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Roteiro_de_Filme_ou_Novela-->MANICÔMIO -- 06/11/2001 - 21:26 (Paccelli José Maracci Zahler) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
MANICÔMIO

Paccelli M. Zahler

CENA 1

(Uma rua, possivelmente próxima a algum muro ou janela)

Narrador: A natureza humana é um pouco estranha, muito difícil de entender. Nela se mesclam egoísmo, vaidade, curiosidade, alegria, tristeza. Existem algumas pessoas muito curiosas, as quais parecem escquecer por completo a máxima de que “a curiosidade matou o gato”.
A curiosidade é inerente ao ser humano em sua ânsia de conhecer o mundo que o cerca ou para ficar sabendo de alguma novidade antes de qualquer outra pessoa. Sobre esta qualidade (ou defeito) humano já foram feitas algumas piadas como, por exemplo, o caso deste rapaz:

(Vem um moço caminhando normalmente pela rua, passa a demonstrar grande curiosidade ao ouvir uma voz atrás do muro ou janela)

Voz: Trinta e três!Trinta e três!Trinta e três!

(O rapaz olha pela janela ou muro e recebe um objeto na car e sai pela rua com a mão no nariz)

Voz: Trinta e quatro!Trinta e quatro!Trinta e quatro!

(O rapaz continua caminhando até dobrar a esquina)

Narrador: A curiosidade pode não matar mas pode impedir alguém de sentir o perfume das flores por muito tempo. E a vaidade? E a loucura? Passam despercebidas na louca vida desta vaidosa cidade monumento – patrimônio da humanidade – Brasília.

(A câmera sobe lentamente e enfoca o azul do céu)


CENA 2

(A câmera com o azul do céu e vai descendo lentamente, enfocando uma calçada. Duas senhoras, não muito dotadas de beleza física vêm caminhando e conversando)

Caroline: O dia hoje está maravilhoso, Mary! Acordei inspirada, também, depois daquela sauna e da seção de massagem no clube, não podia estar me sentindo melhor.

Mary: Concordo com você! Hoje, estou me sentindo divina! Passei no Flavinho Coiffeur e olha meu cabelo como ficou lindo. E minha pele, hum, maravilhosa!

Caroline: Mary, estou sentindo uma fome muito grande. Vamos a algum lugar comer alguma coisa?

Mary: Ir a algum lugar? Cuidado, querida, é preciso não perder a linha. Não baixar o nível, entende. Eu conheço um lugar maravilhoso e aconchegante, onde todas as nossas amigas têm ido ultimamente.

Caroline: Deixa de segredo e me conta onde é!

Mary: Ora, todo mundo sabe! È o Bira’s Brazilian Food. Comida brasileira. Tem um sanduíche e um suco de maracujá de tirar o chapéu. É aqui!

(Entram no Bira’s Brazilian Food, sentam-se, pedem algo para comer e beber. Ao fundo, lê-se um cartaz: “Bira’s Brazilian Food. Don’t worry with the economic, political, hungry or thirst crisis. Kill them with Bira’s natural sandwich and juice for low price. Remember you will not pay in dollars, but in reais. Bira’s, the best of the best”.
Enquanto comem, são abordados por alguém, com boné, cachecol e óculos escuros, enquadrando-as entre os polegares e os indicadores, acompanhado de outra pessoa com uma câmera de videocassete sobre os ombros)

Diretor de cinema: São elas, Théo, as pessoas que eu estava procurando!

Mary (assustada): Como? O que foi que o senhor disse?

Diretor: Paradas, meninas! Nenhum movimento! Close, Théo!

Caroline: Por acaso é um assalto, um assédio? Socorro, polícia!

Diretor: Não, não e não, meninas! Deixem-me apresentar-me! Sou Paul Robert, o diretor de cinema; e este é Théo, meu câmera man. Estava a procura de duas estrelas para o meu novo filme, ainda sem título.

