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Contos-->Trabalho com muito amor (Uma história verídica). -- 04/02/2007 - 14:53 (João Rios Mendes) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Foi com satisfação que aceitei o cargo de Diretor... Como por encanto, Gabi, uma moça um pouco mais jovem que eu, cabelos curtos, saltitante, muito alegre e “atrevida”, começou a invadir meu espaço, onde quer que eu estivesse. Quando menos esperava, lá estava ela, olhando de soslaio, brincando com a seriedade do meu cargo. Sentia a magia do seu olhar pó onde eu passava. Audaciosa, Gabi não perdia a chance de me desconcertar e se encantava com o balanço das minhas ancas a cada passo que eu dava.

Quando dei por mim, ela já freqüentava minha sala, cheia de dúvidas como investir seu dinheiro em carros, terrenos, empréstimos ou dólar. Já sentia sua ausência quando não comparecia ao serviço ou não deixava uma mensagem picante em minha mesa, em um envelope que me fazia sorrir mesmo sem abri-lo: “Minha caixinha de surpresas não me esquece”. Era certeza todo dia uma novidade. Tanta certeza, que, de repente, me peguei “bolando” algo para surpreendê-la. Um joguinho inebriante!

E assim, foi impossível não trazer este encanto para o nosso dia-a-dia. Foi acontecendo espontaneamente. E sem que nenhum de nós tomássemos iniciativa, vimos-nos de mãos dadas trocando carícias às escondidas, suspirando mais profundo a cada encontro pelos corredores, e nossos olhares, discretamente, revelando todo nosso carinho.

Até, que certo dia a convidei para jantarmos em minha casa. Sopa de legumes regada a vinho, luz de velas e ao som de Simony, cantando Ursinho Pimpão. Foi uma noite memorável, com tudo o que tem direito os jantares dos apaixonados. É! Não tenho outra definição: completamente apaixonados!

O dia seguinte. Como Gabi se comportaria? De tão ousada, será que ela se jogaria em meus braços, beijando-me e tornando pública nossa noite? Não queria comprometer minha carreira com este namoro na empresa. Então, logo cedo, decidido a pedir o seu silêncio peguei o telefone quando, ao ouvir sua voz atrevida, caiu no esquecimento o que eu iria falar, pois, me incitando sempre, mais uma vez me deixei levar por sua doce loucura, que aos poucos ia me transformando.

Mais tarde, ao encontrá-la no corredor gelei. “É agora!” Tremendo dos pés à cabeça a vir passar e dizer: “Bom dia, Senhor! Bonita gravata!” Ufa! Foi meu alívio! Como não amar esta louca mulher?

Outro jantar. Frango ao molho madeira. Nossa rotina era esta. Mas qual seria a surpresa desta noite? Estava ansioso por mais uma novidade quando ouvi Elba Ramalho cantando De volta pro meu aconchego, sai do quarto e retorna com uma pequena bolsa. Apaga a luz, acende duas velas perfumadas que exalam um delicioso aroma de grama fresca cortada... E tendo a lua como testemunha que via tudo por uma fresta da janela, começa o inesquecível ritual: veda meus olhos, com os dentes vai me despindo pouco a pouco, pedindo que eu não faça perguntas, apenas desfrute aquele momento de prazer. Com delicadeza e muito carinho estica meu braço direito e o amarra na cama, fazendo o mesmo com o esquerdo. Senti um longo arrepio. Era o medo me se aproximando. O que esta mulher está querendo? Como pude me deixar levar tanto? Até que ponto a conheço? O assunto dos jornais há poucos dias foi do amante com o pênis decepado. Por que não reajo e coloco um fim a tanta emoção? Mil pensamentos invadiram minha cabeça. Para aumentar a confusão, o calor de sua boca tocando meu corpo se misturava ao seu cheiro de fêmea insaciável. E agora? Gabi, com minhas próprias gravatas, amarrou-me as pernas que já não tinham forças para lutar contra, mas reagi inseguro: “O que você está fazendo?” Era uma mistura de prazer e pânico.

Gabi me levou ao delírio. Me lambuzou de mel, e com toda a volúpia daquele momento, não se esqueceu de tocar nenhum dos meus poros. Meu lado másculo, em completa sintonia com esta fêmea, fraquejou à mais perfeita harmonia de corpos e almas. A relação paixão-prazer alcançou seu topo máximo. Com braços e pernas amarrados, eu me contorcia, gemia, chorava de prazer e Gabi sorria. Estava totalmente entregue a esta mulher...

Hoje, um ano após tantas emoções, cá estou a recordar com doçura esta paixão distinta em toda sua essência. Nossos caminhos mudaram, mas a simples lembrança de seu sorriso “penetrante” me faz arrepiar. Vivemos intensamente aquela paixão. O tempo contribuiu para que outros interesses se chegassem até nós e nos afastássemos. Três anos juntos passou num piscar de olhos. Ao retornar à empresa tenho a impressão de que seu olhar guloso continua a me seguir sorrindo.

És tu Gabi, minha paixão inesquecível!

















































MENDES, João Rios. Amar: A verdadeira aventura. Ed. Gráfica Santa Clara. Brasília-DF, 2000. 112 p. (Revisado)
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