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Teses_Monologos-->AS PERGUNTAS QUE KARDEC NÃO FEZ — IV PARTE -- 24/05/2003 - 10:55 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER
Quarta Parte

118. Primeiramente, desejo saber se este opúsculo visava a esgotar as perguntas não feitas por Kardec.

R. Claro que sim, mas dentro das perspectivas culturais da turma. Se nos imaginássemos poderosos a ponto de dar todas as respostas, nem faríamos perguntas, pois estaríamos, como alhures afirmamos, na plenitude da bem-aventurança.



119. Caso se levante problema para cuja solução não haja possibilidade de se recorrer aos conhecimentos do grupo, ficaremos sem resposta ou virá quem esteja apto a responder?

R. Já aconteceu. Embora o texto tenha sido elaborado por nós, o conteúdo foi fornecido por elementos mais credenciados.



120. Como se haverão os amigos, se este que os serve fraquejar quanto ao ritmo das perguntas?

R. Não responderemos por escrito, mas induzi-lo-emos a reformular as questões até encontrar o centro de interesse mais adequado para o nosso desenvolvimento.



121. Estas primeiras indagações terão algum efeito no ânimo dos leitores ou deverão sofrer cortes oportunos?

R. O encaminhamento do questionário é que determinará a resposta em tempo hábil. De qualquer modo, esta estrutura, devido aos resultados já obtidos, aceita o atendimento de reclamos particulares, para o incitamento à mediunidade psicográfica dos leitores ainda não convencidos de que também podem obter mensagens, desde que não aspirem às grandes manifestações, ao menos no início das atividades. Neste caso, é bom deixar registrado que o médium que nos atende está apanhando o seu sexagésimo nono livro.



122. Lemos, em A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, a seguinte definição de Kardec para Deus: “Deus é, portanto, a suprema e soberana inteligência; é único, eterno, imutável, imaterial, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas perfeições, e não pode ser outra coisa.” Sabemos que tal conceito deve bastar aos homens. Bastará aos espíritos?

R. A definição peca um pouco pela generalização, uma vez que se estende para além dos prismas da inerência de Deus, referindo-se também ao entendimento humano, no que se determina através da expressão em todas as perfeições. Quando os espíritos evolvem, deixam para trás alguns traços da personalidade existencial anterior. Sendo assim, é factível de conceber-se que a decisão de dizer que Deus é justo e bom é própria de quem aspira por justiça e por bondade. Em áreas mais avançadas, tais problemas não se põem, de forma que os seres ali residentes não se extasiam pela formulação da eterna justiça ou bondade, que são inerentes ao seu sistema de viver. Para nós que comentamos, satisfaz-nos plenamente a definição transcrita de O Livro dos Espíritos dentro da resposta à pergunta de número oitenta e nove, onde exaramos o nosso pensamento a respeito.



123. Em A Gênese, Kardec, retoricamente, faz as seguintes perguntas: “Sob qual aparência Deus se apresenta aos que se tornaram dignos desse favor? É sob uma forma qualquer? Sob uma figura humana ou como um foco resplendente de luz?” O que seria mais certo propor: que o homem se aperfeiçoa e se integra à Divindade; ou que Deus se materializa para aparecer a ele?

R. Imaginar que Deus possa materializar-se, evidentemente, deflagra a suposição de que a pessoa não compreendeu que o Criador é a suprema inteligência, definição que extrapola a materialidade e a espiritualidade. Aqui se estabelece a maior dificuldade de entendimento quanto ao fato de se dizer que Deus se apresenta aos homens. Para que haja compreensão do absoluto ou, como diz Kardec, do infinito em todas as perfeições, quem esteja no âmbito do transitório, do imperfeito, portanto, não haverá de possuir aquela qualidade transcendente ao espírito (e à matéria), o que não incidirá na visão do Senhor. É preciso esclarecer que o sentido da visão se amplia a partir da próxima etapa de progresso dos humanos, de modo que a assertiva de que alguém possa ver ou sentir de forma corpórea a Deus há de ficar muito limitada ao campo de aplicação do sensório carnal. Ressalvada a observação acima, podemos dizer que o mais certo será admitir que os seres, ao atingirem a perfeição, são chamados por Deus para junto de si, considerando a expressão junto de mera circunstância para a compreensão do pensamento.



124. Seja a pergunta de número trinta e seis de O Livro dos Espíritos: “Existe o vazio absoluto em alguma parte no espaço universal? — Não, nada está vazio; o que é vazio para você, está ocupado por u’a matéria que escapa a seus sentidos e a seus instrumentos.” Eis que estamos perante a revelação de que existem várias essências ou esferas ocupando o mesmo lugar no espaço, consideradas como matéria. Onde se situa a espiritualidade?

R. A conclusão de que existem várias essências ou esferas ocupando o mesmo lugar no espaço peca pela idéia material de espaço. No entanto, claro está no texto reproduzido que a informação dos espíritos considera o existente como material. O fato obriga-nos a definir o que vem a ser matéria nos diferentes campos existenciais. Não falamos em cosmos ou universo, para que não infiram que estamos referindo-nos apenas ao campo energético conhecido dos mortais. Para cada esfera, existe uma estrutura ou formação energética que redunda no campo magnético (eletromagnético, psicomagnético, noomagnético etc.) em que se realizam as conexões vitais dos indivíduos seus habitantes. Sendo assim, para que se entenda o termo matéria aplicado ao texto transcrito, deve o leitor esforçar-se por perceber que deve alçar vôo intelectual, até ser capaz de avaliar em outros termos a realidade de cada ciclo cada vez mais etéreo, mais sublime, mais quintessenciado. Não iremos além deste ponto, porque estamos limitados à coerência indutiva da lógica dos encarnados, com o empirismo que tomamos emprestado de nossa contextura semimaterial nesta região umbrática. Quanto ao local em que se situa a espiritualidade, sugerimos que o vôo ultrapasse as lindes do tempo e do espaço, conforme anterior esclarecimento, ou o caro amigo há de ficar sem a resposta, porque, se dissermos que a espiritualidade se encontra em todas as esferas, talvez estejamos ferindo de morte a confiança que em nossas dissertações se deposita. Mas a verdade é que são poucos os espiritualistas que não aceitam que o corpo é animado pelo espírito ou alma.



125. Dado que o vazio existe dentro de determinada contextura existencial, como no nosso universo tangível, por exemplo (vazio sem o qual não haveria movimento), pode-se concluir que Deus tenha tido o poder de criar o não-ser?

R. Se cabe no cérebro dos encarnados o conceito de ser em oposição ao de não-ser, mesmo para quem afirme que só o que existe é o ser, preciso será deduzir que a inteligência suprema e soberana terá a mesma possibilidade. Ora, se cada ato de vontade de Deus se transforma em criação, justo será concluir que Deus tem o dom de criar o que quer que seja, desde que se resguardem os atributos que Kardec considerou como imanentes à concepção de Deus (único, eterno, imutável, imaterial, onipotente). Resta saber para que serve o não-ser, além de fomentar a dúvida na cabeça dos que se ocupam diletantemente de filosofia e de teologia.



126. A afirmação de que “os germes de uma multidão de vermes [...] aguardam, para eclodir, a fermentação pútrida necessária para sua existência”, que se encontra em O Livro dos Espíritos (Op. cit., item 46), como resposta dos espíritos, é uma daquelas que a ciência humana tem condições de corrigir, através dos postulados atuais?

R. Sem dúvida, mas não se espere achar aqui a substituição da tese científica arcaica por outra moderna. É trabalho que cabe aos homens.



127. Seja a pergunta de número quarenta e oito da mesma obra: “Podemos saber a época do aparecimento do homem e de outros seres vivos na Terra? — Não; todos os seus cálculos são quiméricos.” Os cálculos continuam na área dos quiméricos ou teremos de suspeitar que a resposta visava antes a responder quanto ao tempo de criação dos seres e não ao de sua formação orgânica?

