Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
68 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 56716 )
Cartas ( 21159)
Contos (12581)
Cordel (10005)
Crônicas (22135)
Discursos (3130)
Ensaios - (8935)
Erótico (13377)
Frases (43185)
Humor (18330)
Infantil (3739)
Infanto Juvenil (2595)
Letras de Música (5463)
Peça de Teatro (1315)
Poesias (137945)
Redação (2915)
Roteiro de Filme ou Novela (1054)
Teses / Monologos (2386)
Textos Jurídicos (1922)
Textos Religiosos/Sermões (4719)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Poesias-->MÃE -- 11/05/2008 - 21:44 (João Ferreira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos




MÃE

Poema de Almada Negreiros(1893-1970)

Poeta e artista plástico do Modernismo português





Mãe! Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!

Traz tinta encarnada para escrever estas coisas!

Tinta cor de sangue verdadeiro, encarnado!

Eu ainda não fiz viagens

E a minha cabeça não se lembra senão de viagens!

Eu vou viajar.

Tenho sede! Eu prometo saber viajar.

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.

Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa.

Depois venho sentar-me a teu lado.

Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!

Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa.

Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa. Como a mesa.

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!



Almada Negreiros (1893-1970)

Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Seguidores: 73Exibido 409 vezesFale com o autor