Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
35 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 56828 )
Cartas ( 21161)
Contos (12584)
Cordel (10012)
Crônicas (22151)
Discursos (3132)
Ensaios - (8955)
Erótico (13388)
Frases (43349)
Humor (18383)
Infantil (3751)
Infanto Juvenil (2630)
Letras de Música (5464)
Peça de Teatro (1315)
Poesias (138026)
Redação (2918)
Roteiro de Filme ou Novela (1053)
Teses / Monologos (2394)
Textos Jurídicos (1923)
Textos Religiosos/Sermões (4767)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Erótico-->39. DERRADEIRAS INQUIETAÇÕES -- 05/02/2004 - 07:57 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Sobre Brasília, o panorama que se descortinava não mostrava aos alunos a esplendorosa criação arquitetônica, porque terrível nuvem escura tomava quase todos os espaços. Havia núcleos de grande luminosidade, como se se concentrassem seres superiores em aglomerações perfeitamente definidas. Coube a Epaminondas esclarecer:

— Estamos contemplando um grupo heterogêneo quanto às origens, entretanto os objetivos perversos que o une obriga-nos a considerá-lo o extrato da maldade que existe na alma da nação, exacerbada pelo poder, pela riqueza e pela aspiração de glória e imortalidade. Quanto intelecto praticamente perdido neste ouriçar vertiginoso de desejos mesquinhos, absolutamente desprovidos do mínimo interesse pela ajuda espiritual que se poderia oferecer à população! Os menos atingidos pela avidez do lucro fácil visam a interesses próprios, ainda que busquem ajudar materialmente algum segmento social, inclusive o dos mais necessitados e miseráveis. Enfim, nada que lhes diga eu a respeito (o que todos podem constatar) irá acrescentar um átomo de novidade, mesmo para os que, encarnados, são capazes de intuir o que se passa nos corações dos que lutam pela supremacia nacional, tanto no Legislativo, quanto no Executivo e até no Judiciário. Em torno deles, enorme contingente gravitando, “sanguessugando” o erário público, instalado burocraticamente nos setores secundários e terciários da linha decisória. Há muitos que apenas aguardam oportunidades de colocação, por isso aceitam cargos menores, correndo por fora, utilizando de todos os meios escusos para efeito das propinas e dos arranjos de verbas cujas contas não se fazem. Vocês estão vendo, também, focos de luz espiritual. Acontece que o plano superior mantém diversos núcleos de benfeitores de alto poder energético-fluídico, para a tentativa sempre válida de influenciação evangélica, para o que se aproveitam de todas as brechas, incentivando os familiares a se unirem em torno de ideais religiosos, já que existem, em pontos magneticamente estratégicos, igrejas de todos os credos, muitas ostentando imensa riqueza material, enquanto outras lutam por atrair financeiramente os crentes, pelo interesse na assistência espiritual, ainda que à custa de obrigações cuja extensão cármica não imaginam. Tal aspecto diminui essencialmente o valor das pregações, das filosofias, das doutrinas, chegando a incentivar o culto exterior em substituição à prece em secreto, recomendada por Jesus para o isolamento do quarto. Mas o roteiro espiritual existe e serve àqueles que, de repente, se vêem despojados das esperanças por alguma reversão das expectativas provocada por acidentes, por doenças e até por agitações morais provocadas pelo conhecimento evangélico que se insinua em momentos de emoção à flor da pele, como quando a cidade se enche de populares a reivindicar direitos, demonstrando um pouco do burlesco humano que a miséria sói fomentar. Se se concretizassem as leis em harmonia com as aplicações rigorosas dos recursos financeiros, quanto não diminuiria a poluição metafísica que nos apavora quanto ao trabalho que prometem aos socorristas do etéreo e aos missionários encarnados! Em todo caso, vamos acreditar, pensando em nós mesmos, que nunca estivemos tão adiantados na senda do Senhor, porque os seres não arrepiam caminho, não retrogradam, não “involuem”. Imaginar que as pessoas que criticamos estejam no apogeu do desenvolvimento é confiar em que o futuro lhes reserva meios de superação de todos os vícios, de toda a maldade, de todos os defeitos. Olhando para o nosso passado, conhecemos os sofrimentos que aguardam pelos irmãos em desasada peregrinação corpórea. Eis a sabedoria espírita mais comum, impressa nos textos de Kardec e desenvolvida em extensa literatura mediúnica de fácil acesso. Mas esta nossa preocupação é mais inquietante, porque somos capazes de visualizar o dia do desespero material mais pungente, aquele em que as forças da espiritualidade superior decretarão o despejo dos espíritos perversos para regiões de muito maior amargura, porque estamos sendo desleixados com o paraíso que a benevolência divina nos reservou. Por que deixamos para o final da viagem esta dramática situação, conquanto muito menos intensa do que as que testemunhamos em zonas de guerra? Porque será aqui que muitos de vocês serão estimulados a atuar, conquanto venham a encarnar em pontos diferentes do território nacional. Se desconfiarem de que não estamos seguindo os padrões espíritas tradicionais, estarão concluindo com presteza a respeito da mudança de atitude dos responsáveis pelas colônias. Façam o levantamento estatístico dos seguidores da doutrina da codificação kardecista que ocupam postos de comando político e mesmo econômico. Extraiam os hipócritas, os aproveitadores e verão que se contam nos dedos de uma das mãos. Se perlustrarem os meandros das almas dos fiéis administradores das casas de assistência espiritual, vão verificar que profligam os filiados que se aproximam das reivindicações de cargos que lhes dariam responsabilidades junto ao Governo e aos destinos da população. Temos de perder o medo de correr o risco da tentação, espelhando-nos no exemplo de Jesus.