R. O indagador se precaveu e acertou. Embora qualquer cálculo ainda se faça de maneira bastante precária, no que respeita à formação orgânica dos seres vivos, já estão aparelhando-se os cientistas para aproximação muito significativa. Quanto a serem quiméricos aqueles relativos à época de criação dos elementos espirituais que se desenvolveriam e se instalariam na matéria do planeta, vão continuar sendo, até que se perca o interesse por eles à vista da bem-aventurança eterna junto ao Senhor.



128. Em A Gênese, Kardec afirma: “Caso a religião se recuse a avançar com a ciência, a ciência vai avançando sozinha.” Terá sido por essa razão que estamos empenhando-nos em refletir a respeito das assertivas científicas defasadas, dentro dos textos da codificação espírita?

R. O interesse em tornar científica o mais possível a doutrina espírita vincula-se ao estudo dos fenômenos mediúnicos, que se encontram a meio caminho entre os planos em que se situam os encarnados e os desencarnados. Como há fortes perspectivas de que sejam descobertos, inclusive por comprovação instrumental, os meios de comunicação entre emissores e recebedores, nada mais importante do que favorecer a introdução das elucidações científicas em todos os textos já desenvolvidos, para que não se configure que o Espiritismo seja tão retrógrado quanto a Religião mencionada pelo Codificador. Caso as seitas religiosas cristãs abandonem todo e qualquer relacionamento entre a fé, os cultos e os cânones doutrinários com os eventos meramente materiais, aí teremos a perfeição das teses, porque só importarão os procedimentos rigorosamente padronizados pelo evangelho de Jesus. E se todos os habitantes da Terra adotarem essa mesma linha religiosa, não haverá razão para que fiquemos a reforçar a mediunidade. Os valores se aproximarão, afinal, daquela beatitude a que aspiram os que pretendem evoluir para a esfera seguinte e todos serão bons, ajuizados e tementes a Deus. Será a devolução do paraíso terrestre aos homens de boa vontade.



129. Ainda em A Gênese, Kardec afirma: “Quando a ciência se apoiou no método experimental, ela se sentiu mais forte e se emancipou; hoje em dia, é a Bíblia que é controlada através da ciência.” Não terão ocorrido, de lá para cá, transformações muito ponderáveis nos conhecimentos científicos, tornando obsoleta qualquer justificativa dos fenômenos naturais que se possam obter do texto bíblico?

R. A pergunta mais próxima da intenção do médium elegeria a perspectiva de se eliminarem as concepções de sagrado e de divino do texto bíblico, impingindo-lhe a única sanção de histórico. Para as ciências, nada a opor. No entanto, é preciso resguardar os Evangelhos, que contêm as palavras de Jesus, as quais, como se sabe, não passarão.



130. Retornando a O Livro dos Espíritos, encontramos Kardec às voltas com a seguinte questão, no item 59: “É forçoso concluir que a Bíblia esteja errada? Não; mas que os homens se enganam ao interpretá-la.” Podemos considerar como menos evoluído o pensamento do Codificador, em relação ao texto reproduzido na perquirição anterior?

R. Sem dúvida, preparava-se ele para enfrentar os embates tristíssimos do sacerdócio católico. De início, desejava demonstrar boa vontade, apesar de saber que os dogmas haveriam de ser extintos. Depois, fortalecido pelo elevado número de adeptos ao Espiritismo, enfrentou mais denodadamente a idéia de criticar os princípios materiais sobre que repousavam (e ainda repousam) os cânones da Igreja.



131. Em O Livro dos Médiuns, Kardec não responde, mas deseja saber “como o Espírito, com a ajuda de u’a matéria tão sutil, consegue atuar sobre corpos pesados e compactos, levantar mesas etc.” Considerando a observação quanto à aplicação das ciências aos fenômenos mediúnicos (ver pergunta de número 128), na proposta revisão da obra codificada por Kardec, estariam os encarnados aptos a receber a resposta?

R. Vamos oferecer um texto de Kardec, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, como preâmbulo da nossa resposta: “Os Espíritos superiores procedem em suas revelações com uma extrema prudência; eles não tratam das grandes questões da doutrina senão gradualmente, à medida que a inteligência se vai adaptando para compreender as verdades de uma categoria mais elevada, e que as circunstâncias se vão tornando propícias para a emissão de uma idéia nova. Eis porque, desde o começo, não disseram tudo, nem no disseram ainda hoje em dia, não cedendo jamais à impaciência das pessoas muito apressadas que desejam colher os frutos antes que amadureçam.” À vista da extensa citação, não parece fluir dela a observação segundo a qual cabe aos espíritos superiores a decisão de revelar a idéia nova? Mas vamos enfrentar o ponto crucial da pergunta, ou seja, quanto à aptidão dos humanos para receberem as informações precisas de “como consegue o Espírito atuar sobre corpos pesados e compactos”. Uma vez que se trata de tópico afeto às ciências, é preciso saber se estas se desenvolveram suficientemente no campo da análise do espectro semimaterial dos perispíritos, por exemplo, do ectoplasma. Caso cheguem a caracterizar os elementos componentes dos fluidos, de seu magnetismo e de sua energia, sendo capazes de reproduzir as experiências quantas vezes quiserem nos laboratórios, então, será perfeitamente possível entender o mecanismo das reações psíquicas à influência das entidades do etéreo. Na área das explicações analógicas com os fenômenos físicos, temos algumas demonstrações de como se realizam as transmissões, por exemplo, na obra de André Luís, pela psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira, Mecanismos da Mediunidade. Permitimo-nos reproduzir o seguinte trecho: “Aplica-se o conceito de circuito mediúnico à extensão do campo de integração magnética em que circula uma corrente mental, sempre que se mantenha a sintonia psíquica entre os seus extremos ou, mais propriamente, o emissor e o receptor.” (Op. cit., p. 51.) Como se vê, as tentativas são válidas da parte dos espíritos, como também são do lado dos cientistas que se dedicaram no passado ou que ainda agora se prestam ao exame instrumental das forças medianímicas, além de muitos observadores isentos de preconceitos. O que estamos dizendo é que as pessoas estão aptas a receber os conhecimentos; as ciências é que estão atrasadas para o registro material dos circuitos e correntes ditos elétricos que compõem, dentro do arsenal da espiritualidade, os meios de que se asseguram os do etéreo para suas transmissões. Afinal, para se chegar a esse ponto avançado do empirismo espírita, será preciso, primeiro, estar familiarizado com todos os recursos do cérebro, o que não ocorre ainda. A bem da verdade, muitos cientistas examinaram os centros nervosos onde eclodem os processos físico-químicos, avaliando os esquemas de formação de idéias, de pensamentos, de reações dependentes e independentes da vontade, de intuições, mas não quiseram fixar como definitivos os resultados das observações, justamente por não serem capazes de reproduzi-las como fazem com os experimentos práticos. Haverá quem tenha suspeitado de que algo ali não seja motivado pelos neurônios mas venha formulado a partir de outro plano? Ignoramos e rogamos aos leitores que nos declarem se tomaram conhecimento de assertivas sérias nesse sentido.



132. Tenho medo de citar as obras de Ramatis, tão rejeitadas são pelos espíritas, contudo, encontrei, em A Vida Humana e o Espírito Imortal, o texto seguinte, que parece combinar com as explicações a que remeteu a pergunta de número cento e vinte e oito: “Pouco importa quanto à comprovação do conceito se o Espiritismo é ou não é Religião; mas é fundamental que os seus adeptos consigam viver o universalismo do amor crístico ilimitado, sem transformá-lo numa doutrina religiosa tão primária e sectarista (sic) quanto as demais organizações religiosas já existentes. Antes de ser mais um competidor na arena das discussões e dos desentendimentos religiosos do mundo, o Espiritismo deve ser um denominador comum dos homens interessados em usufruir a autenticidade de sua natureza espiritual.” (Op. cit., p. 274.) É possível encaixar tal segmento no conjunto desta obra, como demonstração de que os textos mediúnicos se amparam mutuamente, com o fim de encaminhar os humanos ao aperfeiçoamento doutrinário?

