Usina de Letras
Usina de Letras
   
                    
Usina de Letras
79 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 54835 )
Cartas ( 21056)
Contos (12106)
Cordel (9509)
Crônicas (21076)
Discursos (3107)
Ensaios - (9896)
Erótico (13126)
Frases (39797)
Humor (17544)
Infantil (3558)
Infanto Juvenil (2308)
Letras de Música (5411)
Peça de Teatro (1309)
Poesias (135514)
Redação (2869)
Roteiro de Filme ou Novela (1034)
Teses / Monologos (2371)
Textos Jurídicos (1913)
Textos Religiosos/Sermões (4172)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Crônicas-->UM DIA, AO PIAUÍ -- 14/11/2003 - 00:36 (Adrião Neto) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


UM DIA, AO PIAUÍ

Nelson Hoffmann (*)

Um dia irei ao Piauí. Em lá chegando, vou direto à procura do Adrião Neto. Este eu sei que sabe tudo, conheço-o, com ele me acerto. Abraço-o e batemos um papo. Ele fala-me do Piauí, da geografia, da história, economia, política. Do turismo, é claro, também: do Delta do Parnaíba, do Parque Nacional. De sua querida Luís Correia...
E eu conto-lhe do interesse que a fertilidade do Piauí está provocando por aqui, no Sul.
– Fertilidade?
Isso, fer-ti-li-da-de. Não houve engano, não, está certo, a palavra é “fertilidade” mesmo. Fertilidade, em dois sentidos, até.
Em sentido natural, de solo, terra; e em sentido cultural, de inteligência, arte. Quanto ao natural, daqui, de minha região missioneria, de Santa Rosa e arredores, está havendo verdadeira corrida para os lados do Piauí, para o sul do Estado, para os domínios de Bom Jesus, Uruçuí. Para lá vão os nossos colonos, em nova cruzada de fé e esperança por dias melhores, o que lhes é garantido pela infra-estrutura das agrovilas e opulência das terras.
Quanto ao lado cultural, eu diria ao Adrião Neto que, antes de conhecê-lo, eu sequer sabia que o Esdras Nascimento, o O. G. Rego de Carvalho e outros, de minha leitura, eram do Piauí. De lá, de tão longe, só mesmo o Assis Brasil; e isto, graças ao Prêmio Walmap, que destacou o fato.
O Adrião Neto, com o seu “Literatura Piauiense para Estudantes”, fez de mim um estudante do Piauí. Passei a interessar-me, o livro era por demais chamativo. Havia curiosidades muitas, eu estava sendo convidado para um mundo desconhecido. Embarquei. O Adrião guiou-me, mandando-me o seu “Dicionário Biográfico Escritores Piauienses de Todos os Tempos”. E acrescentou-me o seu “Dicionário Biobibliográfico de Escritores Brasileiros Contemporâneos”. E somou “Coletânea de Escritores Brasileiros Contemporâneos em Prosa e Verso”. E adicionou “Cordéis - Passeio pelo Jardim da História”. E remeteu uma “De Repente” atrás da outra. E...
Eu mergulhei fundo na fertilidade dessa Literatura tão pouco conhecida por estas bandas sulinas.
Lá pelas tantas, um dia, encontrei o Herculano Moraes. Este apresentou-me a sua monumental “Visão Histórica da Literatura Piauiense”, em três tomos e sucessivas, revisadas e atualizadas edições. A obra é um panorama completo da Cultura Literária Piauiense, desde suas origens até os dias de hoje. Cada movimento literário, nacional e mundial, é delineado, a situação local é caracterizada e a seguir, o autor é enquadrado. Cada autor é biografado, tem um texto selecionado e é criteriosamente analisado. Uma obra definitiva.
Um paralelo? Entre os livros de Adrião Neto e a obra de Herculano Moraes?
Já está nos títulos. Excelentes, cumprem tarefas diferentes.
A tarefa literária é tarefa estética. A estética vincula-se à sensibilidade e busca a perfeição. É uma atividade espiritual. Suprema.
No Piauí, um jovem poeta cumpre essa tarefa com rara competência. Dilson Lages Monteiro é o autor de “Colmeia de Concreto” e “Os Olhos do Silêncio”. Os dois são livros da mais pura poesia. Um signo, um gesto, um pulsar desapercebido, qualquer existência, tudo é captado e motiva a sensibilidade do poeta. Apreendida a essência, surge a construção nova. Original. Com o mínimo de palavras e o máximo de significados.
Isto é poesia, isto é arte.
Como são da melhor arte, os textos deste grande poeta e prosador que é Francisco Miguel de Moura. A prosa do Chico Miguel, como é conhecido, é das coisas mais saborosas de que se tem notícia por aqui, como vindo de lá, do quase outro extremo desse imenso país. “E a Vida se Fez Crônica” e “Por que Petrônio não Ganhou o Céu” são livros que a gente lê de uma assentada só. E se diverte. E se delicia. E se angustia. E se vive.
Francisco Miguel de Moura parece-me o próprio Piauí.
E, olhe, que eu não mencionei o Oton Lustosa, com o seu excelente “Meia-Vida”, nem o José Ribamar Garcia e o seu belo “Além das Paredes”. Também não comentei a intensa atividade literária da presidente da ALVAL, Maria do Socorro de Carvalho, e o entusiasmo sem fim da escritora Francisca Miriam. Ainda...
Sim, sim. Sei. Tem a Literatura de Cordel, a revista “De Repente, o...
É muito, perco-me. O Piauí é-me tão distante e figura-me tão diverso que desando. Reconheço que preciso conhecê-lo melhor. O jeito é ir até lá, não vejo outro. Preciso ir. Irei, um dia.


________________________
Escritor gaúcho. Autor de A Bofetada
(1978 – 1ª edição)
E-mail: n.hoffmann@via-rs.net
Comentários

O que você achou deste texto?       Nome:     Mail:    

Comente: 
Informe o código de segurança:          CAPTCHA Image                              

De sua nota para este Texto Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui