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Crônicas-->O GRANDE MESTRE -- 11/11/2000 - 11:37 (Nelson de Medeiros Teixeira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Nada melhor do que uma boa historia acontecida ao tempo em que se jogava futebol. Na verdade não existe um ex-atleta, seja de várzea, seja profissional, que não tenha, pelo menos, um acontecimento marcante em sua vida esportiva, o que facilita , sobremaneira, o trabalho de qualquer cronista, seja ele, também, profissional ou amador.
Acontece, porém, que nem só de futebol vive este pais e também em outros esportes os acontecimentos se perpetuam, quer por usa hilaridade, quer por sua beleza como essência desse próprio esporte. E esse acontecimento eu ouvi do próprio protagonista.
Ainda garoto de calças curtas conheci seu Antonio Quintino da Cunha, o Antonio Barbeiro- aliás todos que foram garotos no bairro Independência conheceram seu Antonio Barbeiro – excelente profissional que passava suas horas de lazer, ou entre um corte de cabelo e outro, jogando damas com quantos se habilitassem a enfrentá-lo. Conhecedor profundo desse esporte, pouco difundido, mas excitante, era seu Antonio Barbeiro o protótipo do verdadeiro campeão, tal o respeito que infundia aos demais damistas da cidade. Diga-se de passagem, por necessário, que o jogo de damas é um dos poucos esportes no qual ninguém “engana”, ninguém dá uma de “mané”. Quem é bom de tabuleiro senta, joga e ganha. Quem não é, senta, joga e perde, via de regra...
Pois bem. De certa feita apareceu um sujeito na barbearia , que ficava ali na rua Moreira, onde hoje é a Academia Cachoeirense de Damistas. Bem arrumado, muito falante, aspecto sério, e, novidade: Abarrotado de livros e revistas sobre táticas e técnicas de aberturas e finais de partidas. O sujeito era realmente incrível... Arrumava as peças no tabuleiro e mostrava mil maneiras de como ganhar, de como empatar e de como perder. Mostrava golpes em que se terminava uma partida em três lances! Explicava teorias de mestres russos e franceses como se fosse simplesmente um deles, ante o olhar embevecido e amedrontado do próprio Antonio e do Osvaldo Carvalho – freqüentador assíduo da barbearia, na época, e hoje grande colecionador de títulos na cidade.
Mas tanto fez e mostrou o damista forasteiro que ficou difícil decidir quem sentava primeiro para jogar com ele. Se o Antonio Barbeiro ou se o Osvaldo. E foi aquele jogo de empurra: - Senta você. – Não, você primeiro que é o dono , etc....
Evidente que por em risco a fama de bons jogadores contra um “gênio” daqueles era, antes de temeridade, uma verdadeira oportunidade de passar vergonha. Sim, porque todo damista que se preza é orgulhoso e não gosta de perder. Quanto mais de goleada... Sem contar que depois deveria suportar a gozação dos demais damistas da Academia, o que era, à toda evidência, inadmissível...
Ante a insistência, porém, do “Grande Mestre”- como se rotulava nas entrelinhas – e sob a promessa juramentada de jogarem apenas uma partida cada um, aconteceu o encontro.
Acontece, entretanto, que somente o seu Antonio jogou. Não que o Osvaldo tivesse desistido por medo, mas simplesmente porque após 10 minutos de jogo o resultado já estava 5XO para o damista cachoeirense...
Bem, o que aconteceu com o “mestre”ninguém ficou sabendo, mesmo porque saiu às pressas da barbearia deixando para trás uma tremenda e hilariante bagagem de conhecimentos até hoje discutidos e registrados nos anais folclóricos da história damistica da cidade de Cachoeiro de Itapemirim.


Nelson de Medeiros Teixeira

Publicada no Jornal Folha da Cidade
Em 08.83

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