R. Gostaria o nosso médium de asseverar que não é leitor assíduo das obras de Ramatis. Não se sentindo bem em fazê-lo, afirmamo-lo nós. Mas também não se acanha em efetuar tais leituras, confiando em seu discernimento para a crítica aos pontos que merecem reparo. É louvável que não deseje colocar aspectos pessoais em obra que não lhe pertence. Tudo estará bem, entretanto, quando devidamente esclarecido. Então, hão de pensar os suspicazes que Ramatis possa ser um dos elementos do Grupo das Perguntas. Pois não estarão muito longe da verdade, porque é dever da equipe entrar em contato com os autores cujos textos se expõem, para que se obtenha o nada-a-opor quanto às transcrições, principalmente se se declara algo que deprecia o pensamento ou o sentimento registrado. Também temos o cuidado de saber de antemão se o escritor se situa em faixa de vibração em que não será alcançado pelas produções menos felizes das ondas próprias das mentes invejosas, orgulhosas, malfeitoras e prepotentes. Não haverão de ser muito argutos os amigos para o entendimento de que, mais do que amparo mútuo entre os textos, existe consideração e respeito entre os espíritos, no intento de dar relevo aos ensinamentos que transmitem mediunicamente, visando ao aprimoramento espiritual de quem dita, de quem recebe e de quem lê.



133. Pergunta obrigatória, à vista da afirmação de consulta aos autores citados, não será preciso esclarecer se Kardec também se manifestou favorável às transformações sugeridas para a sua obra?

R. O nosso amigo e patrono tem estado freqüentemente conosco, a incentivar-nos para o trabalho, determinando ele mesmo que muitas respostas se dêem em consonância com o pensamento possível de transmitir-se atualmente aos encarnados. Esta mesma questão foi fortemente impregnada de alegria e satisfação, para que fiquem cientes de que não foram esquecidos e muito menos abandonados pelo Codificador. Evidentemente, temos de dizer que não estamos, nem de longe, qualificados para obra de tanto mérito, não fora pela decisiva colaboração dos mestres e de outros tantos espíritos enviados pelo Professor Rivail, para as elucidações em que se toldam as nossas intuições ou falham os conhecimentos. Antes que o médium nos interrogue a respeito, vamos colocar os fatos às claras, para que se não suspeite de fraude ou de mistificação. Falando em termos bem genéricos, não é verdade que os seres, quanto mais elevados, são mais generosos, mais humildes, mais afáveis, mais compreensíveis, mais caridosos, mais amorosos e mais perfeitos? Sendo assim, o que há para ser admirado na afirmação de que Kardec se apresenta para o dimensionamento de obra que visa a preencher algumas pequeníssimas lacunas doutrinárias, conforme o desenvolvimento histórico da humanidade? Você, meu bom leitor, não faria o mesmo, não daria o seu contributo para prosseguir labor evangélico da categoria da codificação, a qual nos trouxe as luzes da filosofia espírita e o respeito à religião de Jesus, justamente dentro dos ensinamentos sublimes do perdão e do amor quintessenciados? Se os homens se conduzem à feição de cegos através do consumismo materialista do século, não é absolutamente lógico que se aproveitem todas as oportunidades de relacionamento mediúnico para a renovação das promessas contidas nas explicitações das leis, conforme o que se concretizou em O Livro dos Espíritos? Para quem incutir no cérebro a idéia de que o simples mencionar do nome do Codificador deveria cercar-se de todos os cuidados, para não induzir a erros interpretativos os leitores das perguntas e respostas, nem sempre enunciadas com total propriedade, clareza e elegância, temos a afirmar que nos pomos à disposição junto aos centros espíritas mais sérios, como gostava de categorizar Allan Kardec, para oferecermos, através de outros médiuns, a certeza de que estamos praticando o bem, segundo as instruções dos mentores da Escolinha de Evangelização. Por outro lado, pensando bem, não seria completa falta de tino do grupo, se não evocasse a presença do amigo, para a confirmação das diretrizes estabelecidas para as revelações que se estabeleceram por meio do procedimento medianímico? Talvez o hábito mais moderno que traz às mesas mediúnicas, de preferência, irmãos carentes de doutrina, esteja fomentando nas mentes dos espíritas a impossibilidade do contato com seres de melhor categoria evolutiva. Entretanto, não se podem desperdiçar a boa vontade, o tempo, a dedicação, a perseverança, as qualidades, em suma, dos mediadores disponíveis, particularmente quando oferecem recursos lingüísticos de valor nos campos da filosofia, da ontologia, da teologia, das ciências e demais ramos do conhecimento de interesse daqueles espíritos. O diabo é que muitos que estariam em condições de ajudar prejudicam o desempenho, pelo temor da exposição ao ridículo ou à crítica dos manda-chuvas de plantão no movimento espírita. Graças a Deus, temos tido a felicidade de transmitir, até certo ponto precariamente, os textos que preparamos, como ainda podemos orientar o encarnado que nos serve para a busca correta das obras e dos trechos de que lançamos mão. Agora que Kardec está do lado de cá, admira-se o leitor de tê-lo a custodiar os trabalhos para os quais contribuiu com inteligência, com visão e com sacrifícios? Agradeça, antes, amigo, o favorecimento que todos estamos merecendo de receber as luzes de entidade tão avançada rumo aos campos do Senhor.



134. Para Gustave Geley, segundo a suma de Gilberto Campista Guarino em Geley: Apóstolo da Ciência Cristã, estudo publicado em julho de 1974 e reproduzido, à guisa de prólogo à edição de O Ser Subconsciente, “ectoplasma [...] é o próprio médium parcialmente exteriorizado. Mas [...] essa substância é indiferenciada: não é nem tecido nervoso, nem tecido muscular, nem tecido conjuntivo; não é nem mesmo um amálgama celular. É substância única, que obedece a comandos de organização e de desorganização do ser subconsciente, podendo tomar todas as formas de vida, trazendo em si mesma o movimento da própria vida.” (Op. cit., p. 27.) Tem-se a impressão de que pedaços de ectoplasma estiveram sob as lentes do microscópio do cientista. Por que não foi capaz de caracterizar a natureza da substância?

R. Da mesma forma que o incauto irá pressupor estar sendo ludibriado por nós à vista das declarações que respondem à indagação anterior, ou seja, o ectoplasma pertence a outra dimensão, de modo que deve ser examinado segundo os princípios que regem, energética ou magneticamente, os elementos de sua natureza. Como é que poderíamos demonstrar, a não ser pelas palavras, que Kardec nos ajuda? Mesmo que disséssemos que devem ser colocados os conceitos exarados em lâminas da mais rigorosa lógica, para serem observadas sob a ótica dos microscópios mais poderosos da inteligência encarnada, ainda assim não teríamos a possibilidade de tornar aquela presença, nem nenhuma outra, cristalizada materialmente para a conferência das informações. Se o plasma espiritual se deixa tangenciar pelos cinco sentidos corpóreos, é porque lhe é imposta a força fluídica extraída do próprio médium, a qual é recolhida após certo tempo, para não oferecer perigo ao fornecedor. Do mesmo modo, realizando comparação bastante aproximada, não haverá como trazer o pensamento intocado dos espíritos de luz, porque seriam prejudicados os leitores, uma vez que não teriam condições de entendimento, por falharem as analogias e por se disporem os conhecimentos em faixa apenas intuitiva, o que cairia, junto à opinião pública não especializada, como roteiro de dementes para o fomento de alucinações. O melhor destas nossas mensagens é que podemos contar com a educação doutrinária dos que se atrevem a perlustrar as páginas, obra mais ou menos hermética e de projeção íntima para os que se favoreceram com os estudos esotéricos e se enfronharam nos mistérios das realizações mediúnicas. Não é à toa que o objetivo primordial destas dissertações é a conscientização da necessidade de expor os princípios da doutrina espírita, segundo a formação intelecto-científica do homem atual, para que se aperfeiçoem os textos no sentido de torná-los mais acessíveis ao pensamento vigente.



135. Interrompo o ditado, para formular, de permeio, uma questão de ordem, qual seja: não foi estabelecido que esta parte se estruturaria na forma de pingue-pongue, com perguntas e respostas sucintas? Como é que, de repente, os mensageiros se entusiasmam tanto e oferecem textos tão longos?

