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Poesias-->SHANGRI-LÁ -- 18/08/2018 - 16:53 (Nelson de Medeiros Teixeira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


SHANGRI-LA





Eu sinto bem que já vivi muitas jornadas;

Fui senhor e fui escravo em vidas passadas...

Nossa existência é vivida em mil avatares!

Trazemos do berço aquela inata certeza

Que o amor é destino de nossa natureza

Cuja busca remonta a tempos milenares!



São destas repetidas migrações terrenas

Que guardamos às vezes com certezas plenas,

Um sentimento ou um desejo sem razão;

Um grande amor inexplicável que sentimos,

O querer estar num lugar que nunca vimos,

E até as mágoas que apertam o coração.



Por isto eu sei que toda esta amargura triste

Que sinto n&
39;alma e que a razão até resiste


Vem de longe, muito além do país da morte!

Por isso, num sopro de luz no firmamento

O vulto dela me ilumina, faz-me atento

E passo, então, a idealizá-la em minha sorte!



Mas, ( -sei que ela dirá- ) este vate delira:

- É pelo impossível que sonha e que suspira

O insensato e desvairado trovador!

Não. Nenhum bardo versifica e sonha em vão!

É que fiel escravo o poeta é desta emoção

Que vem de longe, da terra da magia, do amor...



Eu penso, às vezes, que fui lá pelos inversos;

Quem sabe não virão de Shangrilá os versos

Que jorram d&
39;alma de quem, um dia, antevi?


Se o “Déjà vue” que sinto é de fato verdade,

Se o que trago arraigado no peito é saudade,

Não se iluda mais, creia, lá te conheci!


 


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