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Contos-->QUANDO O AMOR NÃO ACABA-Capítulo XXVII -- 02/10/2009 - 16:21 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
QUANDO O AMOR NÃO ACABA - capítulo XXVII

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No trajeto de volta até onde Diana morava, tomamos um taxi, até porque um ônibus naquele horário não passaria facilmente. De mais a mais, por passar das duas da manhã, ficar na rua a espera de um ônibus não era nada romântico. Embora não lhe dissera, a verdade porém é que aspirava em ficar às sós com ela na portaria de seu prédio, onde a intimidade poderia ser buscada sem o temor de sermos observados. Outro fator a pesar para minha decisão foi que, levando-a de táxi, isso lhe causaria uma boa impressão, pois certamente era a primeira vez em que Diana tomava um táxi ou o teria tomado tão poucas vezes que mais aquela vez tornar-se-ia inesquecível.
Infelizmente, talvez devido ao estado de embriaguez em que me encontrava, a reação dela e o que conversamos durante o curto trajeto, uma vez que o mesmo não levou mais do que dez minutos, perdeu-se nas minhas lembranças, como perdemos um poema anotado às pressas numa folha de papel a qual vai parar num lixão onde jamais poderá ser encontrada. Pouquíssimas e vagas imagens daqueles momentos me restaram, as quais não são suficientes para reconstruir, como quando se tem menos de 1% das peças de um quebra-cabeça, sem ter de usar a ficção, os fatos. De forma que tentar partir para suposições é ir contra tudo aquilo que venho fazendo até o momento. Assim, fica essa lacuna, embora, para eu não me lembrar de nada, nada de tão significante deva ter acontecido. Por outro lado, depois que descemos do taxi e a porta do prédio trancou-se comigo e com Diana ali dentro, as imagens, apesar da escuridão, tornaram-se claras, embora algumas recordações dos primeiros momentos ali me pareçam confusas. Mas a medida que o álcool foi perdendo o efeito, estas foram fixando-se de forma permanente no meu cérebro.
Conversamos acerca de muitas coisas: sobre o passado, o presente e o futuro, embora este último não me agradava muito, pois falar acerca do futuro era enganar o coração, o qual, ciente de estar sendo enganado, sabia que mais à frente digeriria aquelas palavras com lágrimas, com um aperto tão grande como se cada letra fosse um fio de aço a comprimi-lo. As recordações do passado me agradavam mais, pois via que, ao relembrá-las, ao comentá-las com Diana, estas a tornava mais sensível, mais delicada e romântica, mais receptível às minhas carícias, aos meus toques mais ousados por baixo da roupa, onde eu podia sentir-lhe os pelos rijos e os mamilos tão sensíveis quanto as cordas de um violino. Aliás, tamanha receptividade, temperada ao meu excesso de ousadia, permitira que Diana, pela primeira vez, abrisse a blusa e me deixasse desnudá-las os seios, cuja tonalidade escura dificultava a minha visão dos mesmos, embora, depois de acostumarmos com a escuridão, consigamos enxergar quase tão bem quanto sob o brilho de uma lâmpada. Minhas mãos percorreram-nos em todas as direções, tateando cada ponto, de tal forma que ainda hoje quase posso senti-los. Ao tatear, seguiu-se o toque de meus lábios, os quais, sedentos, desejaram-os tanto quanto haviam desejado aqueles lábios em Santa Paula, antes de primeiro beijo. Um mordiscar leve levou-a a suspirar, possivelmente num deleite cuja lembrança ainda há de permanecer-lhe viva na memória. E tenho cá comigo que aquele suspiro, longo, num tom de desespero, como se o leve pressionar de meus dentes a levassem ao maior dos sacrifícios, foi resultado de uma sensação de intensidade desmedida, de algo que ela jamais havia experimentado, nem com aquele primeiro beijo ou com qualquer outra carícia de minha parte ou de outro rapaz que por ventura tenha saído com ela. Talvez se o efeito do álcool não houvesse dissipado de vez e ainda restasse um que de embriaguez teríamos fatalmente ido às últimas consequências e nos levantado – pois estávamos meio que deitados nas escadas –, e recostado à parede ou à mureta e feito amor, pois a única pessoa capaz de impedir isso de acontecer seria eu, aquele que, se fosse com outra pessoa, não teria medido as consequências. E embora o desejo tenha me envolvido tal qual uma nuvem e penetrado em meu cérebro a ponto de realmente pensar em fazê-lo, ainda sim encontrei forças para não ir adiante, para não manchar aquele momento mágico e tão puro com o sangue da luxúria, o qual, ao arrancar-lhe a virgindade, tornar-se-ia não numa recordação prazerosa mas sim numa triste lembrança. Talvez até Diana desejasse a união de nossos corpos – embora em nenhum momento tenha deixado escapar algo capaz de indicar isso –, pois não escondeu que sabia perfeitamente que eu jazia excitadíssimo quando, levando a mão até minha calça e pegando-me o falo pro cima do pano, declarou:
– Cuidado para o Godofredo não escapar.