R. Poderíamos simplesmente anuir em que a observação do amigo está correta, contudo, vamos esclarecer que não era quanto à extensão que nos manifestávamos favoráveis, mas quanto à concentração do interesse, que desejávamos cada vez mais crescente, para envolvimento do leitor no prazer das revelações das mensagens.



136. Significa dizer que a questão acima descontrai, para propiciar o desafogo que irá preceder a novo embate de caráter filosófico?

R. Como assim a presente pergunta pretende conduzir à descoberta de que existe método a presidir a confecção da obra.



137. Não querendo questionar por simples curiosidade, tenho vindo até este posto de trabalho com alguns receios, especialmente no sentido de prejudicar as mensagens, tornando o conjunto menos proveitoso. Não mereceríamos, os humanos em geral, textos em que se assegurem os nossos direitos de errar, através da consolação superior das entidades de luz?

R. O médium está realizando pergunta sem nexo psicológico com a sua realidade espiritual. Evidentemente, dramatiza, para o despertar do interesse do leitor, uma vez que conhece muitos livros que perfazem o seu desejo, em belíssimas convocações ao trabalho, à fé, à esperança, à caridade, ao amor, à compreensão da necessidade do resgate por meio dos sofrimentos, à confiança em que Deus é pai misericordioso, de bondade infinita. Intimamente, hesita em perguntar se não deveriam espíritos do nível evolutivo de Allan Kardec vir dar a sua contribuição diretamente, elaborando comunicações próprias de superior entendimento da verdade. Não é isso mesmo?



138. Com certeza, contudo, quando o diálogo se estabelece no momento mediúnico, sinto-me um pouco fora de foco, sabendo que os pensamentos fluirão de maneira coerente e sistemática, mas sempre na expectativa de que possam falhar no estabelecimento do roteiro adrede preparado pelos companheiros do etéreo.

R. E as suas mais de duas mil sessões, realizadas sem percalços, ficarão esquecidas? Não é hora de conhecer o poder dos patronos, deixando-se quedar nas mãos deles, pois são lúcidos e criteriosos ao admitirem os grupos que vêm para os ditados?



139. Refiro-me de modo particular ao fato de que tenho de fornecer as perguntas. Se estiver recebendo contínuo influxo vibratório, como ocorreu desde as primeiras reuniões, não me atemorizo e me desincumbo do serviço satisfatoriamente, haja vista os resultados impressos. Posso confiar em que, na falta da apresentação de questões próprias, os que respondem também venham perguntar?

R. Estamos contentes com o rumo atual das questões. Certamente, introduzimos nos sentimentos do amigo encarnado a tendência à lamentação íntima por não confeccionar o questionário previamente. Isto se deve à necessidade de desenvolvermos o tópico das improvisações mediúnicas, de modo a oferecer ao leitor a idéia de que os médiuns operam também sob o império das ordens subjetivas de caráter emocional. Sendo assim, caso se veja, de repente, transcrevendo texto de entidade do timbre moral e intelectual de Kardec, não vá titubear e se deixar envolver por excessos de zelo, acrescentando mais uma dificuldade ao trabalhador do etéreo.



140. Não daria para estender um pouco mais as explicações concernentes à influência de caráter emocional, tendo em vista que os textos inteiramente instrutivos, por assim dizer, ou seja, aqueles que visam ao desenvolvimento frio e cabal dos pensamentos sob fluxos lógicos, deixam o médium absolutamente tranqüilo?

R. Não nos furtaremos a responder ao que nos pede o amigo, entretanto, é preciso volver o pensamento para as mensagens em que os que se comunicam é que estão sob o impacto das emoções. Neste caso, as palavras que se transmitem chegam plenas de conotações sentimentais, mas o apanhado delas se dá sob o prisma do serviço a ser prestado e não da cooperação para o desafogo do sofredor. No caso da indagação, a perturbação é do encarnado, sob as impressões fortes das vibrações poderosíssimas que requerem desempenho vernáculo de qualidade literária, aumentando a responsabilidade, às vezes, para a esfera da co-autoria. Fique claro que, em qualquer circunstância, o ritmo fraseológico, a composição dos parágrafos e o inteiro teor do texto não hão de receber o auxílio de quem está imerso na tarefa, realizando-a quase inconscientemente, dado que não tem como saber quais serão os próximos passos na caminhada que se delineia como eficaz para a concretização dos anseios das equipes de magnetização e de transmissão. Quanto maior a velocidade que imprimimos ao ditado, menor a vacilação, como ainda a possibilidade de interferências indébitas. Talvez, neste aspecto, o texto acabe por perder em qualidade, porque o encarnado não tem tempo para propor mudanças lexicais ou de construções sintáticas mais adequadas para a tradução do pensamento. Esta mesma resposta vai sendo despejada a cem por hora. Se o mediador não na corrigir a posteriori (encarecemos que a deixe como está), o leitor poderá ter a exemplificação palpável do discurso que trouxemos rascunhado e para cuja manifestação estamos empenhados em dá-lo em inteiro teor. Se o médium estiver percebendo o alcance das explicações, em função de propiciar ao leitor pontos sobre que refletir, poderá transgredir os limites do equilíbrio que se mantém estável e tornar a nossa hora mais difícil. No entanto, sempre haveremos de ter-lhe controle sobre o cérebro, providenciando a atenuação dos tremores, para possibilitar que a sessão transcorra conforme programada.



141. Não deveria constar da exposição acima que este médium está acalmando-se, ante os desenvolvimentos do dia?

R. Bem lembrado.



142. Quando Kardec ofereceu ao público as suas Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas, em 1858, pensava que estava dando a última palavra a respeito das atividades mediúnicas? Já em 1861, logo em janeiro, saiu O Livro dos Médiuns, refundindo o anterior, mediando, portanto, lapso de tempo bastante curto. O segundo tomo não recebeu mais nenhuma reformulação. Significa que, para Kardec, tudo nele se encontrava concernente a ser o Guia dos Médiuns e dos Evocadores? Pergunto porque suspeito de que a presente obra está mais para as Instruções do que para o Guia.

R. Se o amigo está pensando...



143. Vocês não sabem o que estou pensando?

R. Claro que sabemos. Certamente, a construção de nossa frase tem de provocar alguma reação no leitor, neste caso, você...



144. ...e também os que tomarem contato posterior com o texto, naturalmente...

R. Pois bem, sabendo que pensa o companheiro...



145. Melhorou!

R. Por favor, não nos interrompa a linha dos pensamentos!



146. Por quê? Será que a tentativa de amenizar a rigidez da seriedade irá fazer descambar a opinião dos leitores em relação à qualidade dos conceitos emitidos de fio a pavio?

R. Sabendo que pensa o companheiro que a sua participação é claudicante, porque não reconhece nas perguntas o mérito das questões formuladas pelo Codificador...



147. ...nem mesmo no que concerne às questões das obras elaboradas neste mesmo formato e anteriormente citadas...

R. ...transformou a sua contribuição, que deveria fundamentar-se nos tópicos doutrinários não discutidos por Kardec, em mera apresentação das convicções pessoais de sua inferioridade, para o efeito do comentário oportuno sobre os percalços emotivos para os trabalhadores do etéreo. Muito obrigado. Acresce a isto o fato de que conseguiu o objetivo de impor-nos o sistema dos debates instantâneos. Parabéns!



148. Posso manifestar a minha alegria sincera por haver obtido o elogio acima sem sombra de ironia, uma vez que a participação do médium foi inteiramente passiva?

