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Poesias-->O CEGO DO VALONGO -- 11/07/2017 - 22:11 (PAULO HENRIQUE COELHO FONTENELLE DE ARAUJO) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos



O cego do Valongo
segue o rastro no piso azul para entrar no metrô.
Não impeça a passagem.
O cego sem cão guia,
porque se libertou do cão,
segue com a  bengala as marcas azuis da trilha.
Ele quer entrar no metrô e seguir.
O cego já esteve no século XIX,
no Cais do Valongo, na cidade do Rio
chegando nu da África;
já passou o diabo,
mas hoje, contudo, desceu do ônibus,
negro, magro, de calças jeans, camiseta, bengala,
e quis seguir o caminho azul.
Não evite seu rumo,
porque ele sabe onde está.
O cego consegue ser alegórico.
Antes de entrar no vagão,
diz para os atônitos da plataforma:
“No mundo dos cegos,
o homem é um meio centauro
e os cavalos são a criação final.
Lindos!”



Do livro:"ADVERSOS E OUTROS MOMENTOS"

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