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Contos-->I. Policial 203/85: Vítima: Marcela(2) -- 01/09/2013 - 15:44 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Segunda parte das declarações dadas por Marcela Miranda, menor, 16 anos, vítima de sequestro, cárcere privado, tortura e violência sexual. Nesta 2ª parte, a vítima fala do primeiros abusos e primeiras tortura. As declarações foram dadas ao delegado Joaquim Habour, responsável pelo inquérito policial que apura o caso conhecido com “Os horrores na Casa do Alto do Morro”. Para ler a primeira parte dessas declarações, clique aqui


Antes de começarmos, não sei se você já sabe, mas ainda não conseguimos prender o dr. Mathias. Os aeroportos e todas as saídas do país estão em alerta. Ele não vai conseguir escapar ou se esconder por muito tempo. A ex-esposa e os filhos prestaram esclarecimentos em São Paulo e nos informaram que ele chegou a abusar dos próprios filhos. Esse aliás foi o motivo que levou ao fim do casamento. Inclusive ele já respondeu um processo por um suposto abuso de uma paciente, uma menina de 13 anos.
Mas se ele já tinha feito tudo isso, por que ainda continuava solto?

O abuso dos filhos foi abafado pela família e a justiça não tinha conhecimento disso. Quanto ao abuso da paciente, não haviam provas suficientes para condená-lo e o processo foi arquivado. Infelizmente a justiça brasileira, além de demorada demais, muitas vezes permite que um processo acabe sem uma solução.
Enquanto isso esses monstros ficam soltos, fazendo suas monstruosidades.

Infelizmente são anomalias de nossas leis. Bom, vamos continuar? Se você quer este homem na cadeia para o resto da vida, terá de nos ajudar.
É o que mais quero! Que ele pago por tudo que fez.

Então vamos retomar de onde você tinha parado. Ainda se recorda?
Recordo. Foi quando ele me levou para aquele quarto.

Exato. Na realidade aquilo era um estúdio. Por isso a quantidade de espelhos, luzes, monitores e câmeras. Então o que aconteceu quando ele te jogou na cama?
Me amarrou de frente. Primeiro, soltou uma das minhas mãos da algema e amarrou a outra no ferro da cama; depois mandou eu dobrar a perna do lado que a mão estava solta. Eu não quis dobrar, porque eu sabia que ele ia amarrar ela. Ai ele me deu uma bofetada bem forte. Doeu muito. Ficou ardendo por algum tempo. Ai ele mandou novamente eu dobrar ela. Com medo de apanhar mais, obedeci.

Certo. Prossiga.
Ai ele pegou uma corda, puxou o meu braço e amarrou o meu punho do lado de fora da perna, perto do calcanhar, de forma que eu não pudesse espichar a perna e nem mexer o braço. Depois, solto o outro que estava preso na cama e fez a mesma coisa. Fiquei com os dois braços espichados e amarrados nas pernas.

Ou seja: completamente imobilizada.
Foi.

E depois?
Ele mandou eu abrir bem as pernas. Lembro que eu chorava bastante. Tanto que ele disse para eu parar com aquela choradeira inútil porque não ia adiantar de nada. Eu era sua escrava e nada mudaria o meu destino. Isso, ao invés de me acalmar, me fez foi chorar ainda mais. E ele não deu a mínima para a minha dor. Parecia que eu não era um ser humano, mas um objeto qualquer.

Há pessoas que são totalmente indiferentes à dor do outro. São frias e incapazes de se comover com qualquer coisa. Esse homem parece ser uma dessas. Prossiga, por favor.
Ai ele se abaixou no meio das minhas pernas, abriu minha xana e ficou examinando ela. Eu sentia os dedos dele me tocar ali no meio. Pensei que ele ia enfiar o dedo em mim, mas não fez isso. Depois de algum tempo, levantou a cabeça, olhou para mim e disse: Intocada. Isso é ótimo! Fiz uma boa escolha quando passei aquela tarde estacionado diante do colégio. Eram tantas meninas. E você era a minha segunda opção. A outra escapou por pouco. Era filha de uma professora. Não quis me arriscar. Seus pais não eram ninguém. Seu desaparecimento chamaria bem menos a atenção. Esse foi o seu azar.

E depois?
Ele se levantou. Ai eu vi que o pinto dele, aquela coisa nojenta. Só de lembrar me dá vontade de vomitar. Estava maior. Não estava duro, mas estava maior do que antes. Então ele se curvou em cima de mim e ficou passando a mãos mãos pelo meu corpo. Agarrou meus seios e apertou eles. Depois desceu a mão até o meio das minhas pernas e ficou passando o dedo na minha xana, dizendo que eu era um frescor delicioso, que seria uma fonte de inesgotável prazer. Nisso, olhei para o pinto dele e vi que ele tinha crescido.

Certo. E ele chegou a abusar de você ali?
Não. Daquela vez não. Mas ficou me acariciando com uma mão e o pinto dele com a outra. De repente ele começou a sentir alguma coisa e o pinto dele esguichou aquela coisa gosmenta em cima de mim. Que nojo eu senti quando aquilo espirrou em mim. Caiu bem em cima da minha barriga e num dos peitos.

Você sabe se ele fez isso com as outras meninas?
Fez sim. Não com todas. Mas fez com a Mariana, a Ana Paula e a Sandra. Elas contaram. A gente contava tudo uma para a outra o que ele fazia com a gente.

Então tudo que ele fez com cada uma de vocês era passado para outras?
Era.

