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Erótico-->15. UMA IDÉIA DE FELÍCIA -- 11/01/2004 - 07:31 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Reunida a classe, formaram-se os grupos, segundo a disposição para os estudos. Antes de saírem, assumiu o pedestal o Professor Epaminondas, para a exortação do ânimo dos temerosos:

— Sabemos que muitos se julgam isentos da necessidade de excursionar à terra. Mas acreditamos que poderão surpreender-se com as novidades que faremos questão de apresentar. Muitos supõem que conhecem perfeitamente os mortais, à vista das realizações em muitos dos campos de trabalho. Nós, porém, queremos esquadrinhar as possibilidades dos que se situam nos comandos, para avaliar até que ponto são capazes de discernir a responsabilidade espiritual que assumiram, ao consignarem para si cargos de projeção na sociedade. Fácil é de se deduzir que as coisas não vão bem. A dificuldade se situa no nível de consciência que cada qual extrai da condição em que se encontra. Em suma, não quero estender-me muito, mas devo prevenir para que mantenham a inteligência desperta para as observações que solicitaremos. Prometo-lhes, em meu nome e dos demais integrantes do corpo docente, que seremos minuciosos nas explicações. Em não havendo perguntas, vamos partir.

Felícia manifestou, de público, uma preocupação:

— Caro mestre, teremos oportunidade de vasculhar outros departamentos da vida material, além dos que nos serão indicados?

Epaminondas não titubeou:

— A irmã sabe muito bem que existem setores em que não conseguimos penetrar, pelas intransponíveis muralhas de ódio que emitem os de mais rude extração vibratória. É por eles que mais trabalhamos, contudo...

Felícia impacientava-se:

— O que eu desejo saber é se podemos eleger aspectos, dentro dos limites da moralidade cristã, naturalmente, para vasculharmos causas e conseqüências, a partir de procedimentos tidos como normais. Quero explicitar melhor a minha proposição.

— Por favor.

— Sabemos que muitas religiões pregam o sentido evangélico como sendo o mais favorável para a salvação que desejam ser definitivas. Até aqui, nada de mais. O que pretendo propor é que mantenhamos a chama da curiosidade industriosa acesa, para conhecer em profundidade os esconsos das almas, a fim de deslindarmos os mistérios da sinceridade, da fé, da esperança, da caridade, do amor, enfim, que regem o procedimento de cada membro dessas instituições. Fique claro que estou falando a respeito de tópicos muito gerais.

— Posso lhe assegurar, caríssima amiga, que propiciaremos a cada um condições de testar a veracidade das informações vibratórias, através dos dispositivos eletrônicos que empregamos para admitir ou rechaçar os seres que se aproximam da colônia. Respondi?

— Quando chegar o momento, se não alcançar a realização dos meus objetivos, revitalizarei a questão.

— Ótimo! Mais alguma observação?

Sentia-se, na assembléia, certo desconforto pela intervenção da colega. Muitos desaprovavam claramente que simples discípula colocasse o professor perante problema tão fútil. Tanto o sentimento se espraiou que Epaminondas precisou esclarecer:

— Meus irmãos, haverá sempre de ser importante que os selecionados se manifestem verbalmente, ainda que todos os demais se sintam incomodados pela simplicidade da questão. No caso em tela da irmã Felícia, ela não disse tudo o que lhe passava pela mente. Na verdade, sua preocupação se situa no plano da consciência e se constitui em séria proposta de reelaboração dos projetos de formação (vamos dizer assim) dos futuros redentores da humanidade. Julga ela que (me corrija se estiver errado) os homens devem ser instruídos desde já, através da crescente participação dos espíritos por meio da mediunidade. Muito tem meditado a respeito de como se podem influenciar os pesquisadores, os governantes, os legisladores, os cientistas, os políticos e demais dirigentes sociais, diretamente, no instante mesmo em que estão lucubrando as decisões de operação das metas estabelecidas para a concretização dos planejamentos, dentro de suas áreas de atuação. Peço a ela que confirme o que acabo de expor.

