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Ensaios-->FEB: VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA -- 16/05/2017 - 11:03 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
FEB: VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA
General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva
A II GM marcou o início da ascensão do Brasil no cenário global e a Força Expedicionária Brasileira (FEB) contribuiu para a nação perceber o quão importante era, para a segurança externa, tornar-se uma potência mundial, bem como para ela visualizar os desafios disso decorrentes e a importância do planejamento estratégico para o país se estruturar, organizar e progredir. As potências de então, não sem motivos, viam o Brasil como país periférico e subdesenvolvido e o perfil mestiço de nossa população era considerado, por preconceito, um fator de fraqueza do caráter nacional. Assim, tinham um misto de benevolência e desprezo, calcados em sentimento de superioridade, inclusive racial, que não era exclusividade do arianismo alemão.
A FEB teve de vencer vários desafios e obstáculos como consequência:
 - da demora em ser constituída e da indecisão dos EUA de transferir para tropa estrangeira equipamento, armamento e recursos necessários ao seu próprio Exército e aos de seus aliados já em operações;
- da falta de equipamento e armamento moderno para o adestramento da tropa ainda no Brasil, sendo eles disponibilizados somente na Itália e, por vezes, alguns dias antes de nossas unidades entrarem em operações;
- do combate em TO montanhoso, cuja topografia favorecia à defesa, magistralmente conduzida pelo Exército Alemão, reconhecido pelos próprios aliados como o mais preparado e profissional do mundo;
- da entrada em operações sem preparação completa, substituindo dois Corpos de Exército aliados, que estavam em combate há mais de um ano, e que foram transferidos para o TO francês;
- de receber uma frente de 15 Km, em que deveria defender e atacar, ou seja combinar dois tipos de atitudes operacionais, à época uma capacidade apenas de escalões superiores à Divisão de Exército, particularmente se de Infantaria à pé;
- da entrada em operações contra a poderosa Linha Gótica no início do inverno, quando as operações costumam se tornar estabilizadas em regiões de condições climáticas extremas, e após a ofensiva anglo-americana, para conquistar Bolonha, ter sido detida no restante de toda a frente; 
- de ser lançada contra o Monte Castelo em 29 de novembro e 12 de dezembro de 1944, pelo IVº Corpo de Exército dos EUA, sem proteção de flanco, sem apoio aéreo, em função das condições climáticas, e com efetivo inferior ao exigido pelo objetivo, como alertara o Comandante da FEB.
Em síntese, houve precipitação e erro de avaliação do comando aliado sobre o poder do inimigo, o valor defensivo do terreno, o efetivo necessário para os objetivos colimados e o momento para prosseguir com ações ofensivas.
Franceses, ingleses e americanos sofreram reveses quando seus exércitos sem experiência e ainda não preparados foram batidos em Dunquerque, na França; Passo Kasserine, na Tunísia; na defesa das Filipinas; e no Sudeste da Ásia entre 1939 e o início de 1943. Derrotas contundentes e não reveses controlados como os da FEB em Monte Castelo.
No Brasil, a falta de conhecimento militar e de bom senso, o revisionismo ideológico da história e a estranha mania de alguns escritores e historiadores de denegrir as glórias da Pátria e de seus verdadeiros heróis resultaram em retratarem a FEB de forma injusta e distorcida.
Enfatizaram os reveses iniciais, quando ela ainda era uma força inexperiente, mas omitiram ou minimizaram as vitórias obtidas dois meses depois, quando a FEB já adquirira experiência na frente de combate. Valorizaram apenas fontes externas e desprezaram o testemunho dos irmãos brasileiros, inclusive dos nossos correspondentes de guerra, testemunhas oculares que acompanharam a FEB. Há os que destacaram de forma negativa, maldosamente ou por ignorância sobre doutrina militar, o fato de ela não ter cumprido um papel decisivo na derrota da Alemanha. Ora, a FEB era apenas uma das 69 divisões aliadas na Europa Ocidental, sendo uma das divisões do IVº Corpo de Exército dos EUA. Cumpriu tarefas de acordo com sua natureza de tropa a pé (não era blindada) e conquistou objetivos de importantes para o êxito daquele Corpo de Exército. Seu papel era eminentemente tático e não estratégico, como não poderia deixar de ser. Superou suas deficiências em combates diretos com o inimigo na linha de frente, em dezembro de 1944 e janeiro de 1945, e não em campos de adestramento na retaguarda. Após a tomada do Monte Castelo, começou a se destacar entre as forças aliadas na Itália e vieram as sucessivas vitórias de La Serra, Castelnuovo, Montese, Zocca e Fornovo.
Celebrar essas vitórias não é mero ufanismo, infelizes detratores da FEB, carentes de sentimento nacional. É um dever de justiça para com nossos Pracinhas e de valorização do civismo, autoestima, autoconfiança e patriotismo, sem o que uma nação não sobrevive. Houve sim erros, que devem ser estudados, mas nada destoante do que aconteceu com as forças de todos os países, aliados ou do Eixo, em diversas operações. A honestidade de propósitos se revelaria em apontar esses erros desde que, também, se destacassem os acertos e as vitórias, que foram incontestáveis momentos de glória do Exército Brasileiro. 
Como força de nível tático, a história da FEB foi escrita, principalmente, pelas pequenas e médias frações e unidades. Sargentos, tenentes, capitães e comandantes de unidades mostraram o valor do soldado brasileiro no maior desafio do combatente. A hora da verdade de enfrentar o fogo inimigo com equilíbrio emocional, competência e coragem. 
Os brasileiros que amam a Pátria jamais esquecerão os Pracinhas e os terão sempre como exemplos, particularmente seus irmãos de armas, conscientes de que pertencer ao Exército de Caxias é uma grande honra e motivo de orgulho e felicidade. É ter uma sublime missão e uma nobre razão de viver. 
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