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Contos-->QUANDO O AMOR NÃO ACABA -capítulo XII -- 28/07/2005 - 17:00 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
QUANDO O AMOR NÃO ACABA - capítulo XII

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Como narrar um dos episódios mais inesquecíveis da minha vida? Como resumir algumas horas, se o que vivi nessas horas foram momentos tão intensos que valeram por quase uma vida inteira? Ah, querido leitor! Não me peça para ser rápido. Seja paciente! Pois ao final você poderá tirar suas próprias conclusões. Mas antes, deixe-me arrancar de meu peito, como um punhal, estas lembranças. Custa-me caro, muito caro, fazer isso. Ah! Você nem pode imaginar. Mas é preciso continuar. É preciso seguir adiante. É preciso ir até o fim. Nem que me custe a vida. Não posso parar agora.
Diana não havia me visto, nem mesmo quando eu me aproximei.
-- Oi! – falei.
-- Você por aqui!?... – disse ela, levando um tremendo susto. – Como vai? – perguntou levantando-se. A surpresa fora tamanha que vi nos seus olhos o estado de afetação. Ela poderia sonhar com tudo, menos com a minha presença ali, naquele momento.
-- Bem... e você? – volvi. Um frenesi percorreu pelo meu corpo tamanho o encantamento pela beleza dela.
-- Também vou indo bem – respondeu-me ela. – Quer se sentar e tomar uma cerveja com a gente? – perguntou em seguida. Depois apontou para as duas jovens que lhe faziam companhia e disse: -- Estas são minhas primas Mônica e Jussara. – Lembro-me que seus olhos brilhavam. Percebi que uma felicidade arrebatadora, um júbilo intenso tomava conta de si. E de um instante a outro, vi suas emoções revolverem-se.
-- Oi! – falei para as duas.
Ah, querido leitor! Permita-me interromper o andamento dos fatos para dizer o que se passou no meu íntimo naquele instante.
Não era só a Diana quem estava afetada com a minha presença. O meu estado de afetação era bem maior. Meu coração parecia um oceano de felicidade. A minha vontade era tomar Diana nos braços e beijá-la por toda a noite ininterruptamente. Eu queria arrancá-la dali, arrastá-la para um local reservado e ficar as sós com ela. Eu não queria dividi-la com ninguém. Eu não queria mais saber da festa, nem daquelas pessoas. Nada mais daquilo me interessava. Eu só queria Diana, minha Diana. Mas ela estava com as primas. Eu não poderia arrancá-la dali num átimo.
Eu não gostava de cerveja. Mas como poderia recusar aquele convite? Não. Eu não poderia dizer que não queria fazer-lhes companhia na cerveja. De forma que acabei respondendo:
-- Aceito. Mas só um pouquinho. Deixei uns colegas na outra barraca – expliquei, apontando para a barraca do outro lado. Enquanto isso, puxei uma cadeira e sentei do lado dela.
-- Este aqui é o Ademir, do qual falei para vocês. Ele é o homem que nunca consegui deixar de amar – disse ela, dando um sorriso efusivo.
Aquilo soou como uma flechada em meu peito. Fiquei um tanto desconsertado e experimentei o sabor da culpa. Sim. Ouvir através de terceiros que alguém sofre por outro é uma coisa, mas ouvir da própria pessoa são outros quinhentos. Contudo o momento não era para fazer julgamentos, nem para pensar em culpa. Minha felicidade não me permitia pensar em nada que não fosse aproveitar aqueles instantes ao lado de minha Diana. Assim, aquela revelação não teve graves conseqüências.
-- Ela fala o tempo todo de você – disse uma das primas. – Já pensou em fazer muita besteira por tua causa. Nós é que não deixamos. Uma vez ela queria porque queria ir atrás de você em Santos.
-- Quantas vezes tivemos que consolar ela quando quase se acabava em prantos porque dizia que não podia viver sem você – contou a outra prima. – Nunca vi uma pessoa gostar tanto assim dum homem quanto essa aqui.
-- Elas estão exagerando – disse Diana.
-- Não estamos não! – responderam as duas. – É a mais pura verdade...
Ah, leitor! Ainda consigo ver aqueles momentos, como se os vivenciasse agora, neste exato momento. Ainda consigo sentir em meus ouvidos a voz daquelas duas jovens falando de Diana, da paixão dela por mim. Aquilo me deixou muito encabulado. Quase não pude conter o ímpeto de cair dos braços dela, e, em prantos, dizer que a amava mais do que tudo no mundo.
Mas eu era um homem tímido e reservado. Então eu tive que me conter. E por mais que eu tentava ocultar a afetação, qualquer um podia ver que eu estava desesperadamente cego por aquela jovem ao meu lado.
Recordo-me que eu queria sair com ela dali a qualquer custo. Eu queria ela só para mim. Não queria dividi-la nem com suas primas, nem com meus amigos na barraca do outro lado. Todos eles para mim já não significavam mais nada. Eu já não tinha mais vontade de ficar com eles.
Por isso disse a ela que precisava ir na outra barraca falar com meus amigos. Tinha que ir pagar a conta do que havia comido. Ela sugeriu ir comigo.
