Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
23 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 56828 )
Cartas ( 21161)
Contos (12584)
Cordel (10012)
Crônicas (22151)
Discursos (3132)
Ensaios - (8955)
Erótico (13388)
Frases (43349)
Humor (18383)
Infantil (3751)
Infanto Juvenil (2630)
Letras de Música (5464)
Peça de Teatro (1315)
Poesias (138026)
Redação (2918)
Roteiro de Filme ou Novela (1053)
Teses / Monologos (2394)
Textos Jurídicos (1923)
Textos Religiosos/Sermões (4767)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Erótico-->16. CHEGADA À CROSTA -- 12/01/2004 - 07:33 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Epaminondas solicitou que se concentrassem na figura de Jesus, como se ele mesmo adentrasse o recinto e abençoasse os trabalhadores. Para facilitar a criação da santa imagem, elevou os braços e produziu suavíssima fantasmagoria, cor-de-rosa, resplandecente.

Aos poucos, os componentes da classe foram entrando em transe hipnótico, de sorte que puderam ser conduzidos para fora da colônia sem a percepção do momento, auxiliados pelas vibrações que se sintonizavam em seu aparato perispiritual e que vinham do campo etéreo superior.



Mais tarde, Felícia interrogaria Tomás a respeito:

— Bom amigo, você também foi envolvido pela impressão de que flutuava no éter, acordando na crosta terrestre, ou presenciou todo o processo de condução da classe?

— Eu me senti transportado em sonho, se é possível estabelecer algum paralelo para elucidar a sensação de extraordinária felicidade física. No entanto, tenho a certeza de que me mantive parcialmente consciente, como se algum setor da psique pudesse se revelar preparada para a eventualidade da ajuda, em caso de desequilíbrio moral de alguém da turma.

— Mas você adormeceu, vamos dizer assim, antes ou depois de mim? O que me lembro foi de ver a imagem de Jesus, como se estivesse transfigurado, como nos relatam os Evangelhos.

— O episódio do Monte Tabor...

— Isso mesmo.

— Para mim, o procedimento era conhecido, de modo que me adaptei à necessidade de condensação psíquica em torno do objetivo da viagem, alienando-me dos problemas referentes à compressão que me influenciaria negativamente ao passar para a atmosfera mais densa deste ambiente.

— Quer dizer que todos nós fomos coagidos a aceitar este peso corporal que me traz ainda atordoada?

— Coagidos, propriamente, não. Fomos protegidos por camada suplementar de energia, para podermos suportar as emanações da maldade dos seres menos desenvolvidos que se encontram de mistura nas populações humanas.

— Sei que esse fenômeno longe há de estar de qualquer manipulação extra-sensível. Haverá de existir um meio material de condução do campo de força protetor.

— Sem dúvida. Contudo, não tenho condições de lhe explicar como conseguem os mentores utilizar mecânica ou eletronicamente os fugidios elementos energéticos, por meio do instrumental de que lançam mão. Saberia dar-lhe idéia aproximada pela comparação de como os homens enviam pelo éter as mensagens auditivas e visuais, empregando o campo elétrico do espaço, para formar as ondas...

— Percebo que o meu monitor se esforça para não me magoar, ao sugerir que eu deveria ter estudado os princípios físicos, para ilações oportunas.

— Exatamente, embora não esteja, na verdade, desejoso de não feri-la nas susceptibilidades subjacentes, quando acredito que estimular os seus sensores de culpabilidade não está ao meu alcance, porque é critério seu o grau de...

Felícia não quis ser guiada pelo amigo auxiliar:

— Tomás!

— Desculpe-me!

— Devo concluir que, se tiver de volver ao planeta e se estiver por minha conta e risco, terei de fabricar esse adendo corpóreo com recursos próprios, para mim e para os demais sob a minha responsabilidade. Ou poderei sempre contar com o apoio do pessoal encarregado do setor na colônia?

Tomás tremeu sob o impulso de avaliar a questão como formulada com dupla intenção, mas não se deixou impregnar pela suspeita. Refreou o desejo de demonstrar o pensamento e, simplesmente, devolveu a pergunta:

— Que seria mais lógico?

— Sei que estou dando-lhe a idéia de que irei desenvolver o tema da ausência de necessidade de eu produzir o sistema de segurança, à vista do sistema logístico dos meus superiores. Devo continuar surpreendendo você por mais algum tempo, até que venha a compreender como é que os raciocínios se formam em meu cérebro. Respondo, porém, com boa vontade à sua perquirição. Acho que o mais lógico é interessar-me por aprender o método de defesa, para não congestionar o Centro de Emissões Vibratórias.

— Centro de Emergências Vibratórias.

Felícia suspendeu a manifestação, para refletir sobre a nomenclatura. Em seguida, prosseguiu:

— O caráter da emergência configura o fato de que estou certa em pressupor que preciso oferecer-me aos estudos concernentes, para efetuar as excursões que se preparam para os que se diplomarem.

— Com certeza.

— Posso deduzir, ainda, que você está preparado para levantar outros problemas, cada um de acordo com o roteiro programático das diferentes disciplinas curriculares, a fim de me levar a refletir a respeito do que estou perdendo com a atitude...

Não continuou. Forte sonolência obrigou-a a se encolher no leito de campanha.

Tomás buscou informar-se a respeito do que sucedia, entretanto, a ligação telepática estava interrompida. Ele mesmo sentiu intensa pressão na cabeça, como se estivesse adentrando em campo magnetizado, gravidade que se exercia de vários pontos diferentes.

“Estaremos sendo atacados?”

De pronto, pôs-se a orar, solicitando ajuda dos demais. Ao cerrar os olhos, passou a contemplar, pela dupla vista, o que ocorria ao derredor do acampamento, defendido por espessa bolha fluidamente eletrificada. Os companheiros, serenos igualmente, esforçavam-se por reagir sem violência, acatando os princípios das leis da justiça e da preservação, princípios segundo os quais os exércitos de repulsa da intromissão do grupo em seu setor existencial viam os intrusos como perigosa ameaça contra o sistema implantado em sua sociedade. Perpassaram pela mente do monitor algumas reflexões fruídas nos ensinos evangélicos:

“Laboram em erro, porque não compreendem que essas leis confluem para as do amor e da caridade. Mas, se eu não aplicar a lei do perdão, estarei dando força a eles.”

Aos poucos, foram atenuando as sensações desagradáveis e os monitores se deixaram envolver pela lassidão provocada pelo dispêndio energético anormal. Somente os professores se mantiveram despertos, tentando restabelecer as comunicações com a colônia.

Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui