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Contos-->Globo Leitura -- 18/03/2005 - 18:58 (Pedro Carlos de Mello) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Alberto estava almoçando. Eram 12:45 horas. A TV estava ligada, como sempre, quase que por simples hábito. Começava o Globo Leitura na TV.
Mais uma vez Alberto se irritou. “Que raios tinha ele que assistir todo dia, antes do “Jornal Hoje”, esses programas de leitura?”. E não era apenas esse programa que impunham aos telespectadores. As outras redes também tinham os seus similares: TV Leitura, Brasília Leitura, Leitura Total 1ª edição, Leitura Total 2ª edição. Além disso, no Fantástico e em outros programas de variedades, sempre tinham entradas da Cléo Batista e de outros apresentadores especializados para relatar os acontecimentos do dia relacionados a livros, escritores e leituras.
Alberto não entendia que importância teria tudo isso. Era pura ficção, histórias inventadas, surgidas do nada, apenas fruto do imaginário, simples imitação da realidade. Não entendia porque tinha que ser notícia de televisão que “Ray Cunha lança hoje à noite seu livro ‘Três contos amazônicos’”, ou que “Jabuti projeta Roger Mello no Brasil”, ou ainda, que “Festa foi do livro infantil”. E tantas outras notícias regionais ou nacionais que eram veiculadas, mas sem que ele entendesse o motivo disso ser importante para os brasileiros.
Futebol, sim. Isso era importante. Isso era realidade. Acontecia mesmo. Cada gol era uma obra de arte. “Rubens comemora com Abimael e Dimba o primeiro gol do Gama”, “No bem arrumado time do Brasiliense, a defesa tem sido um ponto de destaque”, “Vitória passa fácil pelo Santa Cruz e vai com vantagem do empate para a decisão do título com o rival Bahia”. Isso sim é que são notícias importantes, interessantes.
Mas essas notícias Alberto só via em algum cantinho perdido de algum jornal. Por que não tinha um “Globo Esporte”, um “TV Esporte”, um “Brasília Esporte”, um “Esporte Total 1ª Edição” e um “Esporte Total 2ª Edição”? Será que pesquisavam junto ao povo o que ele realmente queria ver na televisão?
Com os jornais não era muito diferente. Dia 25 de abril, Alberto tivera mais um filho. E, como fizera quando os outros dois haviam nascido, resolveu guardar o jornal do dia para mostrar ao seu filho quando ele crescesse. Mas, que decepção: as manchetes de 1ª página do Correio Braziliense eram “Mistura Cultural: lançamento dos livros de Ronaldo Costa Couto e Lucilia Garcez” e “Adriana Falcão, romântica incurável: ‘Acho que está tudo tão ruim, que eu quero passar uma coisa legal para as pessoas que me lêem. Botei na cabeça que tenho essa missão’”. Como ele gostaria que a manchete fosse “Brasiliense humilha o Atlético”. Mas essa notícia estava apenas lá na pagina 37.
Mas nem tudo era tão ruim. Aos sábados ou aos domingos, os jornais divulgavam cadernos de esportes. Alberto ia com avidez às bancas de jornais. Comprava jornais de Brasília, do Rio, de São Paulo, de Porto Alegre e de Belo Horizonte. Às vezes, comprava jornais de outras capitais brasileiras e navegava pela Internet buscando jornais de outros países, especialmente os de língua portuguesa ou espanhola, sempre na procura incessante de notícias esportivas.
Ficava chateado quando, às vezes, voltando da banca, não encontrava o caderno de esportes em um ou outro jornal. Voltava até a banca para reclamar. Às vezes o problema decorria de descuido do jornaleiro, outras, do distribuidor. Parecia pouco caso. Alberto reclamava: “Garanto que isso não acontece com os cadernos de leitura e com os cadernos culturais. Com os leitores desses cadernos vocês não ousariam brincar. Por favor, quando da montagem dos exemplares dos jornais, façam de conta que esses poucos apreciadores dos esportes, como eu, são tão importantes quanto os apreciadores da leitura e tenham cuidado. Não deixem de encartar o caderno de esportes. É só por eles que eu compro todos esses jornais.
Mas, Alberto sabia que pouco ou nada poderia fazer para mudar esse estado de coisas. Ele continuaria a ver os meios de comunicação dedicando sua atenção principal para a leitura e os livros. Quanto às notícias sobre o futebol, ah! o futebol, ele continuaria a ter que se contentar com migalhas.


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