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Crônicas-->UM CONTEMPORÂNEO E URBANO NATAL -- 10/12/2000 - 15:19 (Márcio Filgueiras de Amorim) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
UM CONTEMPORÂNEO E URBANO NATAL OU "A MORADA DO SER É O EXTRAORDINÁRIO"

Márcio Filgueiras de Amorim

Debaixo do viaduto, no casebre de papelão, nascia Jesus. Jesus da Silva, quinto filho de um casal de pedintes. Recebido com alegria pelos pais. Seu berço foi uma caixa de papelão, suas cobertas feitas de jornal. Suas roupas grandes sobravam dobradas nas pernas. Por cima a página policial. Suas companhias: baratas e distraídos ratinhos. Suas visitas foram três mendigos. Neste dia José, o pai, não saiu para mendigar ou catar papel. Maria cochilava cansada mas com um sorriso tênue nos lábios.

O milagre da vida pobre, miseravelmente celebrada. A divina e inexplicável manifestação da vida. O maravilhoso espetáculo do nascimento. Pobre ou rico o fenômeno é igualmente encantador, até perturbador pela sua grandiosa simplicidade.

Dois mil anos após onde andam a solidariedade, a misericórdia, o senso de fraternidade? Estamos conscientes de sermos todos, todos sem exceção, simplesmente irmãos? Um pequeno desejo de partilhar minoraria o sofrimento, a fome e a miséria do vizinho no viaduto mais próximo.

E Jesus, crescerá e terá um grande papel no seu universo de vida? Será honesto ou assaltará no sinal? Será um bom companheiro e pai ou estuprador nas madrugadas? Estará exercendo o livre arbítrio individual ou será prisioneiro de influências poderosas do processo cultura, ambiental e social? Este o dilema de todos nós! Até que ponto nossas vidas, nossas ações, são resultados de nossas escolhas ou resultantes de nossas condições e condicionantes de vida?

Escolham a continuação deste fictício, mas que de forma ambígua sabemos está acontecendo, com pequenas variações embaixo de viadutos e casebres, por todo o país, neste exato minuto. Preferimos ver o natal pasteurizado, europeu, igual em qualquer “Shopping Center” do país? Incomoda menos, é mais confortável, mais bonito, menos traumático, traz menos inquietação e menos questionamentos.

As lições do Natal, o exemplo deixado pelo menino há 2.000 anos, foram reduzidas a Papai Noel vestido de veludo vermelho, com renas voadoras e o saco de presentes do Paraguai. Onde ficaram os exemplos de perdão, fraternidade e solidariedade? - Daí a outra face! - Atire a primeira pedra! – A multiplicação de pão e vinho. - O mistério do Gólgota, a morte na cruz para remissão dos pecados da humanidade!

Todo rito só tem significado pelo que possui de simbólico. Simbólico (do grego syn bolein = através de) significa o que une a um conteúdo prévio, arquetípico. Sòmente a intenção fornece consistência ao ritual. O que se faz no externo precisa corresponder a um conteúdo interno, sob pena de tudo ficar vazio, sem vida. O rito, o drama, a parábola são importantes instrumentos para falar a alma. Só se toca a alma pela emoção. Temos a oportunidade agora pelo natal de procurar tocar as nossas almas e a de nossos filhos, tão adormecidas pela rotina ordinária do dia a dia. Lembremos o que nos dizia o filósofo grego Epicuro, no século V a. C. A morada do homem é o extraordinário. Podemos escolher entre ficarmos so no Natal da troca de presentes do Paraguai. Sem nenhuma ofensa ao país vizinho! Ou enriquecermos o momento e nossas vidas com vivência como: - uma Cantata de Natal; -uma Representação do Nascimento do Cristo; um Ritual envolvendo a família; - uma Celebração Religiosa com participação efetiva. Este precisa ser um momento para se usar a emoção, a sensibilidade e a criatividade e não um momento banal.

Não nós esqueçamos “A morada do ser é o extraordinário”.
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