R. Agrada-nos a provocação, porque nos proporciona a oportunidade de levar ao conhecimento do leitor que, embora se possa ter a impressão de que houve real interceptação do fluxo vibratório, foi exatamente essa a mensagem que tínhamos em mira expedir. Eis como Kardec, em O Livro dos Médiuns, se manifestou a respeito das comunicações instrutivas: “Ao atribuir a essas comunicações a qualificação de instrutivas, nós as pressupomos verdadeiras, pois uma coisa que não fosse verdadeira não poderia ser instrutiva, ainda que ditada na linguagem mais magnificente. Nós não poderíamos, portanto, alinhar nesta categoria certos ensinamentos que têm de sério apenas a forma, amiúde empolada e enfática, com a ajuda da qual os Espíritos que as ditam, mais presunçosos que sábios, esperam iludir; mas não sendo capazes esses Espíritos de suprir o fundo que lhes falta, não poderiam por muito tempo sustentar seu papel; eles logo traem seu lado fraco, por pouco que suas comunicações tenham seqüência ou que se saiba encurralá-los em suas últimas trincheiras.”



149. Afinal de contas, vocês vão ou não responder à pergunta de número cento e quarenta e dois?

R. Precisa? Por tudo quanto hemos dito até agora, deixamos claro que o nosso guia não haverá de passar de algumas instruções provisórias, porque deixamos nas mãos dos encarnados a tarefa maior de efetuar as perguntas pertinentes para se provocarem mudanças definitivas no roteiro doutrinário espírita, com as contenções exaustivamente discutidas.



150. No período em que Kardec presidiu a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, conforme se registrou muitas vezes nas atas publicadas pela Revista Espírita, houve quem abandonasse a casa, por razões que não se esclareceram. Decorridos tantos anos, haverá a possibilidade de se evocarem alguns desses associados, para saber deles qual repercussão existiu para seu desenvolvimento espiritual, a partir do momento em que saíram do centro intelectual gerador da codificação?

R. Evocar sempre se pode, mas não será preferível induzir quais seriam as respostas, através dos ensinamentos descritos na literatura mediúnica?



151. Trariam eles palavras de difícil compreensão?

R. Evidentemente, após a realização dos estudos que sugerimos, será possível conversar com os orientadores do médium e da casa espírita, para confirmação ou não das conclusões.



152. Viriam os evocados com explicações em francês, de modo que se dificultaria a comunicação?

R. Os protetores, com certeza, filtrariam as mensagens, segundo grau vibratório compatível com a sensibilidade dos médiuns, a fim de que possam traduzir-lhes os pensamentos em linguagem corrente, no idioma a que estão habituados.



153. Seria muito difícil obstar aos obsessores que se fizessem passar pelos evocados?

R. Após as preces rogativas da ajuda dos benfeitores, o ambiente estaria varrido dos entraves que poderiam provocar os espíritos interessados em perturbar os trabalhos levados a sério pelos encarnados.



154. Por que estou a perguntar a respeito do tema que levantei e vocês vêm respondendo de forma paralela, apenas induzindo que a sua primeira resposta devesse ser concludente?

R. Estamos evidenciando o sistema muito comum, entre os que consultam o etéreo, de exigir que os espíritos respondam direta e incisivamente às questões, sem a necessária ponderação a respeito de muitas variantes explicativas que poderiam representar vertentes mais proveitosas das intuições quanto ao trabalho doutrinário. Que poderiam ensinar aos mortais os que se viram em palpos de aranha com a consciência, porque não foram suficientemente espertos ou inteligentes para a percepção da importância do momento histórico em que viveram? Não seria o mesmo que perder a oportunidade de verificar se as tarefas a que se dedicam os que vivem hoje são as mais apropriadas para o desenvolvimento das excelências de virtudes, pelo roteiro evangélico de Jesus? Que poderiam informar que não seria possível lucubrar pela imaginação guiada pela crítica aos defeitos do comportamento mais interessado em lucros imediatos do que em favorecer a apreciação dos tópicos mais úteis quanto à aplicação na vida de além-túmulo? Estamos induzindo estas questões para demonstrar que foi oportuno transformar o serviço mediúnico em ajuda aos sofredores do etéreo, passando os dirigentes das sessões de evocadores a doutrinadores, em primeiro lugar, porque os espíritos elevados, no campo da moralidade, tinham transferido muitos dos pontos de sua experiência pessoal e de suas observações da alma alheia, para as obras da codificação. Em segundo lugar, as agruras dos que erraram e que suplicam por esclarecimentos e por preces trazem lições de caráter mais comezinho, justamente aquelas com que se deparam as pessoas no dia-a-dia. Em terceiro lugar, o conforto que se proporciona aos carentes evidencia que, para nós mesmos e para os nossos entes queridos, sempre haverá quem soletre a palavra amor com as letras da caridade. Em quarto lugar, a disseminação dos centros espíritas ganha em interesse, porque não haveria como publicar todas as informações de caráter genérico doutrinário, que seriam os elementos com que iriam de haver-se quantos apenas evocassem os espíritos de melhor constituição evangélica. Em quinto lugar, os homens de letras não se assoberbam com a amplitude dos textos e são capazes de realizar a crítica de maneira mais judiciosa, a permitir que se canalizem para o mundo dos relacionamentos tão-só as mensagens de melhor categoria, dentro dos princípios que norteiam os textos doutrinários de vanguarda. Em sexto lugar, tranqüilizam-se os trabalhadores comuns, incentivados pelos estudos mais adequados à sua capacidade de entendimento, uma vez que, se lhes fosse solicitado que recebessem o influxo de vibrações intelectualizadas fora do seu alcance, teriam ensejo de volver o olhar para as casas irmãs do candomblé, por exemplo, onde se sentiriam mais à vontade, porque prazerosas as atividades que lhes seriam atribuídas. Em sétimo lugar, a congregação pode reunir-se conforme nível substancialmente menos credenciado do que aquele exigido pelo Codificador, motivo, talvez, por que alguns tenham desistido de contribuir para a efetivação dos desígnios primaciais da primeira sociedade espírita. Em oitavo lugar, o homem moderno se encontra consigo mesmo de modo bastante diferenciado, em relação a como se viam a si mesmos os do tempo de Kardec, ou seja, eram pessoas mais cônscias de sua participação social. Hoje em dia, dilui-se a função profissional em termos de efetivação do trabalho em proveito da coletividade, gerando íntimo desconforto quando o indivíduo não consegue enriquecer o mínimo que seja para a aquisição dos bens que vão servir como suportes de sua psique materialista.



155. Tenho como preciosas as teses acima desenvolvidas. Não consigo, entretanto, avaliar a conexão existente entre evocar e doutrinar relativamente ao tópico assinalado por último. O que tem de ver o fato de o trabalhador mediúnico ser mais ou menos interessado em relação à contribuição à sociedade em que vive e as tarefas de doutrinação dos espíritos em sofrimento?

R. Os que trabalharam com Kardec visavam a estabelecer os parâmetros, os limites, as diretrizes, os estatutos doutrinários, aceitando todas as comunicações, sem distingui-las ou classificá-las, porque sabiam que o presidente encarregado da Sociedade iria consultar os orientadores, para configurar a importância de cada relato ou argumento. Hoje, as pessoas não têm a mesma segurança e devem registrar os eventos a que dão seqüência na categoria dos menos universais, limitando-se a receber, muitas vezes, as considerações a respeito dos pontos essenciais da moralidade ou da ciência, como produzidas para seu próprio benefício, à vista de algum titubeio ou reação menos feliz perante os acontecimentos da vida diária. São trabalhadores, na mais pura expressão do termo, ou seja, são os que produzem, buscando o melhor nível possível de aceitação dos dispositivos espirituais que lhes chegam filtrados pela prudência e pelo discernimento dos mentores da casa onde desempenham a mediunidade.



156. Mas sempre será plausível esperar que parentes próximos recentemente desaparecidos, em especial quando vítimas de tragédias, venham comunicar-se com os que sofreram a desdita de perdê-los, muitas vezes sem qualquer informação do que seja o Espiritismo ou de quais são os conhecimentos que se tem do etéreo, segundo os roteiros dos mensageiros do Senhor?