Ambas: Oh, perdoe-nos! Estamos lisonjeadas! Mas, será que nos adaptaremos ao papel? Afinal de contas, é a primeira vez que ... ( passam a mão no cabelo).

Diretor: Não se preocupem! O papel é de vocês. Tenham a bondade de vir ao meu estúdio para começarmos as filmagens.

Ambas: M-mas, j-já?

Diretor: Sim, é para o Rio Cine Festival deste ano.

Mary: Que bom! Hoje é o nosso dia de sorte! Finalmente, alguém reconheceu o nosso talento.

Caroline:Não só talento, beleza também, querida! Se ganharmos o festival de cinema, estaremos na mesma posição da Brooke Shields, Merryl Strip, Elizabeth Taylor e Sophia Loren, já pensou?

Diretor: Vamos indo, então?

(A câmera dá um close em uma parede branca. Há o corte e a próxima cena reinicia na parede branca e vai, aos poucos, mostrando uma sala de estar. Todos entram sob as ordens do diretor de cinema)

CENA 3

Diretor: Podem entrar e sentar-se!

Ambas: Obrigada! (exploram, discretamente a sala de estar com o olhar e sentam-se)

Diretor: Aguardem aqui, meninas! Théo e eu vamos acertar os detalhes do contrato e trazer o roteiro para vocês. Com licença! Vamos, Théo!

(O diretor e seu assistente saem. As duas ficam aos cochichos na sala de estar como que fazendo planos futuros. A câmera desloca-se lentamente até um relógio de parede que marca 2 horas. Há o corte, o qual, quando for restabelecido, indicará 5 horas no relógio. As duas mostram ar preocupado e começam a ficar agitadas)

Mary: Que diabo! Onde está o senhor Paul Robert?

Caroline: Não sei, será que é tão difícil assim elaborar um contrato de trabalho?

Mary: Não sei, não, amiga! Será que não fomos sutilmente seqüestradas?

Caroline: Não inventa, amiga! Você está me deixando preocupada!

Mary: Será que não devemos dar uma olhadela por aí e ...

Caroline: Bisbilhotar a casa, você quer dizer?

Mary: E por que não? Já esperamos tanto tempo ...

Caroline: Vamos lá!

(Vão saindo da sala. A câmera poderá acompanhá-las ou não. Se não, poderá fixar-se nas costas de uma delas)

CENA 4

( A câmera vai iniciar do último ponto, por exemplo, das costas de uma delas. Vai levantar lentamente e mostrar o corredor e o número da primeira porta)
PORTA NÚMERO 1

(Do lado de fora, ouvem-se sons de música clássica e um saltitar. Curiosas, as duas senhoras abrem a porta devagarinho. Deparam-se com uma bailarina, alheia a tudo e a todos, tentando ensaiar alguns passos, sem muito êxito)

Mary: Senhorita, senhorita, por favor, onde estamos?

(A bailarina impassível com o olhar no seu próprio mundo. Sem resposta, encolhem os ombros olhando uma para a outra e vão fechando a porta devagar. Dirigem-se à porta nº 2)

CENA 5

PORTA NÚMERO 2

(Ao abrirem a porta nº 2, deparam-se com um cidadão, razoavelmente vestido, por exemplo, com um terno velho, amassado e algumas folhas de papel na mão, discursando para um pequeno e irrequieto público)

Político: Senhoras e senhores, nunca, em nenhum momento da nossa história, este país passou por uma crise tão grande. Uma crise moral e ética. Uma crise econômica, política e social. Uma crise (pausado) de criatividade (palmas). É hora de lutarmos contra a desonestidade e a mediocridade, as quais vêm se tornando uma rotina em nosso cotidiano (alguém grita: Muito bem, muito bem!) Vamos reconstruir o país. A hora é agora (palmas) pois, como diz o refrão, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer” (palmas). A partir de amanhã (palmas), assinarei uma série de decretos banindo para sempre a corrupção, a desonestidade, a mediocridade e os marajás do nosso tão novo e tão explorado país (palmas).