Isso é muito bom, pois ajuda a confirmar as informações das três crianças. As informações delas estão sendo obtidas por um casal de psicólogos, já que são menores de 14 anos. E isso tem que ser feito da forma menos traumática possível.
A Mariana, a Ana Paula e aquele garoto?

Exato. Por acaso o nome dele é Marcelo. Eles o chamam de Marcelinho.
É ele mesmo. Apesar de todo esse tempo presa lá com eles, nos encontramos poucas vezes. Ele parecia medroso e quase não falava com ninguém.

Prosseguindo. Você voltou para a cela depois?
Voltei. Ele me levou de volta, disse que eu poderia tomar outro banho e desapareceu.

E quando ele voltou novamente?
Não sei direito. Acho que foi no outro dia.

E o que ele fez?
A mesma coisa: me levou novamente para aquele quarto e me amarrou do mesmo jeito.

E tornou a te examinar?
No começo sim. Mais aí ele enfiou alguma coisa dentro de mim e ficou olhado para uma tela que tinha no canto. Quando virei o rosto para ver o que ele estava olhando, vi umas imagens estranhas. Mas depois compreendi que eram de dentro de mim. Ele tinha enfiado uma câmera bem pequenininha em mim. Era tão pequena que eu mal sentia ela.

E depois que ele te filmou?
Quando ele tirou a câmera, disse que estava tudo perfeito. Ai ele olhou para mim e disse que eu tinha um hímen bastante frágil. Lembro que ele disse: você nem vai sentir quando ele se romper. Eu nem sabia direito que aquilo chamava hímen. As meninas chamavam de “selinho”, de “cabacinho” ou simplesmente de “virgindade”.

Muitas meninas não sabem. Mas este é o termo correto. Quando ele está rompido se diz que a mulher não é mais virgem. Bem, e depois?
Ele perguntou se eu sabia o que era... Como é mesmo a palavra? É quando a mulher chupa o homem.

Felação.
Isso! Ai eu disse que não. Então ele me mostrou o pinto dele e disse que era quando se chupa ele. Então ele perguntou se eu já tinha visto alguém fazer. Eu disse que não. Ai ele disse para eu olhar para uma outra tela que tinha bem de frente para mim. Ai começou a passar um filme. Uma garota mais ou menos da minha idade fazia isso com um homem mais ou menos da idade dele.

Não era ele no filme?
Não. Era outro homem.

Essa informação é interessante. Isso quer dizer que ele possuía filmes onde jovens eram abusados.
Tinha sim. Com crianças também. A gente teve de assistir vários desses filmes.

Depois você vai me falar mais sobre esses filmes. Vou pedir uma nova diligência na casa para ver se encontram escondido em algum lugar esses filmes. A não ser que ele tenha levado eles consigo. Mas vamos prosseguir, preciso que você nos conte mais sobre os abusos que sofreu. E depois de passar o filme, o que aconteceu?
Ele disse: agora vamos ver se você aprendeu. É sua vez de fazer. Ai, me puxou para a beirada da cama e aproximou aquela coisa nojenta da minha boca e mandou eu chupar. Eu não abri a boca. Ele tentou enfiar ele, mas eu mantive a boca fechada. Ele mandou várias vezes eu abrir a boca e chupar, mas eu não obedeci. Nem quando ele me xingou de vadia e disse que ia me castigar até eu obedecer.

Ai ele te bateu?
Bateu. Pegou uma corda grossa que estava pendura ali do lado e começou a me bater com ela. Primeiro, me bateu na bunda. E bateu com força, porque doeu muito e ficou ardendo. Enquanto me batia, dizia: quero ver se você vai chupar ou não. Depois, bateu na minha barriga e acertou um dos meus peitos. Foi uma dor terrível! Ficou as marcas roxas e levou uns dias para sumir. Eu comecei a gritar e disse que ia chupar. Táva desesperada. Não queria apanhar mais; Mas ele não parou. Me bateu bem no meio das pernas, na minha xana e disse que se eu não fizesse direito o castigo ia ser ainda maior. Ai jogou a corda pro lado, subiu em cima de mim e enfiou aquilo na minha boca.

Pelo que já conseguimos apurar, ele tinha tendências sádicas. Humilhar e causar sofrimento nas vítimas aumentava o seu prazer. O sadismo é muito mais comum no ser humano do que se imagina, mas a maioria das pessoas ou reprime o seu sadismo ou praticam ele de forma saudável, sem causar danos ao outro. Em uma minoria porém se torna uma doença e leva essas pessoas a cometer atrocidades.. Este parece ter sido o caso dele.
E foi mesmo! Ele fez coisas terríveis com a gente. Fincava as coisas, cortava e queimava a gente. Fazia a gente sentir muita dor. E fazia tudo na frente uns dos outros para servir de exemplo. Fico imaginando o quanto que o Rafael sofreu quando ele castrou ele. Ele berrava de dor. Até que desmaiou.

Ele já prestou uma parte dos esclarecimentos. Mas vai retornar para continuar. Mas sobre isso, falaremos no momento oportuno. Precisos seguir uma sequência cronológica, pois assim fica mais fácil para vocês se lembrar dos fatos. Assim, vamos prosseguir. E quando ele parou?
Quando aquela coisa nojenta esguichou na minha boca. Nossa! Só de lembrar disso, sinto vontade de vomitar.

Quer parar por hoje?
Prefiro. Não aguento mais. Tô quase vomitando.

Tudo bem, a gente continua depois.



Fim da segunda parte.


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