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Contos-->QUANDO O AMOR NÃO ACABA - capítulo IX -- 02/04/2005 - 19:39 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
QUANDO O AMOR NÃO ACABA - capítulo IX

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IX

Ainda tenho em minha mente os terríveis que passei na rodoviária de Juiz de Fora. Ah, como era insuportável o aperto em meu coração quando entrei no ônibus para voltar para casa! Naqueles minutos na rodoviária, eu só pensava em Diana. Eu desejava ardentemente que ela aparecesse para me dar um último adeus. Eu não conseguia me manter quieto, sentado num dos bancos aguardando a chamada para o embarque. E nem mesmo o peso da mochila me impedia de andar de um lugar para outro. Meus olhos corriam o tempo inteiro em todas as direções, como se procurasse desesperadamente alguém, como se eu fosse um turista num país estranho, a espera de que alguém viesse ao meu socorro.
O tempo porém iam passando e minha angústia se fazia maior. Eu sentia o palpitar em meu peito. Minhas mãos tremiam. Mas nada dela aparecer. Nós não havíamos combinado nada, essa era a verdade! Contudo, de alguma forma, ao supor que ela poderia aparecer de surpresa me encheu de esperança. E aquela esperança acabou se tornando numa certeza; até que a certeza se transformou em frustração.
Ao ouvir o chamado para o embarque, corri pela enésima vez os olhos pelo grande salão da estação rodoviária, mas nada dela surgir. Todavia, minhas esperanças não se findaram. “Talvez ela apareça quando eu estiver no ônibus...”, pensei. E quando estava sentado na poltrona, olhando através da janela, ainda sim acreditava que Diana ainda poderia surgir correndo e me dá um último adeus.
Minutos depois, o motorista subiu no ônibus e passou pelo corredor contado o número de passageiros, depois voltou ao seu lugar e acionou o motor do veículo. Só então minhas esperanças acabaram.
Ainda me lembro com exatidão que o coração quase soltou pela boca. Talvez se não fosse minha timidez, o dever incondicional de voltar para casa, e até mesmo a falta de uma justificativa para ter perdido o ônibus, eu teria descido e corrido de volta à Santa Paula. Mas eu era fraco demais para tal ato de coragem.
Quando o ônibus partiu, eu ainda permanecia com a face voltada para a janela. Todavia, não era mais com a esperança de vê-la, mas sim para ocultar do passageiro ao lado as lágrimas que escorriam de meus olhos.
Ah, querido leitor! Não tente medir a dor em meu peito naquele instante! Pois você não será capaz. Em meu cérebro confuso, tomado por uma intensa emoção, eu só pensava em Diana e numa forma de voltar o mais breve possível para estar junto dela.
Luciana, minha namorada? Esta não tinha espaço em meus pensamentos. Não tinha vontade de pensar nela. A bem da verdade, era como se minha namorada não existisse. Diana, Diana, só Diana ocupava meus pensamentos...
E levou muito tempo até que as lágrimas secassem. Juiz de Fora ficara para trás, assim como um pedaço de mim. A noite era a rainha do tempo, tal como o silêncio era o seu filho rebelde. O filho que espalhava o sono sobre os passageiros. Também eu foi vítima desse moleque travesso. E feito Juiz de Fora que ficava mais distante, meus pensamentos também se tornavam mais distantes. Tão distantes que acabei adormecendo.
Quando acordei, a noite já havia passado e os primeiros raios de sol despontavam no horizonte. Já era outro dia. Meus pensamentos também já eram outros. A lembrança da dor, das lágrimas derramadas no momento da partida ainda permaneciam vivas, mas um pouco daquilo tudo perdera-se no caminho. Sem que eu pudesse fazer algo, a lembrança de minha namorada começava a ocupar o seu devido lugar em meus pensamentos.
Confesso que naquele primeiro dia após retornar de Juiz de Fora, tudo me parecia confuso e estranho. Eu não parecia ser o mesmo homem de quando saíra em viagem. Era como se uma transformação invisível tivesse operado sobre mim. Algo que nem mesmo eu sabia ao certo o que era. E isso ficou mais evidente quando encontrei com Luciana no final do dia. Apesar de não vê-la há dias, não havia aquele desejo de reencontrá-la, aquela vontade de rever a pessoa amada. E quando nós nos encontramos, tratei-a com certa frieza, como se nos tivéssemos visto na noite anterior. Não que não a amasse, mas algo estava interferindo no nosso relacionamento. Algo invisível, contudo, capaz de por tudo a perder.