(Em meio ao discurso, as duas senhoras tentam entrar, mas são barradas por um segurança. Mesmo assim, tentam forçar a entrada)

Segurança: As senhoras têm um crachá?

Ambas (em uníssono): Não!

Segurança: Infelizmente, não podem entrar!

Mary: Por que?

Segurança: A vida do nosso presidente está ameaçada devido às suas idéias. Questão de segurança, entendem?

Caroline: Presidente? Presidente do quê?

Segurança: Marquem uma audiência, senhoras!

Mary: Mas só queríamos uma informação!

Caroline: Por acaso, é um ensaio para algum filme?

Segurança: Não, senhoras, é o nosso presidente falando aos seus compatriotas! (e, praticamente, as enxotando da sala) Com licença! Com licença!

Mary: E a democracia, onde está?

(O segurança fecha a porta e elas ficam desconcertadas no corredor. Resolvem dirigir-se à porta nº 3)

CENA 6

PORTA NÚMERO 3

(Chegando em frente à porta número 3, já ressabiadas, começam a ouvir uma voz)

Voz: Dominus vobiscum. Et cum spiritu tuo. Sursum corda. Habemus ad Dominum. Gratias agamus Domino Deo nostro. Dignum et justum est. Aleluia, aleluia. Amen.

Mary: Será que isto é realmente um estúdio de cinema?

Caroline: Ninguém diz nada, ninguém nos responde nada.

Mary: Escuta, isso parece latim!

(Ao entrarem, são surpreendidas pelo padre que, com o dedo em riste, aponta para as duas)

Padre: Ajoelhai-vos, pecadoras, dentro do templo do Senhor!

(Mais que depressa ajoelham-se e ficam de olhos arregalados)

Padre: Laus, honor, virtus Deo nostro, decus et imperium regi magnuqui. Amen.

(As duas continuam em silêncio, mas o padre lança-lhes um olhar atravessado e repete, gritando)

Padre: Amen!

Ambas (assustadas): Amen!Amen!

Caroline: Padre, por favor, uma informação!

Padre: Calai-vos dentro do templo do Senhor! Só o Senhor é justo, só o Senhor é Santo. Só ao Senhor é dado o direito de se expressar através de suas grandes obras.

Mary: Certo, mas só queríamos ...

Padre: Calai-vos, fruto do pecado original! Só o Senhor tem o poder sobre a vida e sobre a morte. Só o Senhor. Arrependei-vos, pecadoras, ainda há tempo, antes que o mundo termine.

Caroline: Padre, nós...

Padre: Arrependei-vos! Deixai que o Senhor entre em vosso coração, já!

Ambas: S-s-si-sim, nos arrependemos!

Mary (cochichando): Vamos embora!

(Enquanto o padre vira de frente para o altar, vão levantando devagarinho e saindo de costas. Fecham a porta com cuidado)


CENA 7

PORTA NÚMERO 4

(Deparam-se com um grupo de punks, prestes a começar um baile de rock)

Punk 1: Olha lá, cara, carne nova no pedaço!

Punk 2: Pô, mas tu é feia, hein cara!

Punk 3: Vamos chegando no pedaço que a gente estamos pra curtir um sonzão legal!

Punk 4: Ih, parece que o gato comeu a lingüinha delas! (risada geral)

Punk 5: Juntem-se a nós, gente boa! Vamo botá pra fora toda a nossa insatisfação com esta sociedade onde não se pede pra nascer e se é impedido de viver (lllargg – colocando a língua para fora)

Punk 6: É isso aí, cara! Eu cuspo pra essa sociedade injusta, pra essa podridão social que só marginaliza as pessoas (cospe).

