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Artigos-->65. PSICANÁLISE E ESPIRITISMO — SÓCRATES -- 24/12/2002 - 07:39 (wladimir olivier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
WLADIMIR OLIVIER


Um farelinho de nada pode ser motivo de muita preocupação. Seja um exemplo: um cientista procura conectar genes de espécies semelhantes em seu laboratório de experiências genéticas. Inadvertidamente, inocula em chimpanzé fêmea cromossomos de sagüi, sem que dê pelo erro. Mais tarde, verificando o resultado do cruzamento, percebe que criou um monstro. E o que é um cromossomo ou infinidade deles? Um farelinho, um nada, algo muito pequeno, mas nunca insignificante.



O nosso exemplo, evidentemente, é absurdo; peca contra a natureza. Mas, creiam, é muito elucidativo no que tange ao paralelismo que queremos estabelecer quanto à vida moral.



Não pode o homem discernir com precisão quais e de que são feitos os “farelinhos” que provocam inúmeras monstruosidades no campo do procedimento humano, tal é a complexidade da mente e dos problemas que carrega. Por mais que os psicólogos busquem raciocinar sobre as causas possíveis da ação humana, não têm o poder de exata e total compreensão dos fenômenos psíquicos e dos atos que provocam.



Sabem, epidermicamente, que existem influências deletérias no campo da consangüinidade, quando, quase sempre inconscientemente, os pais provocam reações anormais naqueles seres que são ou deveriam ser os mais queridos. Mas desatinos como o ciúme, a inveja, o orgulho ferido, levam muitas pessoas a organizações familiares desequilibradas e os filhos, em contacto diário com mentes perturbadas, acabam assimilando o mal pela raiz, integrando-o profundamente em sua personalidade, vindo, no futuro, a agir segundo princípios que aprenderam quando ainda incapazes de formular pensamentos racionais, com base na verdade dos fatos e não em sua enganosa aparência. Só mais tarde, com o auxílio de muita análise psicológica, é que se pode chegar a conclusões a respeito dos desvios de personalidade proporcionados pelas influências das mais variadas origens na infância. E a Psicologia fica por aqui.



Aguarda-se cientista mais lúcido que venha a realizar experimentações psíquicas além da análise do passado recente. Sabemos que muitos, através da hipnose, buscam rastrear existências pretéritas, mas estão escavando como crianças na praia em busca de conchinhas. Não sabem a que profundidade poderão encontrar as causas mais significativas que venham a explicar não só as atitudes de claro desvio da norma de conduta, como ainda, e aí está a maior importância da Psicologia futura, as razões do procedimento tido como normal.



Sendo assim, é preciso instituir fundações que se dediquem à busca dos segredos pretéritos, organizando disciplinas sistematicamente, com fundamento científico, para que haja real e efetivo mergulho na consciência humana, em favor da obtenção de roteiros de conduta que venham a satisfazer os princípios da peregrinação evangélica, em total esclarecimento, que para cada ser irá diferenciar-se, da tese de causa e efeito no âmbito do comportamento.



A nós, a exortação; aos encarnados, a meditação e o trabalho. Jung buscou nas armadilhas do cérebro encontrar a chave dos mitos. Ficou na periferia. Freud, anteriormente, buscara, nos reflexos fundamentados na influenciação da vida sexual, as causas das anomalias. Ficou na periferia. Outros discípulos existem que acreditam desvendar o mistério do comportamento através das relações de causa e efeito determinadas por fatores de ordem hereditária, em conjugação com fatores ambientais que incidem uns sobre os outros, resultando em procedimento satisfatoriamente previsível. Estão arranhando a superfície da ciência. Estão aparecendo novidades no campo da livre associação dos vários fatores que compõem a mente humana (“ego”, “superego”, “id”; consciente coletivo; inconsciente comum etc.), sob a influenciação dos elementos físico-químicos que interagem em contacto com os eletrões ativados por meio da vontade (tida aqui como o conjunto de interesses de cada indivíduo). Este interagir provoca as reações habituais, como a fome, a sede, o desejo sexual etc., e as esporádicas, como grandes alucinações, desvarios de várias intensidades etc., procedimentos que caracterizam a psicose e a neurose. Mesmo estes estão no aflorar do mistério.



Claro que não estamos a desmerecer nenhum dos precursores em seu afã de atingir metas definitivas, dando explicações de caráter universalizador. Eles todos têm méritos incontestes e cada qual, no seu setor, imprimiu à ciência do comportamento impulsos muito importantes para o seu desenvolvimento. Mas o que é preciso ressaltar é o caráter meramente especulativo que embasa tal ciência nos domínios da inteligência humana.



