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Ensaios-->Perto do coração selvagem -- 05/01/2017 - 21:32 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos




Apanhou o rascunho atirado no lixo e  leu devagar: ‘Isto aqui... Isto aqui é um capítulo do livro! Posso começar um conto a partir de uma frase, um poema, uma música...Se eu tiver o tema, as palavras surgirão borbulhantes, alimentarão as torrentes  de um rio que desaguará  em um  mar de ideias.  O leitor espera, por algo que seja um caldeirão fervente de cenas, cenários e ação, porque as digressões são cansativas. Muitos, reconhecendo essa técnica  saltam as páginas que discorrem sobre um regato louro.
— Sabes que é no ‘regato louro’ que a literatura acontece. O  foco narrativo se  esgota nos primeiros parágrafos. Clarice era mestra em  beber água no regato louro. Pensar em regatos louros. Exatamente porque não existem regatos louros. Assim se foge...  
— Pode ser!
— É...Aquilo que parece digressão, na  verdade, é momento propício para refletir. O escritor aproxima-se do leitor e propõe o debate e lança uma pedra no regato louro: ‘Quantos tempo vive uma pedra?’ E qualquer resposta que obtiver será tomada como reflexão. Julgou ouvir o eco da voz de Umberto, refletindo sobre o que pensa uma pedra, e se sentiu no dever de explicar a pedra que foi para ela, falar de percalina-verde-drummond, arrancada da boca de Boitempo. Embora tenha dito que muita coisa de seu livro era de autoria do pai, esquecera-se de mencionar o avô. Ora, se Corina vendeu a coleção encadernada em percalina, verde sem ler, Chanana  que à época tinha sete anos, também não deve ter lido. E muito menos Dulcineia que  saiu de Montes Claros, enrolada em cueiros de três   meses. Só havia duas possibilidades:  a primeira é que nada impedia que o avô tenha produzido aquela escrita; a segunda e a mais provável é que Jeremias,  mesmo não tento alcançado a Coleção de Obras Célebres, estabeleceu  um diálogo com ‘Boitempo’ para homenagear o poeta mineiro. De qualquer modo, Percalina-verde-drummond presta homenagem não apenas a Carlos, mas se estende a todos os poetas que esperam tanto a ressurreição dos mortos, quanto a consagração da poesia. 

***




Adalberto Lima, trecho de Estrada sem fim...
Imagem: Internet


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