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Erótico-->14. SEM CAPUZ -- 22/02/2004 - 07:41 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER

Como que respondendo ao dilema da vida ou da morte, ouviu uma voz que lhe disse:

— Estou substituindo o companheiro. Tenho ordem pra manter você alheio ao que se passa dentro e fora do recinto. Portanto, veja bem, não quero nenhuma tentativa de descobrir coisa alguma a respeito de quem somos e onde estamos. Não preciso que me prometa nada. Estou só avisando que, por qualquer coisa fora de propósito, irá terminar seus dias aqui, imediatamente.

Notou Teotônio que o novo carcereiro era bem mais instruído, se bem que as palavras não punham dúvida quanto ao fato de ser prisioneiro e de estar guardado a sete chaves.

— Posso falar?

— À vontade.

— Estou com uma tosse que me vai levar desta pra melhor, antes que vocês venham a receber o resgate. Peço a sua gentileza para me dar algum remédio, xarope ou antibiótico, para que eu possa sair vivo desta aventura. Desculpe-me: eu sei que estou dando muito trabalho. Mas, como pretendo colaborar, atendendo a todas as exigências, estou solicitando um pouco do muito que vocês vão receber. Se estão achando...

— Não estamos achando nada. Deixa ver se está com febre.

Teotônio sentiu a aspereza da mão apalpando-lhe o pescoço, bem como o dorso dela a descer até o peito.

— Está ardendo! Vou providenciar os remédios já. Aqui está a chave do cadeado do capuz. Quando ouvir a porta, pode tirar. Quando eu bater, você coloca de novo.

— Agradeço muito.

— Não seja cínico. Se você puder, vai pôr a gente na cadeia.

— Não quero ser provocativo...

— Pois não seja. Cala a boca, que vai ser bem melhor.

Teotônio levantou a mão. Queria falar ainda mais um pouco.

— Muito bem! Que vai ser agora?

— Só quero saber se vai ficar alguma lâmpada acesa.

— Se você encontrar o interruptor, pode acionar.

Logo percebeu que falara bobagem. Em todo caso, podia ser que arrumasse um meio de acender a luz e aí tinha a palavra do outro...

Ouviu a porta fechar. Correu para abrir o cadeado, removendo a máscara. Estava uma escuridão só. O conforto, porém, de poder passar a mão pelo rosto, esfregando os olhos e coçando o couro cabeludo, deu-lhe um pouco mais de esperança de sair ileso da enrascada.

Começou a apalpar as paredes para encontrar a chave bendita. Nada achou do lado em que se deitava. Buscou alcançar a parede da porta mas foi impedido pela corrente presa ao pé. Imaginou que a chave poderia servir para o outro cadeado, mas não logrou sucesso.

— Será que conseguirei ir ao banheiro? Mas aí vou ter de explicar a luz que acender, sem permissão de me locomover. De qualquer jeito, estou conseguindo...

Nesse instante, bateram na porta. Pegou o gorro, que havia enfiado no cós da calça, e vestiu.

— Estou pronto!

— Muito bem! Você vai tomar uns comprimidos de seis em seis horas. Vai ficar com os envelopes. Vou dar uma vela e uns fósforos. Só acenda pra ver as horas. Vai encontrar a sua roupa, com o relógio, em cima de uma cadeira. Daqui pra frente, não precisa mais pedir pra ir ao banheiro nem pra tomar banho. Sugiro que tome um bem quente, pra aliviar a febre. Se quiser fazer a barba, vai encontrar aparelho junto com a roupa.

— Posso saber como é que você percebe quando eu levanto a mão para falar?

— Está querendo saber demais.

A porta bateu com estrépito. Era o sinal de que estava livre para acender a vela. Os fósforos estavam meio úmidos, de modo que perdeu três antes de conseguir colocar fogo no pavio. Constatou que todos os remédios estavam à disposição. Viu que havia uma janela no fundo, mas totalmente vedada. A porta tinha um visor de vidro, por onde, evidentemente, podiam observá-lo. Conferiu os nomes dos produtos com muita dificuldade, porque a vista estava desacostumada com a claridade. Tomou os comprimidos com uma nova garrafa de refrigerante que o sujeito lhe havia deixado. Pensou em explorar o outro compartimento, mas sentiu-se arrear, suando em bicas, tremendo enregelado pela doença. Não havia cobertas, além de lençol que até então não percebera acima do tosco colchão, ensebado e malcheiroso. Enrolou-se com ele e foi perdendo a consciência aos poucos, embaralhando-lhe os pensamentos pela fatal vertigem que lhe provocaria os delírios das próximas horas.

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