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Contos-->Troca -- 03/01/2005 - 09:47 (Pedro Carlos de Mello) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Troca

O dia se prenuncia ensolarado. Vai dar praia. Estou tomando café, enquanto leio o conto “O sentido da vida”, de Moacyr Scliar. Meu filho Marcelo desce as escadas e senta à mesa comigo. Ele é meio avesso à leitura, mas mesmo assim, não desisto nunca de provocá-lo.
-- Marcelo, quero ler um conto para você, posso?
-- Ah, pai, agora não.
-- Ora Marcelo, é rápido... e não dói.
-- Ah não, pai.
-- Vamos..., deixe..., você vai gostar, insisto.
-- Está bem, mas só se depois você jogar videogame comigo, ele disse.
Concordei e reiniciei a leitura do conto “O Sentido da Vida”, desta vez em voz alta.
-- “Era uma vida de sobressaltos e emoções, a nossa...”
Terminei a leitura e perguntei:
-- E aí, filho, gostou?
-- Ah, mais ou menos, disse ele. -- Agora vamos jogar, completou.
-- Está bem, deixe-me terminar o café e já vou.
Trato é trato, tenho que cumprir minha parte, pensei.
Marcelo preparou o videogame. Era um jogo de luta. Socos, pontapés, pulos, avanços, recuos. Meus dedos doíam de tanto apertar os botões do controle. Perdi a maioria dos rounds, embora tenha ganhado um ou dois.
-- Agora chega, eu disse.
-- Ah, pai, vamos continuar, Marcelo falou.
-- Não, eu disse -- só se eu ler mais um conto para você.
-- Por quê primeiro tenho que ouvir o conto e só depois jogar? Por quê não pode ser o contrário? Primeiro jogamos, depois você lê o conto -- ele disse.
Não tive como não concordar. O revezamento era justo.
-- Está bem, vamos lá. O que vai ser agora? -- perguntei.
-- Agora vai ser uma corrida de carro, ele falou.
Começamos o jogo. Conduzi o meu Corvette com muita dificuldade. Batidas, capotagens, saídas da estrada. Cinco minutos, dez minutos se passaram.
-- Agora chega, Marcelo, meus dedos estão doendo. Quero parar, eu disse.
-- Ah, muito engraçado, não é pai? Se dói os teus dedos quando você joga, dói o meu cérebro quando você lê para mim. Jogue direito. Se você fingir que joga, também vou fingir que ouço o seu conto. Não vou prestar atenção, ele disse.
-- Ok, vou me concentrar, falei.
Jogamos mais uns vinte minutos. Consegui melhorar um pouco, mas mesmo assim levei um baile.
-- Muito bem, eu disse, -- agora vamos ao conto.
-- Ah pai, vamos à praia agora, se não vamos perder o melhor da manhã, Marcelo falou.
-- Está bem, concordei, --depois continuaremos.
Na volta da praia, fui à biblioteca e peguei um livro de contos de Tchecov. Li para o Marcelo o conto “A brincadeira”. Ele gostou.
Depois jogamos futebol no vídeogame. Gostei.
Voltei à biblioteca e trouxe o livro “Superbrinquedos duram o verão todo”, de Brian Aldiss. Li Para o Marcelo o conto “Botão de Pausa”. Ele adorou.
Voltamos ao videogame, voltamos aos contos. Jogos de RPG, aventura, tênis, simulador de vôo. Contos de Machado de Assis, Luis Fernando Veríssimo, Edgar Allan Poe, Jorge Luiz Borges. E assim passamos o dia.
No fim das contas, fizemos uma troca. Mas acho que saí perdendo. Marcelo passou a gostar de contos e eu passei a ter menos tempo para ler, pois agora gosto de jogar videogame.
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