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Erótico-->15. AGARRANDO O TOURO PELOS CORNOS -- 13/12/2003 - 08:58 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Fui convidado para realizar uma palestra em outro centro, por pessoa que julgou que meus dotes de orador seriam suficientes para encantar o seu pobre auditório. Recusei-me, porque suspeitei de que um estranho haveria de causar problema muito sério ao falar sobre mediunidade para pessoas absolutamente simples.

Devo esclarecer que não me negaria a ali comparecer para outros fins, inclusive os de ajudar a assar as pizzas ou a fritar as batatinhas, que não nego fogo a qualquer obra manual, seja de que espécie for.

Por que, então, não aceitei o convite?

Quem parar para pensar, um segundo que seja, haverá de entender logo que os meus dizeres são por demais complicados, esmerando-me ao máximo para ocupar a mente de meu leitor de forma o mais sadia possível, com conceitos precisos, segundo a terminologia mais coerente com os ensinos de Kardec.

Ora, expor assunto por demais técnico de modo a transmitir lições de proveito iria exigir, no mínimo, duas horas de exposição. Em minhas apresentações habituais, acostumei o auditório a me ouvir entre quarenta e cinqüenta minutos, notando que, a partir do décimo quinto, o povo começa a se impacientar, momento em que pego o pião na unha, dizendo uns gracejos pertinentes ao tema, adrede preparados para o efeito da ocasião. Para isso tenho traquejo e conheço a oportunidade de introduzir a facécia.

Tempo houve em que pensei que estaria sendo conduzido pela espiritualidade, por intermédio de algum mentor ou guia da casa. Expus mesmo a intuição ao espírito de luz que um dia dirigiu uma de minhas sessões, na qualidade de doutrinador emérito, e ele me respondeu que vinha acompanhando o meu desempenho e que tudo quanto eu dizia provinha de minha própria capacidade de organizar e manifestar. Também fez referência ao fato de que sempre existem entidades capazes de dar sustentação fluídica ao orador, desde que este esteja atento ao fato de que deve superar a vaidade pela realização de algo que possa receber elogio.

Por exemplo, há determinados momentos em que me surpreendo a tecer eu mesmo comentários bastante favoráveis aos textos que vou elaborando neste meu dia-a-dia de escritor diarista de memórias. Por isso, constantemente, volto-me para a crítica mais rigorosa e “desço a lenha” nas dificuldades de verbalização, inclusive nos defeitos graves dos pensamentos.

Ainda bem que tenho formação na área de Letras, tendo estudado meu tanto de teoria literária, o suficiente para saber que o melhor crítico de sua própria produção não é o autor mas o público, que nem sempre está coadjuvado pela crítica especializada. Por outro lado, antes que me digam algo neste sentido, vou afirmar que há livros e quanta outra espécie de arte que mereceriam esquecimento mas se encontram no ápice do sucesso, enquanto muita produção de melhor nível queda em absoluto segundo plano, quando não cai no ostracismo da opinião. Em todo caso, não deixa de ser válido o conceito segundo o qual não pode o próprio autor expender idéias de valor em relação ao que produz.

Se aceitasse, pois, o convite e lá fosse com meu palavreado difícil, com certeza (refleti bastante sobre este assunto) iria causar no público certa ojeriza pela matéria e não por mim mesmo, porque a minha experiência me informaria o exato momento de suspender o entrecho teórico ou de parar definitivamente a palestra.

Está faltando dizer como é que resolveria o caso, se pudesse contribuir positivamente para ensinar mediunidade para quem não está afeito ao raciocinar lógico do codificador. Levaria o povo a freqüentar a escola tradicional, para que aprendesse a ler e a escrever, com o fito, evidentemente, de fazê-lo culto da cultura consuetudinária, na linha dos feitos intelectuais da nação e de toda a civilização ocidental.

Ainda bem que não estou diante de muita gente que me daria exemplos claríssimos de pessoas dotadas de poder mediúnico acentuado, cuja deficiência, no campo a que acima aludi, é notória. Não faltaria quem me viesse falar do nosso queridíssimo Chico Xavier, asseverando que tenha cursado, no máximo, o antigo “grupo escolar”, mal chegando à quarta série primária.

Reconheço que a minha tese é falha quanto às pessoas com pendores naturais para a mediunidade de muitos tipos diferentes. No entanto, a palestra espraia pensamentos por cérebros e corações os mais variados, quase sempre para quem tem como progredir, não direi no sentido de desenvolver dotes mediúnicos, mas no interesse de sólido conhecimento das teses espíritas, para poderem dar o exato valor aos trabalhos que se realizam junto às mesas mediúnicas, sabendo, mais ou menos de maneira competente, como é que os espíritos fazem para comunicar-nos as suas mensagens ou manifestarem os seus sentimentos.

Para obter êxito perante auditório de pessoas mais simples, teria de partir da explicação do fenômeno das mesas girantes, se possível com projeções de slides, quando não com demonstrações ao vivo, para o que necessitaria de bons médiuns de efeitos físicos e da boa vontade de alguns espíritos superiores, para tomarem conta dos trabalhadores do etéreo de faixa vibratória mais baixa, nem sempre afeitos à obediência aos padrões evangélicos por que se deve pautar o serviço mediúnico de divulgação.


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Disse e reafirmo que não sou médium desenvolvido e que não trabalho na casa espírita nesse setor. Mas nem por isso deixo de privar da companhia de bons espíritos, que me aconselham, por meio de pensamentos intuitivos, a me conter nos limites de meus conhecimentos, não me aventurando a atravessar os matagais dos silogismos fundamentados em premissas desconhecidas, através de picadas que não consigo abrir sem afiado facão.

Sendo assim, tendo percebido que ia divagando a respeito do impulso de recusa da generosa oferta, parei para julgar se não se emaranhavam os meus sentimentos no cipoal das dores de consciência ou de amor-próprio ferido. Dores de consciência, explico, oriundas do fato de que poderia ter feito, ao menos, uma tentativa, pondo o povo ao corrente de que existem dificuldades iniciais a serem transpostas para a imersão nos preceitos doutrinários mais complexos. Amor-próprio ferido, porque me atribuí excessivo valor, quando deveria com humildade reconhecer que a visita ao novo centro, a audição da palestra de algum companheiro mais entrosado com aquele ambiente e o conseqüente adiamento da resposta definitiva me teriam deixado mais satisfeito comigo mesmo, naquilo que entendo como de dever e de direito, ambos os conceitos amalgamados, porque todo aquele que se sabe superior em algum aspecto, deve ter, em contrapartida, desenvolvido o senso crítico em relação ao universo de conhecimentos que lhe faltam.

Não sei se manterei este capítulo das recordações recentes, caso organize os textos para publicação. Em todo caso, descrevi os problemas do modo mais objetivo que pude, aguardando que a consciência ou o inconsciente (eis que também aqui se me misturam os conceitos) venha a revelar-me claramente que o fato não foi único (quase escrevo “escoteiro”) mas que se trata da ponta do “iceberg” a indicar, por baixo da linha da água, uma geleira descomunal.

Onde estão o touro e os cornos?

Talvez eu mude o título, oportunamente.

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