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Erótico-->2. ADONIAS VAI À AULA -- 09/11/2003 - 05:56 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Dois dias depois do evento, após haver lido e respondido a todas as questões propostas, Adonias deveria comparecer a sua primeira aula na condição de aluno. Dirigiu-se, pois, à sala correspondente e se postou, meio espremido entre dois colegas, para receber o mestre, professor Maciel, de larga nomeada na instituição, célebre por dirigir a assim chamada “Escolinha de Evangelização”, instituição educacional de uma colônia próxima, convidado para um curso de socorrismo a um pessoal neófito mas escolhido, porque só se admitiram para inscrição quem estiva quite com os débitos auferidos nas encarnações, havendo apenas a possibilidade de alguns deslizes pessoais. Refletiu Adonias, na ocasião, que, se não fosse assim, não haveria alunos em condições de aprender nada, porque tudo já saberiam.

Quando deu por si, Adonias percebeu que o salão era bem diferente daquele em que estava a ministrar seu curso. Neste, não havia computador nenhum, nem painéis desenhados nas paredes, nem mesa ou estrado para o professor. Também se apinhavam no auditório para mais de dois mil estudantes, todos em grande expectativa.

Sobrava um corredor estreito, a partir da porta de entrada até o fundo do salão. Foi por ele que caminhou a iluminada figura do mentor, belíssima imagem de um senhor de não mais que quarenta anos de idade, alto e forte, de traços suavíssimos, num rosto impecavelmente barbeado, enquanto os cabelos, cortados rentes, ofereciam uma belíssima coloração prateada puxando para o azulado. O que mais impressionou Adonias foi o sorriso que o mestre pousava nos olhos de todos os alunos, como a absorver deles as informações completas de suas personalidades.

Havia também uma aura cor de rosa a esplender com reflexos azulados, como quando Adonias tinha alterada sua visão por excessos de fluidos energéticos, em condição de quase êxtase, durante seus transes em busca do equilíbrio de seu organismo perispiritual. Mas esse reflexo não impressionou Adonias, que se estava acostumando a eles em seus encontros com os seres mais grados da instituição.

Maciel deu a sua aula sem abrir a boca, vamos dizer assim, passando todas as suas informações telepaticamente e recebendo a suma de todos os alunos mentalmente, deixando, aí sim, boquiaberto o nosso amigo. Mas a palestra foi extraordinariamente simples, resumindo-se num único ensinamento que exigia um trabalho de reflexão ponderabilíssimo para a próxima sessão, dentro de quinze dias.

Pedia Maciel:

— Os meus discípulos devem concentrar esforços no sentido de caracterizarem o mais fielmente possível a razão de estarem interessados em exercer as funções de socorristas, sabendo que, fora da caridade, não existe salvação. Sendo assim, razões meramente formais, como atos de agradecimento por favores recebidos ou exemplos nobilitantes de quem tenha tirado da aflição uma ou mais pessoas de seus relacionamentos afetivos, não haverão de ser levadas em conta. É preciso que cada um dos meus amigos se compenetre de modo definitivo de que sua existência ficará incompleta sem o diploma que irão receber, se vencerem galhardamente todas as etapas de estudos e de trabalhos que lhes serão exigidos. Em outras palavras, se fosse Jesus quem os convidasse, vocês atenderiam ao chamado do Mestre para se constituírem em seus apóstolos ou discípulos? Estariam dispostos a enfrentar todos os sacrifícios, até mesmo, se preciso fosse, uma reencarnação expiatória de dúbio resultado quanto a prevalecerem as boas intenções destes momentos sublimes de desprendimento, em harmonia com os conhecimentos que vocês estão a pique de receber? Caso se sintam em dificuldade, recomendo que se juntem em pequenos grupos, formando círculos de debates e de pesquisas, porque as experiências pessoais devem somar-se à dos maiores, sugerindo-lhes eu que busquem nos arquivos da casa os históricos dos socorristas que se formaram e que se encontram atuando aqui ou mais além, para conhecimento dos obstáculos que encontraram e das fórmulas que lhes serviram de antídoto para o veneno do desânimo e das frustrações. Também recomendo que leiam, até saberem de cor, todas as obras espíritas que foram ditadas até o presente para os encarnados, a começar das principais, quais sejam, as de Allan Kardec. Para quem me está impondo a questão do fato de haver muita informação desatualizada nesses livros, eu exijo que estabeleçam um princípio crítico, rigoroso a tal ponto de rescreverem os trechos com os quais não concordam, pondo em dia os aspectos em descompasso com os seus conhecimentos específicos dos diversos ramos das ciências, em seu duplo aspecto terreno e etéreo. Enfim, caso precisem, basta sintonizar o pensamento em minha pessoa e logo receberão o influxo de meu saber, mas dentro da faixa de suas preocupações e apenas para nova orientação quanto a que rumo dar ao seu trabalho. Fiquem na paz do Senhor!

Imediatamente, todos compreenderam que era chegada a hora da prece de agradecimento e encerramento, sendo tangidos emocionalmente para uma zona de superior paz e bem-estar moral, como se a força do orador ainda ganhasse os subsídios energéticos de outras entidades das esferas mais elevadas, o que transportou todas as atenções para um feixe de luz que desceu da abóbada da classe e se distribuiu uniformemente por todo o ambiente, engolfando todas as criaturas ali reunidas. Sem pensamentos ou sentimentos elaborados ou percebidos, Adonias se viu, de repente, perante uma figura angelical, que compreendeu ser o seu anjo guardião, entidade que lhe sorria e lhe mostrava, como se estivessem à beira do mar, um caminho ascendente que se perdia no espaço azulado do céu. Foi quando ouviu um coral de muitas vozes a entoar um cântico de louvor a Deus, em língua desarticulada mas cujo significado se desdobrava em sensações dulcíssimas de amor universal. Quando Adonias teve a intuição de que havia uma integração de todas as consciências, despertou para a realidade da aula e tudo se desvaneceu, restando as impressões inefáveis de um momento de plena felicidade.

Nesse instante, percebeu que na sala estavam apenas os alunos, todos mais ou menos alheados de si, envolvidos por sentimentos efusivos por pertencerem àquela classe, cada qual buscando, o mais possível, relacionar-se com os outros, numa afeição que crescia a cada apresentação. Antes de Adonias mergulhar naquela vibração de puro companheirismo, passou-lhe pela mente a idéia de que estavam ali reunidos os espíritos irmãos que rigorosamente deviam ocupar faixas muito próximas dentro da escala geral dos espíritos.

Adonias procurou inutilmente algum conhecido. Só havia entidades que jamais se cruzaram com ele. Mesmo assim, muita gente deu mostras de identificá-lo, alguns dizendo que haviam ouvido falar a respeito de um sacerdote que se iludira com a aparência de vida durante os últimos anos, outros referindo-se a certo interesse em determinado curso que fora anunciado na colônia, outros ainda por ouvirem falar bem de sua primeira aula. Notícias da vida na Terra, ninguém lhas deu.

Por sua vez, Adonias não encontrou ninguém de quem sequer tivesse ouvido falar. Como, entretanto, não teve tempo de contatar todos, deixou em suspenso a possibilidade de alguma antiga amizade ou encontro casual.

Como Maciel houvesse instado quanto à formação de pequenos grupos, Adonias se pôs à disposição de alguns colegas, à espera de se ver integrado numa equipe de estudiosos. Espera infrutífera, porque ninguém dentre aqueles a quem se apresentara o chamou, de sorte que esse iria tornar-se em mais um ponto sobre que dedicar suas reflexões.
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