Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
128 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 56624 )
Cartas ( 21128)
Contos (12502)
Cordel (9854)
Crônicas (21854)
Discursos (3121)
Ensaios - (9995)
Erótico (13199)
Frases (41612)
Humor (17732)
Infantil (3604)
Infanto Juvenil (2332)
Letras de Música (5448)
Peça de Teatro (1312)
Poesias (137016)
Redação (2886)
Roteiro de Filme ou Novela (1049)
Teses / Monologos (2381)
Textos Jurídicos (1917)
Textos Religiosos/Sermões (4500)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Contos-->Gegê -- 07/11/2013 - 13:45 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Geraldo Gabriel, pelas iniciais, podia bem ser o Gegê, mas não parece que achava graça no velho Vargas. Seu mundo se expandia, não era só aquela alfaiataria.

Mas ela simbolizava bem pensamento daquele homem de ar misterioso, com seus quadros desenhados em crayon, mostrando fachadas de soberbos e austeros prédios em Dresden, Potsdam e alguma outra lúgubre cidade alemã.Bem que ele poderia ter sido convocado para lutar na segunda guerra, pois já entrara como rapaz naqueles anos quarenta. Alguns moços da terra chegaram a ser chamados, foram parar na Itália e pelo esgar dos retornados, menos mau fim parecia ter sido aquele dos que em Pistóia ficaram enterrados.

Veja o Zé Casemiro, por exemplo, aquele mulato forte, viçoso, cheio de energia... Antes de chegar aos cinquenta, estava aquele farrapo, ensimesmado, com suas crises, botando fogo nas cobertas pra espantar alguma coisa que insistia em persegui-lo...

E o Nestor: esse ao menos se casara, enchera a casa de filhos, tinha sua mexida lá no sindicato, contudo o temperamento explosivo era o sinal de algo mais corrosivo, pronto a ir pelos ares. E ainda ficava fazendo farra em sua furreca, pra baixo e pra cima, de seca e meca...

Mas com Geraldo talvez tivesse sido diferente. Nele, diziam, havia uma apreciação por tudo quanto fosse germânico, eficiente, disciplinado, funcional. E mesmo com a tesoura à mão ao invés do fuzil, fazia defesa articulada do espírito germânico. Atiraria no Fuherer?

Enquanto cortava, passava e chuleava, mas sobretudo saboreava o seu companheiro inseparável, que acabou traí-lo, bem antes do fim. O tabaco, esse velhaco. Mas lhe há de ter dado prazer, como desdizer? E a fumaça, a gente prende, solta, acha graça, e acha que passa.

Impéria era o nome de sua alfaiataria. Mudava-se de um prédio mais para um menos decadente, ou vice-versa - o que não chegava a ser muito diferente - mas sempre levava consigo aquela placa e os seus quadros em negro grafite pintados.

Elegante ele era e elegante foi até seu último instante. Suas caminhadas solitárias por altas horas da noite, portando seu terno riscado-de-giz, ou de alguma cor mais leve como os vapores do sereno, os densos bigodes já embranquiçados, rimando com os cabelos anelados, a força de gomalina para trás penteados e a forma sempre galante de responder a um cumprimento, um papo circunstante.
Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui