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Contos-->O tio Zé -- 28/10/2013 - 14:35 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Era José como outro qualquer, mas o Velu herdara do pai, Velusiano, um rijo

curvelano, seleiro, muito brasileiro, e ainda mais casamenteiro.

E o Zé, apesar de bonitão, dotado pro violão, seguiu o pai só na habilidade de lidar

com o couro. Mas pra dar no couro, que desdouro.

Desde cedo quis ganhar mundo, viajou para São Paulo como fizera o irmão

Francisco. E com brilho nos olhos e voz emocionada, narrava para os sobrinhos o seu

encantamento com a cidade

que vira em 1924. A estação da Luz, o viaduto do Chá, a avenida São João.

Não falava porém das moças, nem de trabalho. Trabalho era para o Chico, que se

empregara na estrada de ferro e fora morrer ainda moço em Santos.

O que o Zé queria e sempre quis, foi a diversão e, iludido nela, foi levando a vida,

entre um maço de Douradinho e outro. Fez o mínimo para sobreviver, valendo-se de

sua habilidade no ofício que aprendera do pai. Mas o melhor de seu tempo era para as

serestas, com aquela sua voz profunda e aveludada.

Devia ter namorado muito mas a animação pro matrimônio não era com ele.

Envelhecer, tampouco.

Já beirando os setenta, insistia que tinha era trinta e oito. E satisfazendo seu desejo,

aquele incorrigível andejo foi morrer com trinta e nove, sem deixar descendência e só

seu violão é que comove.
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