Punk 3: Venham, venham! (Dirige-se às duas senhoras, tentando levá-las para o meio deles, ao mesmo tempo em que é colocado um rock de protesto no aparelho de som e todos começam a dançar. As duas, levadas para o meio da sala, dançam um pouco cercadas de línguas de fora e cuspidas, e vão dando um jeito de sair devagar e disfarçadamente)

Caroline: Estou desconfiada. Acho que aqui não é estúdio de cinema não.

Mary: É o que parece e já estou com muito medo!
Caroline: Eu também! Será que convém olharmos outras portas?

Mary: Nesta altura, minha querida, quem está no fogo é para se molhar!

Caroline: Não seria se queimar?

Mary: Deixa pra lá!


CENA 8

PORTA NÚMERO 5

(Abrem a porta de repente e uma voz sai lá de dentro)

Voz: Pô, será que não se pode mais nem ir ao banheiro decentemente? Vocês não sabem ler?

(Olhando bem a porta, observam a plaquinha “banheiro”)

Caroline: Desculpe, senhor, não tínhamos visto que era o banheiro!

Voz: Pro inferno vocês duas e da próxima vez olhem direito!

Mary: Mais uma vez nos perdoe!

Voz: Vão embora, me deixem, ahh!, curtir, ahh!, essa prisão-de-ventre descansado. Ahh!, estou conseguindo, ahh! Ahaha, eu consegui! Por Deus, depois de uma semana, finalmente, eu consegui!

(As duas saem tapando os respectivos narizes. Respiram um pouco de ar puro e fecham a porta. Ficam observando a porta número 6 que está entreaberta e com uma luz passando pela fresta)

CENA 9

PORTA NÚMERO 6

(Ao espiarem pela fresta, observam um senhor de capa e chapéu, sem camisa, mas com uma gravata no pescoço e um ar sério)

Mary: Com licença, o senhor pode nos informar onde estamos?

Homem: Não me perguntem pois não sei ao certo!

Caroline: Não sabe, mas como o senhor veio parar aqui?

Homem: Como falei, não sei ao certo! Aúltima coisa que me lembro...

Caroline: O senhor teve amnésia?

Homem: O que me lembro é que estava fazendo o que gosto, quando me trouxeram para cá.

Mary: Puxa vida, quanta repressão! Nem com um governo democrático a pessoa pode fazer o que gosta. Quanta repressão! Que país é este, meu Deus!

Homem: Que país é este eu não sei. Porém ( fazendo um olhar malicioso), dêem uma olhadinha aqui. Tcham! (Abre a capa de repente e o que há por debaixo dela não é o tecido,não, nem um penduricalho qualquer. Era apenas um exibicionista. As duas senhoras saem correndo porta a fora, em pânico).

CENA 10

CORREDOR

(Correndo pelo corredor encontram um militar e o abordam)

Mary: Senhor, há um tarado naquela sala!

Militar (ao virar-se, apresenta um ferimento no braço): Olhem para mim agora. Eu defendi a pátria, vi meus companheiros morrerem. Eu tenho pesadelos horríveis durante a noite e acordo sobressaltado. Fui considerado um herói e agora não vivo mais. Minha vida é viver dentro deste hospital. Minha luta é pela vida que já perdi há muito tempo, quando conheci o inferno da guerra.

Mary: Hospital? O senhor falou hospital? Não parece!

Militar: Sim, vocês não sabiam? Hospital Psiquiátrico JK.

Caroline: Meu Deus, estamos em um hospício! Vamos embora!

(Dirigem-se para a sala de estar. Lá chegando, encontram o diretor de cinema e seu ajudante, Théo. Pegam suas bolsas. O diretor, enquadrando-as entre os polegares e os indicadores, começa a falar)

CENA 11

NA SALA DE ESTAR

Diretor: São elas, Théo, as pessoas que eu estava procurando!

Mary: Senhor diretor, estávamos a sua procura. Por acaso isso é uma brincadeira?

Diretor: Paradas, meninas!Nenhum movimento! Close, Théo!
Caroline: Por que o senhor não nos disse que isto aqui é um hospício?