Ah! Querido leitor! Não me culpe pelos meus sentimentos. Sei que agia de forma incorreta. Sei que havia traído minha namorada, e continuava a trai-la em pensamentos. Mas o que podia fazer? Contar-lhe toda a verdade? Não, não! Eu não podia fazer isso! Primeiro, porque não queria causar-lhe sofrimentos. E se contasse o que estava se passando magoá-la-ia. Certamente arrancaria lágrimas de seus olhos. E eu não desejava nada disso. Segundo, porque estava dividido, confuso, sem saber ao certo o que fazer. Já não estava mais inebriado por aqueles sentimentos que me assolavam a razão, todavia ainda mantinha o propósito de encontrar uma saída para ter Diana ao meu lado.
Não contei nada para Luciana naquele dia, nem nos dias seguintes. Não falei da carta que escrevi para Diana um dia depois a minha chegada. Sim, querido leitor! Voltei a corresponder com Diana através de cartas. E naquela primeira carta após o nosso reatamento – uma longa carta, cheia de detalhes –, falei-lhe da paixão, da chama que havia reacendido intensamente; falhei-lhe dos momentos inesquecíveis que passamos juntos, da saudade e da vontade de estar novamente com ela; falei-lhe da dor e das lágrimas derramadas na volta para casa. Talvez isso tenha sido meu grande erro, pois tais narrativas, dramatizadas ao máximo, só fizeram crescer o amor e a paixão que Diana nutria por mim.
Quando ela me ligou três dias depois, fiquei extremamente emocionado ao telefone. Pois ainda estavam frescas as lembranças daqueles momentos em Santa Paula. E sem medir as conseqüências, fiz-lhe juras de amor e prometi retornar em breve aos seus braços.
Ah, ainda recordo perfeitamente daquele telefonema! Ah, como sua voz soava macia e delicada! Diana falava com tanta paixão, com tanta certeza de que a partir daquele momento tudo seria diferente. E naquele seu jeito apaixonado de falar fizeram com que suas palavras penetravam profundamente em meu coração, fazendo-o transbordar de emoção. E inebriado pelo som de sua voz, com os olhos cheio de lágrimas, eu também me iludi com minhas próprias palavras.
Elas não iludiam só a mim não. Por pronunciá-las com tamanha convicção, eu acabei iludindo ainda mais Diana. E eu não me dei conta de que aquilo tudo era impossível. Sim, impossível sim! Talvez não para alguém diferente de mim. Mas para um homem covarde, incapaz de andar com as próprias pernas, incapaz de jogar tudo para o alto e correr atrás de seus sonhos, aquilo tudo não passava de um sonho. Quando é que eu ia ter coragem de jogar para o alto o relacionamento com uma jovem de boas condições financeiras, alguém que era visto por meus familiares como a mulher ideial para seu filho? De que forma ia apresentar a meus pais uma jovem de origem duvidosa, sem estudos, sem condições financeiras? Não, eu não tinha coragem! Quem sabe, um outro filho, rebelde, que não se importasse com as opiniões dos pais fosse capaz de tal ato? Mas não eu! Não que me faltasse vontade. Era tudo que eu mais queria; aliás, era o meu maior sonho; contudo não tinha coragem. Assim, só me restava uma saída: deixar as coisas acontecerem por si só. O que tivesse de ser seria.
E cerca de dez dias depois de minha volta, chegou a primeira carta de Diana. Era uma carta extensa, escrita com aquela letra miúda, sem uniformidade, contendo inúmeros erros gramaticais; mas era uma carta tão linda, tão cheia de paixão. Eram palavras que tocavam fundo no coração. Estava escrita em azul com detalhes em vermelho. Ao pé da página, Diana havia desenhado um coração em vermelho e no seu interior, em azul, escrito o meu nome. O nome estava manchado, como se um pingo de água tivesse caído sobre o papel. Não sei se a mancha fora causada por uma gota d’água ou se realmente era uma gota de lágrima. Não importa. Aquilo causou o efeito que teria que causar. Fiquei tão emocionado, tão encantado com aquela carta que não pude evitar as lágrimas em meus olhos.
Lembro-me que, trancado em meu quarto, li e reli aquela carta incontáveis vezes. Depois disso, dei um beijo no papel, como se, através daquele gesto, meu beijo fosse alcançar os lábios de minha amada. Então fiquei deitado na cama relembrando todos os momentos ímpares que passamos juntos. E mais uma vez disse para mim mesmo: “Preciso encontrar uma saída de ficar para sempre com ela”.
No dia seguinte mandei outra carta com mais promessas e juras de amor. E poucos dias depois veio a resposta. Mas quando recebi a carta das mãos da empregada, já não havia mais a mesma empolgação. Alguma coisa, alguma mudança estava em curso. Eu ainda amava Diana e desejava estar com ela, entretanto, não podia negar que me sentia confortável com uma namorada aqui e outra na terra natal, tal qual um caixeiro viajante. No fundo eu sabia que estava enganando as duas, mas não sentia nenhum remorso em cometer tal ato.
E assim o tempo foi passando, passando...

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