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Contos-->QUANDO O AMOR NÃO ACABA - capítulo XVI -- 29/12/2005 - 17:59 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
QUANDO O AMOR NÃO ACABA - capítulo XVI

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Talvez para me castigar, Fabiana recusou minhas propostas de encontros íntimos nos primeiros dias da daquela semana. No entanto, não há mulher que resista à esperteza do homem, quando este conhece seus pontos fracos. E eu sabia onde ela era mais vulnerável. Ainda mais uma garota idiota quanto ela: uma menina ingênua, capaz de acreditar nas palavras de um homem sedutor, quando ditas da forma certa no momento certo. Ah, como uma garota apaixonada se torna tão facilmente um brinquedo, algo manipulável!
Bastaram tão somente três dias para que nossos corpos voltassem a se unir. Eu não queria nada com ela, mas queria sugar o máximo possível a única coisa que ela tinha a oferecer: sua pureza. E enquanto não me bastasse de seu corpo e não fizesse tudo que tinha vontade, tudo aquilo que não tinha coragem de fazer com minha namorada, não lhe daria um chute no traseiro. E se o destino não tivesse posto uma pedra no nosso caminho, provavelmente teria não só lhe tomado a pureza como também a sua juventude – a única coisa que ainda lhe restava. Mas não vamos adiantar aos fatos. Tudo tem seu tempo. No momento certo falaremos disso.
Não me lembro ao certo quantas vezes transei com Fabiana no escritório. Aliás, posso afirmar sem sombra de dúvida que foram muitas. Não vou dizer que foram todos os dias, pois estaria exagerando; todavia, chegou a quase isso. Na maioria das vezes, após o pessoal sair, trancávamos na minha sala e, sobre a mesa ou até no chão, amávamos-nos feitos animais. Não raras vezes, era uma transa rápida, uma forma de dar vazão ao instinto. E quando a chama da volúpia se apagava, era como se tudo ficasse escuro e não sobrasse mais nada além de dois seres quase estranhos, onde a vontade de se ver livre do outro se fazia mais forte. Sim, querido leitor! Era dessa forma que eu me sentia. Era tomado por uma sensação indizível, uma vontade de fugir dali e me afastar dela o mais breve possível. Não havia o menor interesse em desperdiçar mais um minuto para lhe fazer carícias. Dir-se-ia de dois animais que após cumprir sua tarefa em manter a espécie, seguem seu caminho.
Ainda tenho na memória um dia qualquer, pouco antes do nosso rompimento, em que a possui sem lhe fazer uma única carícia antes. Na verdade, eu nem estava com vontade de possui-la. Mas num átimo surgiu aquele desejo, como se um diabinho me cutucasse, e eu acabei fazendo. Foi a segunda vez em que a machuquei profundamente.
Como acontecia quase todos os dias nos últimos tempos, éramos os últimos a sair. Estava em minha sala me preparando para ir embora. Sabia que Fabiana continuava por ali, algum lugar, porque ainda não tinha se despedido de mim. Aliás, não me fazia tanta diferença se ela saísse sem falar comigo. Às vezes, eu até me aborrecia por ela me dar satisfação todas as vezes antes de ir para casa, como se ao possui-la tivesse adquirido o direito de posso sobre sua vida. Entretanto, esse aborrecimento durava alguns segundos. Pouco depois já havia me esquecido dela, como se ela fosse uma qualquer.
Lembro-me que deixei minha sala com a intenção de ir embora quando a vi diante do espelho retocando a maquiagem, feito uma prostituta antes de se encontrar com um cliente. Digo isso porque foi a impressão que tive. Talvez porque ela carregava exageradamente na maquiagem. No mesmo instante escapou-me um pensamento sórdido: “Nossa! Ela parece uma putinha, assim encostada na pia olhando para o espelho se borrando de batom...”. Foi mais ou menos isso que pensei. E daí comecei a ficar excitado.
Quem me impediria de fazer o que bem entendesse com ela? Já não a tinha possuído varias vezes? Então? Que diferença fazia penetrá-la uma vez mais? Por que não possui-la pensando que estava copulando com uma prostituta?
E enquanto era dominado pelo desejo, fui me aproximando.
Fabiana estava usando uma blusinha esverdeada e uma calça jeans desbotada por causa do uso freqüente; calçava umas sandálias avermelhadas, as quais não combinavam em nada com o restante da roupa. Seu cabelo estava amarrado e suas maças do rosto despertavam a atenção devido ao excesso de maquiagem. Talvez tenha sido esse conjunto que me fez associá-la com uma prostituta. Aliás, se ela andasse pelas ruas na madrugada, assim como estava, qualquer homem dir-se-ia tratar de uma jovem prostituta. Eis a verdade.
Mas vamos aos fatos.