R. É preciso resguardarem-se os responsáveis para a eventualidade do silêncio, pelas razões mais variadas. Evocar, dentro dos princípios contidos em O Livro dos Médiuns, só em casos muito específicos, quer no que respeita à formação dos componentes da mesa evangélica, quer na apreciação do interesse dos consulentes. Médiuns existem predispostos ao risco de falhar, não se intimidando com o fato de serem, uma que outra vez, iludidos por espíritos que perpassam pela guarda dos protetores por causa da invigilância dos encarnados. Outros, temendo o erro, porque sabem que não existe nenhuma obrigatoriedade de comparecimento dos espíritos evocados, nem se atrevem a se submeter ao teste da verossimilhança ou da exatidão das informações que permeiam. A maioria resguarda-se junto a pequenas congregações, admitindo a possibilidade de virem a extravasar os anseios dos sofredores de acordo com a identidade fornecida, mas não acolhem outra evocação a não ser a que ocorre dentro dos corações amargurados dos eventuais assistentes admitidos às sessões. Raríssimos são os que recebem mecanicamente as mensagens assinadas, de forma a resultar o trabalho em algo absolutamente confiável, embora muitíssimo misterioso para quem não esteja propenso a acreditar no fenômeno, preferindo as explicações oferecidas pelos céticos da parapsicologia teológica do catolicismo materialista, tão distantes de sua compreensão quanto a severidade impressa no relacionamento mediúnico deste teor. Será verdadeiramente plausível consultar de maneira direta o plano espiritual, tendo em vista os problemas acima levantados, no entanto, é preciso reconhecer que dificuldades existem para a consecução integral do serviço de atendimento, o que deve ser prevenido através do contato entre os iniciados e os leigos, quando se darão, pelo menos, as noções elementares do que seja o mundo dos espíritos e o estado em que se podem encontrar os que se transferiram para o etéreo de maneira brusca e inesperada. Começa aí o serviço baseado nas virtudes da fé, da esperança e da caridade.



157. Se lhes pedisse para trazerem algum conhecido meu dentro dos muitos que estão do seu lado, o que vocês me responderiam?

R. Diríamos que este momento não é o mais adequado para tais solicitações e o encaminharíamos a um centro espírita dentre os existentes na cidade, para que, através de outro médium, se desse a manifestação solicitada, dentro das normas que norteiam o fenômeno. Nem sempre o próprio interessado acerta com as intuições que lhe são fornecidas, quando se trata de tema que o possa afetar emocionalmente.



158. A assertiva acima poderá levar o leitor a concluir que as visões, sonhos e mensagens escritas, quando emitidas por entidades familiares, ocorrem por influência de algum dirigente das vibrações espirituais, para que não incidam diretamente sobre o centro nervoso sujeito às perturbações sentimentais?

R. A pergunta deveria sofrer certa reformulação para tornar-se clara. Entendemos que se refere, de modo geral, às pessoas que não sabem que são médiuns, mas agem em sintonia com o plano espiritual, tanto que operam os fenômenos diretamente. Quanto aos sonhos, evidentemente, não se pode generalizar que tenha havido a interferência de protetor, mesmo porque, quase sempre, são eles que se apresentam para aconselhar, para advertir, para informar sobre o seu próprio estado, para oferecer apoio e sustentação quanto às atividades beneméritas em andamento. Não é verdade que muitas lembranças de sonhos são extremamente desagradáveis? Significa que os mentores estão avisando que alguém vai sofrer acidente, vai morrer, vai perder as propriedades, vai deparar-se com algo trágico? Neste caso, é mais fácil julgar que as visões tenham sido provocadas por espíritos interessados em perturbar a pessoa, tanto que os acontecimentos surgem embaralhados, em conteúdos fantásticos, apesar de haver nitidez no que respeita ao drama em si.



159. Existem sonhos produzidos pela mente encarnada, sem participação do etéreo?

R. Perfeitamente. Os problemas que ocorrem e cujas soluções permanecem pendentes geram preocupações que resultam em figurações animadas, em função dos temores, receios, hesitações, dificuldades de relacionamento, ausência de informações etc. Muitas vezes, sem adentrar no campo específico das representações oníricas, os protetores podem sugerir caminhos seguros para os pupilos trilharem, de forma que, sem que haja recordação do que ocorreu na região do cérebro em que se dão os sonhos, ao acordar, as pessoas vêm com intuições de como resolver os problemas, quando não estão com as respostas prontas. Este efeito, porém, podem as mentes alcançar por si mesmas.



160. Nos casos acima, temos mediunidade ou, simplesmente, se caracteriza certa penetração no inconsciente, de forma a facultar que o próprio encarnado desenvolva os raciocínios favoráveis ao encontro das soluções?

R. Boa pergunta! Temos agora como desenvolver o roteiro adrede preparado para a explicação a respeito do que entendemos por mediunidade. Não buscando ser originais nem desejando exaurir o tema, produzimos o conceito de que ser médium exige do mortal que se predisponha ao serviço de mediação das vibrações. Não é preciso que domine as técnicas através dos estudos das obras nem pelo treinamento junto às pessoas experientes. Também não é necessário que aceite a faculdade e dela extraia ensinamentos. Quando há efeitos físicos de repercussão social, como o arremesso de objetos ou a combustão espontânea, não se trata propriamente de mediunidade. As pessoas que fornecem os fluidos de que se servem os espíritos não mantêm controle sobre a liberação deles, nem mesmo tomam tento de que são os veículos para a implementação dos fenômenos. Se essas mesmas pessoas, à noite, no escuro do quarto, desenham com lápis sobre papel, sem nunca terem aprendido a arte, mas produzindo quadros não desprezíveis, com traços fortes e símbolos significativos, podem ser chamadas de médiuns, porque tomaram a iniciativa de realizar algo através de soberana vontade. Se não for assim conceituada, a mediunidade passa a ser atributo universal, uma vez que todos sonham, ou seja, recebem informações do plano espiritual em estado sonambúlico.



161. Deixem-me ver se entendi: quando as pessoas exercem domínio sobre si mesmas através do livre-arbítrio, permitindo que entidades incorpóreas se manifestem através de seus organismos mental e perispiritual, são médiuns. Se o exercício em que se estabelece contato com os espíritos se dá sem consciência, não podemos definir o fenômeno como mediúnico. É bem assim?

R. A palavra consciência merece reparos. Sabemos que existem médiuns inconscientes, ou seja, não sabem exatamente o que estão fazendo, como nos casos da escrita e da pintura mecânicas, mas desejam postar-se junto às mesas de trabalho para darem passividade ao intercâmbio entre os planos. Quer dizer que são conscientes no que tange ao trabalho que vão desempenhar, mas não atinam com o que estão realizando.



162. Kardec fez uma série de perguntas nesse mesmo sentido. O que há de novidade nas exposições acima?

R. A bem dizer, nenhuma. Contudo, insistimos nesta linha de esclarecimentos para oferecer aos leitores a oportunidade de testarem os conhecimentos em área importantíssima do Espiritismo, área que não haverá de sofrer alterações de monta nos próximos séculos, enquanto a humanidade não desenvolver a espiritualidade para além dos interesses mundanos e materialistas. Entretanto, se a distinção entre mediunidade e espontaneidade fenomênica não apresenta interesse para os amigos estudiosos, talvez para os que estão chegando se proponha como ponto de atenção, já que podem sentir a possibilidade de analisarem com maior precisão as ocorrências estranhas que transtornam ou aguçam a sua perspicácia interpretativa. Pelo menos, vão buscar caracterizar os sonhos como atos psíquicos produzidos pela mente em liberdade ou como resultados de peripécias espirituais no plano etéreo.



163. Daria para exemplificar as tais ocorrências estranhas, com o fito de favorecer a apreciação dos fenômenos?

R. Sem dúvida. Há fatos que instigam a curiosidade transcendental dos encarnados mas esgotar a lista será impossível. Descreveremos alguns. Quando a pessoa está só no quarto e vê aproximar-se um vulto, assusta-se e bloqueia a manifestação espiritual. Muitas vezes, apontam-se acontecimentos futuros, o que se dá muito freqüentemente com as pessoas que jogam na loteria ou com as que se recusam a embarcar. Ao passar perto de certas casas, há quem receba influxos vibratórios cuja intensidade categorizam como perniciosa para o equilíbrio mental ou orgânico. Certos lugares vistos pela primeira vez trazem a sensação de terem sido visitados, como se se despertassem reminiscências de outras encarnações. Em situações de grave dificuldade orgânica, muitas pessoas se vêem desprendidas do corpo, pairando no espaço, a observar as atividades dos que estão a socorrê-las. Há aversões instantâneas e simpatias imediatas, sugerindo que houve anteriores encontros entre os espíritos, no etéreo, ou como mortais, em encarnações passadas. Muitas vezes, quem está necessitado de informações as recebe de pessoas ou de leituras totalmente circunstanciais, sem intenção de consulta.



