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Ensaios-->Voz narrativa -- 01/02/2017 - 21:25 (Adalberto Antonio de Lima) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Os livros que oferecem solução para todos os problemas financeiros vendem muito. Mas mentem. Mentem, em parte. Se alcançarem boa vendagem, o autor, realmente, ganha muito dinheiro... Ela não queria mentir. Sabia que temas religiosos têm público limitado, e os autobiográficos são pouco lidos. Talvez publicasse uma mistura. Alguma coisa em que a função social da literatura ficasse evidente como apontar desmandos na política, na economia ou nos maus costumes dos povos de sua época. E um pouco de romantismo, para estimular  o coração dos amantes, porque o homem foi criado para amar. Mas, como falar de desmandos em seu país?  Não tinha formação em Ciências Políticas, portanto, ligaria apenas o ventilador na farinha subtraída dos pobres pelos ladrões de colarinho-branco. Não levantaria questão, sem que pudesse apontar a solução do problema. Seu país tem jeito, sim! Já esteve à beira do abismo. E bastou um empurrão: ‘ Ame-o ou deixei-o.’ Muitos o deixaram, outros foram obrigados a sair dele. O abismo, porém, não se desfaz. É possível, no entanto, criar uma ponte sobre os muros abissais. Há uma nuvem espessa que separa a luz das trevas, e uma estrela que aponta para os caminhos retos.
— Há uma multidão incontável de seres espirituais do mal, inoculando a fumaça da corrupção nas repartições públicas, e em todos os lugares de onde emana o poder.  ‘Se o leão ruge na selva, não é porque encontrou uma presa?... Acaso, sem armadilha, prende-se uma ave ao chão? Se no covil rosna o filhote de leão, não é porque agarrou sua parte?’
— Somos vela acesa no meio à tempestade. Acaso existe entre os homens alguém que possa acrescentar um só dia que seja à duração de sua vida?
— A boa alma não acusa aqueles navegam na noite escura da ganância; ‘pisam,  a cabeça dos pobres, e impedem o progresso dos humildes...
Não para de chegar torpedo do inferno, a cobrar.  É o preço que paga a alma que anda nas trevas. É preciso vigiar. Perscrutar a imensidão do céu e desviar-se do  coral que insiste furar o casco do navio. Naufrágios no mar da vida! Quem escapará deles? Muitos tentam salvar o náufrago e se afogam com ele.
— Quando um navio pirata navega em tormenta, a intervenção  da Marinha Costeira deve ser discreta e moderada, para que não ocorra vir a naufragar em águas profundas. Também a vida, assim navega, e se o timoneiro dorme, a embarcação viaja à deriva.
— Não se pode apegar-se ao timão e negligenciar a bússola, nem apegar-se  à bússola, e negligenciar o timão, sem correr o risco de ser levado pela correnteza ao mais profundo abismo.
—  A vida não é um jogo de ganha-e-perde. Mas todo perdido, pode ser encontrado, quando brilha uma luz na escuridão.
Sentiu o negrume das asas de um corvo.
A voz narrativa calou-se extasiada. Cessaram os sinos que batiam, enquanto reescrevia  as últimas  páginas do enredo. Refazia cenas e cenários, quando deslizou o mouse sobre duas ou três linhas no  final do último capítulo. Não conferiu o que selecionara e clicou em recortar. Salvou, e desligou a máquina. No dia seguinte, ao retomar o enxugamento, seu livro tinha sumido, das 256 páginas, restavam apenas 23 palavras.
Chorou.
Acabara de perder dez anos de trabalho, por causa de uma manobra errada em seu computador. Ela  passava as mãos nos olhos, limpava as lágrimas, mas não conseguia estancar o choro. Precisava encontrar-se com Robert e lamentar a perda de todo o trabalho produzido a quatro mãos. O sol se punha. Era hora acordada para  tomar a rodovia Rio—Petrópolis.
***
Adalberto Lima, trecho de Estrada sem fim...

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