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Erótico-->8. MINHAS FONTES BIBLIOGRÁFICAS -- 06/12/2003 - 08:17 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Gostaria tanto de que houvesse nem que fosse um único leitor interessado em discutir o texto que vou elaborando! No entanto, temo que irei ficar a debater comigo mesmo até o momento de pôr fogo em todas estas manifestações egoístas e aparatosas, porque muitíssimo pretensiosas, perante a humildade que deveria possuir, para adentrar serenamente naquele mundo de paz.

Fazendo de conta que estou em um grupo muito seleto de atentos ouvintes e que, no mínimo, poderei ser lido por algum examinador de editora a quem vier a solicitar publicação, praia onde me banhei durante muitos anos ao sol dos desesperos inócuos dos autores inéditos e anônimos (pelo menos essa dor de consciência não irei carrear para o etéreo, quando daqui me despedir, o que acredito não vá demorar), vou dar certo cunho literário à minha escritura, no que tange às rigorosas normas das citações das obras que me deram amparo para a elaboração dos temas técnicos.

Neste ponto, fraquejo, eu, linotipista, datilógrafo e revisor, a quem coube, muitas vezes, a agradável tarefa de diagramar os textos, sempre, é claro, de acordo com as normas da empresa onde permaneci os trinta e cinco anos obrigatórios para a aposentadoria, porque sinto que, no manuscrito, tais atividades quedarão esquecidas e sem utilidade.

Um suposto leitor, amigo meu de muitos anos, acostumado com as máquinas atuais acopladas a computador, irá perguntar-me por que é que não adquiri ainda esse moderno meio de escrever, produzindo resultado mais completo e satisfatório, desde o momento em que se dê o primeiro passo imediato de revisão.

Aí é que está a ironia. Quem foi que disse que em meu lar não possuo um belo aparelho, ligado a uma rápida impressora? Pois nem posso valer-me do velho refrão de que “em casa de ferreiro...”

Mude-se a questão e respondo.

Não quero colocar-me definitivamente diante da tela do monitor, para não ceder ao desejo de aperfeiçoar tudo o que faço neste campo novíssimo da composição pessoal. Quem sabe, se terminar algo que possa assemelhar-se a uma obra, tenha a confirmação de que irão colocar-me na linha das apreciações editoriais e então poderei ajustar-me à mesa das soluções pragmáticas.

Fiz a referência ao procedimento antiquado do registro manual das mensagens para levantar outro problema, este muitíssimo mais sério e importante: não tenho índice bibliográfico para dispor nem em notas de rodapé, nem ao final da obra, porque tenho feito cerrada questão de ir levantando os problemas atinentes à minha existência, ainda que me recorde perfeitamente dos textos lidos a que me poderia ter aferrado, de maneira extremamente lúdica, diante dos estímulos que as palavras vão provocando no mundo de recordações de que se constitui este cérebro de velho.

Aquele mesmo amigo e leitor irá sorrir, quem sabe a par de que minha idade é inferior à dele.; ele, lépido e formoso, conquistando quanta garota bonita lhe dê oportunidade a convívio amoroso, além, é óbvio, de freqüentar um clube social, para os bailes de toda semana, e uma academia, para a malhação física de cada dia.

Quem está acompanhando-me (se Deus quiser, assim haverá de ser), deve estar notando que as idéias que disponho no papel tendem a me conduzirem ao final dos meus dias, como se tudo já tivesse realizado e me encontrasse sem perspectivas, sem mulher amada, sem filho promissor, sem encantos doutrinários, sem recursos intelectuais junto a possíveis empresários que me dariam algum trabalho para exercitar-me em casa e para complementar os parcos dividendos que o sistema previdenciário do país vem destinando-me.

Aqui surpreendo de novo, porque tenho um “bico” bastante rendoso, que me ocupa boa parte dos dias junto àquele computador, além de possuir recursos para me deixar sempre com boa disposição física, de acordo com as medidas do padrão de cinqüentão enxuto.