164. Mais do que vultos, muitos se deparam com a imagem tridimensional de pessoas, algumas vezes desejosas de conversar, outras com a intenção de se fazerem lembradas. Como proceder para espantar o medo e não a fantasmagoria?

R. Problema de fácil resolução, se o vidente se resolver a estudar a doutrina, a fim de compreender que as aparições são naturais, segundo a formação fluídica das dimensões existenciais. As pessoas o que mais temem é o desconhecido, porque não sabem como reagir, ficando instáveis emocionalmente. Dominando a ciência espírita, afastam o medo e se dispõem com equilíbrio a conversar ou a orar pelas entidades que lhes aparecem. Por outro lado, tais pessoas estão dotadas de mediunidade, precisando desenvolvê-la para tornarem-se úteis, junto às mesas evangélicas de doutrinação.



165. Quanto às intuições a que não se dá atenção mas que acabam realizando-se, como saber quais as que se constituem em avisos e quais as que são meras fantasias?

R. Dissemos que pessoas existem que acertam o resultado da loteria e outras que se livram de desastres por se recusarem a embarcar. É mais do que deixar passar a oportunidade da antevisão dos acontecimentos. Entretanto, o acaso pode imiscuir-se nos fatos, a ponto de favorecer o hábito da adivinhação (sem bons resultados) aos que acertaram uma única vez. Não há como saber por si mesmo qual a previsão verdadeira, qual a falsa. Quando se consultam os guias nos centros espíritas, dois procedimentos podem ser seguidos por eles: ou facultam que um espírito errante dê uma resposta inadequada, para reprimenda ao consulente, se a merecer pela presunção de ser apaniguado por deferência especial; ou explicam que o costume de tudo querer saber de antemão haverá de resultar em procedimento inseguro, sempre que não houver referente de caráter espiritual. Assim sendo, aconselhamos que se jogue na loteria, seguindo a intuição, o que se constitui, conforme as circunstâncias, em certeza psicológica. Neste caso, resguarde-se quem faz a aposta para futuras complicações com a consciência, porque jogou fora a oportunidade de auxiliar a quem precisa. Por outro lado, a mesma consciência irá revoltar-se, se o sujeito acertar, porque se verá na situação de quem lucrou com o risco da perda do mínimo, devendo restituir à sociedade o que dela retirou. Claro está que, caso o indivíduo, para jogar, extraia dos recursos parte que fará falta à família ou ao pagamento das dívidas, aí se complicará ainda mais. Quanto a fugir dos desastres, a questão se põe diferentemente, porque não há mérito em se safar da tragédia, se não se concluir que fez jus à ajuda dos protetores e se não se propuser a melhorar o procedimento na área do auxílio e do amor aos semelhantes. Quer dizer que os que pereceram nos desastres não fizeram por merecer o aviso oportuno? De modo algum. Além de serem recebidos no etéreo com honras de benemerência, caso tenham cumprido com os deveres do carma, irão obter todos os esclarecimentos relativos à necessidade do sofrimento deles e dos familiares que os perderam. Quem pensar diferentemente estará pondo em dúvida a magnanimidade da justiça divina. E se não perfizeram todo o roteiro da encarnação? Nada a declarar em contrário ao que acontece com todos os que embarcam na bela aventura da vida terrena e que se vêem nas mesmas condições de inferioridade.



166. Cidade que se preza possui, pelo menos, uma casa mal-assombrada. É de interesse do Espiritismo realizar pesquisas que justifiquem esclarecimentos à comunidade, em favor dos possíveis espíritos ali alojados?

R. Não há proveito para a doutrina nem para as casas espíritas em promover o anúncio da prestação desse serviço. Os espiritistas convictos reconhecem a falência do exorcismo, principalmente se ocorre como verdadeiro espetáculo público. Muitas vezes, é preferível rogar aos guias esclarecimentos específicos, se os eventos se tornam muito divulgados, a atemorizar os ingênuos, possibilitando aos maldosos que exerçam pressão sobre a opinião pública contra os adeptos do Espiritismo. Com certeza, a resposta mais evidente irá situar-se na zona das recomendações de prudência e discrição, podendo ser que sugiram a evocação das entidades residentes na casa, quando se avaliarão os recursos disponíveis em confronto com a necessidade dos infelizes. Em outro patamar de decisões, durante as palestras públicas, os conferencistas deverão tocar no problema para discorrerem a respeito dos ensinamentos contidos nas obras de Kardec, pondo freios à fantasia do povo reunido na casa levado pelo interesse de conhecer os cânones doutrinários. Ir à televisão para debates com pessoas de outras religiões, seitas ou cultos, inclusive com materialistas e parapsicólogos, não se recomenda, porque o tempo sempre será o maior empecilho para a exposição cabal de todos os fatos espíritas com possibilidade de conterem a verdadeira razão da assombração. Os que se julgarem habilitados para responder com propriedade às questões formuladas por jornais ou revistas, deverão fazê-lo, desde que se comprometam os editores a se manterem integrais as explicações.



167. São reais as lembranças de locais por onde nunca se transitou na presente encarnação ou tudo não passa de mera construção mental, ou seja, por alguma disfunção, o cérebro remete diretamente as impressões do momento para as regiões destinadas à memória?

R. Sempre, a primeira suspeita a respeito de qualquer fato de caráter inusitado deve recair sobre a possibilidade de serem perfeitamente naturais. Exauridas todas as indagações materiais, somente aí é que se deve imaginar qual seria a causa espiritual. Pois bem, a hipótese da perturbação mental é válida, mas, na qualidade de universal e definitiva, redunda em impedir que se suspeite de que houve vazamento para a memória atual de informações resguardadas no perispírito. O que se deve observar, no caso, é a freqüência com que a pessoa se depara com regiões que lhe pareçam familiares. Se, a todo momento, se põem perante paisagens reconhecidas, é justo suspeitar-se da aludida disfunção. Para tais indivíduos, recomenda-se acompanhamento psicanalítico ou psiquiátrico, porque é possível que outras regiões do cérebro venham a ser afetadas, mais cedo ou mais tarde. Se não se impressionarem com os fenômenos, não se deixarem influenciar por eles e não prejudicarem o proceder normal, não haverá motivo para darem maior importância a fatos meramente subjetivos. Por outro lado, a descrição prévia das paisagens, comprovada e documentada, será útil para a formulação de hipóteses de como se realizam os eventos espirituais do gênero, o que se transformará em conhecimento a ser aplicado nas aulas aos novatos, como motivação para o estudo, e quando a pessoa estiver estudando nas escolas do etéreo. Faltou dizer que as informações desse naipe podem ser verdadeiras? Pois podem, sim, evidentemente, e não só pela fusão das reminiscências antigas com as atuais, mas também por implantação delas no cérebro por parte dos espíritos, com a mais variegada gama de objetivos.



168. Obras inteiras, programas de televisão e reportagens de jornais e revistas estão sendo dedicadas ao tema da ausência temporária do espírito do corpo. Quando voltam, as pessoas contam casos que se aproximam bastante das experiências em comum. Como proceder em torno das informações que trazem, quer do plano espiritual, quer dos fatos que presenciaram no campo material?