Eu me aproximei dela, agarrei-a por trás e fui levantando sua blusa esverdeada. Ela por sua vez, não interrompeu o que estava fazendo. Agarrei seus peitos e apertei-os entre meus dedos. Sem cerimônia, levei as mãos até o botão de sua calça e desabotoei-a. Só então ela afastou o batom da boca e virou o rosto para me beijar. Aproximei meus lábios enquanto minha mão abria-lhe o zíper e empurrava suas roupas para baixo. Ela apenas desencostou o púbis da pia e deixou que a calça e a calcinha deslizassem pernas abaixo.
Antes mesmo de terminarmos o beijo, meu falo já abria caminho no meio de suas pernas.
Acho que ela pensou que eu ia usá-lo para excitá-la antes de penetrá-la. Afinal fazia isso com relativa freqüência. Mas não era o que tencionava. Queria possui-la como se possuísse uma prostituta: sem beijos, sem carícias, sem preliminares. Tencionava agir de uma forma quase mecânica, sem lhe proporcionar prazer algum. Evidentemente que o meu prazer estava justamente em fazer isso. Eu queria sentir meu falo penetrar naquela vulva seca, e então experimentar o atrito e a resistência por falta de lubrificação nos nossos órgãos genitais. Eu queria antes de tudo saber qual seria a sensação ao olhar através do espelho a expressão no rosto daquela jovem, enquanto meu falo era empurrado com toda a força para dentro daquela cavidade, sem que a mesma estivesse em condições de recebê-lo.
Para tanto, levei a mão no meio de suas pernas, e afastei os dois grandes lábios com os dedos. Sem isso não conseguiria penetrá-la, pois estava sem lubrificação. Os negros pêlos e encaracolados ao redor impediriam a passagem e certamente me causariam uma dor intensa no falo e me fariam desistir. Mesmo assim, após ter afastado os grandes lábios, custei penetrá-la. Ela quis me conter, mas não conseguiu; minhas mãos a enlaçavam feito um cabo resistente.
Até hoje não sei porque fiz isso, algo tão desumano, como se tencionasse causar-lhe dor e sofrimento. Não consigo entender por que senti uma vontade tão grande de lhe causar novamente dor. Digo isso porque foi dolorido. Pude ver nos seus olhos, ao se fecharem por causa da contração dos músculos da face, na expressão do seu rosto através do espelho, como pude sentir em mim mesmo uma pontada de dor quando empurrei com toda a força meu corpo para frente.
A expressão em meu rosto não foi como no resto dela. Havia uma grande diferença: eu estava excitado e aquilo me causava prazer. Nela não havia excitação alguma. Era como introduzir de forma mecânica um objeto roliço e não tão fino na sua vagina sem que ela esperasse por isso.
Meu gozo veio de imediato. No instante em que senti algo se desprender dentro de mim, joguei com tamanha força meus quadris de encontro aos dela que a pia quase se soltou. De seus olhos lacrimejantes saiu um grunhido de dor, um som apavorante, como se algo a dilacerasse por dentro. Quando eu parei e soltei o seio direito, pude ver refletido no espelho a marca de meus dedos. Naqueles instantes de insanidade, devo tê-lo apertado além da conta.
Sei que é difícil confessar essas coisas. Mas eu já não tenho esperança de mais nada. Sou um descrente, não temo o castigo do inferno, nem mesmo a ira de Deus. Se me arrependo do que fiz, não é por medo do que me acontecerá ao deixar esse mundo. Disso vocês podem ter certeza. Meu arrependimento consiste nos danos que lhe causei. Sim porque se não tivesse lhe feito tanto mal, talvez ela teria tido um destino melhor. Não quero me antecipar aos fatos, mas não adianta fingir que não lhe fiz nenhum mal.
Narrando esses acontecimentos tão difíceis, tenho que confessar: parece que estou tirando um peso das costas. É como se durante muitos anos, tivesse carregado esse fardo sem me dar conta de quão pesado era. Talvez porque me acostumara com ele. Digo isso assim, com convicção, porque me parece a mais pura verdade. É como se me livrasse de um fardo. Não que eu queira justificar meu destino e minha incapacidade de ser um ser completo. Pelo contrário: é provável que eu só tenha cometido esses atos como forma de auto afirmação, para ocultar minha fraqueza. Ah, só pode ser por causa disso! Não sou nenhum psicólogo, psiquiatra ou coisa parecida; não tenho conhecimento algum nessa área, mas desconfio que esses momentos de violência exagerada contra jovens indefesas não passavam de uma forma de esconder o meu maior defeito: minha impotência diante dos desafios.
