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Ensaios-->AGOSTINHO DA SILVA EM SESIMBRA -- 08/08/2017 - 21:57 (João Ferreira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

AGOSTINHO DA SILVA EM SESIMBRA
João Ferreira
8 de agosto de 2017

É longa a lista de publicações e iniciativas culturais promovidas em Portugal pelo jovem escritor e editor Pedro Martins sobre o filósofo luso-brasileiro Agostinho da Silva(1906-1993). Entre as iniciativas culturais estão colóquios, simpósios, palestras e tertúlias. No capítulo da editoração, vários livros assinados por Pedro Martins tornaram-se relevantes na nova bibliografia que marca a renovação dos estudos agostinianos em Portugal e no mundo.
O douto escritor que dirige atualmente a edição das Obras completas de António Telmo e o Gabinete de Estudos Agostinho da Silva, em funcionamento em Sampaio, Sesimbra, Portugal, acaba de publicar a segunda edição do livro "Agostinho da Silva em Sesimbra", em parceria com António Reis Marques, escritor e cidadão de Sesimbra. É deste livro que vamos nos ocupar em nosso comentário. Em primeiro lugar, é dever informar o leitor de que esta segunda edição aparece inteiramente renovada, aumentada e melhorada. Apresenta-se de capa colorida e ilustrada com efígie de Agostinho da Silva inédita, e abre com um prefácio assinado por António Cândido Franco, renomado autor da bem sucedida biografia de Agostinho da Silva intitulada "O enormíssimo colosso" , fechando com um posfácio da autoria de João Augusto Aldeia.
A proveitosa leitura que me proporcionou o livro de Pedro Martins, leva-me a tentar compartilhar com os leitores, quase a título de resenha, alguns pontos da rica informação trazidos a público pela relevante publicação "Sesimbra na vida de Agostinho da Silva". O prefácio escrito por António Cândido Franco, mostra-nos, de entrada, o pujante e magistral manejo do verbo que este exímio escritor consegue fazer na qualidade de mestre da Língua Portuguesa. Sendo a porta de entrada do livro, pela qualidade que tem, o prefácio dá-nos uma primeira motivação para ficarmos atentos ao conteúdo global apresentado por Pedro Martins e António Reis Marques: "Depois deste seu trabalho de pesquisa, vertido numa língua luxuosa e solar que é um prazer soletrar - assevera-nos António Cândido Franco -, o tema trabalhado com tal mestria e largueza de meios, parece exaurido. Mesmo que venham a surgir no futuro novos elementos hoje desconhecidos, sobretudo vindos de algum novo espólio epistolar".
No esquema de apresentação de "Agostinho da Silva em Sesimbra", Pedro Martins começa por narrar a "presença de Agostinho em Sesimbra durante um quarto de século", uma presença que o autor define como "eminentemente espiritual, vários sendo os atos, os gestos e os projectos que consagrou à camonina Piscosa e às suas gentes" (pág.21).
Em nossa excursão de leitura vamos aprender que "o primeiro marco da presença agostiniana em terras de Sesimbra chega-nos dos anos 30 do século XX[...] Foi quando o filósofo acompanhou o eminente geógrafo Orlando Ribeiro no trabalho de campo que vai estar na origem dessa obra notável que é A Arrábida - esboço geográfico, dissertação de doutoramento por este publicada em 1936" (pág.25). Mostra-nos depois no capítulo segundo (pp.25-34), que a astrologia levou António Telmo não só à descoberta de Sesimbra onde conheceria sua futura esposa Maria Antónia mas também à chamada para Brasília, onde iria encontrar Eudoro de Sousa e onde selaria notável aproximação e amizade com Agostinho da Silva.
