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Crônicas-->A FARMÁCIA DA NATUREZA -- 17/11/2000 - 21:54 (Márcio Filgueiras de Amorim) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Nos primórdios da vida do homem, sobre a Terra, nas suas primeiras doenças, com certeza, utilizou plantas como medicamento. Utilizava a intuição, para escolher o que usar. As boas escolhas passavam a ser divulgadas, na tradição oral daquela comunidade. Com o tempo um cabedal de conhecimento foi acumulado. Certamente, misturado com, um pouco, de superstição, magia, curandeirismo, bruxaria, xamanismo ou que nome possamos dar.

Mais tarde esquemas terapêuticos complexos, sofisticados mesmo, foram desenvolvidos por alguns povos. O Chinês antigo com a Medicina Taoistas e a Fitoterapia Chinesa, hoje intensamente estudada nas universidades do mundo todo. O Hindu com a fitoterapia ligada a Medicina Ahyurveda, milenar, mas muito eficaz. Embora quase tudo tenha se perdido, na América os indígenas, os Astecas e os Incas também tinham seus herbários medicinais. Antes, como hoje, muitas plantas estão se extinguindo, e estamos perdendo princípios ativos valiosos.

Na Europa um período rico é o dos Alquimistas, a partir do século XIII. Precursores da Química Moderna que é muito recente, com cerca de cem anos. Paracelso, um médico e alquimista polemico e famoso de então, queimou os livros médicos da época, em praça pública, e pois-se a estudar e ensinar novas formas de tratar. A Teoria em voga era a das “Signaturas”, acreditava-se que o Criador, teria deixado, sobre a Terra, para cada doença, uma planta medicinal que a curasse. Pode ser poético, mas será que realmente não deixou ?

A função do Médico era encontrar os sinais ou assinaturas que revelaria a planta indicada. Procuravam plantas com a cor ou a forma do órgão afetado. Parece-nos hoje uma técnica muito rudimentar, mas boa parte do acervo de conhecimento que temos hoje em dia, surgiu com a comprovação de que surpreendentemente, muitas vezes, as plantas funcionavam.

Na idade média, um período negro da evolução do conhecimento do homem, a doença era considerada como castigo de Deus. Dentro desta visão só orações, doações a igreja, auto flagelações poderiam sanar o problema. Era considerado herético (hereisys = em grego, significa o que segue seu próprio caminho), ou soberba do homem, prescindir do divino nos processos de cura. A medicina estagnou. Neste período, felizmente os Árabes, traduziam os Filósofos gregos e mantinham a filosofia e a ciência viva. Após, através dos Árabes, esse conhecimento retornou a Europa. Ainda na Idade Média, o Rei Carlos Magno mandou, através de decreto, que se cultivasse algumas centenas de Plantas Medicinais, nos castelos reais e mosteiros da frança. Assim se perpetuou muita coisa .

Hoje com a medicação química o homem se afastou da natureza. Mas gradualmente, seja pela busca de algo mais natural, seja pelo desencanto com a medicina química, seus efeitos colaterais e seu custo, retorna-se a Fitoterapia. Fitoterapia entendida como tratamento com plantas medicinais. Diferente da Homeopatia, que tem medicamentos originados dos reinos mineral, vegetal e animal.
Nas escolas e nos lares, uma coleção de plantas medicinais, em canteiros ou vasos, permitiria intervir nas doenças brandas, que representam cerca de 80 % dos casos.

Claro que toda técnica exige cuidados: 1) Lembrar que existem plantas tóxicas; 2) Ter certeza da planta que coleta; 3) não utilizar plantas doentes, com fungos ou parasitas; 4) Lembrar que a mesma planta recebe diferentes nomes populares em diferentes lugares, e várias plantas podem ter o mesmo nome; 5) Não misturar muitas plantas na mesma receita; 6) Não tomar muito tempo a mesma planta; 7) Não utilizar agrotóxicos; 8) Não utilizar adubos a partir de lixo urbano.

Algumas plantas deveriam ser cultivadas: A Calêndula em tintura ou pomadas para infeções; Compressas de Alecrim em abcessos; “Chá” (infusão) de Camomila em distúrbios menstruais ou insônia; Cana-de-Macaco como diurético; Capim Santo para nervosismo; Dente-de-Leão útil para tanta coisa, de “depurativo” a estimulante do apetite.

A “Farmácia de Deus”, usada com critério e sabedoria, evita a “medicalização” excessiva. O modelo de saúde básica, totalmente médico-centrado, não obrigatoriamente, leva a melhor nível de saúde das comunidades. Os processos simples de adoecimento devem ter soluções simples. Os indivíduos e as famílias tem o direito e o dever de se responsabilizarem por sua saúde e doença. O controle do processo de saúde e doença pelas comunidades e pelas famílias é uma necessidade. O complexo continuaria a pertencer aos médicos, aos serviços de saúde e aos hospitais.

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