Mas seja lá o que for, não vamos falar deles agora. Aos poucos você poderá me conhecer melhor e então poderá tirar suas próprias conclusões. Como já pedi mais de uma vez, querido leitor, não me julgue antes da hora! Deixe-me contar toda a história; assim, quando eu estiver acabado, quando não tiver mais nada a acrescentar, então pedirei que examine sua consciência e dê seu veredicto. Por hora, só quero explicar como me tornei um inútil, um ser capaz de despertar no outro tão somente dó.
Sei que você deve estar um tanto curioso para saber o que se passou depois daquela cena. Por isso não vou lhe deixar na expectativa. Sei que essa é uma sensação meio que desagradável para a maioria das pessoas. Eu por exemplo, odeio me sentir assim; apesar de que isso quase sempre me acontecia.
Ali diante do espelho do banheiro, ao me aperceber de meus atos, senti uma vergonha imensa; não tive nem coragem de olhar para a minha própria imagem refletida. Tive receio de enxergar um monstro ou alguém que não seria capaz de reconhecer. Lembro-me de tudo como se fosse hoje. Eu simplesmente abaixei a cabeça e lhe pedi perdão. Com a voz trêmula, disse-lhe que nunca mais ia fazer aquilo. Se até então eu quis lhe ocultar minhas fraquezas, minha incapacidade de assumir meus erros, ali deixei bem claro que não passava de um moleque, de uma criança mimada que faz malvadezas, mas não é capaz de responder por elas. Por quê lhe pedir perdão da forma que pedi? Não teria sido mais nobre, mais condizente com minha posição, se lhe dissesse que fiz aquilo por prazer? Não teria sido melhor confessar-lhe que vez ou outra gostava de fazer tais coisas? Mas por que me rebaixar daquela forma? Implorar seu perdão? Ela não ia me perdoar naquele momento. Era evidente que não! Talvez ela até me perdoasse, como certamente faria, mas não naquele momento. Se tem algo de tão repugnante na mulher, algo que mais demonstra sua fragilidade, é a capacidade de perdoar o amante repetidas vezes por lhe infligir as maiores dores. Não há deslize do homem que a mulher não perdoa. Entretanto, ela jamais o perdoa enquanto a dor dilacera sua alma. É preciso esperar a dor passar. Só então um simples pedido de perdão acompanhado de algumas carícias e palavras doces é capaz de amolecer seu coração.
Não sei se foram as dores na alma e no corpo ou se foi por causa da máscara que desprendeu de minha face; só sei que daquele dia em diante Fabiana não foi mais a mesma. Mal me dirigia a palavra. E quando o fazia, era da forma mais profissional possível. Além disso, estava sempre calada, como se algo a perturbasse.
Eu poderia ter tentado contornar a situação, só que me sentia tão envergonhado e impotente diante dela, que até achava melhor que nos falássemos o menos possível. Toda vez que olhava para ela, lembrava da sua expressão de dor refletida no espelho. Era como se o espelho tivesse mostrado mais do que uma imagem. Era como se tudo de abjeto que havia em mim tivesse sobressaído. Por isso eu simplesmente passei a desejar que ela pedisse as contas e saísse da empresa. Eu não tinha coragem de fazer qualquer coisa para provocar sua demissão. Só de pensar nisso, sentia um aperto no peito. No entanto, ficava na expectativa de que ela tomasse essa decisão por si mesma. Aliás, foi o que veio acontecer alguns dias depôs. Só que por um motivo extremamente grave, o qual eu prefiro deixar para o próximo capítulo.
Me desculpe querido leitor. Preferia contar tudo agora. Mas só de me lembrar desses episódios, de tudo que se passou, parte-me o coração. Não é fácil para um homem na minha condição, sozinho, condenado ao ostracismo, falar de algo que poderia ter mudado minha vida. Nunca deixei de lembrar desses acontecimentos, mas, ao narrá-los da forma que estou fazendo, é como se eu os estivesse vivendo outra vez. Não posso evitar de recuperar detalhes que jaziam no esquecimento. E isso tudo me machuca profundamente na alma. Sou um homem sensível. E não sei conter as lágrimas quando uma emoção as provoca.
Talvez você me ache um tremendo idiota, mas a verdade é que, nesse instante, meus olhos estão cheio de lágrimas. Estou curvado diante do teclado do computador e, sem que fosse possível evitar, um pingo foi parar no vão das teclas. Por isso é melhor que eu pare por aqui. Se continuar, poderei inclusive danificar o teclado do computador. Não é um teclado novo, assim como o computador também não é, mas não estou em condições de seguir em frente. A emoção e grande demais. Se persistir, vou acabar distorcendo a verdade. E não é isso que eu quero. Se cheguei até aqui, vou até o fim. Farei possível para contar sempre a verdade, mesmo que ela possa me causar as maiores dores ou até levá-los, queridos leitores, a me odiar para todo o sempre.

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QUANDO O AMOR NÃO ACABA – CAPÍTULO XV
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