No meio do caminho eu disse que queria ficar as sós com ela. Diana deu um largo sorriso e respondeu que então fossemos dar uma volta. De modo que corremos ao encontro de meus colegas, paguei a conta e disse que ia dar umas voltas. Eles nos soltaram uma gracinha e então nos afastamos.
-- Como você está linda – disse-lhe poucos metros adiante.
-- Eu não! Você é quem esta.
Linda nem era a palavra adequada para descrever a beleza dela. Eu nem sei se existe uma palavra ou um sentença capaz de descrever tamanha beleza. Ah, querido leitor! Não se arrisque a pensar numa ninfa. Não, não faça isso. Para mim, naquele momento, Diana era infinitamente mais bela do que todas as ninfas. Era a forma mais perfeita da beleza.
E tamanha beleza provocaram reações das mais diversas em mim. Lembro-me que alguns metros adiante, ao descair os olhos em suas pernas, eu não pude evitar que este pensamento escapasse de minha memória: “Essas pernas estão me deixando louco... até parece que, quanto mais velha, mais bonita e gostosa fica...”. Sei que tais pensamentos podem parecer um tanto indecentes, mas não era só a paixão que queimava em minhas veias, o desejo também era seu companheiro.
Dominado por aquele estado de exultação, não pude resistir. Levei a mão à fina cintura dela e a puxei para junto de mim. Diana se aninhou ao meu lado e também levou seu braço ao meu pescoço. Não caminhamos muitos metros porém. Antes mesmo de chegar a praça principal, paramos um de frente para o outro e nossos olhos se encontraram.
-- Como eu estava com saudades – disse ela, passando as costas das mãos no meu rosto.
Ao sentir o contado de sua mão, eu senti um frenesi. Foi como se uma corrente elétrica, uma força invisível me atingisse. E aquilo percorreu meu corpo e tremi.
Eu apenas respondi numa frase curta que também estava com saudades e a puxei de encontro a mim. Nossos olhos perderam a força, e nossos lábios se tocaram num beijo longo e demorado. Foi como o primeiro beijo. Foi como se aquela emoção, se aquele momento, estivessem sendo experimentados da mesma forma e com a mesma intensidade pela segunda vez. Um desejo ardente e arrebatador tomou conta de mim e dela também. Sei disso. Ela me contou mais tarde. Ficamos extremamente excitados. Eu sentia algo pulsar por dentro de minhas vestes. Era como se nossas almas ansiassem desesperadamente para entrar em comunhão total.
Ah, eu não queria que aquela noite acabasse nunca!
Depois, como se para conter nossos ímpetos, sentamos no banco da praça e ficamos por mais de uma hora abraçados, conversando e se beijando. Não me recordo de tudo que falamos, mas falamos dos bons momentos que passamos juntos, da falta que sentíamos um pelo outro. Diana falou bem mais. Falou de sua dor e de seu sofrimento por minha causa. Disse que ainda tinha esperança de ficarmos juntos. Contou de suas tentativas de arrumar um namorado para me esquecer. Mas disse que não conseguia se apaixonar por outro homem.
Ainda me recordo que ela disse:
-- Eu até começo a sair com eles, mas quando eu fecho os olhos e beijo eles é você que eu gostaria de estar beijando. É em você que eu penso. Então eu acabo ficando triste. Eles perguntam o que está se passando e eu começo a falar de você. Eles até são pacientes comigo, mas não dá certo.
Não era a primeira vez que ouvia tais confissões, mas nunca elas me tocaram tão fundo. Nunca eu me senti tão responsável pelo infortúnio daquela jovem que me dedicava sua existência. Eu não tinha como não acreditar em suas palavras. Não eram palavras de recriminação. Não. Diana não me culpava por suas dores. Ela culpava a si mesma. No entanto, eu sabia que minha responsabilidade era enorme.
Nada me dói tanto o peito, nada me causa tanta mágoa quanto a lembrança dessas palavras. Nunca havia presenciado uma declaração de amor tão profunda, tão verdadeira. Por toda a infinidade, hei de lembrar dessas palavras. Pois elas não ficaram pregadas só na minha mente, mas principalmente na minha alma.
Aquelas palavras mexeram comigo. E eu poderia ter mudado nossos destinos não só naquele exato momento, como nos que se seguiram. Já não era mais um moleque de dezesseis anos. Já era dono do meu nariz, portanto podia decidir meu destino. Eu não amava Luciana mesmo. Tinha um carinho e um respeito muito grande por ela, mas não havia mais amor. O amor que habitava meu peito pertencia a Diana, minha Diana. Era com ela que eu vivia os momentos mais intensos de minha vida. Foi com ela que eu conheci o verdadeiro significado da palavra amor. Contudo, apesar do destino ter sussurrado em meu ouvido para jogar tudo para o alto, para seguir meu coração, eu não fui capaz. Deixei a chance escapar.
Recordo-me, querido leitor, que fazia bastante frio, como faz sempre nesse época. E apesar de estarmos colados um no outro, ainda sim o frio nos incomodava. Então Diana perguntou se eu não queria beber alguma coisa. Respondi que sim. Então fomos em direção ao bar de seu pai.