— Está corretíssimo. Se me permitir acrescentar...

— Perfeitamente.

— Estive pensando em manter diário do desempenho de todos os que se interessarem em ver as intuições e pensamentos tornados públicos, para posterior composição de texto dissertativo ou narrativo, a ser transmitido aos mortais.

A onda das íntimas reações atenuou grandemente o aspecto do desagrado. A maioria simpatizou-se com o projeto. Ninguém, todavia, se dispôs a registrar espontaneamente a opinião. Foi Epaminondas quem estimulou a manifestação dos presentes:

— Amigos, parece-me que alguns sofrearam os impulsos favoráveis à tese de Felícia. Quem poderá rejeitá-la?

Maria solicitou a palavra:

— Não tenho, propriamente, nada que possa contrariar a idéia da irmãzinha. É que não me passou despercebido que a sugestão contemplava os componentes intelectuais, sem referência aos processos oriundos das camadas mais subjetivas das emoções e dos sentimentos.

Falou com extrema dificuldade, medindo o peso de cada termo, temerosa de provocar aquela antipatia que sentira em relação à proposta inicial da companheira. Julgava que a maioria estava concorde e, por isso, iria desagradar-se da observação. Não obstante, teve de admirar-se com o apoio da totalidade dos presentes, tanto que a própria colega Felícia foi quem lhe deu cabal razão, acrescentando:

— Evidentemente, excluí de propósito toda referência aos temores e tremores dos mensageiros, para não passar aos humanos as nossas hesitações, em matéria de capital importância para eles. Poderei dissuadir-me do pretenso prejuízo, se me derem providencial saída para a compreensão pelos encarnados de que tudo que lhes relatarmos terá recebido o mais irrestrito encorajamento e a integral aprovação das forças espirituais superiores, algo como se deu quando o “Espírito de Verdade” comandou a equipe que projetou e concretizou a Terceira Revelação.

Epaminondas interferiu:

— Não quero interromper a discussão de tão nobre iniciativa. Percebo que o tema se enriquece a cada instante com as idéias que despontam por toda a parte. Vou propor-lhes que meditem a respeito e que voltem a debater, quando nos reunirmos de novo. Até lá, os que julgarem conveniente, podem ir anotando os pensamentos, para aperfeiçoarmos o projeto. De acordo?

Tomás teve a impressão de que apenas Felícia estremeceu, desejosa de estabelecer, desde logo, as premissas do trabalho. Aproximou-se dela para o desabafo que lhe parecia natural. Felícia, entretanto, se manteve concentrada, impedindo-o de entrar-lhe na aura de comunicação pessoal. Resguardava-se em prece, suspeitando que, caso se aprovasse a demonstração dos sentimentos, pudesse ser mal interpretada na ânsia de superior participação nos trabalhos missionários. Fazia valer os ganhos espirituais conseguidos à custa de séculos de sacrifícios. Disciplinara-se não sem esforço. Não se deixaria embalar, agora, por tão fugaz momento de glória. Controlou-se, pondo cada íntima vibração no devido contexto psíquico, restaurando a competência de exercer pleno domínio sobre si mesma. E alegrou-se sobremodo, porque percebeu que poderia ajudar a classe para a consecução dos altos desígnios dos mentores. Terminou por agradecer ao Pai:

“Deus todo-poderoso, aceitai esta minha manifestação de alegria e sofreai os meus impulsos de imodéstia. Sei que muitos se satisfariam com a apresentação pura e simples de algo importante. Eu preciso, porém, de vosso perdão, porque, de algum modo, procedi com o coração temeroso, contrariando os princípios cristãos da confiança que devo depositar em vós, pelo descortino doutrinário com que fui apaniguada. Muito obrigada, Senhor, por me facultar exprimir, pela prece, os íntimos sentimentos de culpa, que reconheço e que pretendo subjugar, inserindo-me, com muito boa vontade, no seio desta classe, cujos integrantes estou começando a respeitar e a amar. Assim seja!”

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