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Contos-->VAI QUE É TUA, GUAXINIM. -- 18/11/2012 - 12:10 (Henrique César Pinheiro) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Guaxinim. Assim era conhecido um perigoso morador de Bodocó, cidade onde, em 1984, Raimundo Diniz dos Santos, conhecido por Diniz, foi passar o carnaval. Filho natural dali, mas radicado no Recife há muitos anos, volta e meia Diniz dava um pulo em sua terra natal.

Bodocó é uma cidade do agreste pernambucano, que fica na divisa com o Ceará, na Região do Cariri, estremando com a cidade cearense de Campos Sales.

Pois foi em Bodocó que Diniz passou o carnaval de 1984, com já dito. No último dia de festa, terça-feira de carnaval, resolveu ir para o clube da cidade, que há muito não freqüentava, e de lá tinha boas lembranças de sua juventude, quando se embalava nas tertúlias dançantes dos anos 60, começo da década de 70, época que fora embora para o Rio de Janeiro, e posteriormente fixar residência definitivamente na capital pernambucana, no começo de 81.

À tarde, foi para a praça da cidade e ficou bebendo com os amigos, alguns deles há muito não via. Beberam, à tarde toda, entrando pela noite, até a hora de começar a festa. Quando junto com vários deles foi para o clube da cidade. Todos já bastantes altos. Alguns embriagados mesmo. Antes de entrarem no clube, ainda passaram na mercearia do Zé Ivan e beberam mais uns goles de cachaça.

Ao entrar no clube Diniz dá de cara com um primo Leo, que imediatamente o levou para o bar. Onde continuou a beber cerveja, vinho. O que aparecia. Chegaram até mesmo a dar uns cheiros na loló.

Muito embriagado, Diniz foi para o salão, onde começou a pular. Pula daqui, pula dali, não se sabe como ele começou uma discussão, e simplesmente com o famoso Guaxinim. A turma do deixa pra lá apartou a confusão. Guaxinim ficou por ali, mas Diniz, que na confusão perdera os óculos não se conformava, dizendo para Guaxinim, sem recolhê-lo, de tão embriagado, que iria matar o sujeito com quem discutira antes. Guaxinim não dava a mínima. Apenas ria.
No dia seguinte, ainda de ressaca, Diniz foi ao clube à procura dos óculos. Na volta, encontra outro primo, Alfredo, que já sabia da notícia e pede a Diniz para ter cuidado.

- Guaxinim é muito perigoso e vingativo, disse-lhe Alfredo.
- Ao que Diniz respondeu: Como vou tomar precaução se não conheço o sujeito e se o vir não terei como reconhecê-lo, pois quando da confusão estava muito embriagado.

O caso terminou por aí. E na quarta-feira de Cinzas, Diniz voltou para Recife.

Tempos depois, Diniz voltou para passear na sua terra e novamente passar alguns dias com os amigos, curtindo umas merecidas férias. Por lá ficou vários dias, e não houve qualquer problema, até mesmo tinha esquecido o incidente com Guaxinim.

Numa bela tarde, Diniz estava no campo de futebol para jogar uma pelada. Feita a escalação dos times, ficou faltando um jogador para um dos lados. Mesmo assim o jogou começou, e o primeiro jogador que chegasse entraria para completar o time que tinha um jogador a menos. Regra de pelada.

O tempo foi passando, o jogo correndo e nada de aparecer outro atleta para completar o time de Diniz.

Ainda no primeiro tempo, por trás da trave contrária a do time defendido por Diniz, surge caminhando lentamente, por uma vereda, um sujeito com uma espingarda nas costas. Um jogador do time de Diniz, diz:

- Entra para o nosso lado, Guaxinim. A gente ataca para esse gol aí.
- Lívido de medo, Diniz baixinho exclamou: Morri, mas continuou jogado, rezando para não ser reconhecido pelo Guaxinim.
Guaxinim, tranqüilamente, encosta a espingarda numa das traves e entra para jogar.

Diniz morrendo de medo de ser reconhecido, mas para agradar Guaxinim, toda bola que pega lá atrás metia para o Guaxinim e gritava:

- Vai que é tua, Guaxinim.

Anos mais tarde, Diniz veio a saber que Guaxinim fora morta num confronto com a polícia.

Henrique César Pinheiro
Fortaleza, novembro/2012.

Comentários

FERNANDA XEREZ  - 22/11/2012

Oi Henrique, boa tarde!! Vou nem mentir, eu também tive medo do Guaxinim. (rs)
Um conto cheio de suspense e com um final surpreendente. Adorei!! Beijooo

Eliana  - 18/11/2012

Poeta Henrique César
Existe uma conexâo intrigante;muitas vezes tenho a impressão de que as coisas são complicadas,principalmente no âmbito de relacionamento entre as pessoas,sempre há brigas,mas vai que é tua Guaxinim é brabo.
Está divertido seu conto principalmente pelas regras do jogo.
No carnaval com um bom vinho não se esquece jamais.Diniz que o diga.
PARABÉNS.

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