Ainda que muitos tenham obtido sucesso em seu processo de análise, ainda que muitas pessoas tenham tido seus problemas resolvidos pelos vários sistemas de tratamento psiquiátrico, ainda que, tutelados por espíritos protetores, muitos médicos e cientistas tenham tido progresso significativo em suas experimentações e em suas sínteses, mesmo assim muito se haverá de caminhar até atingirmos o apogeu dessa ciência ainda muito nova nos anais da humanidade, mas de antigüidade mui remota junto aos espíritos que presidem ao condicionamento humano.



Para que haja real desenvolvimento científico, é preciso submeter o iniciante à experimentação mediúnica primária, desde que devidamente motivados os professores e os alunos, para que, com o magnetismo das pessoas envolvidas no ato da concentração, nos dois planos da realidade, se possam oferecer-lhe condições de compreender, como se o experimento se desse “in vitro”, o próprio mecanismo da mente, quando liberta dos fatores circunstantes e diante de si mesma, a operar em todos os escaninhos de seus infindáveis e intrincados meandros.



Esse adentrar sob influenciação mediúnica é fundamental para a parte experimental, empírica, da capacitação do iniciante; porém, para que adquira conhecimento teórico, é necessário ainda mais. É preciso que venha a se dedicar, em suas leituras, aos textos espíritas produzidos por muitos irmãos que buscam relatar experiências de vidas sucessivas e como se dá o encadeamento delas, quais os fatores envolvidos, quais as reais relações de causa e efeito, ação e reação. Sendo assim, recomendamos aos pesquisadores e colaboradores que haja humildade muito grande, para que possam obter postura convenientemente científica na captação dos princípios condutores da ação humana.



Era o que tínhamos a oferecer aos leitores, com forte desejo de que a humanidade venha, em futuro próximo, a progredir célere rumo ao bem maior, ou seja: carrear aviso para que não se subestimem os avanços da Psicologia e da Psiquiatria pelos evangelizadores e para que o evangelho não fique esquecido dos que se voltam para o estudo da mente humana. Esses dois ramos do conhecimento, quando finalmente puderem interpenetrar os seus avanços, os quais se dão em diferentes sentidos mas com clara definição de finalidades muito semelhantes, quase as mesmas, propiciarão progresso muito substancial do conhecimento do procedimento do homem na Terra, em conexão com seu senso de busca do infinito, na compreensão da razão do existir.









JUSTIFICATIVA



Este companheiro, em vida, esteve à frente de casa de saúde que tratava de pacientes com distúrbios mentais. Era do tempo em que o choque elétrico era a “vedette” com que os doutores curavam a maioria dos pacientes, na presunção de que o que Pavlov realizara com os cães serviria convenientemente para os seres dotados de razão e vontade. Puro engano. Reconhecemos isso e o que viemos relatar é forma de nos penitenciarmos dos erros do passado.



Sabemos que não temos o direito de perturbar quem quer que seja, muito menos causando males maiores para sanar outros cujas causas estivemos longe de perceber. Por isso, trazemos os nossos parabéns para os homens que se dedicam, com grande energia e entusiasmo, à cura das doenças mentais, embora nem sempre ajam em consonância com os princípios que propugnamos, mas sempre segundo orientação ética de intocável pureza.



É claro que ganhar dinheiro faz parte do ofício e este ofício não se destina a quem não pode pagar. Muitos mercenários existem, contudo, que chegam a parecer charlatães; mas este mal está na raiz de toda a sociedade e não ataca somente os médicos especializados no exame e na diagnose dos males da mente. Se pudessem dar mais de si para a evolução científica, mesmo que sejam meras anotações de casos particulares, para publicação e conhecimento de toda a coletividade científica, estariam acrescentando mais um pequeno trabalho que muita luz poderia ajudar a trazer, quando da compilação e da organização dos fatos a serem explorados pelos estudiosos.



No mais, devemos agradecer a paciente atenção com que fomos recebidos e lidos e desejar a todos saudável e proveitoso proceder junto aos semelhantes, sempre baseando suas atitudes não em arremessos da vontade, mas nos ensinamentos do Cristo.









