vendem saúde em forma de produtos naturais a engodar os trouxas, chamando a atenção do público por meio de um aparelho de som, alto-falante suficiente o bastante para produzir um ruído mais ou menos indistinto, misturado com o respirar ofegante do orador, com certeza para impressionar aos ouvintes. Mas não gostou do artifício, muito embora se tenha deixado seduzir pela possibilidade de alcançar um povo em mais larga escala, como os pastores e sacerdotes nos púlpitos e palcos.

Foi assim que a sementinha começou a germinar, porque sabia que as arrecadações eram muito fortes em quaisquer templos em que se falasse em nome do Senhor.

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