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Contos-->QUANDO O AMOR NÃO ACABA-capítulo XXIII -- 13/08/2007 - 20:24 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
QUANDO O AMOR NÃO ACABA - capítulo XXIII

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Desci do ônibus no terminal e correndo, quase em desespero, procurei um local onde vendesse cartões telefônicos. Em seguida, com o coração palpitando, com uma sensação indizível, como se o medo e a expectativa produzissem uma adrenalina tão intensa que me transportavam para um plano onde a realidade e o mundo a minha volta sofressem distorções e ao mesmo tempo afetassem-me a capacidade raciocinar, corri até o telefone, arranquei cuidadosamente o pedaço de papel onde Valdicéia anotara o número de telefone e disquei aquela sequência de dígitos.
O telefone tocou uma, duas, três, quatro vezes. E a cada toque eu sentia um acelerar mais forte do coração. Embora naquele início de noite soprasse uma brisa amena, uma quentura envolvia-me e me fazia brotar bolhinhas de suor provocando um certo brilho na pele.
Após de tocar, tocar até cair, tornei a discar. E naqueles poucos segundos, fui tomado por uma dezena de pensamentos que fluíam tais quais aquelas gotículas de suor que começavam a umedecer-me a camisa. “Será que disquei o número certo? Disquei sim. Já é a segunda tentativa. Não ia errar duas vezes. Ou será que a Valdicéia me deu o número errado? Talvez ela tenha se enganado? As pessoas cometem erros e nem se dão conta disso.” Fiquei em dúvida, quase entrando em desespero. Em seguida porém conclui: “Não, não! Ela não ia se enganar. Vai ver que não tem ninguém em casa. Talvez a Diana tenha saído, ido ao supermercado, à padaria, à farmácia ou à casa de alguém. Mas e as crianças? Deveriam estar em casa a essa hora. Não. Talvez tenham saído com seus pais, talvez foram à casa de algum parente, algum conhecido. Isso! Vai ver que é isso! E aí a Diana aproveitou para sair também, para não ficar sozinha em casa.”, continuei a pensar até que a ligação caiu novamente. Fiquei em dúvida, na incerteza se tentava novamente ou se aguardava e tornava a ligar dali a alguns minutos.
Cabisbaixo, retornei para a casa de minha avó. Foi o que acabei decidindo. E ao me ver chegar assim, ela perguntou se havia acontecido algo. Respondi negativamente. Disse-lhe apenas sentir-me cansado com a viagem à Santa Paula. Isso aliás não evitou que ela me fizesse perguntas acerca do passeio à terra natal. Enquanto tomávamos café (Quando cheguei a mesa estava arrumada, provavelmente a minha espera), ela quis saber quem encontra, se estivera com o sr. Francisco, com dona Chiquinha, se estivera na casa onde morei. Procurei responder da forma mais evasiva possível, uma vez que não fiz a menor questão de saber notícias acerca dessas pessoas.
Ao me levantar da mesa, perguntei se poderia usar o telefone. Com indiferença, sem interromper seus afazeres, minha avó disse sim. Então corri ate a sala e disquei o número que Valdiceia me dera; aliás, nem consultei o pedaço de papel no meu bolso, pois já havia memorizado aqueles números. Enquanto discava com a mão meio trêmula, pensei: “Será que dessa vez vou dar sorte? Será que ela vai atender?”. Então o telefone tocou uma vez. A minha ansiedade chegou ao limite, próximo de uma vertigem. Novo toque. “Não deve ter ninguém em casa ainda”, tornei a pensar, quando finalmente uma voz disse “Alô!”
-- Boa noite! -- falei. -- Poderia falar com a Diana?
-- Um momentinho – respondeu uma voz feminina do outro lado da linha.
Ah, que alívio! Foi como tirar um peso insuportável das costas. No espaço de um seguindo, experimentei o extremo de duas sensações completamente opostas: a angústia e euforia.