COMENTÁRIO — MANUEL



Não queremos furtar-nos a comentar o texto do irmão Sócrates (nome simbólico, adotado em homenagem ao grande filósofo e cientista do comportamento humano), tão a gosto dos pseudocientistas que temos entre nós. Sabem alguma coisa muito pela rama e buscam terminologia adequada ao setor da ciência a que aderiram, para impressionar com discurso altamente “sábio”. É claro que temos de deixar o texto desenvolver-se até ponto em que o roteiro parece conflitar com as razões avocadas, na configuração de aspectos contraditórios capazes de levar o leitor a concluir pela dubiedade das informações.



Espíritos lúcidos e bem intencionados existem, todavia, que praticam realmente as ciências que proclamam. Mas tais espíritos são muito discretos e não apresentam a pretensão de orientar os seres encarnados nos ramos do conhecimento a que se dedicam com grande afinco e indiscutível mérito.



Vamos analisar o texto do nosso irmão. Principia por fazer referências a procedimentos incorretos produzidos por almas em litígio consigo mesmas, pois parte de um exemplo de imprudência. Ora, todos sabemos que a criação de monstros não se dá no exclusivo domínio da mente humana. Muitos seres existem deste lado da realidade que operam em desequilíbrio e nem por isso estão a ser influenciados por causas que apareceram em qualquer momento de suas infâncias. São seres perniciosos pela própria natureza; seres que necessitam muito peregrinar para poderem atingir estágios que mereçam encarne revitalizador. A prova e a missão lhes estão muito distantes. Como, então, explicar por razões de caráter meramente transitório aquilo que está na raiz da personalidade? Eis que Deus não criou seres assim. Eles se deixaram influenciar por precipitações constantes no lamaçal das inconseqüências e pairam em dor nas esferas mais grosseiras do orbe. Quanto a isto, não há nenhum argumento no texto de nosso querido neófito nas lides da Psicologia.



Em seguida, temos que objetar quanto à profundidade da análise dos teóricos apresentados. Tudo foi muito perfunctório. Cada um dos cientistas citados dedicou a vida à ciência e, se suas teorias não se apresentam acabadas e definitivas, não é por culpa do trabalhador mas do estágio da ciência e das circunstâncias sociais que afetaram o desenvolvimento das noções novas que estavam sendo descobertas e reveladas.



Quanto ao andamento atual da Psicologia e da Psiquiatria, não muito se acrescentou de fato, pois inúmeros são os pesquisadores no mundo todo que estão desenvolvendo suas teorias baseados em idéias centrais diferentes e que chegarão, necessariamente, a resultados diferenciados. Esses avanços não são do conhecimento do nosso irmão, que se encontra há muito tempo afastado do terreno da investigação científica da Terra. É de louvar o seu esforço em tentar obter conclusão própria do pouco que observou junto a alguns experimentos e a alguns textos divulgados. Mas é muito pouco para fundamentar toda uma teoria a respeito desta novel ciência, a qual inspira inúmeras vocações.



Quanto à união da Psicologia com a Evangelização, é claro que deverá dar-se em algum momento. Não somos “experts” no assunto, mas não é difícil de se supor que haja cientistas de formação espírita dedicados ao desenvolvimento das idéias defendidas pelo nosso mensageiro.



Como se pode perceber, não é preciso tecer comentários de grande profundidade no campo dessa ciência, para realçar os defeitos do texto em análise.



Quanto aos princípios morais contidos na mensagem, é outra história. Evidentemente, não houve má-fé, dolo, nem objetivava o nosso amigo prejudicar a quem quer que fosse. Longe de nós imaginar sequer tal fato. Mas é evidente que há necessidade de mais estudo, de mais dedicação, de mais tempo a ser destinado a estes temas de grande interesse junto a todos nós, para que se atreva quem quer que seja a discorrer seriamente.



Não vamos atribuir notas para o texto, mas vamos deixar que tenha curso, pois é curioso o tratamento dado ao assunto e o nosso amigo ficará muito feliz, pois conseguiu, realmente, deixar cair peso de sua consciência, revelando a causa de seu mal e buscando lenitivo e penitência na sua divulgação.



Queremos, por último, deixar-lhe convite, para que se ofereça mais vezes ao nosso trabalho, trazendo as luzes de sua inteligência e as novidades que obtiver no tratamento dos temas a que vier a consagrar sua meditação. Gratos estamos todos ao irmão Sócrates e lhe pedimos para aceitar a nossa crítica com o mesmo descortino que utilizou ao criticar os avanços da Psicanálise.



Para que tudo venha a se concretizar segundo as sagradas leis do amor e da caridade, vamos rezar em conjunto um pai-nosso, em favor do esclarecimento de todos nós envolvidos neste trabalho mediúnico.



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