Diretor: Deixem-me apresentar! Sou Paul Robert, o diretor de cinema, e este é Théo, meu câmera man. Estava a procura de duas estrelas para o meu novo filme, ainda sem título.

Mary: Isso o senhor já nos disse! E aquela história de contrato foi tudo uma brincadeira, não foi?

Diretor: Não se preocupem! O papel é de vocês. Tenham a bondade de vir ao meu estúdio para começarmos as filmagens.

Caroline (ao ver Mary prestes a contestar): Mary, não insista. Ele é louco!

(Chega um médico e se dirige ao diretor de cinema e seu ajudante)

Médico: Muito bem, Paul Robert e Théo, já filmaram muito por hoje. É hora de se recolher e tomar o medicamento.

Diretor: Mas, já?Eu não quero! (responde fazendo beicinho)

Théo: Eu também não! Quero filmar só mais um pouquinho!

Médico: Por hoje chega! A câmera, dêem-me a câmera!

Théo: Não, não e não! Quero filmar mais um pouquinho!

Médico: A câmera!

(Théo entrega a câmera e saem os dois cabisbaixos. As duas senhoras ficam atônitas, muito sem graça e vão saindo desconfiadas, olhando para os lados, frustradas. Dirigem-se ao balcão onde está uma enfermeira)

Enfermeira: Em que posso ajudá-las?

Mary: Aquele moco, o Paul Roberto, a senhorita o conhece?

Enfermeira: Ah, é um paciente antigo deste hospital psiquiátrico.

Caroline: Quer dizer que estamos mesmo em um sanatório?

Enfermeira: Exatamente, mas não se preocupem. Vocês não são as primeiras a cair na história da filmagem. Desde que aqui entrei para trabalhar, periodicamente aparecem estrelas para o filme dele. Ele é muito convincente.

(saem frustradas)

Caroline: Que loucura fizemos, menina! O que nossas amigas vão dizer?
Mary: Nossa vaidade falou mais alto. Bem feito! Acho que aprendemos a lição.

Caroline:Pois é, sabemos que não somos estrelas de cinema, tampouco bonitas.


CENA 12

NA RUA

(Vão caminhando pelas ruas, conversando, observando as pessoas, os mendigos, os altos preços nas lojas, as notícias de guerras, seqüestros, assassinatos, greves, corrupção, inflação, passeatas. Entreolham-se)

Caroline: Estive pensando, estará a loucura dentro de um hospício mesmo?

Mary: Eu sei que sou normal!

Caroline: Você tem certeza?

Mary: Minha querida, você ficou contaminada?

Caroline: O hospício não seria uma maneira prática de alijar da sociedade os normais?

Mary: Você está com febre, amiga? (toca a testa da outra com as costas da mão)

Caroline: Pense bem, aqueles que estão lá dentro, em sua maioria, não são perigosos. Eles apenas vivem em um mundo diferente do nosso, muito pessoal, simples e perfeito.

Mary: Amiga, você está passando bem?

Caroline: Veja, a bailarina e a música eram uma coisa só; o presidente era o único que queria fazer deste país uma nação séria e honesta; o padre queria salvar a humanidade dos sete pecados capitais antes do fim do mundo.

Mary: Agora estou entendendo. Os punks refugiavam-se na música e nas drogas, quem sabe, por não se adaptarem a uma sociedade onde quem trabalha com honestidade é punido e quem não trabalha e rouba é recompensado, principalmente nos altos escalões do governo. Sentiam-se incompetentes para mudar a sociedade como um todo.

Caroline: O exibicionista era apenas uma pessoa insegura quanto a sua sexualidade; o militar um frustrado por ter se deixado levar por uma ideologia belicista; e o diretor de cinema alimentava o sonho de retratar a sociedade ideal.

Mary: Você está com a razão. Olha só as manchetes, os preços, as pessoas com fome pelas ruas, os camelôs, os desempregados.

(Voltam para o hospício de mala em punho solicitando duas vagas)
FIM

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