R. Com a maior naturalidade e respeito. Quando os que ressuscitam do estado de coma trazem notícias de que estiveram em contato com entidades do etéreo, deve dar-se crédito a eles, apanhar os relatos mais minuciosos, cotejar com as experiências de outros enfermos e extrair lições bastante próximas da realidade que todos terão de enfrentar quando se transladarem para cá. Se os leitores dessas obras se portarem com serenidade, adaptando as mensagens ao seu modo de ver a existência, conluiando com as consciências para que os levem a aceitar, pelo menos, a possibilidade de passarem pelos mesmos caminhos, receberão do cérebro perispirítico, no momento oportuno, a clareza do raciocínio sem a perturbação traumática provocada pelo momento emocional. Isto no que respeita aos conhecimentos que obtiveram dos instantes em que se viram no plano espiritual. No que respeita ao relato dos fatos ao derredor do corpo inerte, constitui-se em fator de mera curiosidade que pode ser transposta para o discurso doutrinário, com as ponderações de praxe quanto a evitarem-se as celeumas com os descrentes, uma vez que se deve dar ao narrador total consideração, porque incidem aqueles em falta de caridade ao duvidarem de que tenha este a firme convicção do fenômeno espírita. Mais tarde, todos os homens convergirão para a verdade.



169. É justo estabelecer como princípio o reconhecimento das pessoas como amigas ou inimigas desde outros tempos? Não se poderá correr o risco dos preconceitos, quando as informações são subjetivas, apanhadas diretamente pelo inconsciente através do depósito de dados da memória e que se deixam imiscuir de sentimentos prazerosos ou dolorosos?

R. A pergunta contém a parte mais importante da resposta que daremos. É verdade que os méritos da simpatia ou a rispidez da aversão residem na estrutura da memória atual. Sendo assim, o risco dos preconceitos é muito grande, principalmente quando a pessoa tende a rejeitar a cor da pele, a etnia, o sentimento religioso, as preferências clubistas, políticas, bairristas e assim por diante. Estamos dizendo que a mente humana é seletiva e determina, quase sempre, o de que se agrada ou o de que não gosta. E se a verdade se encontra em real recognição de antigos desafetos ou entes muito queridos? Então, o princípio do procedimento há de ser o mesmo que se recomenda para todos os efeitos psíquicos de mesma espécie e extensão, ou seja, que se premunam os que se acostumaram a ver desde logo amigos ou inimigos nos recentes relacionamentos, para darem a mesma afeição a todos, envidando esforços para aceitarem as idiossincrasias como comportamentos que devem ser fortalecidos, caso saudáveis, ou eliminados, se prejudiciais. Um dia, todos saberão quem foram anteriormente uns para os outros, conforme a lei universal de progresso.



170. Quando encontramos soluções inesperadas para problemas pendentes, estamos sob o amparo dos protetores?

R. Quanto mais desenvolvida a mediunidade, maior facilidade encontram as pessoas em achar por acaso as respostas que procuram. Apenas para tornar a explicação mais instigante, podemos lembrar que o nosso instrumento medianímico (vamos chamar o médium assim, em função do esclarecimento) está constantemente deparando-se com a necessidade de achar os textos que lhe pedimos intuitivamente para registro. Quanto mais interesse têm os do etéreo em ver o bom rendimento dos pupilos, mais intensamente lhes propiciam o inesperado, o insólito, o inusitado, o inopinado, o imprevisto, qualquer nome que se queira atribuir à intuição fidedignamente interpretada. Que acharia o amigo leitor de escrever mensagens como estas? Pois comece logo, mesmo que não se julgue competente ou habilitado, pois poderá surpreender-se com as comunicações a que der vida.



171. No correr das perguntas, verifiquei que não houve total preocupação em dar conta daquelas que Kardec houve por bem formular. No entanto, não me foi fornecida nenhuma pista referente a que o nome do livro se altere. Estarei certo em mantê-lo, caso se publique a obra resultante destes ditados?

R. Não há motivo para se voltar atrás, mesmo porque estamos à vontade para afirmar, nesta altura, que muitas intuições poderiam ter sido sugeridas, mas mantivemo-nos coerentes, de sorte que o geral do texto resultante não desdiz das pretensões iniciais nem da programação aprovada pelos mentores da classe.



172. Sei que muitíssimos temas hão de ficar de fora, mas não vejo proveito em prosseguir nesta linha de trabalho, porque a filosofia impregnada declarou-se por completo e as instruções começam a ser repetidas. Falta muito para concluir?

R. Estamos no fim, contudo, é preciso enfatizar que os conceitos emitidos devem ser analisados em função dos pontos doutrinários mais importantes. Caso tenha ficado obscuro algum tópico, reforçamos agora o conselho de que nenhum desenvolvimento nosso deva coroar o processo de aprendizado dos leitores. Não é outra a razão do incentivo que demos no sentido de mais pessoas buscarem a psicografia e a reformulação dos conceitos pelos ganhos científicos desde Kardec. Nossos apontamentos serão minúscula gota no oceano dos conhecimentos espíritas.



173. Devo agradecer a deferência de me ilustrarem e aos encarnados ou seria atrevimento e ousadia estabelecer que o trabalho tenha sido de superior qualidade?

R. Não seremos nós quem irá julgar dos méritos e deméritos do que foi realizado. O que podemos contar é que é com imensa alegria que estamos encerrando o período de nossa participação junto ao médium. Por nossa vez, registramos que estamos penhorados junto aos espíritos que nos assistiram, aos colegas de outros grupos e ao trabalhador encarnado. Em secreto, convidamos a todos que elevem em preces os pensamentos e sentimentos a Deus, para que possamos receber as graças de sua bênção de amor.



174. Poderia, antes de terminar, sugerir aos leitores que encaminhem suas questões à editora, para complemento das informações, através de correspondência individual, a partir das respostas que o grupo se dispuser a oferecer?

R. Perfeitamente. Se estivermos livres, volveremos para junto deste posto para responder ao que nos for solicitado com honestidade e inteligência. Caso não nos seja possível, com certeza, o amigo médium estabelecerá contato com outro grupo. Acreditamos que sem resposta as perguntas não ficarão. Muito obrigado. Que Deus nos abençoe!



Indaiatuba, de 18.03 a 15.05.97.




OBRAS DE REFERÊNCIA

——————— — A Bíblia Sagrada. Antigo e Novo Testamento. Trad. de João Ferreira de Almeida. [s. ed.] Rio, Sociedade Bíblica do Brasil [1959].

FRANCO, Divaldo Pereira — Rumo às Estrelas. Trad. De Wílson Frugilo Jr. 1.a ed., Araras, IDE, 1992.

GELEY, Gustave — O Ser Subconsciente. Trad. de Gilberto Campista Guarino. 1.a ed., Rio, F.E.B. [1975].

KARDEC, Allan — O Livro dos Espíritos. Trad. de Wladimir Olivier (inédita).

——————— — O Livro dos Médiuns. Trad. de Wladimir Olivier (inédita).

——————— — O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. de Wladimir Olivier (inédita).

——————— — A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. Trad. de Wladimir Olivier (inédita).

——————— — Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Trad. de Júlio Abreu Filho. [s. ed.], São Paulo, EDICEL [s.d.] 12 vols.

MAES, Hercílio — A Vida Humana e o Espírito Imortal, por Ramatis. 3.a ed., Rio, Freitas Bastos, 1976.

RIZZINI, Jorge — Antologia do Mais Além. 1.a ed., São Paulo, L.A.K.E., 1973.

TAVARES, Clóvis — Mediunidade dos Santos. 2.a ed., Araras, IDE, 1988.

VIEIRA, Waldo — Sol nas Almas, pelo Espírito de André Luiz. 8.a ed., Uberaba, Comunhão Espírita Cristã [1990].

XAVIER, Francisco Cândido — Missionários da Luz, pelo Espírito André Luiz. 24.a ed., Rio, F.E.B. [1993].

——————— — Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel. 11.a ed., Rio, F.E.B. [1990].

——————— — Paulo e Estêvão, pelo Espírito Emmanuel. 13.a ed., Rio, F.E.B. [1977].

——————— — O Consolador, Ditado pelo Espírito de Emmanuel. 4.a ed., Rio, F.E.B. [1959].

XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo — Evolução em Dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz. 3.a ed., Rio, F.E.B. [1971].

XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo — Mecanismos da Mediunidade, pelo Espírito de André Luiz. 3.a ed., Rio, F.E.B. [1970].

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