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Ensaios-->Da Poesia e da Pintura em Fernando Pessoa por Isabel Rosete -- 07/11/2016 - 22:30 (Lita Moniz) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

BREVE EXCERTO DA MINHA TESE DE DOUTORAMENTO (em curso) - "A Instauração de uma poética ontológica em Eduardo Lourenço: da Poesia e da Pintura em Fernando Pessoa(s)"

«Ergue-se a indelével paixão pela Poesia e pela Pintura, modos de Dizer-Ser, de Dizer e de Nomear a Realidade entificada em visões e versões várias: as dos Poetas, as dos Pintores, as de Eduardo Lourenço, em intersecção umbilical no in-habitual da Arte e das obras de arte com todos esses seus outros, ele o Filósofo da "Estética e da Filosofia da Arte", o esteta, o crítico de Arte e o literato, embrenhado num Universo de mundos inumeráveis de extra-ordinária e fina grandeza pensante, quais mónadas (redondas) com portas e janelas abertas em entre-cruzamento pleno e continuado.
Fascinado pelos conceitos de “Imaginário”, de “Imaginação”, de “Imagem” e de “Espelho”, sempre na sua essência de speculum, no seio desses que elege, poetas e pintores, Lourenço expõe as suas reflexões co-habitantes no Mundo das Artes. Aliás, vivemos com/em imagens no imaginário da imaginação que as cria. Assim convergem, como que para o seu útero, todas as formas da Arte de dar, fontes históricas e historiais, testemunhos do seu tempo e de tempos outros, sempre mensagens, apelos, alertas, meios comunicantes em linguagens várias, mostrações ontológicas e ônticas des-velantes da verdade do ente que é tal ou tal. Sejamos ou não Narciso(s), há sempre um espelho auto e hétero reflector virado para nós e para todos os outros, quer o vejamos ou (propositadamente) o ocultemos, sombrio-obscuro/claro-luminoso dentro de nós, Homens, entes de rosto nem sempre des-coberto, amiúde bi-céfalos, maioritariamente pendentes para a “Via da Aparência”, deixando a “Via da Verdade” que, no espelho da Poesia e da Pintura, se destapa perante nós deambulando, como viandantes, entre o Apocalipse e a Anunciação. O realismo de Victor Hugo atesta-o com a aprovação de Eduardo Lourenço.
Notemos que tanto as imagens como as sombras/reflexos são reais em qualquer quadro-espelho, em qualquer poema-espelho. Emerge-se a nossa limitação do vermo-nos no viso do nosso viso no(s) espelho(s) entre as entidades imagéticas que vamos criando, quiçá outros que somos e não-somos, mas que desejamos ser. Aí está “A imagem à procura de Pessoa” e não Pessoa perscrutando pela sua própria imagem, ele-mesmo criador de tantas imagens-pessoa(s) dentro e fora do António Nogueira, entre 13 de Junho de 1888 e 30 de Novembro de 1935. E o mundo-interior do Poeta? Está, seguramente, em todos os seus versos, em todos os seus escritos em prosa (sempre poéticos e poiéticos), apesar de quando se olha não se entenda, se transvie enquanto se evade das suas próprias sensações, não saiba se é talqualmente como se lhe parece que é ou se julga ser, ou, ainda, se é como se sente em si , qual Narciso cego. Mas, há o mundo-exterior em concúbito com esse mundo-interior? Ah, o mundo-exterior! Esse só existe, unicamente, «como um actor num palco: está lá, mas é outra coisa» .
Mesmo que a Pintura seja poesia e poiética, a Poesia em si-mesma - o acto original do homem da Esfinge como resposta remontante às origens, a arte maior da língua, da linguagem e da fala, do pensamento originário em voz ecoante ad eternum fundada ontologicamente - impera nas preferências deste nosso pensador errante, inclusivamente, também, sobre a Filosofia e a Ciência. Sem dúvida que «o que nem filosofia nem ciência nos concedem, um só verso, um daqueles que Mallarmé dizia ‘interminavelmente belo’ no-lo oferece, porque nele regressamos e nele somos o tempo que em tudo o mais esquecemos mas que jamais nos esquece» . Esta atemporalidade e intemporalidade do verso, do poema, única por si mesma, coloca-nos nos domínios não efémeros de uma Memória “eternamente” viva, sempre jovem, em constantes fluxos e refluxos de imagens de espelhos não quebrados, nem nas suas molduras, afastando o esquecimento, uma vez que
«(…) Quem o mais fundo pensou é o que ama o mais vivo,
Quem olhou fundo para o mundo, entende excelsa juventude, (…)»
E, sobretudo, porque
«(…) O que fica, os poetas o fundam.»
Lourenço segue, em crítica fina, Heidegger e Hölderlin (tal como nós), mas, sempre, em pensamento próprio e estilo único, numa esfera ontológica claramente visível. Sabe, como Parménides, que o “Ser é” e que o “Não-Ser não é”, não obstante o Devir, o Tempo, a Memória, o Instante e, como Heidegger e o seu “Poeta do Poeta”, jamais olvidando que: «É poeticamente que habitamos o mundo ou não o habitamos. Desejo, injunção ou calmo olhar sobre o fundo das coisas, a palavra de Hölderlin tão celebrada por Heidegger diz a intemporal verdade de onde o saber não-poético nos expulsa»
Não deixando jamais de dissertarmos sobre as múltiplas incursões pictóricas do autor, centramo-nos mormente, nesta tese, nas lídimas reflexões lourencianas sobre a Poesia de Fernando Pessoa(s), seleccionando os pintores pessoanos, aqueles que o/os repercutiram em texto icónico sob múltiplas imagens, em poesia-pictural, melhor dizendo, exemplificativa desses muitos existentes identitários de/em si-próprio nutrindo metáforas de um Teatro de palcos diversos: Júlio Pomar, Emília Nadal, Costa Pinheiro ou Mário Botas. Claro que não deixaremos de revisitar, com Lourenço, Klee, Velasquez, Tintoreto, Vieira da Silva, Cruz Filipe e Picasso.
Entre as diversas obras da “arca” de Eduardo Lourenço referentes a esta nossa temática, A Instauração de uma poética ontológica em Eduardo Lourenço: da Poesia e da Pintura em Fernando Pessoa(s)?, focalizamo-nos em O Espero Imaginário, Pintura, Anti-pintura e não-pintura, tomando como método a hermenêutica criativa- crítica. A nossa área de alicerce investigativo e de escrita é não tanto a da Estética, mas a da Filosofia da Arte, por considerarmos que o autor, tal como nós, nela se circunscreve prioritariamente. (...)»
Isabel Rosete

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