-- Pois não – disse Diana com naturalidade, sem demonstrar curiosidade, como se atender ao telefone fizesse parte de suas obrigações.
-- Oi! -- falei.
Ela não reconheceu minha voz; ou, talvez na incerteza, tenha preferido perguntar:
-- Quem está falando?
-- Sou eu: Sílvio!
-- Sílvio!? -- exclamou ela. -- Como vai?
-- Bem. E você?
-- Vou levando – respondeu, agora com afetação. -- Como você me descobriu aqui?
-- Sua irmã me deu – respondi, deixando escapar um sorriso, como se ela pudesse vê-lo. Aliás, isso era consequência de uma felicidade que partia do peito e me fazia sentir o homem mais feliz do mundo.
Diana quis saber se telefonara para Santa Paula à sua procura. Isso inclusive me levou a concluir que ela não suspeitava de que eu estava em Juiz de Fora. Assim, expliquei-lhe que não só estava em Juiz de Fora como fora à Santa Paula a sua procura.
-- Então vou está aqui na cidade?
-- Estou — afirmei.
-- Vai ficar muitos dias?
-- Uma semana; talvez um pouco mais.
Houve um breve silêncio. Foi como se ambos quisessem perguntar algo, mas ao mesmo tempo temia pela resposta. Talvez porque uma negativa fosse como pôr fim a um sonho, jogar por terra toda aquela expectativa criada com aquele reencontro.
Não sei se ela tencionava fazer a pergunta que estava prestes a escapar-me pela boca. A verdade porém é que aquele breve silêncio me atormentava. Assim não podendo mais me conter, deixei escapar:
-- Queria te ver. A gente poderia se encontrar mais tarde?
Ela demorou alguns segundos para responder. Talvez não tivesse tanta certeza assim se deveria ou não se encontrar comigo. Talvez aquele reencontro, tal como das outras vezes, lhe fosse mais doloroso que a recusa; e por isso ela tenha nesse curto espaço de tempo avaliado os prós e os contras. Isso porém eu não posso afirmar como certeza, uma vez que não mais lembrei de falar-lhe acerca daquele telefonema.
-- Eu tomo conta de uma menininha e durmo no trabalho – explicou —, mas lá pelas nove, quando ela já foi para a cama, posso sair. Aonde a gente se encontra?
-- Sei lá! Não conheço muito bem Juiz de Fora — exclamei. Imediatamente acrescentei: — só se eu for até aí.
Ela concordou. Então perguntou se eu sabia onde ficava São Mateus — o bairro onde ela trabalhava — e eu respondi afirmativamente. Diana então me deu o endereço e explicou-me que ônibus pegar, onde descer e qual direção tomar. Por fim acrescentou:
-- Vou está te esperando na portaria do prédio.
-- Então está combinado: nove horas estarei aí — falei.
Despedimos-nos.
Ah, querido leitor! Quase não pude me conter de tanta felicidade. Eu estava zonzo, inebriado pela voz macia e delicada dela, pelo falar manso que só um autêntico mineiro tem. E ao sentir a maciez de sua voz ecoar-me internamente, a imagem de todos os nossos encontros, desde o primeiro momento em que a vi naquele coreto até o último adeus, vinham-me à memória numa sucessão desordenada, como se um filme passasse em alta velocidade diante de meus olhos. E foi assim que corri até o quarto, abri a mala e escolhi a melhor roupa que levara na viagem. Sim. Foi doubrando esta mesma roupa que, ao arrumá-la na mala antes da viagem, fez-me suspirar e parar por alguns instantes com os pensamentos voltados para Diana. E agora estava eu ali, preparando aquela mesma roupa para vestir e ir ao seu encontro. Ah, como às vezes o destino conspira a nosso favor! Como tudo parece estar do nosso lado.
E fim assim, com a certeza de ter uma noite maravilhosa, que por volta de oito e meia da noite despedi-me de minha avó dizendo que ia dar uma volta e corri ao encontro de Diana, da minha Diana que não via há mais de um ano.
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