— Quer dizer que o amigo é sério por efeito das desgraças da vida?

Que sério coisa nenhuma! Sou o que mais faz pilhérias no “Louvor ao Pai”, sempre no seio da comunidade a realizar palestras, a prestar auxílio em todos os setores das atividades filantrópicas, o que significa dizer: no campo prático do atendimento às necessidades materiais, como também na doutrinação oportuna dos sofredores que baixam para as elucidações evangélicas, através dos dotes mediúnicos dos companheiros.

— Cáspite! Com tantas atribuições, ficar a lamuriar-se durante estas horas de introjeção nos arcanos psíquicos, em busca de supostas culpas, para possível catarse ainda em vida, não será desperdiçar um tempo que melhor aplicado seria, caso se desse o alienado escritor a outro quefazer útil para si mesmo ou para o próximo, ainda que estendesse por mais algum tempo o seu lazer, só ou acompanhado?

Passo em branco pela ironia quanto a não apresentar a minha obra nenhum interesse e pelo que possa ter a sugestão de erótico (no mau sentido) e vou direto ao assunto.

Não é verdade que afirmei, ao apagar (ou acender?) das luzes do capítulo anterior, que estava como que em estado de graça, aliviado da sobrecarga carnal, como a usufruir de muitas regalias morais, embalado pela fantasia purificada pela doutrina espírita, que nos faz sonhar com a glória do Pai, após vencer os vícios e defeitos, os quais somos capazes de caracterizar e de minimizar perante as acusações da consciência, essas, sim, capazes de transtornar o sujeito, pondo-o em pé de guerra consigo mesmo, com o seu passado infeliz e com o negrume de seu futuro?!...

Aí é que o carro pega. Ou não pega.

Se esta atividade de escrevente me faz envergar a camisa da seleção dos intelectuais, também me atira de encontro à responsabilidade de ser absolutamente verídico em relação a todas as opiniões e a todas as reminiscências. Foi por isso que embatuquei diante da necessidade de ser sincero quanto às indicações bibliográficas, porque, verdade verdadeira, não me recordo direito dos trechos específicos que me ocorrem de memória, no deslizar da pena.

Sei que deverei suplantar esse problema, pensando seriamente em elaborar texto legitimamente meu, que denuncie a formulação como de meu estilo inconfundível, apto ao esquadrinhar metódico da crítica de fontes — e agora vou reconhecendo algumas destas idéias nas aulas da faculdade de letras, cujos bancos lustrei muitíssimo precariamente na mocidade.

Para bom entendedor, meia palavra basta!

Venço a tentação de troçar e vou direto ao ponto (mais uma vez), afirmando que muitos dos dizeres que fui aspergindo pelas linhas e entrelinhas de todos os textos estão a merecer de meu íntimo fortes considerações, que não ouso despejar nesta página, porque quis retratar-me em foto de corpo inteiro, fixando, nesta gravura, um instantâneo de vida que jamais se repetirá.

Reintroduzo, assim, a temática das reencarnações, agora sob prisma diferente, porque pretendo asseverar que não existem novas oportunidades para antigos espíritos. Se isto lhe soar, bom amigo e leitor, como agressão explícita aos dizeres de Allan Kardec e, por tabela, uma ofensa aos espíritos de escol que lhe trouxeram as diretrizes doutrinárias que tão bem codificou, não se abespinhe desde logo, porque poderei não ir muito longe nas conclusões pessoais, nem ser tão surpreendente quanto esta manifestação preliminar possa sugerir.

Em todo caso, o tema está a merecer um tópico especial, quem sabe até, se tiver sorte, com a revelação intuitiva de alguma encarnação exemplificativa dentro de minha própria evolução espiritual. Ou seja, vamos conversar um pouco a respeito da regressão da memória de caráter “multiexistencial”.

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