E, sem transição, concluiu:

— Quero pedir aos encarregados da redação do texto a ser passado logo aos mortais que não busquem melhorar a qualidade deste discurso, dito de improviso para enfeixar os ensinamentos práticos ministrados ao longo da viagem, com o objetivo maior de auxiliar os alunos na captação dos sentimentos que se subordinam ao prisma predominantemente intelectual do exame que fazemos da realidade.

Enquanto falava Epaminondas, os tópicos iam sendo ilustrados com os pensamentos e sentimentos dos encarnados, diretamente projetados na mente dos alunos, de sorte que se evitavam as visitas sobremodo onerosas para o estado emocional de todos. Até Felícia se concentrou nas palavras do mestre, as quais não mais se demonstravam rebarbativas, como ao início da peregrinação. Esse modo de captar as vibrações mais profundas do corpo docente, Felícia, de pronto, transferiu para o arquivo em que se preparava o texto a que dera origem. Como última lição pessoal, deixou impresso que pretendia retornar ao globo na condição perigosa de líder, sem estipular em que setor da atividade humana, registrando que a vontade não seria a sua, mas a dos orientadores da colônia. Assinalou que terminara os cursos de Física, Matemática e Química, tendo feito incursões muito sérias em diversos outros ramos das Ciências terrenas e etéreas, restando enfronhar-se nos estudos da Teologia, para o que estava reivindicando que os mais aptos em História das Religiões, em Filosofia e em Psicologia se aprestassem para ajudá-la. Encerrava, assim, a sua participação dentro do roteiro da mensagem mediúnica.

O regresso à colônia se deu em clima de forte aborrecimento, porque julgavam os alunos que não deveriam ter gastado tanto tempo, quando, se não se tivessem rebelado, poderiam estar bem mais adiantados, quem sabe na condição de Roberto, cujas notícias foram as primeiras que solicitaram.

Roberto estava em franco processo de miniaturação, ao mesmo tempo que lhe eram passados muitos dos conhecimentos de que se utilizaria, tendo em vista as perspectivas de vida deduzidas do ambiente cultural do lar que o iria agasalhar. Enviou, ainda assim, por intermédio dos técnicos que o atendiam, um abraço a cada colega, fazendo questão de inteirar-se dos sucessos da viagem. Informado a respeito do ânimo em baixa, não se abateu. Elaborou um texto poético em que estimulava o trabalho como solução para todos os problemas, ainda mais (insistia) se realizado sob o manto de Jesus, em proveito evolutivo de muitos companheiros de existência, todos irmãos em Deus.

Eis o poema:


Aos eleitos

Se Deus nos convocar para o trabalho,
Chamando a cada um pelo seu nome,
Larguemos nosso prato ainda com fome
E vamos, mui alegres, para o malho.

“Quem mais teria aqui maior renome,
Se tudo quanto faço eu estraçalho,
Se tenho do Senhor bom agasalho
E minha luz é tal que o mal consome?”

Assim devem sentir-se os meus amigos,
Na crença de que vão ser os melhores,
Ao enfrentar do mundo os seus perigos.

Então, se convencerem os piores
Que devem em Jesus ter seus abrigos,
Terão da humanidade só amores.


A convocação emocionada sensibilizou os corações e não precisaram os mentores realizar nenhuma complementação para o incentivo ao estudo. Sem exceção, com muito entusiasmo, os alunos iniciaram a caminhada redentora rumo ao conhecimento que lhes daria condições de serem bem sucedidos na encarnação missionária.

Uma semana depois, Felícia era convocada pelo Governador.

Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui