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Erótico-->19. A PALESTRA -- 17/12/2003 - 06:32 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Se trouxesse para este caderno todas as exposições que tenho proferido no “Louvor ao Pai”, não haveria lugar para mais nada. Contudo, tendo ficado em débito relativamente ao “Mensageiros da Espiritualidade Superior”, venho para cumprir a obrigação.

Desde o título já anuncio que dei a palestra. Mas não é tudo. Fui tão bem agasalhado, o povo se sentiu tão honrado, que me vi na obrigação de aceitar participar do rodízio de expositores. O interessante foi que todos os cuidados que desejava antecipar para o serviço se derruíram, porque foi na minha primeira visita que me vi diante do auditório com mais de duzentas pessoas, anunciado como orador emérito do centro de tal bairro etc. e tal.

Falei sobre mediunidade. Citei os primórdios de Kardec e vim até a figura ímpar de Chico Xavier. Minha exposição durou exatos noventa minutos, sem que tivesse notado enfado no público. Como as crianças estavam impedidas de permanecer, mesmo porque ocupariam lugares dos adultos, o silêncio só era entrecortado pelos risos que eu provocava, a princípio pelo temor de enfastiar os ouvintes, depois com naturalidade, porque me encontrei absolutamente à vontade.

Para ser sincero para com o auditório, citei algumas passagens do Codificador, quando muito admirado ficou ao descobrir na França, em diferentes cidades, que havia centros espíritas fundados e administrados por trabalhadores sem escolaridade, cuja argúcia doutrinária ultrapassou de muito a expectativa do Mestre. Fiz referência à minha atitude preconceituosa, pedi desculpas e reconheci-me totalmente equivocado.

Não contentes só com a exposição, muitos ficaram, formando uma espécie de fila, para se aproximarem com perguntas pertinentes ao tema e outras de caráter geral. Foram muitos os que quiseram saber que livros publiquei, estando dispostos a adquiri-los. Quanto vale a simpatia do orador! Recomendei-lhes autores de nomeada e tive a grata surpresa de obter muitas respostas que aplaudiam as minhas indicações, tendo em vista que os leitores também se agradaram desses textos. Quão mais importante é a experiência junto ao povo do que as lucubrações teóricas sem nenhum fundamento na verdade!

Outro dado valiosíssimo a ser levado em conta foi o fato de que lá o povo não se deixa seduzir por outros atrativos. No dia das lições da tribuna, o centro fez questão de abolir a sessão de passes magnéticos, dando ao tema e ao respectivo expositor o poder de exercer fascínio sobre os aficionados. Fui obrigado a reconhecer que a sala estava cheia e que os presentes para lá tinham sido levados por inteligente divulgação do evento. Pela reação favorável, para a próxima palestra terei de esmerar-me ainda mais, crente, não obstante, de que, se falhar, terei o apoio da grande maioria, pessoas muito simpáticas, que me pareceram conhecer a doutrina de maneira bem fundamentada.

Comigo estavam vários companheiros do “meu” centro, alguns tão admirados quanto eu. No dia seguinte, discutimos o que observamos de bom e de ruim, não havendo um único item pertencente ao segundo quesito.


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Fiquei devendo a mim mesmo um desenvolvimento um pouco melhor a respeito da tese segundo a qual as pessoas se sentem culpadas por atitudes em determinadas épocas da vida, cujo conjunto de circunstâncias quase obrigava àquele tipo de reação. Mudadas as características de lugar, tempo e personalidades envolvidas nos dramas, ficam na memória os perjúrios praticados contra as leis de Deus e as universais consignadas em “O Livro dos Espíritos”. Daí a concluir que teremos de resgatar essas dívidas é um pequeno passo, os quais damos sob alguns conceitos doutrinários mal digeridos.

Não é verdade que, aos vinte, vinte e cinco anos de idade, estamos bem longe de proceder com sabedoria? Erramos, eis tudo, tangidos pelo caráter intempestivo dos jovens. Se tivermos um pouquinho de discernimento e de equilíbrio psíquico, uma hora ou outra acabamos por reconhecer a causa do defeito moral que nos levou à prática do erro e nos corrigimos, definitivamente.

O pensamento acima me induz a considerar que Augusto não teve oportunidade de redenção durante a vida, de forma que não poderia sofrer nas trevas todo o peso da responsabilidade que teria de arcar, caso prosseguisse praticando os mesmos males até a idade de cinqüenta anos. Acho que o exemplo é extraordinariamente esclarecedor.

Então, fico a cismar a respeito do ciúme, quase diria próprio de Otelo, com a diferença de que a minha Desdêmona não chegou a se sentir castigada pelo meu vil sentimento. Nem houve Iago a fomentar ódio à figura imaculada do meu Cássio, inocente quanto ao crime que lhe imputava, mas a se constituir em vilão na trama da realidade, punido exemplarmente com a pena de morte...

Deixei-me empolgar pelo conhecimento erudito de uma peça de Shakespeare, popularizada atualmente pela cinematografia, na versão operística de Verdi. Empolgado, expendi um conceito perigosíssimo, qual seja, o da pena de morte, como solução para os crimes. Entendo-me no que digo. Quem aplicou aquela pena de morte não foi um tribunal terrestre, nem as leis deverão dar guarida a esse extremo de brutalidade penal. Foi uma conjugação de poderes exercidos aleatoriamente, sem responsabilidade, e que terão de Deus a correspondente aplicação das restrições naturais ao livre-arbítrio mal conduzido.

Gostaria de enfeixar o capítulo extraindo uma única conclusão dos dois tópicos, ou seja, de minha maravilhada recepção no outro centro espírita e da sensação de impotência da recuperação vital, quando se trata de evoluir no sentido de não mais praticar certos erros, não havendo mais a mesma conjugação de circunstâncias, para desfazer o malfeito, substituindo por uma ação benemérita e doutrinariamente saudável.

Parece-me que nos dois casos precipitei conclusões. Quanto a Márcia e Augusto, o sofrimento foi todo meu e, se alguma atitude tomei que repercutiu em nossos relacionamentos, somente esta investigação sobre o passado poderá expor-me ao consciente. Quanto ao povo do outro centro, tive o prazer de me ver refletir, tomando uma nova posição, alijando-me do preconceito, reconhecendo que estava errado e, finalmente, comprovando que estive à beira da falência.; mas consegui dar a volta por cima.

Não sei se vou dizer alguma asnice, mas a verdade é que não vejo a hora de deixar a minha carcaça no cemitério, para poder conferir se tantas intuições a respeito de minha vida se confirmam, onde errei e como deverei agir para superar as deficiências de caráter.


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Acho que foi asnice mesmo. Se chegar a outro resultado, volto ao tema.

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