A obra nos informa sobre a proposta de António Marques Reis, vereador da Câmara Municipal de Sesimbra, para que António Telmo, recém chegado de Granada, seja contratado para criar, organizar e dirigir a Biblioteca Municipal de Sesimbra. A proposta será aprovada pela vereação em 1 de junho de 1969. O fato leva Agostinho da Silva a congratular-se com o fato da nomeação de Telmo e vê nisso uma boa oportunidade para refundar o antigo Centro Brasileiro de Estudos Portugueses fundado em Brasília.
No capítulo quarto Pedro Martins trata do Projeto de Agostinho para Sesimbra. Dele, diz textualmente: "[Este projeto] constitui porventura o mais completo texto filosófico-poético que alguma vez se escreveu sobre Sesimbra e o seu termo"(pág.47). Para ilustração do leitor o autor avança a informação de que o texto do projeto pode ser encontrado na íntegra tanto em "Agostinho da Silva e o Espírito Universal" (pp. 11-14) que são as Actas do Colóquio editadas pela Câmara Municipal de Sesimbra 2007, como "na marginália do volume III das Obras Completas de António Telmo "Luís de Camões e o segredo d`Os Lusíadas seguido de Páginas autobiográficas".
Pedro Martins detalha em seguida a colaboração de Agostinho em "O Sesimbrense" fazendo a análise dos quatro artigos ali publicados pelo Mestre luso-brasileiro, dando conta, logo a seguir, das "Anotações para um projecto" que Agostinho publicou em 16 de setembro de 1973 em "O Caderno" de "O Sesimbrense", comentado por Rafael Monteiro, alma do jornal sesimbrense.
Vem depois a detalhada descrição, bem documentada, da amizade entre Agostinho e Rafael Monteiro, figura de primeira grandeza nas terras de Sesimbra e autor de várias obras, cuidadosamente elencadas por Pedro Martins, sobre a terra piscosa, e de um importante estudo interpretativo do políptico de Nuno Gonçalves existente no Museu das Janelas Verdes, em Lisboa. Interessantíssimas as páginas em que mostra a sincera e livre busca de Deus por Rafael Monteiro.E o detalhe de como, através de livros de Álvaro Ribeiro emprestados ou sugeridos por António Telmo, Rafael Monteiro encontra "o caminho de regresso a Deus" e a luminosidade do "Verbo". Comentando o contato com Álvaro Ribeiro, é emocionante a confissão: "[com Álvaro Ribeiro] aprendi o valor oculto da palavra" e orgulhei-me de haver nascido em Portugal. A densidade e a agilização da informação levam-nos, no capítulo, a saber como foi densa, em Sesimbra, a relação e a convivência que ali se estabeleceu entre os quatro pensadores amigos Rafael, Agostinho, Álvaro Ribeiro e António Telmo.
No capítulo 8 é introduzida a figura de Maria Fernanda Farinha, fonte de informação e de relato sobre a relação entre Agostinho da Silva, Rafael Monteiro e Antonio Telmo. Fala-se do momento político português, do salazarismo e do 25 de abril, da festa sesimbrense do Senhor das Chagas, completando-se o capítulo com documentadas referências a amigos de Agostinho, em visita a Sesimbra, com destaque para Henrik Siewierski, Carlos Francisco Moura e Almir Bruneti, intelectuais escritores amigos de Agostinho e professores da Universidade de Brasília, em algum momento de suas vidas. Para que nada faltasse a este livro, Pedro Martins dedica um capítulo próprio para tratar da "vivência espiritual de Agostinho em Sesimbra", tentando identificar alguns escritos literários ou filosóficos produzidos por Agostinho em Sesimbra.
No espólio epistolográfico de Maria Cecília Correia, recentemente identificado, encontra-se uma carta de Agostinho, datada de meados do década 70, a qual, juntamente com outra carta, esta da autoria de Ruben Andresen Leitão, falam do interesse de Agostinho pela Galiza e pela cultura celta. Também se discute o que significaria um papel impresso usado por ele em sua morada de Sesimbra onde se lia "residência para estudos", restando concretamente a sondagem sobre o que teria escrito verdadeiramente Agostinho da Silva em Sesimbra.
