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Roteiro_de_Filme_ou_Novela-->Imagine -- 24/12/2016 - 17:24 (João Rios Mendes) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

“Oi Áster, tudo bem? Que cara é essa? Parece que está chateado!”

“Oi Camélia, não é nada não. É que no Natal eu fico com banzo.”

“Então anime-se homem! Você é o vizinho mais difícil de aparecer e quando dá o ar da graça está de cara amarrada. Por acaso você já foi escravo para ter banzo?”

“Claro que não!” Respondeu com um sorriso que teimava em não se mostrar.

“Então mais um motivo para sorrir, levantar a cabeça e esperar o Papai Noel.”

“Camélia, é que nesta época tudo me soa falso. O papai noel é apenas um garoto propaganda para o comércio, as pessoas estão pouco ligando para o aniversariante Jesus Cristo. Acho deprimentes aquelas filas intermináveis para comprar um presente especial para uma pessoa que julgamos especial. Sendo que o ano todinho não lembramos dela, não compramos nada para ela... Pelo contrário, muitas vezes até chateamos com a tal pessoa.”

“Calma Áster, vamos com calma... Não tiro sua razão. Mas isto não é motivo para sua tristeza. Afinal, se você ficar triste todas as pessoas em volta também ficarão tristes. Então alegre-se que todos em sua volta igualmente se alegrarão.”

“Camélia, sei que não vou transformar o mundo com essa tristeza mas desde pequeno que nesta época não consigo me erguer.”
“Deixa eu tentar adivinhar. São as músicas natalinas que te fazem sofrer? São as filas intermináveis para comprar presentes que logo estarão largados ao léu?”

“Camélia, talvez seja um pouco de tudo isso. Mas veja o quanto nesta época fingimos nos importar com o próximo. Você percebe que as pessoas ficam mais caridosas, mais atenciosas, mais desarmadas espiritualmente? Pois bem, do meu ponto de vista aí está a falsidade desta data. Por que o comércio, os governantes as pessoas não procuram ser assim o ano todo? Por que tem esperar o fim do ano e por poucos dias nos despojarmos das nossas armaduras e desejarmos felicidades a parentes, colegas de trabalho e até aos estranhos? Entendeu o que me entristece? Se esse desejo de Feliz Natal fosse verdadeiro, o ano todo estaríamos preocupados em ajudar os moradores de rua, compraríamos agradinhos para as pessoas queridas, enfeitaríamos nossas casas com luzes coloridas. Acabei de ouvir aquela música do John Lenonn, que é um verdadeiro hino de natal:

Imagine que não houvesse nenhum país
Não é difícil imaginar
Nenhum motivo para matar ou morrer
E nem religião, também...

Pois quando ouço essa música é que vejo o quanto somos hipócritas, o quanto tentamos nos enganar dizendo para nós mesmos que somos bonzinhos, que nos preocupamos com o próximo. Por que não nos empenhamos em ‘nos enganar’ o ano todo?”

“Querido Áster, animar você será uma tarefa árdua, mas vou aceitar o desafio.

"Áster, eu compartilho seu inconformismo com as atitudes do ser humano. Infelizmente somos todos compostos de diversas virtudes e imperfeições. Na nossa insignificância tentamos exaltar nossas virtudes e usar máscaras variadas que `tapem` nossos defeitos. Esta época é realmente propícia para que estas atitudes sobressaiam. O chamado `Espírito Natalino` nada mais é do que o convite do Cristo à reforma íntima nas criaturas, e por estar impresso em nossa consciência, esta data faz com que tentemos nos mostrar melhores do que realmente somos. Mesmo que não tenhamos alcançado a árvore das virtudes que tentamos colorir com as bolas reluzentes e luzinhas piscantes, nosso orgulho se enfeita a fim de esconder as chagas das quais é composto. Todo e qualquer defeito da alma humana advém do orgulho. As virtudes dispensam enfeites. Ainda ontem Açucena me perguntou o que simboliza o Natal para mim e imediatamente me veio uma lembrança de infância:
"Havia um pequeno rancho a beira da estrada da fazenda de vovó, um rancho de pau a pique, com paredes barreadas e chão batido, todo coberto de palhas trançadas. Morava ali um senhor negro, que parecia-me ter acabado de sair de uma senzala, bastante encurvado com o peso dos anos. Era de costume vovó parar na tapera e pedir que ele nos benzesse contra os quebrantos... E lá ia Pai Guiné com seu cajado e seu cachimbo em busca de folhas e ervas no quintal, os quais juntava em macinhos de folhas frescas. Um por vez nos sentávamos em um banquinho tosco de três pernas. Pai Guiné, enquanto bailava suavemente os raminhos à nossa volta, fechava os olhos embaçados pelos anos e murmurava preces que não entendíamos. Numa dessas ocasiões, acabada a benzição, pedi-lhe água para beber. Quando entrei no ranchinho em busca do pote, vi sob a janela uma mesinha com pequenas estatuetas de barro que me atraíram a atenção feitas por suas mãos calejadas. Era um singelo presépio. Foi a primeira vez que vi um. Perguntei o que era aquilo e ele respondeu:

"Minha filha, o `tar presepi`! Ele representa a vinda do `minino Jesuis` para nos ensinar o amor. Quando ele nasceu ganhou três presentes que deveria distribuir à humanidade: Ouro, Incenso e Mirra. O Ouro simboliza a Providência Divina em nossas vidas, pois o Pai tudo vê e tudo provê; o Incenso a oração, que assim como a fumaça que emite sobe ao céu em busca do Criador é por ela que nos aproximamos Dele; a Mirra, um composto usado nos embalsamamentos da época e representa a eternidade da alma em busca de aprimoramento."

"Assim, com o passar do tempo entendi que o natal dispensa enfeites, festas, fartura e presentes. O Natal vem nos lembrar do nascimento daquele que trouxe o maior convite à humanidade:

"Amarás ao senhor teu Deus, de todo seu coração, de toda sua alma, de todo teu entendimento... e ao próximo como a ti mesmo!"

"Ninguém vai ao Pai, senão por mim!"

Cabe a cada um de nós aceitar o convite renovado por Ele a cada Natal e seguir adiante.

Agora, feche os olhos, ouça de novo a música de John Lenonn e ...imagine!









Colaboração: Ângela Fakir e Jeanne Martins
Desenho: Ângela Fakir
http://riscoserabiscosangelafakir.blogspot.com.br/

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