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Ensaios-->CANTAROLARES COM SABOR AZUL -- 10/08/2017 - 03:03 (João Ferreira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


CANTAROLARES COM SABOR AZUL
João Ferreira/Jan Muá
09 de agosto de 2017

É preciso ser poeta muito criativo e ter uma personalidade artística muito talentosa para conceber e realizar um livro do tipo destes "Cantarolares com sabor azul", da autoria de Risoleta C.Pinto Pedro, prestigiosa autora portuguesa residente em Lisboa. É um livrinho de formato pequeno e de apenas 63 páginas, mas muito interessante pela jovialidade, espontaneidade inventiva e brincalhona com que a autora sabe lidar com as coisas, e atambém pela sensibilidade, pelas temáticas escolhidas, pelas histórias imaginárias e metafóricas que apresenta. Risoleta mostra uma capacidade incomum de verbalizar e dar às coisas uma personificação que as aproxima do leitor, apoiada por ilustrações muito próprias de Ivo Hoogveld. A autora tem já notável lista de 18 publicações entre romances, novelas, contos, poemas, canções, ensaio, textos para teatro e para dança e outros. Com colaboração dispersa por revistas, Risoleta é escritora de sucesso. Seu livro "A criança suspensa" mereceu o Prêmio Ferreira de Castro, em Portugal. No ano de 2016 publicou a obra "A Literatura de Agostinho da Silva, essa alegre inquietação". Trata-se de uma coletânea de ensaios e crônicas muito apreciada em Portugal. Neste momento, surge com os "Cantarolares com sabor azul" que são um belo desafio de leitura mas que encantam. Teoricamente não é fácil ousar classificar um livro como este. Primeiro, porque mostra que há nele uma variedade enorme de gêneros que vão desde a arte poética, à narrativa, à semiótica, ao realismo mágico, à literatura infanto-juvenil. Segundo porque vários textos se apresentam como poemas narrativos metafóricos de caráter mágico ou fantástico e nem sempre é fácil alguém se pronunciar sobre tais composições que fogem dos padrões comuns. Mas têm a arte de ir ao encontro da imaginação, tocando o jeito e os sonhos do mundo infantil. Têm o aspecto de tecidos artísticos feitos no tear da arte. Fundamentalmente, a arma literária de Risoleta é a criatividade, tanto na linguagem, como nos gêneros, como na narratividade. A criatividade traz dentro a originalidade, o estilo próprio. Ao criar, a artista sabe arrumar e buscar a forma diferente de dizer. E sabe brincar também com seriedade. Em sua narrativa poética toma como base os ideais fundamentais do ser humano com poesia, com histórias de realismo mágico sustentado em propostas imaginárias. Há nestas páginas muita variedade temática, muitas formas de dizer, e linguagens, que se tornam instrumentos e maneiras de mostrar a palpitação da vida nos seres animados, na criança, nos gatos, nas aranhas, na natureza, com récitas ao sol, à lua, e histórias com meandros mágicos deixados em aberto, quadros surrealistas, aptos para sonhadores e imaginativos, com um chão infinito de percursos e possibilidades. Por vezes a criativa autora instrumentaliza a palavra para que trilhe o código do trivial, como acontece no poema do "dente de siso de pouco juízo vem tarde e com dor chamando o doutor" - um texto exato, criativo e real automatizado pela realidade. Estes "Cantarolares" têm seu léxico original quando falam de "poemais", de "desenhemas", de "aranhas catalizadas", de "engenheiros de cheiros", de "arquitetos de afectos". Os textos enternecem quando nos dizem que "há meninos a sonhar uma história de encantar" e nos alertam e conscientizam, em termos de realismo social ao lembrarem que "há meninos a roubar seja o que for pro jantar". Risoleta dá destaque, em seu livrinho, com específica ilustração, a "Poemas de Natal". Poemas que protagonizam como temáticas vivenciais as luzes, os sonhos de natal, a realidade da cozinha pobre que tem seu sonho frustrado de um "sonho de abóbora" numa noite de Natal, o Natal original e os outro natais. Maravilhoso o poema "Quando o pequeno rei sobre palhas viu disse o mago em Belém: "Deposito em artéria tua o anel meu por onde misterioso dourado o sangue teu há-de passar e curar". Sobra criatividade nos poemas sobre as cinco aranhas: uma aranha violeta (nº 1), uma aranha maternal (nº2) uma aranha circular (nº3), "umaranhamuitoestranha" (nº 4) e "uma aranha com alma" (nº 5). Tudo arquitetado em linguagem mágica misturada de lances surrealistas. Em seu conjunto, a autora cria um caminho próprio para colocar linguagem em tudo, indo além dos discursos lógicos e racionais, para se deter nos discursos do sonho, da imaginação e nas rotas dos neurônios imaginativos soltos na cabeça das crianças e dos adultos em liberdade soberana querendo uma vida própria sem atrapalhar ninguém.

João Ferreira/Jan Muá
Brasília, 09 de agosto de 2017
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