Ah, como eu desejei, por alguns instantes apenas, que Diana tivesse coragem – a coragem que me faltava – de abrir o zíper e retirá-lo para fora! No entanto, ela não o fez e nem demonstrou vontade de fazê-lo.
– Não. Pode deixar que ele não vai escapar – foi a resposta que dei com um sorriso.
Diana retirou a mão em seguida e mudou totalmente de assunto, talvez para desviar a atenção e não transformar aquelas palavras num problema, pois quiçá, no fundo, ela soubesse que, quando eu partisse novamente para Santos, as coisas voltariam ao pé em que se encontravam antes, o que aliás certamente aconteceria, já que, no fundo, eu não teria coragem – como não tivera até então – de assumir nosso relacionamento. E quando minutos mais tarde ela tornou a pegá-lo, emitindo outro comentário que “ele estava muito assanhado”, quase deixei escapar que “se ela quisesse poderia dar um jeito naquilo”. Mas antes porém que eu pudesse dizer-lhe alguma coisa, novamente Diana deu outro rumo a conversa, lembrando-me que estava amanhecendo e precisa subir. Súbito, ao olhar através do basculante acima da porta, vi os primeiros raios de luz ao longe, os quais, ao se misturarem ao negrume da noite, produzia um efeito de rara beleza no céu. E só então fui consultar o relógio para certificar de que o dia se aproximava, como se aqueles primeiros sinais de um novo dia não fossem suficientes para me convencer. Tanto o clarão no céu quanto os ponteiros do relógio corroboraram as palavras de Diana. Haveria de amanhecer dali a pouco e tanto ela quanto eu precisava ir para casa; ela, antes que a patroa acordasse, e eu que minha avó levantasse e não me visse na cama. Seria muito desagradável chegar na sua casa e dar de cara com ela, pois minha avó além de saber que eu tinha namorada ainda por cima conhecia Luciana (eu mesmo apresentei uma a outra há mais ou menos dois anos atrás e nas vezes seguintes que minha avó veio a Santos, não só se encontravam como tiveram oportunidade de conversarem as sós), a qual era lembrada com muito carinho e de uma forma como se tratasse de um membro da família.
Despedimos-nos e tal qual na noite anterior, voltei para casa da minha avó com o coração apertado, pois de certa forma eu sabia que provavelmente não teria outra oportunidade como aquela de tamanha intimidade. De mais a mais Diana confessara-me antes de nos despedirmos que não poderia se encontrar comigo no final de noite. Disse-lhe que aproveitaria para deitar mais cedo e descansar. Ela disse que faria o mesmo. Aliás, acho que foi mais o fato de passar um dia sem vê-la que mais me entristeceu. Ao tomar um táxi até a casa de minha avó, embora os ônibus já circulassem normalmente, mas eu queria chegar o mais rápido possível, apesar de até então não ter tido pressa em retornar, o cansaço, o sono e o abatimento me deixaram num estado lastimável, parecendo que, ao invés dos momentos inesquecíveis, retornava trazendo a saudade após um rompimento definitivo, semelhante ao que eu costumava levar para Santos ao entrar no ônibus de volta para casa, sonhando em reencontrá-la em breve, mais com a certeza no coração de que isso jamais tornaria a acontecer. E embora essa sensação de desolação se misturasse ao temor de encontrar minha avó acordada, este só foi se dissipar quando o taxi estacionou, quando os pensamentos voltaram todos para minha avó, pois eu rezava para não topar com ela na cozinha, onde provavelmente estaria preparando o café.
De fato não a encontrei. Todavia, ao me deitar (entrei pisando em ovos e fui direto ao quarto e me despi o mais rápido possível) escutei sons vindo do outro quarto, o que indicava que ou ela estava se levantando naquele momento ou havia se levantado antes e apenas retornara ao quarto por algum motivo. Aliás, tanto num caso como noutro não era mais possível esconder que acabara de chegar, pois, por mais que eu tenha entrado sem fazer barulho, o silêncio da casa permitiu que minha avó, ao estar acordada, ouvisse o ranger da chave na fechadura. Mas se ela ouviu porém não disse uma palavra quando levantei ainda sonolento para não dar a impressão de ter deitado ao amanhecer, por volta de onze horas para tomar café. Também não vi nenhum sinal de descontentamento por parte dela com relação as minhas saídas noturnas. Aliás, para agradá-la e com o intuito de ocupar o dia, acompanhei-a às compras e à vista a uma tinha cujo grau de parentesco não sabia ao certo, pois todos a chamavam de tia Lúcia, embora desconfiasse que na realidade era irmã de minha avó, já que havia uma certa semelhança entre ambas.

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