Chegando lá, ela me apresentou a irmã e depois perguntou pelo pai. A irmã disse que ele não estava. Não me recordo onde ela disse que ele estava. Então Diana me convidou a sentar uma mesa e pediu a um rapaz, que parecia ser um funcionário, que trouxesse uma cerveja e dois copos.
Ficamos ali por alguns momentos. Ela já estava no terceiro copo e eu ainda mal havia começado o segundo. Eu não apreciava cerveja de forma alguma. Só bebia mesmo quando alguém insistia muito. No caso de Diana foi uma exceção. Eu não queria dizer-lhe que não gostava de cerveja. De forma que a ingeria com lentidão, em goles pequeninos.
Quando a garrafa e o copo dela esvaziaram, ela perguntou se não queria dar uma volta. Respondi que sim. E completei:
-- Mas ainda não acabei de beber a cerveja.
-- Não tem problema. Vai bebendo. Depois a gente trás o copo de volta.
Não fiz objeção. Levantamos e saímos os dois abraçados. Na outra mão eu carregava o copo quase cheio.
Caminhamos até a outra extremidade de Santa Paula, onde já não havia mais luz. Diana me ajudou a tomar o restante da cerveja e eu guardei o copo no bolso da jaqueta e falei:
-- Vou levá-lo como recordação desse nosso encontro.
-- Então leva – disse ela, achando graça. – Assim, toda vez que você olhar para ele, vai se lembrar de mim e desse momento que passamos juntos.
Suas palavras, sua maneira de falar pareciam que ela tinha consciência de que jamais ficaríamos um com o outro. Não condiziam com que ela tinha me dito cerca de uma hora atrás. Todavia, se ela tivesse certeza ou alguma esperança acho não teria falado daquela forma, não teria usado aquelas palavras. Talvez, no fundo, ela fosse mais madura e tivesse o pé mais no chão do que eu. Porque, quando estava com ela, achava que havia uma grande possibilidade de ficarmos juntos.
Ah, querido leitor! Por anos eu guardei aquele copo americano. Ele ficava sobre minha escrivaninha com se fosse um troféu, um objeto de valor incalculável. Eu não deixava que ninguém o retirasse dali. E como ela mesmo previu, todas as vezes que olhava para aquele copo vazio, eu me lembrava daqueles momentos inesquecíveis. Eu me lembrava de cada detalhe, de cada beijo, de cada palavra, de cada juras de amor. E, ás vezes, quando me sentia solitário, a dor no peito se tornava mais, os olhos se enchiam de lágrimas.
Vocês não podem imaginar a tristeza quando, ao chegar um dia em casa, disseram-me que a empregada havia quebrado o meu copo. Ela não sofreu com minha fúria porque já era noite e ela já havia ido para casa. Mas como eu chorei naquela noite. Ah! Foi como se a quebra do copo representasse o fim de tudo, o fim de uma esperança, o fim de uma época.
Agora mesmo! Ao escrever estas palavras e relembrar daquele incidente. Meus olhos encheram-se de lágrimas. Tenho que parar por alguns instantes, ir pegar um lenço, antes que o teclado fiquei todo respingado. Desculpem-me, mas tenho que parar por alguns momentos...
Sinto-me melhor neste momento. Achei que voltaria rápido para continuar meu relato, mas antes mesmo de chegar ao banheiro fui acometido por uma crise de choro. Tentei me conter e sufocar a dor em meu peito, mas não foi possível. Fui até a cozinha, tomei um copo de café amargo e depois fiquei assistindo TV. O computador ficou ligado, mas não tive ânimo para continuar meu relato ou desligá-lo.
Apesar de ser tarde da noite, acho que agora tenho forças para continuar. É evidente meu estado debilitado. Eu sabia desde o começo que fazer tais confissões me custariam até mesmo a própria vida. Mas eu já não tenho mais nada a perder. De forma que preciso ir até o fim, até onde minhas forças permitirem.
Peço pela enésima vez desculpas pela interrupção. Vou porém tentar terminar este capítulo sem interrupção. Já não tenho muito mais o que dizer mesmo.
Lembro-me que ficamos ali no escuro por quase uma hora. Poderíamos ter feitos o que quiséssemos. Poderíamos até mesmo ter saciado nossos desejos. Mas nosso amor estava acima de qualquer ato libidinoso. Claro que vez ou outra nossos beijos partiam para este lado e procurávamos instigar os mais secretos desejos um no outro, todavia isso tudo não passava de um jogo. O sexo ainda era algo distante e até mesmo impensável naquele momento.
Foi difícil nos despedirmos quando tive que partir. Tal como das outras vezes, era como se aquela despedida fosse a última. Talvez a incerteza de um próximo encontro fosse o que mais nos machucasse. Prometíamos nos encontrar dali algum tempo, mas tanto ela quanto eu tínhamos quase certeza de que tudo não passava de momento, de uma promessa que não seria cumprida. E era isso que mais nos machucava. Porque, no fundo, sabíamos que poderia não haver outra vez.
E foi com o coração machucado que, mais uma vez, retornei para casa.

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