Para encerrar, Pedro Martins dedica um interessante capítulo relatando a amizade entre Agostinho da Silva e o médico João dos Santos, "ambos opositores do regime Estado Novo". É Agostinho quem escreve: " A minha sorte quando deixei Brasília para vir para Portugal foi exatamente o ter conhecido João dos Santos". Dele diz o médico: "Em Sesimbra era Agostinho caminheiro sem fadiga"[...] Conheci o Prof. Agostinho primeiro pelos seus folhetos e livros[...]". E fala de outras figuras de intelectuais que visitavam Sesimbra e se relacionaram com Agostinho. Entre eles, Joel Serrão. No quadro de suas amizades, casualmente se encontrou com Antonio Quadros, Mafalda Ferro, Afonso Botelho, Orlando Vitorino, Álvaro Ribeiro.
Uma informação importante avançada por Pedro Martins foi a de Agostinho da Silva ter feito um projeto, juntamente com António Reis Marques, nos anos 80, de uma universidade aberta ou de um Centro de Estudos Sesimbrenses que a título experimental começaria por ser um curso de verão".
Nos capítulos derradeiros 11 e 12 ocupa-se o livro em evocar dois fatos importantes: o primeiro deles, é a última entrevista dada por Agostinho à imprensa em 1993. Fato importante é o de essa entrevista ter partido da iniciativa do ainda moço Pedro Martins, colaborador do mensário sesimbrense "Raio de Luz", que ao lado de António Ladeira, hoje professor de Literatura Portuguesa na América do Norte, inaugurava seu profícuo labor jornalístico nos meios portugueses de comunicação. O segundo fato importante acontecido na data de 15 de dezembro de 2015, refere-se à criação do GEAS, ou Gabinete de Estudos Agostinho da Silva, um novo órgão de divulgação da obra e da figura de Agostinho da Silva, presidido por Pedro Martins, que passa a representar uma parceria entre o Centro de Estudos Culturais e de Ação Social Raio de Luz e o Projeto António Telmo, Vida e Obra.
A parte final deste documentado livro, das páginas 179 a 200, é constituída pelos Testemunhos de um sesimbrense, da autoria de Antonio Reis Marques sobre a figura de Agostinho da Silva. Na abertura escreveu António Reis Marques: "Por mercê do meu amigo António Telmo, tive o privilégio de conhecer o Professor Agostinho da Silva, e depois com ele conviver durante muitos anos"(pág. 181). No centro destes testemunhos está o capítulo sobre "Agostinho da Silva e Sesimbra". O Posfácio é de João Augusto Aldeia que escolhe como epicentro de sua escrita a figura de António Reis Marques, um sesimbrense da gema, funcionário da Câmara Municipal, vereador, colaborador emérito de O Sesimbrense, possuidor de "uma fabulosa documentação sobre Sesimbra" e que fez ,neste ano de 2017, noventa anos.
Em seu conjunto, "Agostinho da Silva em Sesimbra", é um livro marcante, saído dos prelos da notável Editora Zéfiro, que nos dá a conhecer páginas gloriosas de Sesimbra em sua relação com Agostinho, o "sesimbrense Amigo", que tinha na vila uma "Residência de Estudos" onde se escondia para escrever e meditar. Ao escrevermos esta nota para proporcionar aos leitores da Usinadeletras.com em Brasília o conhecimento de um livro importante sobre um dos ídolos fundadores da Universidade de Brasília, no tempos de Darcy Ribeiro, desejamos também apresentar nossos cumprimentos e felicitações a nossos amigos portugueses Pedro Martins e António Reis Marques, e também aos editores Alexandre Gabriel e Sofia Vaz Ribeiro, e sua equipe editorial e ainda aos diagramadores e ilustradores do livro.

Ficha catalográfica:
MARTINS, Pedro, MARQUES, António Reis. Agostinho em Sesimbra. 2ª Edição. Sintra: Zéfiro Edições e Actividades Culturais Lda. 2017.
Apartado 21-2711-953 Sintra - Portugal

www. Zéfiro.pt

João Ferreira
8 de agosto de 2017
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